Bolhas de sabão

Quando criança, eu tinha uma fissura por bolhas de sabão. Soprava centenas ao vento, só pra observar aquelas formas perfeitas, translúcidas e delicadas, voarem desgovernadas em direção ao céu.
Havia algo de mágico naqueles momentos: eu não entendia como uma mistura tão simples pudesse criar algo tão lindo.
Também não me conformava com o nosso breve encontro. Lembro de contar os segundos e observar enquanto elas se desfaziam no ar.
Certo dia, já grandinha, uma professora de química me ensinou uma receita para criar bolhas mais resistentes. E lá fui eu, toda contente, fazer a tal da mistura.
Criei bolhas gigantes, translúcidas e pesadas, que demoravam a estourar. Observei-as por algum tempo, sem contar os segundos.
E, sabe de uma coisa? Apesar de grandes e resistentes, faltava algo. Aquelas bolhas não me encantavam como as outras.
Foi quando eu passei a ter controle sobre o tamanho e o tempo que passaríamos juntas, que as bolhas deixaram de ser especiais.
Lição aprendida: na vida, a gente vai se deparar com receitas pra mudar ou melhorar quase tudo. Porém, há coisas, momentos e situações que perdem a sua mágica quando passam a ser controlados/manipulados por nós.

Fica a dica.

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Guanajuato: a cidade mais colorida e charmosa do México

Tem chovido bastante nos últimos dias em Toronto. Tá certo que o meu bastante é exagero, mas tivemos alguns dias cinzentos na semana passada. Nessas horas, quando lá fora os tons parecem se tornar monocromáticos, eu abro o meu álbum de fotos no celular e passo um bom tempo revendo os nossos registros dos dias coloridos e cheios de sol no México. Foi ai que me dei conta de que já havia passado da hora de escrever no blog o segundo post que havia prometido no texto anterior. Eu sei, tenho andado muito ausente… me sinto culpada por não postar com frequência, mas isso é assunto para um outro texto. E vamos ao que interessa!

Guanajuato: amor à primeira pesquisa

Depois de explorarmos Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones por 3 semanas, queríamos continuar viajando pelo México, afinal, o custo de vida por lá era bem mais baixo e o inverno não havia terminado em Toronto. Após umas pesquisas, decidimos montar a nossa “base” em Guanajuato, uma cidade super colorida, conhecida como o principal destino cultural do país e capital do estado de mesmo nome. Ok. Deixa eu ser bem sincera e contar a verdade. Eu simplesmente fui no Google e digitei: cidades mais coloridas do México e booom… ela apareceu! Não teve nem conversa. Ali mesmo eu me apaixonei e avisei pro Marc que o nosso próximo destino já estava resolvido. Iríamos pra lá e ponto final.

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Guanajuato é considerada a capital cultural do México
De Guadalajara, pegamos um ônibus ($400 pesos) super confortável e viajamos por quatro horas até chegarmos a Guanajuato. A cidade é mesmo maravilhosa! Além de super colorida, foi construída em terreno montanhoso e grande parte das ruas são ladeiras (mega íngremes, por sinal). Eu, que andava comendo muuuito mais do que deveria, adorei o fato de ter que subir e descer uma ladeira cabulosa de 700 metros todos os dias. Não era fácil não, viu?

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Logo que decidimos ir para Guanajuato, entrei em contato com alguns donos de airbnbs em busca de parcerias e, para a nossa surpresa, um deles estava mesmo à procura de alguém que o ajudasse a produzir conteúdo para as páginas que ele mantém. Nas três semanas que ficamos por lá, eu trabalhei algumas horas por dia, o Marc continuava trabalhando online e não pagamos pelo aluguel. Gastávamos muito menos em comida do que gastamos aqui no Canadá. Gente, o México é um sonho de barato!

A cidade é super charmosa, mundialmente famosa por sua arquitetura colonial e bastante agitada. No centro histórico – onde ficam os bares e restaurantes mais populares – turistas e moradores mais antigos se misturam aos milhares de estudantes da Universidade de Guanajuato, localizada no município.

Basílica Nossa Senhora de Guanajuato, no centro histórico

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Fiquei encantada com a cor dessa igreja
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O burburinho acontece sempre no centro histórico. Além de apreciar as delícias da cozinha mexicana, você pode acompanhar os músicos pela tradicional la callejoneada, na qual um grupo segue cantando e tocando músicas mexicanas pelas principais ruas da cidade. Em determinado momento, o público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte de uma apresentação teatral com muitas brincadeiras. A atração custa em torno de 120 pesos por pessoa e pode durar até 1 hora e meia.

Músico no centro histórico de Guanajuato

A nossa rotina em Guanajuato eram bem tranquila. Além do trabalho, tirávamos algumas horas do dia para explorar museus e os charmosos coffee shops espalhados pelo centro. Visitamos o Museu e Casa Diego Riveira, o qual eu estava super empolgada para conhecer. Porém, fiquei um pouco decepcionada, já que não há muitos trabalhos do artista.

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Eu não me cansava da vista e nem das cores da cidade
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Day Trip para Dolores Hidalgo e San Miguel de Allende

A apenas uma hora e meia de Guanajuato fica San Miguel de Allende, outro destino bastante popular no México. Apesar de sermos um pouco avessos a tours, decidimos pagar por um e visitar duas cidades no estado de Guanajuato em um só dia. A primeira parada foi Dolores Hidalgo, município de grande importância para a história do país, onde se deu início a luta da independência nacional.

Estátua de Miguel Hidalgo y Costilla, padre mexicano que liderou a luta pela independência
A cidade não é agitada e não hà muitas atrações turísticas. Visitamos um pequeno museu onde aprendemos um pouco sobre personagens importantes na história do México e, principalmente, no movimento da independência.

Ficamos umas duas horinhas por lá e seguimos para San Miguel de Allende. No caminho, uma parada para almoçarmos e visitarmos algumas lojas de cerâmicas produzidas na região.

Já em San Miguel, o clima era completamente diferente. As ruas estavam cheias, apresentações de dança aconteciam na praça principal e mariachis podiam ser ouvidos de todas as esquinas. Não é a toa que dentre os destinos coloniais do México, a cidade também é uma das mais procuradas.

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Paróquia de San Miguel Arcángel, símbolo da cidade de San Miguel de Allende

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Músicos, convidados e noivos percorrem as ruas de San Miguel durante a celebração de um casamento

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Noivos dançam ao som dos Mariachis
Aliás, o destino é um dos preferidos dos pombinhos que desejam fugir das praias mexicanas, mas que ainda querem um destination wedding no país. Demais né?

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Durante o tour, ficamos livres para curtir a cidade e tivemos tempo para tomar uns drinks

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Vendedora de artesanatos em San Miguel de Allende
Gostamos muito de conhecer San Miguel de Allende e eu queria ter passado mais um tempinho por lá. Contudo, por ser uma cidade com maior concentração de turistas, ainda preferimos o clima de Guanajuato.

O que fazer em Guanajuato

Na nossa primeira semana na cidade, visitamos os museus, galerias de arte, principais pontos turísticos e caminhamos por horas por aquelas ladeiras. Depois de alguns dias, a nossa diversão se resumia a visitar os restaurantes mais indicados pelos moradores. Infelizmente, tirei pouquíssimas fotos nas atrações turísticas e nos restaurantes, sorry! Massssss, vou deixar aqui um montão de fotos com dicas nas legendas para que vocês possam ver de que forma exploramos o local.

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Aproveite o fato da cidade ser super fotogênica e tire bastante fotos hahaha

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Fotos do céu…

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…do chão

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Fotos de cantinhos charmosos

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Prove drinks feitos com mezcal, muito confundido com a tequila, já que ambas bebidas são produzidas a partir do agave

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O Museu Casa Diego Rivera é parada obrigatória. Porém, não espere muito. Caso queira conhecer a fundo a história de vida de Diego e Frida, planeje uma ida à Casa Azul, em Coyoacán, Cidade do México

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Faça uma trilha pelas montanhas próximas ao centro da cidade. Caminhamos por uns 40 minutos e chegamos a este local, que não era super limpo, mas que tinha uma vista fantástica
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Deixe e a preguiça e os táxis de lado e encare as inúmeras ladeiras da cidade. Você vai se encantar com o colorido das casas

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Caso opte por um airbnb, escolha um que tenha uma vista bacana! Os preços não variam tanto e você vai curtir muito mais

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Não se prenda somente à culinária mexicana (não que seja difícil comer tacos todos os dias haha), mas o restaurante Habibti de comidas árabes era um dos nossos favoritos. Além de delicioso, super barato!

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Coma sem culpa! Porque comida Mexicana é uma das sete maravilhas do mundo!!! Não, não é. Mas bem que poderia ser, ne?

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Prove o churros, as nieves/helados (sorvetes) e tudo o que tiver vontade!

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Depois de comer todas essas delícias, corra ou caminhe até o Monumento al Pipila, famoso ponto turístico com uma vista de tirar o fôlego

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Visite o Callejón del Beso, o beco mais estreito e mais famoso da cidade. Filas são formadas todos os dias por pessoas que querem tirar uma foto no local. Segundo a lenda contada por moradores, uma versão mexicana de Romeu e Julieta, a trágica história de amor, ocorreu naquele lugar.

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Não deixe de provar as frutas vendidas nas dezenas de barraquinha espalhadas pela cidade. Além de doces, são super baratas
Uma outra atração que eu acabei deixando pra falar por último é o Museu de Múmias (Museo de Las Momias de Guanajuato). A verdade é que eu não tive o interesse em ir visitar e o Marc acabou indo sozinho. Não tenho como dizer se vale a pena, mas sei que ele voltou um pouco chocado com o que viu hahaha.

Nem preciso dizer que me apaixonei pelo México, né? Ficamos quase dois meses por lá e eu voltaria amanhã se fosse possível. É o tipo de país que combina tudo que a gente precisa para ter uma experiência completa: culinária maravilhosa, povo receptivo e sempre alegre, belezas naturais, rica história e arquitetura… tudo isso em um orçamento que não fere tanto o bolso, afinal, o peso mexicano não é tão forte quanto outras moedas.

Onde comer em Guanajuato

Café da manhã

  • Casa Ofélia (café da manhã tradicional)
  • Café Conquistador (melhor café)
  • Dolcets (o nosso preferido para omelete e crepes) é uma lojinha e café bem pequeno

Almoço e Jantar

  • Santo Café (boa variedade, bom preço)
  • Habibti Falafel (comida árabe, preço ótimo, sabor maravilhoso)
  • El Galo Pitagórico (mais chiquezinho, um pouco mais caro e delicioso)
  • Hostel Café e Bar Encounter (barato, saudável e boa variedade)
  • Casa Mercedes (caro, se comparado aos outros, mas muuuito bom)

Quer ver mais fotos do México? Dá uma olhada no meu insta que tem muitos outros clicks dessa e de outras viagens que fizemos nos últimos meses! 

@arittavaliense

 

 

 

 

 

México, onde um povo generoso e sua rica cultura dão as boas-vindas

Na lista de lugares que sempre sonhei em conhecer, o México estava em terceiro. O primeiro era o Camboja (conheci em 2015), em segundo está a África do Sul (ainda não conheço, quem sabe em 2018?) e então, México. Quando partimos do Canadá para os Eua, nem passava pela nossa cabeça visitar o país de Frida Kahlo em seguida. A decisão de vir pra cá, como contei em um post anterior, foi de última hora. E acabamos ficando no país por um mês e meio…

Frida em um muro na rua Coronilla, centro histórico de Guadalajara

A primeira parada foi Guadalajara, segunda maior cidade do México, localizada no estado de Jalisco, onde ficamos por 21 dias. Foi lá que tive o meu primeiro contato com a cultura mexicana, e me apaixonei por um povo que está sempre de bom humor e prestes a ajudar ao próximo. De lá, seguimos para outros locais. Visitamos Tlaquepaque, Tequila, Guachimontones, Guanajuato, San Miguel de Allende, Dolores Hidalgo e, por fim Cidade do México.

Neste primeiro post, falarei sobre Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones. Em um próximo, contarei sobre os lugares restantes, assim evitamos um post longo e pesado com tantas fotos. 

Guadalajara: o velho e o novo em um só lugar

O Centro Histórico e os casarões com portas maravilhosas
O charme de Guadalajara está no Centro Histórico. Não é uma cidade pra quem busca aventura em um lugar cosmopolita ou pra quem não tem paciência para visitar locais históricos. A cereja do bolo é a arquitetura dos prédios antigos e a sensação de estar em dois mundos ao mesmo tempo: uma cidade enorme e moderna, mas com grande ligação aos costumes antigos.

As praças – muitas, por sinal – são cheias de idosos sentados nos bancos, lendo jornais

A cidade possui 1,5 milhões de habitantes e, apesar de viverem em um ritmo um pouco mais acelerado do que aqueles que vivem no interior, eles ainda reservam boa parte do tempo para cumprimentar desconhecidos na rua e ajudar um ao outro. 


Outro grande atrativo de lá são os Mariachis – famosos grupos musicais originários do estado de Jalisco. Eles estão espalhados pelo centro da cidade, nos restaurantes, em feiras, mercados municipais e eventos diversos. Aliás, temos que concordar que o México caprichou no quesito riqueza cultural! A música é maravilhosa, a arquitetura e os artesanatos também, e a comida…..ahhh, essa ai tá lá no topo na lista das minhas preferidas.

Apresentação de Mariachi no centro de Guadalajara
Nas três semanas que ficamos por lá, não usamos o transporte público. Uber funciona super bem e é muito barato. As nossas corridas não passavam de $3 dólares. Como ficamos em um airbnb perto de muita coisa, também andávamos bastante.

Escritório no terraço do nosso airbnb

O trânsito não é tão ruim, mas os motoristas… Melhor prestar muita atenção ao atravessar as ruas em bairros que parecem super tranquilos. Em dois dias vi três batidas em locais onde acidentes de carro pareciam ser impossíveis de acontecer. Eles não diminuem a velocidade e não param em cruzamentos. 

Há pontos de aluguel de bikes espalhados pela cidade e também vias preferenciais para ciclistas. Aos domingos, algumas avenidas movimentadas são fechadas e você pode transitar de bike à vontade.

Ônibus e charretes transportam turistas no centro da cidade

Também há carrinhos vendendo comida praticamente em todas as ruas, mesmo as mais residenciais: frutas cortadinhas, refrescos, tacos, tortas (sanduíches), raspadinha… a lista é imensa!

Muitos turistas visitam Guadalajara por conta dos seus mercados gigantes, onde a gente consegue encontrar de tudo: artesanatos, roupas, calçados, jóias, comidas típicas… Os mais famosos são Mercado Libertad (ou San Juan de Dios), Galeria del Calzado e Magno Centeo Joyero (o maior mercado de jóias da América Latina). 

Culinária excepcional

A comida mexicana é boa DEMAIS e merece esse demais em maiúsculo porque não teve um único lugar dentre os quais visitamos, no qual a comida fosse ruim. Desde o boteco mais simples e com fila de espera ao restaurante super charmoso, mas que estava sempre vazio. Vai entender…

Tostadas no restaurante Bruna Cocina Aberta
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
 

Fiquei surpresa no nosso primeiro jantar, quando procurei no cardápio todas aquelas comidas mexicanas que eu tanto como no Canadá e não tinha muita coisa parecida. 

Cardápio de um restaurante super simples e que vivia com filas
Pozole, uma sopa de milho maduro cozido com vegetais e carne de sua preferência
Pratos lindos e saborosos no Río Viejo, um restaurante super charmoso

Na verdade, os únicos restaurantes que serviram burritos e tacos com a mesma aparência daquela que a gente vê em restaurantes mexicanos ao redor do mundo, foram os que ficavam em locais mais turísticos e restaurantes um pouco mais sofisticados. Nos food trucks e restaurantes tradicionais eles são bem simples. 
Tacos al pastor num restaurante super tradicional chamado La Santa Cruz
 

No México, as comidas de rua são tão boas quanto as servidas nos restaurantes. Em mercadões e feiras, não deixe de provar os ceviches, coquetéis de mariscos e carne en su jugo (carne cozida afogada em um molho de feijão). Tudo será servido com tortillas.

Charmosa Tlaquepaque

A 30 minutos do centro de Guadalajara fica Tlaquepaque (você pode pegar um uber por uns $100 pesos), um dos lugares mais charmosos que visitamos. 

Artesãos se apresentam em Tlaquepaque
O município tem uma vibe bem diferente da cidade vizinha (a qual faz parte). Lá é muito mais turístico e também mais caro. Há muitas lojas de móveis rústicos, objetos de decoração e peças de arte em geral. 

Igreja em Tlaquepaque
Artesanatos são um pouco mais caro em Tlaquepaque, por ser um local mais turístico

Adoramos passar uma tarde por lá e queria ter voltado durante a noite, pois soube que a cidade fica ainda mais charmosa. Acabamos esquecendo… fica pra próxima! 

Marc e o Mariachi em Tlaquepaque

Muita gente se hospeda em Tlaquepaque e passa a maior parte do tempo lá. É, sem dúvidas, um lugar com muitos atrativos a oferecer. Vale a pena inserir no roteiro! 

Day trip para Tequila

Também bem perto de Guadalajara (+ou- 60km) fica o município chamado Tequila – isso mesmo, existe uma cidade no México com ese nome. E, adivinha o que é produzido lá e distribuido para o mundo inteiro? Tequila! 

Fechamos um tour, pois queríamos visitar as haciendas e fazer o tradicional tequila tasting. Não foi muito barato (por volta de 125 dólares por pessoa) mas foi muito divertido. O nosso guia conhecia bastante a região e todo o processo de produção, o que tornou o passeio super educativo. 

Nós em uma das haciendas de cultivo do agave, principal ingrediente da tequila
Plantação de agave

O tour durou o dia inteiro. Visitamos duas fábricas e provamos os principais tipos de tequila produzidos na região: prata, ouro, reposado, anejo (envelhecida) e extra anejo (extra envelhecida). 

Tequila tasting
Barris na hacienda Tres Mujeres
 


Depois de muuuuita tequila, famos passear pelo centro da cidade, comemos em um mercado municipal e retornamos para Guadalajara no início da noite. Adoramos a experiência! 

Pirâmides circulares em Guachimontones

Considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do México, Guachimontones fica a uma hora de Guadalajara (pegamos um Uber, o motorista nos esperou lá e pagamos $600 pesos ida/volta) no município de Teuchitlán. 

O local é famoso por conta das suas pirâmides circulares – as únicas no mundo – que em 2006 entraram para a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade, da UNESCO. 

 

A área abriga 10 pirâmides construídas pela sociedade Teuchitlán, que lá viveu entre o período de 300 a.c. a 900 d.c. 

No museu que guarda objetos e informações sobre o lugar, há um vídeo explicativo bem interessante. Não pagamos para entrar, pois às quartas-feiras a entrada é livre. 

Apesar de bem diferente e ter uma história interessante, o lugar não foi um dos nossos preferidos. As pirâmides são menores do que imaginávamos e não há muito o que fazer no local. 

Após três semanas em Guadalajara, pegamos um ônibus para Guanajuato (400 pesos/ 4 horas de viagem) e demos início à segunda fase da nossa viagem, que será contada em um próximo post! 

 Dicas e curiosidades

– A gorgeta no México é opcional, porém, a etiqueta pede que se deixe 10% do valor da conta para o garçom/garçonete. 

Tortas são sanduíches e Pasteleria é uma doceria onde você encontra bolos e tortas. Sope não é sopa, e sim uma tortilla grossa, coberta com queijo, vegetais e carne. 

– Homens e mulheres não costumam usar shorts/saias no México (em cidades grandes e históricas). Vimos alguns aqui e acolá, mas geralmente só turistas se vestem de maneira mais despojada. 

– Água natural é o que chamamos de água mineral (garrafinha) no Brasil. Água mineral é a nossa água com gás. Águas frescas são águas com sabores e açúcar, muito comum em todo o méxico. 

– Água de horchata é uma bebida mexicana à base de arroz, canela e açúcar. Água de jamaica (chá de hibisco) é servida gelada e tem sabor de chá preto com açúcar. Lembre-se: no México, todos os refrescos são preparados com açúcar, a não ser que você peça sem. 

– Ao sair de um restaurante, o mexicano deseja aos que continuam comendo “Buen provecho!”, que seria “aproveite a sua refeição ou bom apetite…”. 

Você pode acompanhar as nossas aventuras, ver vídeos e muitas fotos lindas no meu instagram: @arittavaliense 
 

 

One day I dreamed about this 

It was a cold November afternoon, back in 2013, when I told my friend Mateus that one day I was going to visit Asia. 
We weren’t even talking about our dreams or aspirational vacations, it just fell out of my mouth. I had been toying with the idea for months. 

I had no idea how I would get there, since my financial situation was precarious. I wasn’t sure how I would make my dream of travelling to Cambodia come true, but l believed that if there is a will, there must be a way. 

Almost two years later, in March 2015, I wrote a chronicle  about the experience of living abroad. A couple hours later the article was being shared all over the world. 

It was read by Brazilians living in Europe, in Australia, Central America, in Asia (!!!) places that I had never imagined I could reach. In a certain way I had already gotten there…I had gotten way further than I thought it was possible.

It was because of that article that I first got paid for my writings. 

And it was that first payment that helped me buy tickets to Thailand, Cambodia and Vietnam. It was finally happening! 

That silly, but somehow powerful, article brought new people into my life, new job opportunities and helped me reconnect with my ex boyfriend – now husband. 

It was on that March day, sitting on a bus on my way to school that I wrote something that thousands of people could relate to. Most importantly than going viral, that article made me realize that I could conquer the world – one step at a time. I only had to believe in my ability to go further, getting to any place I had wished to get.  

I am part of the team that is not afraid of failure, that’s one of the reasons why I’ve gotten so much from life. 

It doesn’t change anything if you only dream, complain, cry, pray, desire something a lot if you don’t believe you are able to get it, and most importantly, if you don’t take the risk. 

Do no spend too much time planning, do not overthink or focus on all the things that could possible go wrong. 

Don’t you think that losing time just dreaming about it and not doing anything is already a huge mistake? Go ahead, take the next step. Just do it.
P.s: This is a translation of an article I wrote in Portuguese a few days ago. The original version you can find here


O que te transforma também te fortalece

Hoje eu acordei super cedo e passei um bom tempo pensando sobre pessoas, livros, lugares e acontecimentos que, de alguma forma, me transformaram. Era apenas um exercício bobo para tentar achar um tema para uma nova crônica. Quando me dei conta, eu já tinha reunido um bocado de lembranças deliciosas. 
Disse aqui há algum tempo que convivi pouco com a minha mãe – eu tinha cinco anos quando a perdi. Mas ela foi a primeira pessoa que me veio à cabeça quando procurava alguém que havia me transformado. À ela devo a minha alma livre, viajante e a minha curiosidade. Thanks mommy! 

Pollyanna, livro que eu li há uns 20 anos, me ensinou muito mais do que o Jogo do Contente. Devo à personagem o meu bom humor e o sorriso no rosto mesmo em situações complicadas. Eu choro – e muito! Mas se tem algo que eu sou ao extremo – além de tagarela – é positiva.

Foi na Ásia que eu aprendi que não queria ser turista e sim viajante. Aprendi que, mais do dicas e listas do que fazer em um local, eu queria compartilhar experiências e reflexões. Aprendi também que ao fugir do roteiro pronto, eu descobria os meus próprios paraísos. 

A parte mais difícil foi escolher apenas um acontecimento que tenha me transformado. Óbvio, posso contar vários. Mas eu não queria usar nenhuma tragédia e nenhum momento de extrema felicidade. Foi aí que lembrei de uma conversa que tive lá em 2011 com a minha então chefe-amiga-mega-talentosa Dani. 

Eu andava meio perdida, desmotivada e com o coração bem apertadinho. “Arittinha, você tem que explorar o mundo! Vai morar fora! Você é nova, talentosa e cheia de energia! Se manda!”. Aquela conversa corriqueira, ocorrida entre uma pauta e outra, foi o (re) começo de tudo. Foi o momento de transformação da Aritta que esperava as coisas acontecerem para a Aritta que FAZ as coisas acontecerem. O resto da história vocês já conhecem.

Sabe aquele ditado “O que não te mata, te fortalece”? O que te transforma também vai te fortalecer. E muito! 

E você? Já parou pra pensar em tudo que te transformou? 

Um dia eu sonhei com tudo isso


Num dia frio no inverno de 2013, eu disse ao meu amigo Mateus que iria para a Ásia. Assim, do nada. Nem falávamos sobre sonhos ou viagens. Falei porque aquilo não me saía da cabeça. 
Eu não sabia como chegaria lá, pois naquela época o dinheiro era contado. Ainda não fazia ideia de como realizaria o meu sonho de conhecer o Camboja. Mas eu sabia que um dia o realizaria. Anos antes, eu havia sonhado em morar fora. E lá estava eu completamente apaixonada pelo Canadá. 

Um ano e meio depois, em Março de 2015, escrevi um texto sobre a experiência de morar fora. E ele foi se espalhando pelo mundo… Foi lido por brasileiros na Europa, na Austrália, na América Central, na Ásia… em lugares que eu jamais imaginei alcançar. De alguma forma, eu já havia chegado lá. Eu havia ido muito mais longe. 

Foi aquele texto que me trouxe os primeiros “trocados” através do blog. E foi com aqueles trocados que eu consegui comprar a passagem pra Tailândia, Vietnã e Camboja. Foi o texto que me trouxe novos amigos, novas oportunidades e o meu velho amor, hoje marido. Foi naquele março, sentada num ônibus, que eu escrevi algo capaz de atingir milhares de pessoas. 

Mais importante do que se tornar viral, aquele texto me fez perceber que eu era capaz de conquistar o mundo – one step at a time. Eu só precisava acreditar na minha capacidade de ir mais longe. De chegar em qualquer lugar do mundo. 

Eu sou do time que não tem medo de quebrar a cara. E com a minha cara de pau eu já consegui muitas coisas nessa vida. De nada vale sonhar, reclamar, chorar, rezar, pedir muito algo se você não acreditar que pode e, se você não arriscar. 

Não planeje tanto, não pense no que poderia dar errado. Ficar parado sonhando já não é um erro gigantesco? Um dia eu sonhei com tudo isso. E não descansei enquanto “isso” não deixou de ser sonho. Go ahead. Take the next step. Just do it. 

Gente é bom demais

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017

Eu sou muito de observar, sabe? De vez em quando uso a desculpa de que isso é hábito de jornalista que quer estar a par de tudo. Na verdade, eu uso essa desculpa sempre. Balela, eu sou é curiosa ao extremo. E isso não muda nem que exista um rehab à altura daquele no qual a Britney Spears se internou em 2007, atuando na causa. 

Já que estou sendo 90% sincera, bora logo admitir que também não quero mudar. Não vejo graça em não ser curiosa. Meu instinto me diz que jamais vou mudar e que continuarei pagando pra ver – sem esperar pelo troco. Eu fico pobre, mas fico sabendo das coisas. That’s ok. 

Eu ando na rua observando as pessoas, numa pegada meio Esquadros, de Adriana Calcanhoto, mas sem temperar com toda aquela melancolia, porque ninguém merece, né? 

Eu gosto de gente. De ver gente. De falar com gente. De ouvir gente. De entender – nem que seja um pouco – gente. Das cores da gente. Da cultura. Dos hábitos. Eu gosto de saber o que faz certo tipo de gente seguir em frente e o que faria essa gente pausar. 

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017
No Brasil, eu gostava de ficar em silêncio para ouvir o som do mar. No Canadá, ainda hoje eu paro para observar os flocos de neve cobrindo as ruas de branco, as árvores que se vestem diferente a cada estação ou paro para tomar um café, pensar na vida e observar as pessoas ao meu redor 

 Na Tailândia eu parei e fiquei em completo silêncio quando ouvi pela primeira vez o som dos bichos nos arrozais. Uma paz sem tamanho. O canto dos grilos, dos sapos e aquela imensidão de verde, mais nada. 

Chiang Mai, Tailândia, julho de 2015


No Camboja, gastei dias observando a pobreza daquele povo e como as crianças eram felizes com pouquíssimo. Não havia silêncio de dia e sim, muito barulho. Parei para observar o comportamento dos monges e a paz que eles transmitem. 

Phnom Penh, Camboja, agosto 2015

No Vietnã, apertei o botão pause quando vi a beleza das tribos que vivem em Sapa, nas montanhas. A coisa mais linda do universo. 

Sapa, Vietnã, setembro 2015

Nos Estados Unidos eu parei para observar de tudo! A loucura que é New York, a beleza do canal que corta Chicago, os sonhos que se tornam realidade na Disney, a beleza das montanhas na Califórnia. Mas o cair da noite no deserto foi o que me tirou o fôlego. Que espetáculo, putaqueopariu mermão! 

Joshua Tree, Califórnia, fev. 2017

No México, eu paro a todo instante para sorrir para as pessoas, porque elas vivem sorrindo de volta. Dá vontade de abraçar todo mundo que encontro. 

E nas minhas andanças pelo mundo, quanto mais gente eu observo, mais apaixonada pela vida eu fico. 

Se tem uma coisa que vale muito a pena nessa vida é ver gente: diferente de mim, diferente de você, diferente de todo o mundo. Gente como a gente, mas bem diferente, entende?

Gente é bom demais.