Ao meu herói

Dizem que heróis sabem voar, defendem os que estão em apuros e são invencíveis. Eles se escondem entre as pessoas normais e guardam em segredo os seus super-poderes. 
O meu herói só voa se for de avião (e ele adora) mas já venceu inúmeras batalhas e faz o que for possível para ajudar a quem precisa.
Hoje é dia de celebrar a sua existência; o homem que mais admiro no mundo. E talvez ele nunca saiba o quanto eu sou feliz por ter alguém tão lindo pra chamar de Vô!
Eu nunca me dei conta do quanto estar perto dele me faz bem, da falta que sinto do seu riso sempre fácil e da sua preocupação em ver todos ao seu redor felizes.
Ele gosta do silêncio enquanto faz as suas refeições; gosta de mesa farta e família reunida. Se preocupa com todos e poucas vezes na vida me disse “não”. 
E, por mais que eu tenha saído do ninho há mais de sete anos, ele continua reclamando dos meus horários sempre que está por perto. Isso nunca vai mudar! Meu avó é guerreiro, carrega nas costas o peso de uma vida cheia de altos e baixos, mas nunca, nunca, nunca o vi de mau humor.
Talvez eu não tenha sido, ou não seja, uma neta exemplar. Mas à minha maneira reconheço os valores que herdei dos meus avós. E são muitos. Os meus avós são a maior influência que tive – e continuo tendo  – na construção dos meus princípios. 
Que bom ter um universo tão generoso comigo, me proporcionando a felicidade de ter sido criada por pessoas tão maravilhosas, por ainda tê-los vivos e saudáveis. Essa é, sem dúvidas alguma, a minha maior riqueza. A minha maior sorte! 
E que o meu vô Jayme continue tendo saúde para implicar por muitos anos com as minhas saídas, com os meus telefonemas pra que ele me socorra quando a conta tá quase zerada e continue me tratando como se eu ainda fosse a garotinha de apenas 5 anos que chegou de surpresa pra viver com ele. Juntos enfrentamos muitas coisas, não foi voinho? 
Pois herói é aquele que não se deixa derrotar pelas suas fraquezas e condiciona as suas ações sem nenhum tipo de retorno. Herói é quem se preocupa com a sua felicidade, te faz sentir amado, importante, especial. É quem é admirado pelas suas atitudes, pelo seu caráter. É quem cuida mesmo quando tudo está bem e já não precisa de cuidados. Ele não aparece somente durante os pedidos de socorro. 
Herói é quem, apesar de partir um dia, pra você será sempre imortal. 

Meu avô, meu herói.
Saudade enorme!

Aritta

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Quem inventou a saudade nunca foi intercambista!

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Tentei escrever sobre algo mais informativo e menos sentimental, mas a TPM me impediu.
Estou naqueles dias em que antes de dormir a gente passa duas horas filosofando sobre o sentido da vida e o peso das nossas escolhas. Mas não se assustem, está tudo muito bem comigo, obrigada. 😉
Na verdade, aqueles que me conhecem um bocado sabem que neste período fico um tanto quanto dramática, carente e com a auto-estima a sete palmos abaixo da terra. O problema é que geralmente tinha alguém ao meu lado para puxar a minha orelha e dizer: – Relaxa ai, minha filha. Sai pra lá com essa TPM!
E ai eu meio que acordava para vida e ficava mais ou menos normal. Mas aqui… Você junta a TPM com a falta dos amigos, da família, da comida, do seu travesseiro, do seu chuveiro, dos rostos conhecidos na vizinhança, da sua rotina… Pronto! Tudo ao mesmo tempo agora!
Então você hesita um pouco, acorda a Pollyanna que existe em você (para quem não entendeu, Pollyanna é a personagem de um livro infanto-juvenil que eu amo) e percebe que está tendo uma oportunidade única. E que ninguém jamais evoluiu sem que para isso tivesse que sofrer ao menos um pouquinho.
Meu sofrimento chama-se saudade. Hoje, nada me fez tanta falta quanto estar perto daqueles que sabem interpretar um simples olhar e emprestam o ombro sem esperar nada em troca. Quando a gente quer desabafar, nada melhor do que um amigo e uma mesa de bar. Estou mentindo?
Dias atrás fiz duas ligações que aqueceram meu coração. Duas amigas especiais, amadas e que fazem muita falta. E como é bom falar com quem a gente ama, ouvir palavras de incentivo e saber que aquelas pessoas estão ali, à sua espera a qualquer hora.

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E quem está num intercâmbio precisa aprender a abdicar de momentos especiais ao lado dos amigos para voltar depois de um tempo e perceber que apesar das mudanças externas e internas (que podem ser muitas de ambas as partes), a amizade se mantém igualzinha.
Você pode ter perdido a oportunidade de acariciar a barriga de uma amiga que está grávida; pode não estar presente na inauguração de algo que foi construído com carinho; pode perder aquela festa que toda a turma vai (e serão muitas); pode não estar ao lado para vibrar junto a amiga que acabou de ficar noiva, ou pode até não estar presente no casamento, dentre tantas outras situações…
Mas quando você voltar, vai ver o sorriso do bebê que nasceu; o consultório sem o cheiro de tinta fresca, mas cheio de pacientes; vai a muuuuitaa outras festas com a mesma turma e vai ouvir durante horas a sua amiga falar sobre o casório que estará perto de acontecer ou se já tiver acontecido, vai ouvi-la contar com os olhos brilhando todos os detalhes da festa e logo em seguida será a sua vez de contar todas as aventuras no outro país. E ai você vai se dar conta de que maior do que a tristeza de ter perdido alguns momentos especiais com os amigos, é a saudade de tudo que viveu enquanto esteve fora.
Eu já perdi todos os momentos que citei acima (exceto pelo casório! Juju, me espera!), mas a vida guarda muitas outras oportunidades para celebrar a felicidade ao lado de quem a gente ama. E eu sei que mesmo de longe, os meus amigos estão torcendo pelo caminho que estou traçando.

“Quem disse que a melhor fase da vida é a infância, é porque nunca fez intercâmbio”.
Andréa Sebben, psicóloga

Eu ainda não voltei para casa, mas TODOS que já voltaram me disseram a mesma coisa: aproveite cada minuto, pois quando acaba, a saudade é imensa!
Então, vamos nessa que o tempo não para e o mundo é grande demais para que fiquemos em um só lugar!

😘

Beijo beijo,

Aritta