Silêncio

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E cada movimento por mais singelo que fosse provocava um barulho que parecia ridicularmente estrondoso para aquele par que nada mais queria além de ficar imóvel, fingindo prestar atenção a qualquer coisa que não fosse cada detalhe do outro.
E se ela fingia observar o abajur antigo no canto esquerdo da mesa, ele, por sua vez, fixava o verde dos seus olhos numa pequena mancha no lençol.
Assim ficaram por longos 5 minutos, sem dizer uma só palavra, até que ele puxou o corpo dela em direção ao seu peito, passando os dedos pelos seus cabelos. Repentinamente ela respondeu, cruzando uma das pernas por cima das dele e pousando a mão no rosto que exibia uma barba por fazer.
O silêncio permaneceu por tempo suficiente para que ela, com o ouvido no peito esquerdo dele contasse 80 batimentos cardíacos.
Foi ai que ele a abraçou ainda mais forte e a beijou de uma forma que só ele sabia fazer, quebrando toda a tensão que reinava no quarto.
E o silêncio de antes foi tomado pelo barulho dos beijos e da respiração ofegante dos dois, que já não se importavam se o abajur estava aceso ou se o lençol estava manchado.

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