Trabalhar durante o Intercâmbio: aprendizado que a escola não proporciona

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O post de hoje é uma dupla comemoração: 7 meses no Canadá (como passa rápido!) e 4 mil visitas por aqui (pra ser mais exata, 4112)!!!! Pode parecer pouco, mas para mim é um número maravilhoso, levando em consideração que divulgo apenas para os amigos. Êeeee!!! =)

Os meses passaram voando e a sensação de ter aprendido um caminhão de coisas novas vem acompanhada pela vontade de aprender muito mais. Não é fácil, confesso. Se engana quem acha que vida de intercambista é um conto de fadas: país novo, liberdade, festinhas… Mas não seria tão bom se fosse fácil. Porque o que nos faz crescer durante essa experiência são os momentos em que a gente tem vontade de desistir. Saudade da família e dos amigos, falta de grana, estar doente sem alguém para te mimar, comida ruim, se despedir dos novos amigos quando a amizade estava se fortalecendo, procurar emprego, não ter o mesmo conforto que você tinha no seu país, dividir casa com pessoas completamente diferentes de você e ter que ser super compreensivo, dentre tantas outras coisas. Mas quer saber? O intercâmbio tem sido o primeiro momento da minha vida em que eu realmente tenho consciência de tudo que tenho aprendido.

Muita gente me manda mensagens pedindo novos posts sobre assuntos ainda não comentados por aqui, mas mesmo quando eu não publico, envio uma resposta tentando tirar todas as dúvidas que eu puder. Fico MUITO feliz com os feedbacks positivos!!! Obrigada!!!

Ainda não contei, mas comecei a trabalhar há 20 dias! As aulas acabaram no início de setembro e após participar de várias entrevistas, perder em muitas e passar em algumas, escolhi a vaga da Starbucks. Além de ser uma cooffe shop super reconhecida e de proporcionar um treinamento dúrissimo de atendimento ao cliente, conversei com alguns amigos canadenses e eles me disseram que era de longe a melhor opção, pois as vagas lá são muito requisitadas devido ao reconhecimento da marca na America do Norte.

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Estou adorando! No início eu chegava em casa com vontade de chorar. Muita coisa para aprender em pouco tempo, em uma língua que não é a sua, lidando com gente que fala rápido, palavras que você desconhecia e, para piorar a minha situação, nunca gostei de café…

Mas o treinamento deles é tão bom que você vai pegando tudo rapidinho. A Starbucks é cheia de regras que devem ser seguidas corretamente. Tudo é cronometrado, a rotina nunca deve ser mudada e eles prezam demais pela satisfação do cliente. Ainda me sinto meio perdida em algumas coisas, mas graças a Deus os canadenses são muito (muito mesmo!) pacientes para ensinar.

Além disso, também consegui um trabalho voluntário em uma das maiores Tvs do Canadá, a CBC. Sou voluntária na produção de um programa chamado “Over the Rainbow”. Está sendo muito divertido e uma experiência maravilhosa trabalhar com grandes profissionais e fazer ótimos contatos. Acho muito importante se engajar em trabalhos voluntários durante o intercâmbio pois além de ser uma chance de conhecer pessoas, é algo muito valorizado no curriculo.

Muita gente me pergunta sobre o tempo ideal para um intercâmbio e eu diria que para quem tem a possibilidade, 6 meses no mínimo. Isso porque depois que comecei a trabalhar percebi que aprendemos muito mais fora da escola do que durante as aulas. Claro que o curso é super importante, ainda mais se o seu inglês não passa do “the book is on the table”. Mas para quem já vem sabendo bastante coisa, sugiro que venha com o visto de estudo e trabalho. Na escola a gente está em contato com estudantes com diferentes níveis de fluência, que cometem os mesmos erros que os seus. Além disso, formam-se os grupinhos de gente do mesmo país e ai é que o inglês muitas vezes não vai para frente.

Quando trabalhamos, estamos em contato o tempo inteiro com pessoas que possuem o inglês como primeira língua. A gente não só improvisa a conversação, como o “listening” e a capacidade de formular frases mais rapidamente. Trabalhando a gente aprende o coloquialismo, o jeito que as pessoas falam na rua e não a forma corretinha que aprendemos na escola. Isso é muito importante para que durante uma conversa não deixemos a impressão de “acabei de sair da aula de inglês”.

E um ponto super, hiper, mega importante: trabalhando nós ganhamos dinheiro. Pois a vida de intercambista não é barata! Nos trabalhos mais comuns procurados pelos estudantes internacionais como lojas, restaurantes, cafeterias, o valor do salário é definido pela quantidade de horas trabalhadas. Cada hora custa em média entre 10 e 15 dólares. Durante a entrevista você deve deixar claro se está procurando algo “full-time” que seria período integral (mais ou menos entre 30 e 40 horas semanais) ou “part-time”, quando você trabalha dois ou três dias apenas para ganhar uma grana extra.

Conseguir um emprego não é difícil. Mas é preciso ser persistente, mostrar-se seguro durante as entrevistas e caprichar no inglês. Aqui no Canadá eles tem uma cultura de entrevistas em grupo. Portanto, imaginem o meu nervoso na primeira entrevista? Eles costumam perguntar e deixar que os candidatos levantem a mão se quiserem responder. Em outras situações eles simplesmente apontam pra você e logo em seguida fazem uma pergunta. Eu distribui o meu curriculum em dezenas de lugares e participei de cerca de 13 entrevistas. Passei nas seleções da Starbucks, GAP, GAP Baby, Victoria’s Secret e Trade. Como somente a Starbucks não era loja em shopping, também achei mais seguro, levando em conta que após o Natal eles demitem muita gente.

Uma boa dica é começar a procurar o emprego antes das aulas acabarem. Alguns lugares demoram bastante para dar um retorno. Outra coisa que é bastante importante aqui no Canadá são as referências. Eles pedem geralmente 3 nomes de ex-chefes ou colegas de trabalho. E já que somos intercambistas, fica difícil. O que eu fiz foi colocar nome e e-mail de alguns professores, além de uma funcionária da escola (claro, depois de pedir permissão para dar o número deles e depois de combinar o que eles falariam caso ligassem). E eles ligam mesmo! A gerente da Victória`s Secret entrou em contato com a minha ex gerente no Brasil através de e-mail e fez um monte de perguntas.

No mais, achar um emprego aqui não tem segredo. Basta ser humilde, estar disposto a trabalhar em horários inusitados (em alguns dias começo as 5 da manhã!), bater de porta em porta com o CV embaixo do braço, mostrar maturidade e vontade de aprender durante as entrevistas. Depois, é só esperar que a vaga guardada para você apareça e aproveitar a oportunidade como uma experiência de vida que só tem coisas boas a te acrescentar.

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5 comentários sobre “Trabalhar durante o Intercâmbio: aprendizado que a escola não proporciona

  1. Matheus

    Só de ler “entrevista em grupo” me deu um frio na barriga rsrs. No meu caso não faria o curso da escola, eu e meu amigo iríamos direto procurar empregos. Parece que tudo que eu aprendi sobre inglês vai desaparecer na hora, eu e ele não temos muita noção de quanto reais/dolares cad devemos levar, ter em conta, você tem alguma noção?

    1. Olá!

      Olha, tudo depende da moradia que vocês irão encontrar e se vão arrumar emprego rápido. O aluguel de um quaro fica uma média de $350-600 dólares. Tem o gasto com transporte, caso vc use o metrô ou ônibus todos os dias + alimentação, entre outras despesas.
      Mas é sempre bom vir preparado, com uma grana a mais caso haja algum imprevisto.

      Obrigada pela visita!

      Aritta

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