Um martini, um amor e a conta, por favor!

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Eu escuto todos os dias das amigas e amigos solteiros que está difícil achar alguém com o qual realmente valha a pena engatar um relacionamento. Daí eu me pergunto: o problema é de quem procura ou de quem ainda não foi encontrado?

Para quem ainda não achou a famosa alma-gêmea, a metade da laranja, o docinho de coco, o mô da sua vida e outras breguices fofas que só quem anda com borboletas no estômago consegue entender, a procura pelo parceiro ideal parece uma maratona sem fim…

Roberto vai a uma festa e acha a mulher que ele acredita ser a dos sonhos. Ela é linda, simpática, bem-humorada, independente, sabe conversar sobre os mais diversos assuntos e morde o lábio inferior enquanto sorri. 

Após alguns drinks, sexo no apartamento dela, bate-papo de trinta minutos só para não fazer jus ao ditado “cachorro magro: come e vai embora”, ele descobre que alguma coisa nao batia. O cheiro, talvez a temperatura da pele, o beijo. Sim, o beijo não encaixava! Era muita língua para pouco espaço.

Frustrado pela décima vez em dois meses, Roberto cai na real de que ela não era nem tão interessante assim. Talvez os cinco martinis o tenham enganado. Os cílios deviam ser postiços, o papo sobre a média salarial de um trabalhador chinês foi mesmo chato e aquela mordida no lábio é algo típico de quem já leu “50 tons de Cinza”. Nenhuma autenticidade. Quem sabe na festa de amanhã?

Após acompanhar até a porta do seu apartamento o partido que parecia ser perfeito, Marina cai na real de que os dois não tinham muito em comum. O sexo foi ótimo, mas o beijo não combinava. Não havia sintonia. Roberto era muito acomedido na hora do “vamos ver”. Solteira há 6 meses e louca para encontrar o príncipe dos seus sonhos, Marina é a típica mulher que compra revistas femininas para ler matérias do tipo “Como enlouquecer um homem na cama” ou “O que eles procuram em uma mulher”. Ela é daquelas que decidem colocar em prática tudo-ao-mesmo-tempo-agora. E acaba indo com muita sede ao pote.

Gastou boa parte do salário com uma famosa taróloga só para ouvir que a sua vida mudaria em pouco tempo. Já fazem seis meses e tudo parece igual. Festas, paqueras de uma noite, uma semana ou até duas. Nada mais que isso. A mordida no lábio até tem ajudado, mas o que ela procura é um amor que a tire do chão como o romance do livro que acabou de ler.

Marina e Roberto procuram a mesma coisa que todos nós queremos ou já procuramos um dia, caso tenhamos encontrado. Alguém que tenha atitude suficiente para surpreender; que seja parceiro nas horas de diversão e que discorde das suas opiniões quando forem insensatas, mas que respeite o seu ponto de vista. 

Alguém que tenha aquele olhar apaixonado, que não se canse de elogiar o seu sorriso, mesmo quando você acaba de acordar vestindo a velha camiseta da empresa em que ele trabalhava. Alguém para o qual você tenha coragem de contar sobre os melhores momentos da sua vida e sobre aqueles em que você se sentia um zé ninguém. 

Procuram alguém que escute as suas histórias bobas como se nem mesmo o sono após um dia intenso de trabalho fosse capaz de distraí-lo. Um homem ou uma mulher que confie o suficiente em você para contar os seus fracassos e os planos para o futuro, mesmo que sejam os mais loucos possíveis como se aposentar aos 29 e se mudar para a Austrália.

Marina e Roberto procuram demais porque ainda não cairam na real de que ninguém acha um amor nas páginas de uma revista ou nas cartas de um tarô. Não se acha um amor indo para a balada loucamente acreditando que uma hora o príncipe da sua vida vai encostar no balcão do bar e te oferecer um martini.

O amor, apesar de toda a evolução humana, ainda é clichê. É claro que você pode achar a sua cara-metade numa festa bacanérrima, quando, por um acaso, você está usando aquela roupa que te deixa super seguro (a) sobre a sua capacidade de sedução. Mas é quando a festa acaba e você se desarma que o processo realmente começa.

Porque o amor surge da simplicidade, quando vestimos o moletom para comprar pasta de dentes na farmácia mais próxima. Ou quando corremos na esteira da academia com o suor escorrendo na pele e o cabelo grudado no rosto. Surge durante uma refeição a dois, quando você se lambuza com o molho de tomate e limpa os dedos com a boca. E quando vocês se dão conta de que as diferenças que pareciam ser tão grandes há pouco, hoje já nem são tão perceptíveis.  

O amor surge quando você se sente super protegido (a) somente por estar com a cabeça no colo do outro, e quando, apesar do relógio branco na cabeceira da cama marcar uma hora qualquer, o mundo parece ter parado dentro daquele abraço.

Tenha calma, não se afobe, ele vai chegar. 

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