Sobre as coisas que eu não compreendo

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Tem muita coisa que me intriga desde que me tornei gente. Há poucos dias passei 5 minutos olhando a bússola do meu celular e fiquei abismada como aquele negócio sabe em 10 segundos onde fica o Norte e eu com 25 anos ainda me perco se alguém me der as coordenadas usando só Norte, Sul, Leste, Oeste. Dá para dizer o nome do mercado que fica na esquina ou a cor das flores na frente da casa? Mas ai me mandam seguir ao Sul de não-sei-aonde e depois virar em direção noroeste-onde-o-vento-faz-a-curva. Acaba com a minha vida.
Outra coisa que mexe com a minha capacidade de entender as coisas do mundo é a resistência dos lacres de algumas etiquetas de roupa. Parece bobagem, mas só eu sei quantas vezes machuquei a mão tentando arrancar aquele negócio e, na falta da tesoura e no medo de quebrar o dente, já passei dias com aquele negocinho pendurado. Uma coisa tão pequena, tão inofensiva, mas que me tira a paciência.
Isso para não falar da inutilidade daquelas pecinhas extras que sempre vem junto à etiqueta. Os botões eu até entendo. Mas alguém por acaso guarda o saquinho com TRÊS lantejoulas e costura depois de perder mais de 10 na primeira lavagem? Eu nunca.
Comprei um cachecol de lã e veio um saquinho com (acreditem!) 2 linhas de 20cm. Oi?
Bom, mas o que me fez escrever essas bobagens hoje é a minha incompreensão diante de algo que vejo acontecendo muito por ai: casais que criam perfil em conjunto no facebook.
Eu fico curiosa para saber o que leva pessoas esclarecidas e adultas a fazerem isto.
Me pergunto: Na hora de criar a conta eles discutem qual nome vem primeiro? Ana e Francisco ou Francisco e Ana? E a senha? Huuum, põe a data de aniversário do namoro, amor! Assim a gente nunca esquece…
Eu sei que é muita paixão, muita vontade de se tornarem um só, mas, que me perdoem os amigos que fazem isto, não é normal.
Acho compreensivo quando são adolescentes. Bom seria se fossem apenas eles.
Ai eu questiono: Onde fica a individualidade? Porque eu não sei o que leva os casais a fazerem este tipo de coisa, mas desconfio que seja uma forma de evitar as famosas brigas por conta desse destruidor de relacionamentos que é o Facebook.
Quem nunca fuçou a página do parceiro para saber se tem alguma amizade nova ou recadinho suspeito? Eu já. Muitas vezes.
Mas quando passamos dos 18 certos tipos de coisas deixam de ser aceitáveis. Ter a senha das redes sociais e e-mails, invadir a privacidade, é sempre uma forma de buscar alguma pista de que ele ou ela não está sendo honesto. Já fiz muito isso e não tenho boas recordações.
Em algumas situações a gente procura algo que o instinto já nos trouxe. Em outras, é a nossa mania de achar que o sexto sentido nunca falha quando ele sim, falha!
Com o tempo e com os relacionamentos, aprendi que se algo está errado, a verdade aparece na hora certa. Dói, mas dói de uma vez só. E não aos poucos, como quando a cada dia você investiga a vida dele (a) e vai se corroendo por dentro. Aprendi também que buscar um motivo para crer que o seu parceiro não é a pessoa que você acha que é, demonstra que o relacionamento jamais vai dar certo.
Tive uma amiga que acessava o e-mail do namorado e ficava possessa quando via os vídeos e fotos pornográficas que os amigos mandavam pra ele. E eu tentava explicar que isso acontecia com todos os homens do universo, mas ela não compreendia. Os dois criaram um perfil juntos, pois ela tinha ciúmes das “piriguetes” amigas dele. Sim, porque para ela, todas as mulheres que ele conhecia eram piriguetes. Acho que só a cunhada e a sogra se salvavam.
Esse é um exemplo de relacionamento que não daria certo nunca, e não deu. Não houve traição, houve desgaste.
Não há nada mais sadio do que ter os momentos que são só seus. Aqueles em que você conversa besteiras com os seus amigos, seja sobre assuntos corriqueiros ou pornográficos. Porque somos humanos.
Com o tempo você aprende que você é muito mais valorizado pelo seu parceiro quando se mostra seguro de si, independente e com vida própria. E isso, entre outras coisas, inclui ter um perfil somente seu no Facebook. Porque se fosse algo criado para dupla, ele perguntaria “Como ESTÃO se sentindo?” e não “Como ESTÁ se sentindo?”, não é Zuckerberg?

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2 comentários sobre “Sobre as coisas que eu não compreendo

  1. lenaldo

    Não existe sensação pior do que aquela em que percebemos que estamos sendo vigiados ou controlados. O ciúme disfarçado de paixão tira a privacidade e traz a sensação que somos meros “bonecos” nas mãos de outrem.

    1. É verdade, Lenaldo! Muito bom o seu comentário.
      Ciúme, quando sentido,deve ao menos ser controlado. Não somos donos daqueles que amamos e ninguém merece viver uma relação onde a possessividade e desconfiança estejam presentes.
      Obrigada mais uma vez pela visita ao blog!

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