Um dragão chamado Natal

Acabei esquecendo de publicar este texto aqui no blog. Escrevi no dia 24 e publiquei no Facebook!
Segue aqui também:

Enfim, chegou o dia mais temido por mim desde o início do intercâmbio: o Natal. Venho de uma família católica, e apesar de não ser praticante, Natal lá em casa sempre foi como nos filmes de final de ano. Árvore montada, casa decorada e família reunida para celebrar. Eu, para ser bem honesta, nunca gostei dessa data. Talvez pelo fato de ter perdido a minha mãe no mês de dezembro, fiquei um tanto …quanto traumatizada.
Ao longo dos anos tentei de todas as formas transformar esse dia em algo mais divertido. Foi quando aos 12 (?) bebi escondido quase uma jarra de Sangria e tomei o meu primeiro porre. Depois, descobri que a noite ficava mais interessante quando eu visitava a casa dos amigos depois da ceia lá em casa. As festas da Julia, minha amiga que no início do ano se tornará mamãe, eram as mais animadas. Transformávamos a sala numa pista de dança e saíamos de lá quando o dia amanhecia.
Na casa da Mari, a minha best, o destaque eram as comidas maravilhosas que a mãe dela sempre preparou. Mãos de fada. A ordem era: ceia lá em casa, uma passada na ceia da Mari e final de noite na festa da Juju. Eu nem lembrava a tristeza que este dia me trazia.
Hoje, a Juju mora em Sampa, a Mari também não vive mais em Porto Seguro e eu estou em outro continente. E nesta manhã, apos tentar de qualquer jeito dormir o máximo que eu pudesse para acordar somente no dia 26, pensei: Não foi só a minha vida que mudou. Todas nós estamos em lugares diferentes, onde realmente deveríamos estar. Onde escolhemos estar.
Algumas pessoas, como um senhor paquistanês de 50 e poucos anos que conheço, e que veio morar em Toronto em busca de segurança, não escolheram estar longe dos amigos e da família. Ele está proibido de ver os filhos há 6 meses, pois a filha de 11 anos, a pedido da mãe, inventou uma mentira para a polícia. Desde então ele diz que trabalha somente para ocupar a mente e ter o que comer. Perdeu a vontade de viver. Emagreceu 11 kg e tem dificuldades para dormir. Em alguns momentos percebo o seu olhar distante e tenho vontade de lhe oferecer um abraço, mas digo apenas que tudo vai ficar bem. Ele balança a cabeça e continua calado.
Ontem passei vinte minutos conversando com ele sobre a vida e sobre como o Natal é um dia melancólico para mim. Ele me olhou com aquele olhar de quem já passou por muitas coisas nessa vida e disse: -Aritta, para nós que estamos longe de quem mais amamos, amanhã é só mais um daqueles dias em que teremos de matar um dragão. Mais um, dentre tantos outros que já combatemos e entre tantos outros que nos esperam.
E vamos ao combate.
Um Feliz Natal pra nós.

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