A linha tênue entre estar feliz com o que se tem e decidir que se quer algo novo

 

Você passa a vida inteira à mercê das decisões que precisam ser tomadas. Um dia você se dá conta de que mamãe não deixou a roupa escolhida em cima da cama e já não é mais preciso gritar do chuveiro para perguntar: – Ô mãaaaee, é pra lavar o cabelo hoje? 

Você lava quando dá vontade. Quando decide que já está na hora. Ou quando a franja está tão suja que já cola na testa. 

E chega a adolescência. O coração bagunçado sem saber se gosta do loirinho que joga no time de futebol da escola ou o moreno que paga a sua coxinha na hora do lanche. Eu sempre preferi os morenos. Mas tudo muda…

É também quando a dúvida entre ser arquiteto ou psicólogo chega. E te consome. Testes vocacionais mostram que você leva jeito para arquitetura. E você pensa: não é que isso tá certo? Sempre fui muito bom em montar Lego. Ta aí, vou ser arquiteto. 

Lá na frente você se forma, procura por emprego e precisa decidir entre duas oportunidades que parecem muito boas. Pede conselhos pra família, amigos, namorado e, enfim, decide. 

Um dia você acorda e percebe que não fez a decisão certa. Não está feliz, não era isso que realmente queria. Pede demissão e decide voltar a estudar psicologia. O que os testes vocacionais nunca apontaram. Mas seus amigos sempre disseram que você é muito bom em ouvir os problemas dos outros. E um bom conselheiro também. 

No relacionamento, tudo vai indo às mil maravilhas. Seis meses de namoro e já decidiram até o nome dos filhos que terão no futuro. Os padrinhos da criança também, é claro. Eu escolho a madrinha e você o padrinho. Ok, chegamos a um acordo. 

Três meses depois o príncipe vira sapo ou a princesa vira piranha. E você passa a acreditar que todos os homens são iguais. Ou que todas as mulheres não valem um centavo. Até se apaixonar novamente e acreditar que o seu mozão é o melhor do melhor do mundo! 

E quanto mais velho você vai ficando, vai percebendo que a dúvida entre lavar hoje o cabelo ou deixar só para amanhã vai te acompanhar pela vida inteira. E que em alguns momentos você vai se estressar no trabalho ao ponto de repensar a sua profissão. Que ter a roupa separada pela sua mãe te esperando em cima da cama não daria certo na sua idade atual. Que príncipes vão virar sapos e princesas vão virar piranhas até você encontrar alguém que já esteja cansado de ser o vilão da história e que esteja procurando um mozão bacana para uma relação estável e duradoura. 

Dúvidas. Sempre aqui, ali, em qualquer lugar, em todo lugar. A linha entre estar feliz com o que se tem e decidir que se quer algo novo é tênue. As chances de se estar certo ou errado nem sempre podem ser calculadas. E é por isso que muita gente continua sendo arquiteto mesmo tendo uma estante cheia de livros sobre os mistérios do comportamento humano. E você, vai lavar o cabelo hoje ou amanhã? Eu ainda não sei.

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7 comentários sobre “A linha tênue entre estar feliz com o que se tem e decidir que se quer algo novo

  1. Alice

    Aritta, descobri seu blog a pouco tempo, quando comecei a pesquisar sobre intercâmbio de Estudo e Trabalho no Canadá.
    Gostei muito de tudo o que você escreveu( sim li todos os posts!!) Você esclareceu muitas dúvidas e de certa forma me ajudou a tomar a decisão de fazer o intercâmbio.
    Obrigada ,
    Alice

  2. Litz

    Questionamentos diários, mesmo com o passar do tempo, a escolha entre o que você gosta e não gosta tanto de você, entre o que faz o possível e o impossível para estar do seu lado, e mas uma vez a linha tênue ter persegue entre “Ser ou Estar” feliz!

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