Proteja as suas feridas e não siga os meus conselhos

Eu falo quando tenho que falar. Ainda que tenha conhecimento da regra de que o silêncio vale muito, eu falo demais. Falo besteira. Falo a verdade, falo palavrão, eu grito se for necessário. Mas não deixo nada entalado na garganta.
Sempre fui atrevida e sou muito boa para dar conselhos, ainda que eu odeie fazê-lo. Sim, me acho patética aconselhando alguém quando sei que geralmente quem pede conselho já decidiu o fazer. Eu, por exemplo, quando pergunto o que deveria fazer já fiz o que não devia ser feito e tô só a procura de alguém que me critique para que eu sinta um pouquinho de remorso. Pois até dos meus erros eu carrego orgulho. Coisa de aquariana que acredita que toda lógica pode ser relativa.
Tenho muito disso, eu vejo a direção em que o rio tá indo e decido cavar um pouco de terra, só pra ver se consigo mudar o curso d’água pra aquele lado que eu acho mais bonito. Nem sempre eu consigo, mas sou tão teimosa que mesmo quando falho, digo que tem sim, uma correntezinha ali, indo lá pra onde eu queria. Mas não tem. É só água da chuva que caiu ontem.
Eu acordo com vontade de mudar o mundo, mas vou dormir com a esperança de que o mundo me mude. Eu já tive a oportunidade de me ferrar muito. Levei tantos tombos que meus joelhos carregam as marcas – literalmente. Muitos dizem que a gente aprende a cair, eu continuo achando que uma queda é sempre pior que a anterior.
Mas uma coisa que eu aprendi é que mesmo o melhor dos curativos pode se soltar se você não tiver o cuidado necessário. E a ferida quando exposta machuca ainda mais. Lembre-se: ao se machucar, ponha dez band-aids se necessário, proteja-se de uma dor ainda maior.
Mas quer saber? Jamais siga o meu conselho. Não gaste dinheiro com curativos e deixe o seu joelho ficar calejado. Eu nunca soube mesmo cuidar das minhas feridas. No fundo, acho que guardo certa afeição por elas.

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Um comentário sobre “Proteja as suas feridas e não siga os meus conselhos

  1. Pingback: Sobre colocar o pingo nos is e a Teoria da Relatividade | Moqueca Canadense

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