Sobre o amor e o que ainda não aprendi com ele

 
Não sei você, mas sou do tipo que ama demais. Não sei me controlar, fingir que não tô afim, entrar no jogo do “ficar na minha para que o outro sinta a minha falta”. Eu sou o exemplo imperfeito de mulher que segue conselhos. E que quando os segue, confunde as instruções no meio do caminho, como quem põe três colheres de sal em um bolo que deveria levar açúcar. 

Sou também aquele tipo que já quebrou a cara incontáveis vezes. E se sofrer de amor deixasse cicatrizes visíveis… Ah, você veria o quanto envelheci!

O que aprendi amando demais é que nada sei sobre o amor além da certeza de que só vale a pena se te trouxer sossego. Em certos tipos de relacionamentos, a gente perde tempo demais tentando mudar o outro, gastamos energia demais tentando fazer com que o outro nos ame, numa guerra diária para fazer o relacionamento dar certo. A gente se anula pelo outro e ficamos cegos ao ponto de perdermos as melhores características da nossa personalidade. 

Eu já fui muitas mulheres em uma só. Alguns amores me tiraram o brilho, o meu humor, a minha energia, a minha vontade de escrever, a minha espontaneidade. Já fui imatura ao ponto de levar adiante relacionamentos fracassados por medo de assumir para mim mesma que aquele conto de fadas só existia na minha cabeça. Ja aceitei traições por acreditar que erros acontecem e que todos devem ter uma segunda chance. E não me dei conta de que estava traindo a mim mesma.

Dei ao outro uma segunda chance e a mim a infelicidade de conviver com a dúvida. Com o tempo, aprendi que dar uma segunda chance muitas vezes é como comprar um item caro no cartão de crédito estando com a conta negativa. Você quer tanto ter aquilo, que não se importa se vai conseguir pagá-lo. Em outras palavras, dar uma segunda chance é parcelar o seu sofrimento. É adiar a sua chance de sofrer hoje e ser feliz amanhã. É não ter coragem de encarar a verdade e de aceitar que só o amor não é suficiente para fazer com que alguém te queira. 

Demora um bom tempo, mas a gente aprende que quem te quer não precisa de uma segunda chance. Quem te merece vai estar ali, permitindo que você seja quem você é, sem mudar nenhum traço da sua personalidade. 

Demora um bom tempo, mas a gente aprende que nem todo amor foi feito para te fazer feliz. Alguns foram feitos para ajudar a crescer – ainda que você não os veja dessa forma. E com esses a gente aprende muito. Aprendemos inclusive, que nada sabemos sobre amar. 

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13 comentários sobre “Sobre o amor e o que ainda não aprendi com ele

  1. Paty Oliveira

    Nossa…me vi em cada frase desse texto. Demais! Amar mais ou menos não existe no meu conceito do que é o amor. O segredo é sermos autênticos, mesmo quando o medo de nos machucarmos permanece ali desde aquele relacionamento que nos fez sofrer tanto.

  2. Marianne.

    Desconsidere meu outro comentário perguntando se vc estava ainda no Canadá AHAHHAHAH encantada com seu blog, sooonho em morar no Canadáa *O* belos posts!

  3. Aritta, minha querida amiga virtual que eu nem conheci ainda…

    Engraçado como os teus textos falam pra mim, parece que sou eu escrevendo…
    Parecia o meu relato, aquele que eu nunca tive coragem de publicar, daqueles que eu escrevo no meio da noite, na véspera de uma folga do trabalho, enquanto a cidade dorme e eu fico por alguns minutos olhando as luzes da cidade grande, pensando em todos os sorrisos, todas as lágrimas que elas trazem, a forma com que diversas pessoas as viram, interpretaram e sentiram. Eis então que eu me percebo naquela multidão e vejo que sou apenas mais um, amando, sonhando, assim como todos, buscando por dias melhores, pelos raios de sol, pelos sorrisos, por aquele brilhos que fora tirado de mim…
    Ao ler este seu texto, eu cai na real de que penso da mesma forma, também não faço os tais jogos e me apaixono de verdade, mergulho de cabeça, mesmo sabendo do grande e eminente risco de bater com a cabeça e machucar (acredite minha amiga, assim como você, conheço bem o quão duro é o fundo dessa piscina chamada paixão e o quanto dói…) mas ainda assim, continuo a mergulhar de cabeça, porque o risco de dar certo e viver algo único, compensa, faz toda a loucura valer a pena, nos faz continuar a quebrar as regras dos “jogos”. Não somos bons jogadores, mas sabemos amar de verdade, podemos não saber seguir todas as regras e dicas para que o outro sinta saudades, mas sabemos como abrir a porta de casa, com um abraço carinhoso e verdadeiro, dizendo silenciosamente: “Aqui é o seu lugar! Fique!”.

    Não sabemos nada do amor ainda, mas sabemos do quão feliz e completo o nosso coração fica quando recebemos de volta aquilo que estamos ofertando para aquela pessoa que se torna parte dos nossos sonhos…

    Eu também já me anulei, já deixei pra lá, mas aqui estou, firme e forte, acreditando novamente e buscando por better days.

    Adoro seu blog, sua forma de escrita e quando vejo as suas fotos, não vejo nada além de uma mulher que cresceu, lutou, venceu e é forte! Somos como as palmeiras que são balançadas pelo vento, podemos balançar de um lado ao outro, mas quebrar? Jamais.

    Sofremos do mal de todos os sonhadores, sempre vamos lutar por algo que queremos, principalmente se nos disserem que não é para nós, que não conseguiremos…

    Tenha uma semana maravilhosa e abençoada.

  4. Que saber algo ? eu Chorei ao ler seu texto , chorei por me Identificar tanto inúmeras vezes em um texto só , eu nunca chorei tanto por dentro , como chorei com seu texto , nossa !! super me emocionei , realmente seu texto falou tudo , realmente ficamos cego várias vezes , sobre tudo , sobre nós mesmo quando amamos , amar é jogo muito complicado do que parece , o amor tem vários truques , várias armas , a qual nunca seremos protegido de passar por tudo isso , parabéns por grandes palavras em um pequeno texto , virei seu fã , Parabéns , e OBrigado , pois seu texto me ajudou em muitas coisas hoje ! 🙂 😥 😀

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