Faça o bem, mesmo que você olhe a quem 

  

Um senhor indiano frequenta todos os dias a mesma cafeteria. Vez ou outra os funcionários observam ele trocar duas palavras com alguém na fila e, ao chegar a sua hora de fazer o pedido, ele paga o café de quem ele acabou de conhecer. Não tem dia certo, hora certa, mas ele faz. 

Seu Ahmed pede todos os dias o seu chá preto com leite, adoçado com uma versão sem açúcar de xarope de baunilha. É diabético e os funcionários do local foram avisados que a sua bebida jamais deve ser feita com o xarope normal. Alguns, porém, por vezes esquecem. Seja pelo cansaço, pela quantidade de bebidas que precisam ser feitas ou por falta de atenção. 

Numa certa manhã, a supervisora da loja observava um dos funcionários enquanto ele preparava o chá do seu Ahmed. Viu que ele usou o xarope  com açúcar e, apesar da quantidade de gente que aguardava na fila, ela parou o que estava fazendo e foi lá, discretamente, avisar ao rapaz que o chá deveria ser feito novamente. Seu Ahmed provavelmente nem percebeu, já que lia o jornal encostado ao balcão.

Certo dia, a mesma supervisora saiu da loja chorando. Dois funcionários não tinham ido trabalhar, a loja atende uma média de 800 clientes a cada duas horas, ela tinha começado o turno às 5 da manhã, iria sair às 11 pois tinha uma prova ao meio-dia, mas não conseguiu. Saiu às pressas, às 11:40 sem ao menos trocar o uniforme que carregava o cheiro forte de café. Chorava no percurso, pois além do cansaço do trabalho – havia dormido pouco mais de 3 horas, pois precisou estudar -, estava tensa com a prova, chateada pelos funcionários que estavam sempre faltando e por não ter tido a chance de sair mais cedo. 

No caminho para o ponto de ônibus, encontrou seu Ahmed. Ele, sempre muito educado, a cumprimentou e notou que ela chorava. Perguntou o que estava acontecendo e ela disse que estava apenas “tendo um dia daqueles”. Ele disse algumas palavras de conforto, falou que tudo iria ficar bem e continuou a caminhar. 

Alguns dias se passaram e ela cruzou novamente com seu Ahmed. Dessa vez ele deu o seu cartão e pediu para que no outro dia ela passasse em seu escritório, pois ele gostaria de conversar com ela. Ela foi. Ao chegar, seu Ahmed abriu uma gaveta e tirou de dentro uma sacola azul. Ela percebeu que se tratava de chocolates e disse que ele estava sendo muito generoso. “Tem algo mais”, ele disse, enquanto estendia um envelope branco. “Seu Ahmed, é muita generosidade da sua parte, mas não posso aceitar”, ela respondeu ao perceber que dentro havia dinheiro. 

“Há alguns meses eu vi que um dos rapazes não deu nenhuma atenção à minha bebida e isso ocorre com mais frequência do que você imagina. Mas eu também vi você sair de onde estava e pedir para que ele refizesse o meu chá. Eu ajudo a muitas pessoas, mas eu ajudo principalmente àquelas que de alguma forma fazem parte do meu dia a dia. Esse envelope é para que você pague parte da sua faculdade. Eu ouvi você reclamar com uma outra funcionária que a sua anuidade é alta. Você é muito esforçada e está sempre de bom humor mesmo às 5 da manhã. Não precisa agradecer e por favor, aceite. É um presente de natal de um amigo que você nem sabia que tinha”, ele explicou. “Só te peço uma coisa em troca: passe a bondade adiante. Não precisa ser em dinheiro, pode ser em gestos. Faça o bem. Se não puder fazer o bem a todos, ao menos faça àqueles que fazem parte da sua rotina”, completou. 

Eu sai do escritório do seu Ahmed aos prantos. Abri o envelope e vi que continha mil dólares. 

Contei a história para algumas amigas próximas e para o meu namorado. Isso aconteceu no ano passado e, depois disso, ouvi uma colega de trabalho comentar que o seu Ahmed deu um computador ao filho de um dos seguranças que trabalha próximo ao seu escritório. 

Ele continua vindo todos os dias tomar o seu chá. Nunca me tratou melhor do que aos outros funcionários e jamais mencionou o dinheiro ou os chocolates.  

Eu não sou a pessoa mais generosa do mundo, mas eu sempre acreditei na lei do retorno. Eu acredito sim que a gente colhe aquilo que a gente planta e, acredito mais ainda, que o mundo esteja cheio de pessoas boas.

Você pode não ter tempo para fazer trabalhos voluntários, para distribuir agasalhos nas ruas ou iniciar campanhas que vão mudar o mundo. Mas, você precisa achar tempo para se preocupar ao menos com quem de alguma forma faz parte da sua vida. Seja os seus amigos, a sua família, clientes, funcionários, ou a moça que serve o seu café. 

Você não precisa dar dinheiro. Aliás, você é rico de alguma forma e talvez nem saiba. Ache aquilo que você tem de sobra dentro de você e compartilhe com os outros. O mundo precisa de gente que faça o bem, mesmo que seja olhando a quem. 

P.s: Eu alterei o nome do senhor que me ajudou para que a sua identidade seja preservada. 

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8 comentários sobre “Faça o bem, mesmo que você olhe a quem 

  1. Leila

    Oi bom dia!!!!!! ótima reflexão para começar o dia. Obrigada pela sacolinha, vou passar adiante. Uma excelente semana para para você!!!!!!!

  2. Roberta lucio

    É bom saber que as pessoas se preocupam com as outras ainda, apesar de toda correria… Nada melhor do que ver quem está ao nosso redor bem por ao menos receber um bom dia sincero. Bjos

  3. Pingback: Favoritos de Abril | Lembranças da Gabi

  4. Renato

    A mensagem é muito bonita, mas há um erro de gramática, pois até a parte que a supervisora recebe o envelope do seu Ahmed, a história é contada em terceira pessoa e repentinamente passa a ser contada em primeira pessoa… “Eu sai do escritório do seu Ahmed…”

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