Vietnã: o charme da agitada Hanói e as belas montanhas de Sapa

Oi pessoas,

Voltei! Bom, já cheguei há alguns dias. Porém, retornei bem no comecinho das minhas aulas no college e gastei alguns dias reorganizando a minha vida após viajar por 5 semanas.

Durante a viagem eu não tive muitas chances de escrever com calma aqui no blog. Além de estar sempre na correria, na maioria das vezes eu só conseguia wifi nos restaurantes e hotéis – e nesses lugares, ou eu tava faminta, ou muuuito cansada.

Depois de viajar por 18 dias na Tailândia e por duas semanas no Camboja, segui para o Vietnã, onde fiquei por apenas uma semana – o suficiente para que eu morresse de amores pelo povo e pelas paisagens do país.

Primeiro contato com o Vietnã: o patriotismo explícito nas bandeiras e o vai-e-vem de motos em Hanói

Peguei um voo de Siem Reap, no Camboja, para Hanói, capital do Vietnã. O voo entre os dois países custou $160 e teve a duração de menos de duas horas. Passei um sufoco no aeroporto e quase fiquei sem embarcar. Aqueles que me acompanham no face devem ter lido o meu relato. Eu não fiz a minha pesquisa antes de comprar a passagem e achei que o visto para o Vietnã fosse emitido no próprio aeroporto, como é feito no Camboja (brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia, mas precisam mostrar a carteirinha de vacinação com a vacina de febre amarela em dia).

Para pegar o visto vietnamita, você precisa preencher um formulário online com alguns dias de antecedência, pagar uma taxa de mais ou menos $20 e esperar dois dias por uma carta de aprovação. Essa carta deve ser entregue no desembarque, com o pagamento de mais uma taxa de $45 para que você receba o visto. Eu não tinha a carta e depois de muito chororô e confusão, paguei uma taxa altíssima de $180 e saí do Camboja já com o visto no meu passaporte. Portanto, não faça como eu. Pesquise tudo antes de ir de mala e cuia pro aeroporto crente que está pronta pra entrar no país dos outros hahaha.

Fiquei em um hotel chamado Madame Moon Guesthouse, bem simples, mas muuuito bem localizado. Fica no centro de Hanói, no chamado Old Quarter, onde ficam as lojas, bares e restaurantes badalados da cidade. A diária custou 20 dólares.

A influência francesa, fruto da ocupação do país pela França no século 19, predomina na arquitetura de Hanói. As ruas estreitas com sobrados cobertos pelo vermelho da bandeira do Vietnã, são tomadas por milhares de motocicletas, carros e bicicletas que disputam espaço com pedestres e comerciantes. Atravessar a rua é uma verdadeira aventura.

Prepare-se para um post super longo! Não consegui conter o meu entusiasmo ao contar sobre a minha experiência no Vietnã e nem maneirar na quantidade de fotos! Sorry, mas eu quis reunir tudo em um só lugar.

Rua no centro de Hanói, capital do Vietnã

Quando ainda estava no Camboja, um amigo me contou sobre a Hanoi
Kids, uma organização que oferece guias de turismo sem cobrar valor algum. O principal objetivo é dar a oportunidade a crianças e adolescentes vietnamitas de praticarem inglês com os turistas e, assim, terem mais chances de conseguirem bons empregos no futuro. Enviei um e-mail e reservei a manhã no meu primeiro dia em Hanói para visitar o Museu de Etnologia  (entrada custa uns $2 e há desconto para quem tiver carteirinha de estudante).

Museu de Etnologia em Hanoi, vale super a pena visitar!

Fiquei encantada com o profissionalismo de Lê Minh que, com um inglês perfeito, me deu uma verdadeira aula sobre a história dos seus ancestrais e dos diversos grupos minoritários vietnamitas. Após o nosso tour pelo museu, ela me levou no Cong Caphe, uma cafeteria super charmosa, onde a decoração e o coconut coffee, um café com gostinho de coco, são as grandes estrelas do local. Ainda que você não seja fã de café, o que é o meu caso, super recomendo a visita. O país é famoso pelo seu café forte, encorpado e cremoso. Ahhhh, e no lugar do leite, na maioria das vezes eles usam o leite-condensado. Perdição!

À tarde dei uma volta pelo Old Quarter e enlouqueci com o preço dos produtos. É tudo muito barato! A conversão me dava a maior dor de cabeça, principalmente depois de ter passado pela Tailândia e pelo Camboja. Quando eu estava lá, $1 (dólar americano) valia VND 22.000 (dong vietnamita). Imagina alguém te falando que algo custava meio milhão de dongs…

Uma boa refeição com cerveja custava uma média de $6.

Táxis também são super baratos, mas em dias de muito trânsito você vai cogitar pegar um mototáxi, ou não vai chegar a lugar algum. No Vietnã, não vemos tuk-tuks como na Tailândia e no Camboja. Alguns rapazes oferecem te levar num carrinho puxado por eles numa bicicleta, mas eu não usei o serviço.

Principal meio de transporte dos vietnamitas
Hoan Kiem Lake, localizado no centro histórico de Hanói

Existe um mundo à parte nos vilarejos das montanhas de Sapa 

Como eu queria muito dividir o meu tempo no Vietnã entre Hanói e os pequenos vilarejos localizados nas montanhas, na mesma noite peguei um trem para Lao Cai (mais ou menos $35) e, após 7 horas, cheguei na pequena cidade, de onde uma van me levou para o meu tão esperado destino: Sapa.

Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, os locais em que mais aprendi e mais tive contato com a cultura do país foram as cidades pequenas e os vilarejos por onde passei. Eu queria ter a mesma experiência no Vietnã e não poderia ir embora sem conhecer o dia a dia de quem vive nas montanhas.

Antes de partir para a minha aventura em Sapa, fiz uma pesquisa em busca de opções seguras e acessíveis para mulheres que viajam sozinhas pelo Vietnã. Por indicação da Kiersten, do blog The Blonde Abroad, entrei em contato com a Hong, que ficou comigo nos três dias e me levou nos lugares mais lindos, fazendo com que a minha experiência  no local fosse a mais proveitosa possível.

Hong, a minha guia em Sapa, e as suas filhas

No primeiro dia passeamos pelo centro da cidade e fomos em algumas feirinhas, onde eu tive o primeiro contato com vietnamitas das tribos Black H’mong e Red Zao. Você os vê o tempo inteiro pela cidade, com suas vestimentas exóticas e bem coloridas. Podem ser facilmente identificados pelos acessórios e cores dominantes nas roupas. A primeira tribo veste-se de preto, enquanto a segunda usa lenços e bandanas vermelhas.

Uma mãe da tribo Black H´mong vende mel com o seu bebê em uma pracinha de Sapa
Os bebês são carregados sempre dessa forma e até quando as mães acompanham os turistas na trilhas, os pequenos vão grudado nas costas
Frutas, verduras, carnes e artesanatos são vendidos nas feiras ao ar livre em Sapa
Vendedoras de sticky rice, ou arroz grudado, famoso no Vietnã. O colorido é feito com corantes naturais extraídos de plantas. Come-se com recheio de manga ou com farelo de amendoim
Açougue a céu aberto

Depois de fazer um tour pelo centro de Sapa, montamos na motocicleta de Hong e subimos as montanhas em busca das cachoeiras da região.

O cenário é de tirar o fôlego…

Hong parava a moto nos melhores pontos para tirarmos foto com esse cenário que mais parece uma pintura
Morrendo de medo de cair da pedra haha
Thac Tinh Yeu, também conhecida como “Love Waterfall”
Paramos para comer espetinhos de porco com folhas de chuchu. Uma delícia!
No trajeto para as cachoeiras a gente encontra barracos como esse onde os nativos vendem artesanatos ou comidas



Homestay com famílias locais

No final da tarde do meu primeiro dia em Sapa, Hong me levou para a homestay onde eu passaria uma noite com uma família da tribo Red Zao, no pequeno vilarejo chamado Ta Phin. No percurso para o local, eu não parava de pensar no quanto eu era sortuda em ter a chance de ver e viver tudo aquilo. As fotos podem comprovar o quanto as paisagens são lindas, mas a energia do local é indescritível.

Homem caminha pelas montanhas carregando cesto que é usados para transportar artesanatos, comidas e até crianças
O verde dos arrozais muda de acordo com as estações e a quantidade de chuva na região. Eu fui na época de chuvas, quando as plantações estão cheinhas
Casal trabalha na colheita do arroz, abundante em toda a região

A casa de No May, a moça que me recebeu por uma noite, era bem simples, como todas as outras que ficam na mesma região. Mas, a generosidade e a atenção que ela, o marido e a filha Mayun dedicaram à mim naquele dia, foram maiores do que eu esperava.

May prepara o nosso jantar
Mayun, de 7 anos, observa a mãe
No jantar daquela noite, arroz , tofu frito, chuchu, porco e salada
May adoça com mel uma dose de “happy water” ou água feliz, bebida alcólica caseira feita de arroz e super comum no sudeste asiático. O gosto é forte como o da cachaça

Após o jantar, No May me perguntou se eu gostaria de tomar um banho de ervas preparado por ela. É uma tradição da tribo Red Zao para ”limpar o corpo das energias negativas”.

Caldeirão onde May ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas
Caldeirão onde ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas

Segundo ela, eu deveria entrar no barril com o banho de folhas e lá ficar por mais ou menos 20 minutos. Fui avisada de que a maioria das pessoas sente uma tontura ao sair do banho. Curiosa e sem acreditar que um simples banho me faria sentir algo diferente, entrei no barril e lá fiquei por mais ou menos 25 minutos.

O barril em que tomei o banho de ervas
O barril em que tomei o banho de ervas

A sensação é a mesma de estar em uma sauna, já que a água é bem quente. Não senti nada enquanto estava imersa no banho, porém, comecei a sentir muita tontura assim que saí do barril. Para vocês terem noção, eu não consegui me vestir e fui do banheiro pro quarto enrolada na toalha e com o corpo super cansado, pedindo cama. Dormi igual a um bebê por oito horas seguidas, o que era raro nos meus dias na Ásia, principalmente em áreas como aquela, onde o canto dos galos te acorda às 5 da manhã.

Mãe da tribo Red Dao caminha com o filho pelo pequeno vilarejo
Mãe da tribo Red Dao caminha pelos arrozais com o filho nas costas
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografassem
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografasse
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais

Na manhã seguinte, Hong me buscou na casa em que eu estava e me levou para um vilarejo chamado Lao Chai, do outro lado da montanha. Eu iria passar uma noite na casa de pessoas da tribo Black H´mong e teria contato com os costumes de um dos mais conhecidos grupos minoritários existentes em Sapa.

O vilarejo era bem mais agitado do que o anterior. Na casa em que fiquei, por exemplo, haviam outros quatro turistas, além da família que lá morava. A maioria dos moradores vive do turismo, seja recebendo turistas em suas casas ou guiando-os em trilhas pelas montanhas.

Na casa em que fiquei, a matriarca oferecia cursos de batik, a técnica de coloração e pintura em têxtil. No quintal funcionava uma pequena fábrica e na frente da casa, a lojinha onde eram vendidos os produtos produzidos pela família.

Máquina onde os fios de linho são entrelaçados
Matriarca ensina a técnica do batik aos turistas
Tecidos são tinturados…
….e depois expostos ao sol

Eu acabei esquecendo o nome de uma das irmãs que me levou para uma trilha de 4 horas nas montanhas. Como essa era a minha última semana na Ásia e eu já havia feito dezenas de trilhas, quase morri de cansaço com o sol a pino e o sobe e desce das ladeiras.

Caso decida visitar Sapa, prepare-se para explorar o local com os pés no chão. Programe-se para fazer trilhas, pois é muito mais divertido do que em motocicletas. E vale super a pena!

Apesar do cenário ser tão lindo quanto o do primeiro vilarejo em que fiquei, a enorme quantidade de turistas e a agressividade dos vendedores que, literalmente, te empurram os artesanatos, fez com que eu me decepcionasse um pouco com o local. Acho válido pesquisar os vilarejos onde a quantidade de turistas não é tão grande. Mas como o sudeste asiático é ainda um dos destinos mais baratos para visitarmos, vai ser cada vez mais difícil achar lugares ainda pouco explorados.

A quantidade de crianças nesse vilarejo era enorme
Algumas vezes elas irão te seguir, oferecendo produtos , ou melhor, implorando para que você compre algo. Sugiro que não compre nada, pois assim evitará que elas te sigam por todos os cantos e também que deixem de matar a aula para seguir os turistas
Menina estuda na porta de casa

Um bate e volta para conhecer Ha Long Bay 

Pra vocês terem uma noção do quão corridos eram os meus dias (só pra garantir que eu voltaria pra casa após ter visto todos os lugares que gostaria de ver), peguei um trem noturno de volta para Hanói às 9 da noite. Cheguei na capital por volta das 5 da manhã e, às 8 já estava em uma van que levaria para a cidade de Ha Long.

Foram quase 4 (!!!) horas de estrada com um grupo de turistas e depois um barco que nos levaria até a famosa baía onde ficam as enormes rochas no meio da água. O tempo não estava dos melhores, mas eu estava tão cansada de sol e com a pele tostada de tantas caminhadas sem protetor, que não me importei.

O local é mesmo lindo, mas já virou uma daquelas atrações turísticas que estão sempre lotadas de gente
Mesmo com o dia nublado, o cenário era lindo

Para visitar Ha Long Bay você tem duas opções: o passeio de um dia ou os cruzeiros nos quais você dorme no barco por dois ou três dias. Se você tiver tempo, ótimo. Mas, apesar de cansativo, acho que apenas algumas horinhas no local são suficientes.  É o tipo de lugar fotogênico, mas sem muito o que fazer.

O barco para em uma área onde podemos alugar caiaques ou essas jangadinha, guiadas por um dos nativos. Eu escolhi a segunda opção e o passeio deve ter durado uns 20 minutos

Ficamos na baía por mais ou menos umas duas horas e depois seguimos de volta para Hanói.

O passeio, que custa por volta de $30, inclui transfer do hotel até a cidade de Ha Long, almoço no barco e visita a uma caverna que fica em uma das ilhas

No meu último dia no Vietnã, pesquisei um bom restaurante na área em que estava hospedada e acabei indo no Green Tangerine, um restaurante francês-vietnamita suuuuper charmoso que fica ali no Old Quarter, onde tudo acontece.

Foi uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. Escolhi um combinado de entrada + prato principal + salada por mais ou menos $25 e amei tudo que pedi! O local fica em uma casa colonial com pátio pavimentado e decoração que mistura toques orientais e europeus.

Lasanha de peixe ao molho de vinho branco. No topo, mousse de parmesão, frutas vermelhas e manjericão

Os pratos, apesar de bem mais caros do que o normal no Vietnã, são lindos e deliciosos…

Crepe de mousse de chocolate com lichia e caramelo

O Vietnã é, com certeza, um país com uma vasta riqueza cultural e que oferece uma infinidade de opções para quem deseja explora-lo. Apesar de ter sido o meu último destino na viagem e, por conta disso, estar bem cansada, consegui ver tudo que desejava ver e me encantei com as pessoas e os locais que conheci em Sapa e em Hanói. Eu tive muita sorte de ter cruzado apenas com pessoas do bem que fizeram com que a minha viagem fosse ainda mais especial.

Voltarei em breve, Vietnã!

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