Eu disse sim! 


Não teve anel de diamante. Não foi numa praia paradisíaca ou numa dessas montanhas tão altas que a gente tenta tocar o sol. 

Não tinha vista bonita, mas, se eu respirasse bem forte, talvez até conseguisse sentir – lá longe – o cheiro do mar. 

Não foi em um dos nossos – tantos – paraísos preferidos. Não teve jantar romântico, pétalas de rosa, violino, discurso ensaiado. Não foi do jeito que eu sonhava. Até porque, depois de um noivado que não tinha dado certo, eu era do tipo que não sonhava com isso. Ou evitava sonhar. 

Eu estava suada. Engolia as lágrimas enquanto terminava de arrumar as malas. Pensava no visto que ia vencer e na minha necessidade em retornar ao país antes que isso acontecesse. Tinha muito pepino pra resolver. 

Avô doente. Eu não queria ir, mas não podia ficar. O meu avô é o meu pai, ele merecia que eu ficasse. À medida que o meu retorno se aproximava, mais tristinho ele ficava. Não comia direito. Reclamava que os netos estavam todos partindo pra longe dele novamente. O meu avô, que sempre foi uma pessoa super de bem com a vida, andava triste demais.

Enquanto eu chorava, ele tentava me acalmar e insistia em dançar. De vez em quando, se me vê triste ou brava com algo, ele me rodopia, na tentativa de me desarmar e me arrancar um sorriso. Já conheço esse truque dele. E me irritei. Disse que ele não imaginava como eu me sentia. Que aquilo era sério. Reclamei da sua insensibilidade e da mala que ele ainda não havia começado a fazer. Falei que ele brincava nas horas impróprias. 

Ele continuava me segurando em seus braços, dizendo que tudo iria ficar bem. Me rodopiou uma vez. “Marc, eu tenho medo de não ter a chance de ver o meu avô novamente. Ele já está velhinho e agora doente. Você me entende?”

Lágrimas. 

E ele me abraçou mais forte. Me rodopiou mais uma vez e quando eu encostei em seu peito, ele ensaiou umas palavras, pausou e depois sussurrou: “Vamos casar?” 

Eu fiquei muda. Não lembro quando foi a última vez que alguém me deixou sem reação. Talvez nunca. 

Ele continuou, como quem tenta explicar que o que ele havia acabado de falar fazia sentido. “A gente se ama e já se conhece há tanto tempo. Essa é a hora certa. Você fica o tempo que precisar com o seu avô. Eu ficarei o tempo todo aqui com você. A gente aproveita e dá a ele a felicidade de ver você se casar.” 

Eu chorei ainda mais. 

Assim, sem que eu esperasse, em poucos minutos ele reorganizou a minha vida inteirinha e me deu de presente o TEMPO. 

O tempo dele ao meu lado e o meu tempo ao lado dos meus avós. 

Me deu a chance de descobrir que sim, era possível amá-lo ainda mais. Não teve champanhe, não teve música, jantar caro ou quarto decorado. Não foi do jeito que eu havia imaginado, não foi no momento esperado. Foi numa dessas horas em que tudo que você mais quer é colo. 

Num desses momentos em que a gente se vê num beco sem saída, com o coração apertado. Que a gente procura um botão que pause a vida. 

Foi quando eu menos esperava que ele me embalou em seus braços e me mostrou que não importava o ritmo da música, eu jamais dançaria sozinha nessa vida. 

Dançamos. 

E eu disse SIM. ❤️

P.S: Ganhamos uma festinha surpresa da minha família linda, com direito a um bolo maravilhoso e tudo mais. Eles são demais! 

Sr. Jayme e Dona Áurea, meus avós lindos
 

Estamos todos muito felizes!  

🙂 

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20 comentários sobre “Eu disse sim! 

  1. Naiala Valiense

    Prima vc me fez chorar!!! Que deus abençoe vcs. E aproveite bastante seus avós pq os meus já se foram e daria tudo para ter o colo deles novamente. Felicidades pra vcs! Bjs Nay

  2. Ariiiiiii! Amei demais! A história, as palavras, os sentimentos e a emoção de chegar ao fim desse post com lágrimas nos olhos!
    Que vc continue escrevedno uma história linda ao lado de quem ama!
    Felicidades aos pombinhos!!!!
    Beijo grande!
    Ana T (amiga do avião)

  3. Soraia

    Que máximo!!!!
    Sua fã aqui envia um monte de coisas boas pra vocês. Que a felicidade sempre te persiga, e sempre te alcance.
    Um beijo, menina linda!
    Um beijo ao casal!

  4. Pingback: Que nunca nos falte vontade – Moqueca Canadense

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