Bolhas de sabão

Quando criança, eu tinha uma fissura por bolhas de sabão. Soprava centenas ao vento, só pra observar aquelas formas perfeitas, translúcidas e delicadas, voarem desgovernadas em direção ao céu.
Havia algo de mágico naqueles momentos: eu não entendia como uma mistura tão simples pudesse criar algo tão lindo.
Também não me conformava com o nosso breve encontro. Lembro de contar os segundos e observar enquanto elas se desfaziam no ar.
Certo dia, já grandinha, uma professora de química me ensinou uma receita para criar bolhas mais resistentes. E lá fui eu, toda contente, fazer a tal da mistura.
Criei bolhas gigantes, translúcidas e pesadas, que demoravam a estourar. Observei-as por algum tempo, sem contar os segundos.
E, sabe de uma coisa? Apesar de grandes e resistentes, faltava algo. Aquelas bolhas não me encantavam como as outras.
Foi quando eu passei a ter controle sobre o tamanho e o tempo que passaríamos juntas, que as bolhas deixaram de ser especiais.
Lição aprendida: na vida, a gente vai se deparar com receitas pra mudar ou melhorar quase tudo. Porém, há coisas, momentos e situações que perdem a sua mágica quando passam a ser controlados/manipulados por nós.

Fica a dica.

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