Na cafeteria

Ontem sentei sozinha numa cafeteria e pedi um capuccino. Quando a bebida chegou eu percebi que não era aquilo que eu queria. Eu nem gosto mais de leite.. onde eu estava com a cabeça?

A xícara repousava sobre a mesa e, enquanto eu usava uma colherzinha para fazer círculos na bebida, observei as mesas ao meu redor. Putz, esse negócio não vai descer redondo… estou prevendo uma azia.

Na mesa da frente, um rapaz digitava rapidamente em seu laptop. Um frio e triste croissant parecia esquecido numa cestinha ao lado do computador. Ele estava ocupado demais para desfrutar do seu café da manhã.

Eu não entendo quem – em bom estado de saúde física e mental – consegue facilmente ignorar comida. O croissant só precisava de 5 minutinhos de atenção. Talvez até menos…

Um pouco mais adiante, duas moças riam enquanto uma delas mostrava algo em seu celular. Alguém que ela conheceu no Tinder, talvez? Uma mensagem engraçada do namorado? Poderia ser uma foto do filho fazendo estripulias. Não dava pra saber.

No caixa, a funcionária aproveitava uma brechinha na fila para beber um copo d’água. “A Vânia vai passar aqui amanhã. Ela tem que pegar um cheque que a dona Teresa vai deixar pra ela”, falou pra outra moça que organizava os iogurtes na geladeira.

Vânia deve ser uma antiga funcionária. Teresa provavelmente é a dona da cafeteria. Será que ela foi demitida? Será que Teresa é uma daquelas chefes que ninguém gosta? Ou será que Vânia saiu por ter encontrado um trabalho melhor? Ela pode estar de licença, pode estar de mudança, pode ter aberto o seu próprio negócio… são tantas as possibilidades!

O capuccino já estava morno, eu não corria o risco de queimar a língua. A azia, porém, ainda era um risco eminente.

O rapaz continuava a digitar sem parar. Me deu fome. “Moça, me vê um croissant, por favor?” – fiz o pedido, enquanto contava os trocados espalhados pela bolsa. “É pra comer aqui ou pra levar pra viagem?”, ela me perguntou. “Pra viagem! Não! Desculpa, vou comer aqui”, respondi. Afinal, eu tinha fome e tempo de sobra para dar atenção àquele croissant quentinho. Foram só 4 minutinhos. E eu nem tive azia depois.

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