América Central: trilhas, vulcões e pirâmides na Guatemala

Já faz um bom tempo que ensaio publicar aqui um post sobre a viagem que o Marc e eu fizemos à Guatemala. Fui deixando pra depois e hoje me dei conta de que ja havia passado da hora!

Quem leu os meus posts (aqui e aqui) sobre o México, percebeu que a gente começou a viajar sem muito planejamento. A decisão de visitar a América Central foi tomada também meio que de última hora.

Pegamos um voo da Cidade do México para a Cidade da Guatemala, capital do país e famosa por ser bastante violenta. Alugamos um airbnb em Antigua Guatemala (também chamada La Antigua ou apenas Antigua), a apenas uma hora da capital. Do aeroporto, seguimos direto pra lá, portanto, vimos a capital apenas pela janela do carro.

Antigua é uma cidade colonial, patrimônio da UNESCO, construída em meio a três vulcões – Acatenango, Água e Fuego – sendo o último deles o único ainda ativo e um dos mais famosos do país. Foi planejada com o formato de um quadrado com dezenas de ruas de pedra que a cortam de uma ponta a outra. A arquitetura com influência barroca e o colorido das casas dão um charme especial ao local. A cidade é uma graça!!

Dois grupos de turistas se destacavam nas ruas da cidade: os aventureiros (como eu e Marc) e os bird watchers (pessoas que viajam à destinos nos quais seja possível observar pássaros raros).

A impressão que tivemos durante a nossa visita ao país é a de que, para quem não curte fazer trilhas e explorar a natureza, a Guatemala não é o melhor dos destinos.

No nosso segundo dia no local, marcamos um tour com uma das agências em Antigua para conhecermos o vulcão Pacaya, que fica em outro município, a uma hora de distância. O vulcão ainda está ativo, mas a sua última grande erupção ocorreu em 2010.

Pagamos por volta de 10 dólares pelo tour (transporte e guia). A taxa de acesso ao vulcão é cobrada no local – Q50 = USD7. A moeda local se chama quetzal.

A subida não é difícil e os tours geralmente ocorrem duas vezes ao dia, com saída às 6 da manhã e 14h. Fomos à tarde e às 20h já estávamos de volta.

Não tivemos muita sorte e havia bastante neblina no dia em que resolvemos conferir o vulcão. Não deu pra avistar nada de lá de cima. Por conta da recente erupção, não é possível chegar próximo da cratera, porém, após subir ao topo da montanha, descemos até uma área coberta por lava solidificada e a temperatura aumenta bastante!

Os guias geralmente distribuem marshmallows e palitos para que possamos assá-los no calor da lava. Pra ser bem sincera, ficamos um pouco frustrados com a nossa primeira experiência explorando um vulcão. Porém, sem a neblina, o passeio é muito mais divertido!

Pra quem acha que os passeios são perigosos, em locais com grande movimentação turística e vulcões nas proximidades, as atividades vulcânicas são observadas 24h por dia. Especialistas conseguem perceber o menor dos sinais de que um vulcão entrará em erupção e a explosão não acontece de uma hora pra outra. Há uma antecedência razoável no processo para que as agências cancelem os tours.

Meios de Transporte

O ônibus conhecido como chicken bus é principal meio de transporte na Guatemala. Há também táxis e tuk-tuks, mas sugiro pesquisar muito e pedir informações em agências de turismo antes de escolher o melhor meio para se locomover em distâncias maiores. O chicken bus pode ser a opção mais em conta, mas nem sempre é a melhor pois estão sempre lotaaaaaados!

A nossa experiência em um chicken bus não foi muito agradável. Afinal, ele não para em rodoviárias para que a gente use o banheiro. Mas, só descobrimos isso no meio de uma viagem de 5 horas. Pensem no desespero? Hahaha

Vulcão Acatenango: 6 horas de subida

No dia seguinte à nossa trilha no Pacaya, seguimos com a mesma agência, a Ox Expeditions , rumo ao nosso primeiro desafio: conquistar o topo do vulcão Acatenango, com 4 mil metros de altura e inativo desde 1972. A subida até a base do acampamento (a 3500 metros) onde a gente dormiu uma noite, antes de retornarmos na manhã seguinte, durou 6 horas. Os outros 500 metros até o topo são feitos em mais duas horas. É muito puxado!

A trilha é considerada a mais difícil dentre as oferecidas pelas agências em Antigua, pois além da subida íngreme, a altitude dificulta a respiração e muita gente acaba passando mal.

Ahhh, e eu nem contei que você faz tudo isso enquanto carrega a mochila com comida, 6 litros de água (parece muito para um dia e meio, mas é uma das exigências do guia e a gente bebe muita água mesmo!), partes das barracas, saco de dormir e casacos (já que o frio lá em cima é surreal).

Calma, você tem a opção de pagar 25 dólares pra alguém carregar o seu mochilão. E euzinha escolhi pagar, pois sabia que a subida seria muito difícil.

Há muitos moradores da região que trabalham todos os dias com isso e sobem o vulcão com uma habilidade de fazer inveja a qualquer atleta olímpico!

Saímos da agência às 7h e dirigimos por mais ou menos duas horas antes de chegar à base do vulcão.

A primeira hora de subida foi a mais dolorosa. Pensei seriamente em desistir. O caminho é suuuper íngreme e não tínhamos levado os nossos tênis de trilhas, apenas tênis de corrida. A cada passo que eu dava pra cima, escorregava um passo pra baixo.

O Marc, que deu uma de durão e levou a própria mochila, sofria com o peso e a dificuldade da subida.

Depois da primeira hora, ficou um pouco mais fácil, já que o caminho era em zigue-zagues. Há até uma barraquinha com café, água e refrigerante, no meio do vulcão.

Daí você deve estar pensando “Pra quê que alguém vai se submeter a uma tortura dessas?”

….pra acordar no meio da noite pra fazer xixi e ver o céu mais lindo e estrelado que você já viu. E a lua iluminando dois vulcões maravilhosos bem em frente à sua barraca.

O intuito de subir o Acatenango e acampar a 3500 metros de altura é ver de pertinho os vulcões Água e Fuego – o segundo ainda super ativo!

O nosso guia nos acordou às 4 da manhã para que nos preparássemos para assistir o nascer do sol. Imaginem uma cena que faz você chorar de alegria. Foi essa…

Um pouco mais tarde, por volta das 7h, começamos a preparar o nosso café da manhã. O tão esperado momento da explosão do vulcão Fuego aconteceu quando estávamos desarmando o acampamento. E foi incrível!!!

A descida durou 4 horas e foi mais difícil do que eu imaginava. Como o meu tênis não era apropriado, perdi as contas de quantas vezes caí. Também estava carregando a minha mochila, já que o peso das garrafas d’água e comida já havia ido embora. Terminamos a trilha mortos, suados e sujos de cinzas e terra. Mas, valeu muito a pena! Foi desafiador e emocionante!

De Antigua para as margens do lago Atitlan

Seguimos de Antigua para San Juan, um dos vilarejos às margens do famoso Lago Atitlan. A maioria dos guias de viagens sobre a Guatemala sugere que o visitante conheça o lago, mas não menciona as diversas opções de cidadezinhas nas quais você pode se hospedar.

O lago é o mais lindo que já vi. Não é a toa que é considerado um dos mais bonitos do mundo. É imenso! A luz do sol reflete na água e produz um brilho lindo. A cereja do bolo fica por conta dos vulcões e montanhas que o cercam, além das árvores verdinhas e do colorido das flores.

Escolhemos San Juan porque achamos a ideia de ficar no Eco Hotel Mayachik interessante. Os bangalôs são bem simples, os banheiros são ecológicos (compostagem), há uma horta orgânica, um espaço para que os hóspedes compartilhem o que sabem (aulas de yoga, de pintura, dança) e um restaurante vegetariano.

Vizinha à San Juan fica San Marcos, o vilarejo preferido dos hippies. Em toda a região do lago Atitlan encontramos aldeias maias. Os costumes e símbolos da civilização, que já foi uma das sociedades mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas, podem ser vistos por todos os cantos.

A nossa visita à região foi curta, mas valeu por muitas aulas de história (as quais eu provavelmente faltei haha), afinal, vimos de perto como o povo maia ainda mantém, com orgulho, muitas das suas tradições.

Não havia muito o que fazer em San Juan. Aproveitamos para pegar um tuktuk e visitar as cidades vizinhas. Cada uma delas tem o seu charme. San Pedro, ao lado de San Juan, é mais agitada e cheia de turistas.

Uma visita às feiras é obrigatória! É o melhor lugar pra tirar fotos e observar o comércio local.

Próxima parada: Quetzaltenango

De San Juan, pegamos uma van para Quetzaltenango, também conhecida como Xela. É a segunda maior cidade da Guatemala e bem mais agitada do que Antigua ou os vilarejo às margens do Atitlan.

Chegamos lá com o propósito de fazer a nossa última trilha na Guatemala. Pesquisamos bastante e achamos a ONG Quetzaltrekkers, mantida por turistas que se tornam guias e organizam trilhas na região. Os fundos arrecadados são doados à escolas da região.

Pagamos por volta de USD200 por uma trilha de 6 dias que saía de Nebaj, cidade montanhosa a 5 horas de Xela (esse primeiro percurso é feito em um chicken bus) e terminava em Todos Santos, cidade famosa por conta das roupas usadas por seus moradores. Todos os homens se vestem exatamente da mesma forma.

Foi a trilha mais longa que já fizemos. O grupo era formado por 11 pessoas, incluindo os dois guias.

Passamos uma noite em Nebaj, onde provei um prato local e me apaixonei! O Boxbol é uma iguaria tradicional da região e o seu sabor é muito melhor do que a sua aparência. Eu juro!!!

É feito com massa de milho cozida, coberta por folhas de abóbora. O segredo está no molho cremoso preparado com as sementes da abóbora e outros temperos e no molho de tomate que também acompanha o prato. É uma delícia!

Durante o passeio pela cidadezinha, vimos muitas crianças trabalhando nas feiras e em praças, engraxando sapatos. Desde cedo os pequenos são obrigados a trabalhar para ajudar os pais. Quase 60% da população da Guatemala está abaixo dos níveis de pobreza.

Na manhã seguinte…

Demos início aos 65km de trilha – dessa vez, sem alguém pra carregar a minha mochila. Após o primeiro dia de caminhada, já não dava pra voltar atrás. Deixamos a área com rodovias e transporte público e passamos a caminhar por vilarejos remotos. As refeições (café da manhã e almoço) eram feitas pelo caminho. Cada um de nós carregava parte da comida que o grupo iria consumir pelos próximos dias.

À noite, dormíamos em espaços cedidos por moradores dos vilarejos os quais cruzávamos. Os jantares eram feitos na casa de famílias que já trabalham há um bom tempo em parceria com a ONG.

Eles recebem uma ajuda financeira por cada grupo que recebem. Dessa forma, a ONG movimenta a economia local.

A trilha não era nada fácil. Mas, todo o esforço era recompensado pelo aprendizado que estávamos adquirindo.

Caminhávamos por uma média de 6-8 horas por dia, em terrenos planos e montanhosos. O cansaço era absurdo! A maioria de nós dormia logo após o jantar, por volta das 19h. Após o terceiro dia, já nem sentia dores nas pernas. Parecia que o meu corpo ja havia se habituado à rotina.

O ponto alto (literalmente) ficou por conta da subida à mais alta montanha não- vulcânica da Guatemala, La Torre, com 3870 metros.

Foi incrível passar pelos vilarejos mais remotos, comer com as famílias locais e tomar banho em temascal, a tradicional sauna dos maias.

Enquanto passávamos pelas vilas, percebíamos os olhares curiosos dos moradores. Muitas vezes eles nos fotografavam e os papéis eram invertidos. Deixávamos de ser meros turistas e nos tornávamos a atração principal.

Após seis dias, chegamos ao nosso destino final, a cidade de Todos Santos. Dormimos uma noite num hotel, antes de percorrermos o caminho de volta em um ônibus.

Não há muito o que se ver/fazer em Todos Santos. Na realidade, foi o local em que nos sentimos menos à vontade. As pessoas eram bem fechadas e a sensação que dava era a de que não éramos bem-vindos por ali. Talvez por conta dos esforços da população em manter as tradições sem que o turismo recorrente atrapalhe.

No fim da nossa jornada, fomos ver as famosas pirâmides em Tikal

Ao retornar da trilha, dormimos mais duas noites em Xela para que pudéssemos descansar um pouco, antes de seguirmos rumo à Tikal, o nosso destino final.

Pegamos um ônibus de Xela com destino à Cidade da Guatemala e de lá, outro ônibus com destino à Flores, cidade vizinha ao parque arqueológico de Tikal. O ônibus deixou a capital do país por volta das 20h e antes das 6h chegamos numa cidade vizinha à Flores (apesar do bilhete dizer Flores, os ônibus param a uma hora de lá). De lá, teríamos que pegar uma van para Flores (essa não era cobrada, pois a passagem do ônibus incluía o trajeto) e outra para Tikal (cobrada à parte).

Ainda sonolentos, descemos do ônibus e ouvimos quando um rapaz chamava todos os passageiros que seguiam para Flores. Seguimos o grupo e entramos na van. O motorista nos deixou em uma agência de viagem e lá fomos convencidos a pagar por um pacote de ida e volta à Tikal.

Ninguém apareceu para nos buscar e, tivemos que pagar a uma outra agência para nos levar de volta à rodoviária ao fim da nossa jornada em Tikal.

O Parque Nacional do Tikal fica na região de Petén e foi um dos maiores centros populacionais e culturais da civilização Maia. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as ruínas do local são um dos maiores legados arquitetônicos e culturais dos povos pré-colombianos da América Central.

A maioria dos turistas opta por se hospedar em Flores e passar o dia em Tikal. Como estávamos cansados, decidimos ficar duas noites em um dos três hotéis localizados dentro do complexo, o Tikal Inn. O serviço do hotel deixou muito a desejar. Fora o fato de estar ao lado do parque, não há vantagem alguma em se hospedar por lá.

O parque arqueológico fica aberto das 6 às 18h e os tours mais recomendados são para ver o nascer do dia ou o pôr do sol. A entrada custa USD22 e você pode ficar lá por quantas horas quiser. O passeio é feito com um guia e eles te dão uma aula completa sobre cada pirâmide e ruína do local.

Encerrar a viagem em Tikal valeu muito a pena. Terminamos a nossa jornada com a sensação de termos explorado um pouco de tudo que a Guatemala tem a nos oferecer. A bagagem voltou muito mais pesada do que quando desembarcamos por lá, só que ao invés de lembrancinhas e artesanatos típicos, trouxemos muito aprendizado. E isso, não tem quem tire de nós, não é?

P.s: Escrevi e publiquei o post usando apenas o app da WordPress para iphone, que não me permite inserir legendas nas fotos… 😦 consertarei assim que tiver acesso a um computador.

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Aqueles que não pedem pra sair

Dizem que os amigos de infância são os únicos que realmente nos conhecem, pois nos viram crescer. Os amigos de intercâmbio deveriam fazer parte do mesmo grupo. Porque morar fora é – como eu já disse certa vez – dar luz a um novo "eu", é ser mãe e pai de si próprio.

Os amigos que também são imigrantes, acompanham o nosso renascimento. Eles nos observam enquanto a gente se recria, sem pai e mãe ao lado pra educar e dizer se tá certo ou errado. Ou pra fazer curativos quando a gente quebra a cara. E a gente quebra demais, né?

O amigo imigrante é aquele que segura as nossas maiores barras, porque os problemas agora são reais e o tempo passa voando. Ainda ontem era 2012!

Ninguém chora porque quer sair e a mãe não deixa. A gente chora porque não pode estar ao lado da mãe doente, do pai com problemas financeiros, dos amigos antigos. Choramos porque a gente perde a chance de nos despedir de quem nos deixa e de dar boas vindas a quem acabou de vir ao mundo. Quantos natais ao lado da família, casamentos, batizados, aniversários você perdeu?

Choramos porque falta dinheiro, falta trabalho, falta paciência, falta o colo dos avós. Choramos porque a gente achou que seria mais fácil; porque a língua é complicada, porque a cultura é estranha. Porque confiamos em alguém que nos passou a perna e tudo parece dar errado.

Choramos porque queremos ficar e, muitas vezes, parece impossível. Quem nunca? A gente chora porque mesmo chegando tão longe, acha que não chegou a lugar algum.

E, nessas horas, o seu novo amigo de infância te acolhe. Te relembra passo a passo o quanto você cresceu, tudo o que conquistou e o que ainda está ao seu alcance. O amigo imigrante sabe de verdade o que você sente. Ele não está só te confortando. Ele tem as mesmas saudades, as mesmas dúvidas e angústias. Ele está – ou em algum momento esteve – tão perdido quanto você. E é por isso que a vida se encarregou de te apresentá-lo.

A gente também chora de alegria. Com o visto que foi aprovado, com o primeiro emprego naquela cafeteria quando a gente mal falava a língua; choramos com a conquista de um diploma no exterior, com o pedido de casamento inesperado. Choramos com a ligação pra contar que a vaga naquela empresa dos sonhos é sua ou quando a amiga compra o seu primeiro apartamento. Choramos quando o teste dá positivo e uma nova vida está a caminho. E a nossa família aqui fora vai aumentando.

Nessa montanha-russa que a gente vive quando decide morar fora, muitos vão pensar em desistir dezenas de vezes, até que os altos e baixos deixem de assustá-los. Não é que tudo se torna mais fácil, mas a gente sabe que tem uma mão ali ao lado pra nos amparar. E isso conforta.

São os amigos que ficam e, que sentam bem pertinho de você nessa jornada – aqueles que não pedem pra sair e não te abandonam quando a montanha-russa dá umas voltas de ré, ou quando você não está lá no topo, mas sim, parado lá embaixo -, que tornam a vida de imigrante menos solitária, muito menos assustadora e muito mais gostosa.

Obrigada, meus amores. Eu já teria descido há muito tempo se não fossem vocês.

Bolhas de sabão

Quando criança, eu tinha uma fissura por bolhas de sabão. Soprava centenas ao vento, só pra observar aquelas formas perfeitas, translúcidas e delicadas, voarem desgovernadas em direção ao céu.
Havia algo de mágico naqueles momentos: eu não entendia como uma mistura tão simples pudesse criar algo tão lindo.
Também não me conformava com o nosso breve encontro. Lembro de contar os segundos e observar enquanto elas se desfaziam no ar.
Certo dia, já grandinha, uma professora de química me ensinou uma receita para criar bolhas mais resistentes. E lá fui eu, toda contente, fazer a tal da mistura.
Criei bolhas gigantes, translúcidas e pesadas, que demoravam a estourar. Observei-as por algum tempo, sem contar os segundos.
E, sabe de uma coisa? Apesar de grandes e resistentes, faltava algo. Aquelas bolhas não me encantavam como as outras.
Foi quando eu passei a ter controle sobre o tamanho e o tempo que passaríamos juntas, que as bolhas deixaram de ser especiais.
Lição aprendida: na vida, a gente vai se deparar com receitas pra mudar ou melhorar quase tudo. Porém, há coisas, momentos e situações que perdem a sua mágica quando passam a ser controlados/manipulados por nós.

Fica a dica.

Guanajuato: a cidade mais colorida e charmosa do México

Tem chovido bastante nos últimos dias em Toronto. Tá certo que o meu bastante é exagero, mas tivemos alguns dias cinzentos na semana passada. Nessas horas, quando lá fora os tons parecem se tornar monocromáticos, eu abro o meu álbum de fotos no celular e passo um bom tempo revendo os nossos registros dos dias coloridos e cheios de sol no México. Foi ai que me dei conta de que já havia passado da hora de escrever no blog o segundo post que havia prometido no texto anterior. Eu sei, tenho andado muito ausente… me sinto culpada por não postar com frequência, mas isso é assunto para um outro texto. E vamos ao que interessa!

Guanajuato: amor à primeira pesquisa

Depois de explorarmos Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones por 3 semanas, queríamos continuar viajando pelo México, afinal, o custo de vida por lá era bem mais baixo e o inverno não havia terminado em Toronto. Após umas pesquisas, decidimos montar a nossa “base” em Guanajuato, uma cidade super colorida, conhecida como o principal destino cultural do país e capital do estado de mesmo nome. Ok. Deixa eu ser bem sincera e contar a verdade. Eu simplesmente fui no Google e digitei: cidades mais coloridas do México e booom… ela apareceu! Não teve nem conversa. Ali mesmo eu me apaixonei e avisei pro Marc que o nosso próximo destino já estava resolvido. Iríamos pra lá e ponto final.

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Guanajuato é considerada a capital cultural do México
De Guadalajara, pegamos um ônibus ($400 pesos) super confortável e viajamos por quatro horas até chegarmos a Guanajuato. A cidade é mesmo maravilhosa! Além de super colorida, foi construída em terreno montanhoso e grande parte das ruas são ladeiras (mega íngremes, por sinal). Eu, que andava comendo muuuito mais do que deveria, adorei o fato de ter que subir e descer uma ladeira cabulosa de 700 metros todos os dias. Não era fácil não, viu?

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Logo que decidimos ir para Guanajuato, entrei em contato com alguns donos de airbnbs em busca de parcerias e, para a nossa surpresa, um deles estava mesmo à procura de alguém que o ajudasse a produzir conteúdo para as páginas que ele mantém. Nas três semanas que ficamos por lá, eu trabalhei algumas horas por dia, o Marc continuava trabalhando online e não pagamos pelo aluguel. Gastávamos muito menos em comida do que gastamos aqui no Canadá. Gente, o México é um sonho de barato!

A cidade é super charmosa, mundialmente famosa por sua arquitetura colonial e bastante agitada. No centro histórico – onde ficam os bares e restaurantes mais populares – turistas e moradores mais antigos se misturam aos milhares de estudantes da Universidade de Guanajuato, localizada no município.

Basílica Nossa Senhora de Guanajuato, no centro histórico

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Fiquei encantada com a cor dessa igreja
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O burburinho acontece sempre no centro histórico. Além de apreciar as delícias da cozinha mexicana, você pode acompanhar os músicos pela tradicional la callejoneada, na qual um grupo segue cantando e tocando músicas mexicanas pelas principais ruas da cidade. Em determinado momento, o público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte de uma apresentação teatral com muitas brincadeiras. A atração custa em torno de 120 pesos por pessoa e pode durar até 1 hora e meia.

Músico no centro histórico de Guanajuato

A nossa rotina em Guanajuato eram bem tranquila. Além do trabalho, tirávamos algumas horas do dia para explorar museus e os charmosos coffee shops espalhados pelo centro. Visitamos o Museu e Casa Diego Riveira, o qual eu estava super empolgada para conhecer. Porém, fiquei um pouco decepcionada, já que não há muitos trabalhos do artista.

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Eu não me cansava da vista e nem das cores da cidade
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Day Trip para Dolores Hidalgo e San Miguel de Allende

A apenas uma hora e meia de Guanajuato fica San Miguel de Allende, outro destino bastante popular no México. Apesar de sermos um pouco avessos a tours, decidimos pagar por um e visitar duas cidades no estado de Guanajuato em um só dia. A primeira parada foi Dolores Hidalgo, município de grande importância para a história do país, onde se deu início a luta da independência nacional.

Estátua de Miguel Hidalgo y Costilla, padre mexicano que liderou a luta pela independência
A cidade não é agitada e não hà muitas atrações turísticas. Visitamos um pequeno museu onde aprendemos um pouco sobre personagens importantes na história do México e, principalmente, no movimento da independência.

Ficamos umas duas horinhas por lá e seguimos para San Miguel de Allende. No caminho, uma parada para almoçarmos e visitarmos algumas lojas de cerâmicas produzidas na região.

Já em San Miguel, o clima era completamente diferente. As ruas estavam cheias, apresentações de dança aconteciam na praça principal e mariachis podiam ser ouvidos de todas as esquinas. Não é a toa que dentre os destinos coloniais do México, a cidade também é uma das mais procuradas.

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Paróquia de San Miguel Arcángel, símbolo da cidade de San Miguel de Allende

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Músicos, convidados e noivos percorrem as ruas de San Miguel durante a celebração de um casamento

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Noivos dançam ao som dos Mariachis
Aliás, o destino é um dos preferidos dos pombinhos que desejam fugir das praias mexicanas, mas que ainda querem um destination wedding no país. Demais né?

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Durante o tour, ficamos livres para curtir a cidade e tivemos tempo para tomar uns drinks

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Vendedora de artesanatos em San Miguel de Allende
Gostamos muito de conhecer San Miguel de Allende e eu queria ter passado mais um tempinho por lá. Contudo, por ser uma cidade com maior concentração de turistas, ainda preferimos o clima de Guanajuato.

O que fazer em Guanajuato

Na nossa primeira semana na cidade, visitamos os museus, galerias de arte, principais pontos turísticos e caminhamos por horas por aquelas ladeiras. Depois de alguns dias, a nossa diversão se resumia a visitar os restaurantes mais indicados pelos moradores. Infelizmente, tirei pouquíssimas fotos nas atrações turísticas e nos restaurantes, sorry! Massssss, vou deixar aqui um montão de fotos com dicas nas legendas para que vocês possam ver de que forma exploramos o local.

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Aproveite o fato da cidade ser super fotogênica e tire bastante fotos hahaha

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Fotos do céu…

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…do chão

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Fotos de cantinhos charmosos

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Prove drinks feitos com mezcal, muito confundido com a tequila, já que ambas bebidas são produzidas a partir do agave

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O Museu Casa Diego Rivera é parada obrigatória. Porém, não espere muito. Caso queira conhecer a fundo a história de vida de Diego e Frida, planeje uma ida à Casa Azul, em Coyoacán, Cidade do México

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Faça uma trilha pelas montanhas próximas ao centro da cidade. Caminhamos por uns 40 minutos e chegamos a este local, que não era super limpo, mas que tinha uma vista fantástica
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Deixe e a preguiça e os táxis de lado e encare as inúmeras ladeiras da cidade. Você vai se encantar com o colorido das casas

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Caso opte por um airbnb, escolha um que tenha uma vista bacana! Os preços não variam tanto e você vai curtir muito mais

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Não se prenda somente à culinária mexicana (não que seja difícil comer tacos todos os dias haha), mas o restaurante Habibti de comidas árabes era um dos nossos favoritos. Além de delicioso, super barato!

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Coma sem culpa! Porque comida Mexicana é uma das sete maravilhas do mundo!!! Não, não é. Mas bem que poderia ser, ne?

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Prove o churros, as nieves/helados (sorvetes) e tudo o que tiver vontade!

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Depois de comer todas essas delícias, corra ou caminhe até o Monumento al Pipila, famoso ponto turístico com uma vista de tirar o fôlego

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Visite o Callejón del Beso, o beco mais estreito e mais famoso da cidade. Filas são formadas todos os dias por pessoas que querem tirar uma foto no local. Segundo a lenda contada por moradores, uma versão mexicana de Romeu e Julieta, a trágica história de amor, ocorreu naquele lugar.

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Não deixe de provar as frutas vendidas nas dezenas de barraquinha espalhadas pela cidade. Além de doces, são super baratas
Uma outra atração que eu acabei deixando pra falar por último é o Museu de Múmias (Museo de Las Momias de Guanajuato). A verdade é que eu não tive o interesse em ir visitar e o Marc acabou indo sozinho. Não tenho como dizer se vale a pena, mas sei que ele voltou um pouco chocado com o que viu hahaha.

Nem preciso dizer que me apaixonei pelo México, né? Ficamos quase dois meses por lá e eu voltaria amanhã se fosse possível. É o tipo de país que combina tudo que a gente precisa para ter uma experiência completa: culinária maravilhosa, povo receptivo e sempre alegre, belezas naturais, rica história e arquitetura… tudo isso em um orçamento que não fere tanto o bolso, afinal, o peso mexicano não é tão forte quanto outras moedas.

Onde comer em Guanajuato

Café da manhã

  • Casa Ofélia (café da manhã tradicional)
  • Café Conquistador (melhor café)
  • Dolcets (o nosso preferido para omelete e crepes) é uma lojinha e café bem pequeno

Almoço e Jantar

  • Santo Café (boa variedade, bom preço)
  • Habibti Falafel (comida árabe, preço ótimo, sabor maravilhoso)
  • El Galo Pitagórico (mais chiquezinho, um pouco mais caro e delicioso)
  • Hostel Café e Bar Encounter (barato, saudável e boa variedade)
  • Casa Mercedes (caro, se comparado aos outros, mas muuuito bom)

Quer ver mais fotos do México? Dá uma olhada no meu insta que tem muitos outros clicks dessa e de outras viagens que fizemos nos últimos meses! 

@arittavaliense

 

 

 

 

 

México, onde um povo generoso e sua rica cultura dão as boas-vindas

Na lista de lugares que sempre sonhei em conhecer, o México estava em terceiro. O primeiro era o Camboja (conheci em 2015), em segundo está a África do Sul (ainda não conheço, quem sabe em 2018?) e então, México. Quando partimos do Canadá para os Eua, nem passava pela nossa cabeça visitar o país de Frida Kahlo em seguida. A decisão de vir pra cá, como contei em um post anterior, foi de última hora. E acabamos ficando no país por um mês e meio…

Frida em um muro na rua Coronilla, centro histórico de Guadalajara

A primeira parada foi Guadalajara, segunda maior cidade do México, localizada no estado de Jalisco, onde ficamos por 21 dias. Foi lá que tive o meu primeiro contato com a cultura mexicana, e me apaixonei por um povo que está sempre de bom humor e prestes a ajudar ao próximo. De lá, seguimos para outros locais. Visitamos Tlaquepaque, Tequila, Guachimontones, Guanajuato, San Miguel de Allende, Dolores Hidalgo e, por fim Cidade do México.

Neste primeiro post, falarei sobre Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones. Em um próximo, contarei sobre os lugares restantes, assim evitamos um post longo e pesado com tantas fotos. 

Guadalajara: o velho e o novo em um só lugar

O Centro Histórico e os casarões com portas maravilhosas
O charme de Guadalajara está no Centro Histórico. Não é uma cidade pra quem busca aventura em um lugar cosmopolita ou pra quem não tem paciência para visitar locais históricos. A cereja do bolo é a arquitetura dos prédios antigos e a sensação de estar em dois mundos ao mesmo tempo: uma cidade enorme e moderna, mas com grande ligação aos costumes antigos.

As praças – muitas, por sinal – são cheias de idosos sentados nos bancos, lendo jornais

A cidade possui 1,5 milhões de habitantes e, apesar de viverem em um ritmo um pouco mais acelerado do que aqueles que vivem no interior, eles ainda reservam boa parte do tempo para cumprimentar desconhecidos na rua e ajudar um ao outro. 


Outro grande atrativo de lá são os Mariachis – famosos grupos musicais originários do estado de Jalisco. Eles estão espalhados pelo centro da cidade, nos restaurantes, em feiras, mercados municipais e eventos diversos. Aliás, temos que concordar que o México caprichou no quesito riqueza cultural! A música é maravilhosa, a arquitetura e os artesanatos também, e a comida…..ahhh, essa ai tá lá no topo na lista das minhas preferidas.

Apresentação de Mariachi no centro de Guadalajara
Nas três semanas que ficamos por lá, não usamos o transporte público. Uber funciona super bem e é muito barato. As nossas corridas não passavam de $3 dólares. Como ficamos em um airbnb perto de muita coisa, também andávamos bastante.

Escritório no terraço do nosso airbnb

O trânsito não é tão ruim, mas os motoristas… Melhor prestar muita atenção ao atravessar as ruas em bairros que parecem super tranquilos. Em dois dias vi três batidas em locais onde acidentes de carro pareciam ser impossíveis de acontecer. Eles não diminuem a velocidade e não param em cruzamentos. 

Há pontos de aluguel de bikes espalhados pela cidade e também vias preferenciais para ciclistas. Aos domingos, algumas avenidas movimentadas são fechadas e você pode transitar de bike à vontade.

Ônibus e charretes transportam turistas no centro da cidade

Também há carrinhos vendendo comida praticamente em todas as ruas, mesmo as mais residenciais: frutas cortadinhas, refrescos, tacos, tortas (sanduíches), raspadinha… a lista é imensa!

Muitos turistas visitam Guadalajara por conta dos seus mercados gigantes, onde a gente consegue encontrar de tudo: artesanatos, roupas, calçados, jóias, comidas típicas… Os mais famosos são Mercado Libertad (ou San Juan de Dios), Galeria del Calzado e Magno Centeo Joyero (o maior mercado de jóias da América Latina). 

Culinária excepcional

A comida mexicana é boa DEMAIS e merece esse demais em maiúsculo porque não teve um único lugar dentre os quais visitamos, no qual a comida fosse ruim. Desde o boteco mais simples e com fila de espera ao restaurante super charmoso, mas que estava sempre vazio. Vai entender…

Tostadas no restaurante Bruna Cocina Aberta
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
 

Fiquei surpresa no nosso primeiro jantar, quando procurei no cardápio todas aquelas comidas mexicanas que eu tanto como no Canadá e não tinha muita coisa parecida. 

Cardápio de um restaurante super simples e que vivia com filas
Pozole, uma sopa de milho maduro cozido com vegetais e carne de sua preferência
Pratos lindos e saborosos no Río Viejo, um restaurante super charmoso

Na verdade, os únicos restaurantes que serviram burritos e tacos com a mesma aparência daquela que a gente vê em restaurantes mexicanos ao redor do mundo, foram os que ficavam em locais mais turísticos e restaurantes um pouco mais sofisticados. Nos food trucks e restaurantes tradicionais eles são bem simples. 
Tacos al pastor num restaurante super tradicional chamado La Santa Cruz
 

No México, as comidas de rua são tão boas quanto as servidas nos restaurantes. Em mercadões e feiras, não deixe de provar os ceviches, coquetéis de mariscos e carne en su jugo (carne cozida afogada em um molho de feijão). Tudo será servido com tortillas.

Charmosa Tlaquepaque

A 30 minutos do centro de Guadalajara fica Tlaquepaque (você pode pegar um uber por uns $100 pesos), um dos lugares mais charmosos que visitamos. 

Artesãos se apresentam em Tlaquepaque
O município tem uma vibe bem diferente da cidade vizinha (a qual faz parte). Lá é muito mais turístico e também mais caro. Há muitas lojas de móveis rústicos, objetos de decoração e peças de arte em geral. 

Igreja em Tlaquepaque
Artesanatos são um pouco mais caro em Tlaquepaque, por ser um local mais turístico

Adoramos passar uma tarde por lá e queria ter voltado durante a noite, pois soube que a cidade fica ainda mais charmosa. Acabamos esquecendo… fica pra próxima! 

Marc e o Mariachi em Tlaquepaque

Muita gente se hospeda em Tlaquepaque e passa a maior parte do tempo lá. É, sem dúvidas, um lugar com muitos atrativos a oferecer. Vale a pena inserir no roteiro! 

Day trip para Tequila

Também bem perto de Guadalajara (+ou- 60km) fica o município chamado Tequila – isso mesmo, existe uma cidade no México com ese nome. E, adivinha o que é produzido lá e distribuido para o mundo inteiro? Tequila! 

Fechamos um tour, pois queríamos visitar as haciendas e fazer o tradicional tequila tasting. Não foi muito barato (por volta de 125 dólares por pessoa) mas foi muito divertido. O nosso guia conhecia bastante a região e todo o processo de produção, o que tornou o passeio super educativo. 

Nós em uma das haciendas de cultivo do agave, principal ingrediente da tequila
Plantação de agave

O tour durou o dia inteiro. Visitamos duas fábricas e provamos os principais tipos de tequila produzidos na região: prata, ouro, reposado, anejo (envelhecida) e extra anejo (extra envelhecida). 

Tequila tasting
Barris na hacienda Tres Mujeres
 


Depois de muuuuita tequila, famos passear pelo centro da cidade, comemos em um mercado municipal e retornamos para Guadalajara no início da noite. Adoramos a experiência! 

Pirâmides circulares em Guachimontones

Considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do México, Guachimontones fica a uma hora de Guadalajara (pegamos um Uber, o motorista nos esperou lá e pagamos $600 pesos ida/volta) no município de Teuchitlán. 

O local é famoso por conta das suas pirâmides circulares – as únicas no mundo – que em 2006 entraram para a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade, da UNESCO. 

 

A área abriga 10 pirâmides construídas pela sociedade Teuchitlán, que lá viveu entre o período de 300 a.c. a 900 d.c. 

No museu que guarda objetos e informações sobre o lugar, há um vídeo explicativo bem interessante. Não pagamos para entrar, pois às quartas-feiras a entrada é livre. 

Apesar de bem diferente e ter uma história interessante, o lugar não foi um dos nossos preferidos. As pirâmides são menores do que imaginávamos e não há muito o que fazer no local. 

Após três semanas em Guadalajara, pegamos um ônibus para Guanajuato (400 pesos/ 4 horas de viagem) e demos início à segunda fase da nossa viagem, que será contada em um próximo post! 

 Dicas e curiosidades

– A gorgeta no México é opcional, porém, a etiqueta pede que se deixe 10% do valor da conta para o garçom/garçonete. 

Tortas são sanduíches e Pasteleria é uma doceria onde você encontra bolos e tortas. Sope não é sopa, e sim uma tortilla grossa, coberta com queijo, vegetais e carne. 

– Homens e mulheres não costumam usar shorts/saias no México (em cidades grandes e históricas). Vimos alguns aqui e acolá, mas geralmente só turistas se vestem de maneira mais despojada. 

– Água natural é o que chamamos de água mineral (garrafinha) no Brasil. Água mineral é a nossa água com gás. Águas frescas são águas com sabores e açúcar, muito comum em todo o méxico. 

– Água de horchata é uma bebida mexicana à base de arroz, canela e açúcar. Água de jamaica (chá de hibisco) é servida gelada e tem sabor de chá preto com açúcar. Lembre-se: no México, todos os refrescos são preparados com açúcar, a não ser que você peça sem. 

– Ao sair de um restaurante, o mexicano deseja aos que continuam comendo “Buen provecho!”, que seria “aproveite a sua refeição ou bom apetite…”. 

Você pode acompanhar as nossas aventuras, ver vídeos e muitas fotos lindas no meu instagram: @arittavaliense 
 

 

One day I dreamed about this 

It was a cold November afternoon, back in 2013, when I told my friend Mateus that one day I was going to visit Asia. 
We weren’t even talking about our dreams or aspirational vacations, it just fell out of my mouth. I had been toying with the idea for months. 

I had no idea how I would get there, since my financial situation was precarious. I wasn’t sure how I would make my dream of travelling to Cambodia come true, but l believed that if there is a will, there must be a way. 

Almost two years later, in March 2015, I wrote a chronicle  about the experience of living abroad. A couple hours later the article was being shared all over the world. 

It was read by Brazilians living in Europe, in Australia, Central America, in Asia (!!!) places that I had never imagined I could reach. In a certain way I had already gotten there…I had gotten way further than I thought it was possible.

It was because of that article that I first got paid for my writings. 

And it was that first payment that helped me buy tickets to Thailand, Cambodia and Vietnam. It was finally happening! 

That silly, but somehow powerful, article brought new people into my life, new job opportunities and helped me reconnect with my ex boyfriend – now husband. 

It was on that March day, sitting on a bus on my way to school that I wrote something that thousands of people could relate to. Most importantly than going viral, that article made me realize that I could conquer the world – one step at a time. I only had to believe in my ability to go further, getting to any place I had wished to get.  

I am part of the team that is not afraid of failure, that’s one of the reasons why I’ve gotten so much from life. 

It doesn’t change anything if you only dream, complain, cry, pray, desire something a lot if you don’t believe you are able to get it, and most importantly, if you don’t take the risk. 

Do no spend too much time planning, do not overthink or focus on all the things that could possible go wrong. 

Don’t you think that losing time just dreaming about it and not doing anything is already a huge mistake? Go ahead, take the next step. Just do it.
P.s: This is a translation of an article I wrote in Portuguese a few days ago. The original version you can find here


O que te transforma também te fortalece

Hoje eu acordei super cedo e passei um bom tempo pensando sobre pessoas, livros, lugares e acontecimentos que, de alguma forma, me transformaram. Era apenas um exercício bobo para tentar achar um tema para uma nova crônica. Quando me dei conta, eu já tinha reunido um bocado de lembranças deliciosas. 
Disse aqui há algum tempo que convivi pouco com a minha mãe – eu tinha cinco anos quando a perdi. Mas ela foi a primeira pessoa que me veio à cabeça quando procurava alguém que havia me transformado. À ela devo a minha alma livre, viajante e a minha curiosidade. Thanks mommy! 

Pollyanna, livro que eu li há uns 20 anos, me ensinou muito mais do que o Jogo do Contente. Devo à personagem o meu bom humor e o sorriso no rosto mesmo em situações complicadas. Eu choro – e muito! Mas se tem algo que eu sou ao extremo – além de tagarela – é positiva.

Foi na Ásia que eu aprendi que não queria ser turista e sim viajante. Aprendi que, mais do dicas e listas do que fazer em um local, eu queria compartilhar experiências e reflexões. Aprendi também que ao fugir do roteiro pronto, eu descobria os meus próprios paraísos. 

A parte mais difícil foi escolher apenas um acontecimento que tenha me transformado. Óbvio, posso contar vários. Mas eu não queria usar nenhuma tragédia e nenhum momento de extrema felicidade. Foi aí que lembrei de uma conversa que tive lá em 2011 com a minha então chefe-amiga-mega-talentosa Dani. 

Eu andava meio perdida, desmotivada e com o coração bem apertadinho. “Arittinha, você tem que explorar o mundo! Vai morar fora! Você é nova, talentosa e cheia de energia! Se manda!”. Aquela conversa corriqueira, ocorrida entre uma pauta e outra, foi o (re) começo de tudo. Foi o momento de transformação da Aritta que esperava as coisas acontecerem para a Aritta que FAZ as coisas acontecerem. O resto da história vocês já conhecem.

Sabe aquele ditado “O que não te mata, te fortalece”? O que te transforma também vai te fortalecer. E muito! 

E você? Já parou pra pensar em tudo que te transformou?