Tem gente que tenta ter controle sobre tudo. Eu sou assim. Durante anos tentei resolver muitos dos meus problemas sem gritar por ajuda. Eu tinha receio ou talvez vergonha de falar: – Não sei o que fazer. Você pode me ajudar?

Nunca tive vergonha em compartilhar os meus problemas com os amigos e familiares. Na verdade, eu tenho muita facilidade em falar sobre eles até com desconhecidos – sempre depois de encontrar uma solução. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

“Você é muito forte”, é o que ouço com frequência desde novinha. E, se não era verdade, canalizei essa frase até me convencer de que sou sim, forte demais.

Porém, essa história toda de ser forte também mexeu um pouco com o meu ego. “Se sou forte, não preciso de ajuda. Eu dou conta. Tenho controle sobre isso”. Só que nem sempre eu tenho. Ninguém tem. Não há como ter.

Já faz um tempo que venho tentando mudar. Ainda seguro o choro quando os problemas são meus, apesar de chorar quando ouço alguém desabafar.

Já me convenci de que pedir ajuda não vai desconstruir a minha imagem de forte – porque é disso que eu tinha medo. Vai mostrar que sou forte o suficiente para reconhecer quando preciso de uma mãozinha. E, cá entre nós, admitir que se tem um problema por si só já é uma puta de uma atitude de quem é forte, né?

Aprendi que pedir ajuda é ser gentil comigo mesma. É tirar o peso da capa de uma pseudo-heroína e me permitir ser mais humana. É dar uma trégua aos ombros – pois eles pesam muito em alguns pontos dessa caminhada. É perceber que quando somos honestos com os que nos rodeiam e admitimos que há um problema, a ajuda chega até sem a gente pedir.

Pedir ajuda é reconhecer que apesar de sermos muito capazes de carregar aquele fardo nas costas, não há problema algum em fazer uma pausa no meio do caminho para pedir uma carona – ou aceitar quando alguém a oferece.

Eu continuarei sendo forte. Mas pode ser que eu ganhe mais colo. E colo nunca é demais, né?

Anúncios

Sobre o meu nome

Nos primeiros 15 dias de vida, não tive nome. O meu pai e a minha mãe não chegavam num consenso. Bianca, ela queria, já que eu era a coisinha mais branca que ela já havia visto. Ele queria Ana Laís.

Aritta foi uma decisão de última hora. O nome era pra ser dado à uma tia. Porém, a minha avó teve complicações no parto e prometeu que se ela e a bebê sobrevivessem, a chamaria de Maria D’Ajuda. As duas foram salvas.

O nome continuou na gaveta por mais de vinte anos, até que o meu pai decidiu que eu não seria Bianca, nem Ana Laís:

– É A-R-I-T-A! Não, põe um T a mais que fica melhor.

– Ok. A-R-I-T-T-A – respondeu o rapaz do cartório enquanto franzia a testa.

Vovó Áurea finalmente teve o seu desejo realizado. Coincidência ou não, cinco anos mais tarde ela se tornaria a minha mãe.

Passei a infância inteira sem gostar do meu nome. Achava péssimo ser a única Aritta na escola, no meio de tantas Anas e Marias. Menti diversas vezes ao me apresentar para adultos. “Meu nome é Carolina mas, todo mundo me chama de Carol”, dizia. Na maioria das vezes, eu era traída pela minha tia Mary, aquela de quem eu roubei o nome. “Ariiiiitta, saia um pouco do mar. Deixa o pessoal em paz”, ela gritava da areia. ”É Aritta Carolina”, eu explicava aos meus novos-quase-amigos.

Não mentia para as crianças. Eu não me importava muito com a opinião delas. Os adultos é que não podiam me achar estranha, já que o meu sonho era ser como eles.

A minha fixação pelo nome Carolina era tão grande que a minha prima Carlinha e eu batizamos as nossas duas bonecas de Ana Carolina e Amanda Carolina.

Acho que também sugeri o nome para todas as grávidas que encontrei naquela época.

Anos mais tarde, já adolescente, me acostumei com o fato de ter um nome original. Me olhava no espelho e não via uma Ana, uma Maria, uma Bianca e nem uma Carolina. Eu via uma A-R-I-T-T-A. Pois era assim que tinha de ser. Um nome forte, incomum e com um importante significado: foi o nome que a minha vó escolheu.

About my name

For the first 15 days of my life, I had no name. My parents could not agree. My mother chose Bianca, because I was so white you could see my veins. My father preferred Ana Lais.

Aritta was a last minute decision. The name was supposed to be given to my aunt. However, my grandmother had complications with the childbirth and promised that if they survived, she would call her daughter Maria D’Ajuda.

Mom and baby survived.

Aritta remained in the drawer for over twenty years. My father finally decided that I would not be Bianca, nor Ana Lais.

– Register there: A-R-I-T-A. Actually, put an extra T so it looks better.

-OK. A-R-I-T-T-A it will be – replied the guy at the office with a bit of hesitation.

Grandma Aurea finally had her wish fulfilled. Coincidence or not, five years later she would become my mother.

I spent my entire childhood disliking my name. I didn’t like being the only Aritta in school, in the midst of so many Anas and Marias.

I lied several times when I introduced myself to adults. “My name is Carolina, but everyone calls me Carol,” I would say. Most of the time, I was betrayed by my aunt Mary, the one who almost died and from whom I stole the name. “Ariiiiitta, get out of the water. Leave these people alone, “she screamed from the sand. “It’s Aritta Carolina”, I explained to my new-almost-friends.

I didn’t lie to children. I didn’t care much about their opinion. However, I wanted adults to like me and not find me strange, since my dream was to be like them.

I was so obsessed with the name Carolina that my cousin Carla and I baptized our two dolls Ana Carolina and Amanda Carolina. I think I also suggested the name for all the pregnant women I met at the time.

As a teenager, I got used to having an original name. I looked at myself in the mirror and I did not see an Ana, a Maria, a Bianca or a Carolina. I saw an A-R-I-T-T-A. For that was how it had to be. A strong, unusual name with an important meaning: it was the name my grandmother chose.

Amar é…

Entender que, ao contrário do que os clichês ensinam, nem sempre os sonhos serão os mesmos. Se cada um se esforçar um pouquinho, de repente dá pra realizar os sonhos dos dois.

Amar é ter empatia e compreender que, por trás de certos comportamentos irritantes, há uma pessoa criada de uma forma completamente diferente da sua.

É ter paciência, paciência, paciência…

É somar o melhor de dois sem esquecer que nem sempre os dois estarão em sintonia. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Amar é se desfazer de preconceitos, conviver sem rótulos e acreditar numa história que só pertence a vocês – mesmo que o roteiro pareça absurdo para o resto do mundo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Amar é ensaiar, errar, desistir, voltar atrás, insistir e acertar a cena.

É descobrir que você já não se chateia com bobagens que te chateavam no início, pois chato mesmo é querer moldar o outro ao seu modo.

Amar é perceber que a paciência lá de cima está acabando e respirar fundo…pois se a gente espremer, às vezes dá pra encontrar um pouco mais.

É compreender que cada amor se constrói de um jeito e ter a sensatez de aceitar que, por mais louco de amor que esteja, você ainda é o único responsável pela própria felicidade.

Amar é ficar ao lado mesmo quando aquele que era sol passa a ser céu nublado. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

É insistir no seu papel, ainda que alguns digam que talvez seja a sua hora de sair de cena. Porque é longe dos olhares do público que o amor entre dois prova valer a pena. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Já disse D2 certa vez: “Amar é para os fortes”.

Na cafeteria

Ontem sentei sozinha numa cafeteria e pedi um capuccino. Quando a bebida chegou eu percebi que não era aquilo que eu queria. Eu nem gosto mais de leite.. onde eu estava com a cabeça?

A xícara repousava sobre a mesa e, enquanto eu usava uma colherzinha para fazer círculos na bebida, observei as mesas ao meu redor. Putz, esse negócio não vai descer redondo… estou prevendo uma azia.

Na mesa da frente, um rapaz digitava rapidamente em seu laptop. Um frio e triste croissant parecia esquecido numa cestinha ao lado do computador. Ele estava ocupado demais para desfrutar do seu café da manhã.

Eu não entendo quem – em bom estado de saúde física e mental – consegue facilmente ignorar comida. O croissant só precisava de 5 minutinhos de atenção. Talvez até menos…

Um pouco mais adiante, duas moças riam enquanto uma delas mostrava algo em seu celular. Alguém que ela conheceu no Tinder, talvez? Uma mensagem engraçada do namorado? Poderia ser uma foto do filho fazendo estripulias. Não dava pra saber.

No caixa, a funcionária aproveitava uma brechinha na fila para beber um copo d’água. “A Vânia vai passar aqui amanhã. Ela tem que pegar um cheque que a dona Teresa vai deixar pra ela”, falou pra outra moça que organizava os iogurtes na geladeira.

Vânia deve ser uma antiga funcionária. Teresa provavelmente é a dona da cafeteria. Será que ela foi demitida? Será que Teresa é uma daquelas chefes que ninguém gosta? Ou será que Vânia saiu por ter encontrado um trabalho melhor? Ela pode estar de licença, pode estar de mudança, pode ter aberto o seu próprio negócio… são tantas as possibilidades!

O capuccino já estava morno, eu não corria o risco de queimar a língua. A azia, porém, ainda era um risco eminente.

O rapaz continuava a digitar sem parar. Me deu fome. “Moça, me vê um croissant, por favor?” – fiz o pedido, enquanto contava os trocados espalhados pela bolsa. “É pra comer aqui ou pra levar pra viagem?”, ela me perguntou. “Pra viagem! Não! Desculpa, vou comer aqui”, respondi. Afinal, eu tinha fome e tempo de sobra para dar atenção àquele croissant quentinho. Foram só 4 minutinhos. E eu nem tive azia depois.

O único peso que importa é o das nossas conquistas e dos nossos sonhos

Eu sempre fui muito chorona. Não tinha vergonha de chorar por qualquer motivo. Nos últimos dois anos, porém, conto nos dedos as vezes em que me dei ao direito de chorar. Não lembro se começou quando alguém me disse que eu era “muito forte”, ou que eu “sabia encarar meus problemas de frente”. Só sei que vesti a capa da Mulher- Maravilha e não me dei mais ao direito de chorar à toa.

Encarei a ansiedade, o estresse, a saudade sem derramar uma lágrima. Ontem eu desabei. Desde então, já chorei umas 4 vezes.

Era apenas uma revisão médica, mas juntou a TPM com o fato dos meus exames terem apontado que os meus hormônios da tireóide estavam novamente alterados, para que uma tristeza sem tamanho tomasse conta de mim.

Há anos luto contra a balança. Venho de uma família na qual a obesidade sempre foi um problema. Ao sair de casa, aos 17, tive que me acostumar com comentários constantes do tipo “Nossa, voltou magrinha, como tá linda!” ou “Você anda engordando, hein? Tome cuidado”, “Essas suas pernas parecem de homem, Aritta”, “E esse braço, porque tá grosso assim?”, sempre que visitava a família nas férias.

A minha vó é do tipo que fala o que pensa, sem a intenção de ofender ou magoar. E eu a amo infinitamente – que fique bem claro. Certo dia, enquanto a levava para uma consulta médica, comentei que estava com fome. “Você tem que parar de comer tanto! Se não tomar cuidado, vai ser a próxima na família a fazer bariátrica”.

Quem me vê sempre alegre, cheia de energia e positividade nos posts, não sabe que aqui dentro se esconde uma mulher cheia de complexos. E como é difícil falar sobre eles…

Há tempos venho trabalhando a minha autoestima e sim, em alguns momentos, me sinto a mulher mais poderosa do mundo. Até escrevi um texto dias atrás sobre isso.

Em outros, me arrependo de ter cortado o cabelo tão curto, pois não dá pra esconder o braço fortinho. Os shorts de academia têm cheiro de roupa guardada, já que as calças disfarçam as pernas grossas… e por aí vai!

Os dias que antecediam o meu retorno ao Brasil eram uma tortura. Intensificava o treino, fechava a boca e me apavorava só em pensar nos comentários sobre o meu corpo. Hoje em dia, já não me importo tanto.

Há uns dois anos não sei quanto peso. O meu médico não me julga quando me vê de olhos fechados ao subir na balança. Eu queria que fosse exagero. Mas não é. Infelizmente, o meu comportamento é muito mais comum do que você pensa.

Já melhorei muito. As viagens ao redor do mundo me fizeram valorizar muito mais algumas das minhas características, como o fato de ter me tornado menos materialista, mais consciente e preocupada com o meio ambiente e muito mais focada em me tornar um ser humano melhor.

Também passei a praticar mais a sororidade e, apesar de não me intitular Feminista, quanto mais aprendo sobre o movimento, mais vontade eu tenho de abraçar as mulheres ao meu redor e dizer que a gente pode TUDO.

Todas as noites, vou dormir com o desejo de acordar logo para conquistar o mundo. Também durmo com a esperança de que amanhã, o tamanho do meu quadril não me faça esquecer que eu sou muito maior do que o meu medo de pisar na balança.

Afinal, há algo que nós, mulheres, muitas vezes esquecemos: tendo saúde, o único peso que importa é o peso das nossas conquistas e dos nossos sonhos.

P.s: O texto não é de hoje. Faltou coragem para publicá-lo antes.

Eu só queria mesmo escrever

Os meus traumas, medos e inseguranças me acompanharam (e ainda me rodeiam) por 11 anos. Meus textos – cheios de desabafo e histórias de infância – eram, e continuam sendo, a terapia que eu nunca fiz. Por trás dessa tela, minhas mãos minúsculas tremem ao construir certas frases e, a cada palavra digitada, parecem gritar: eu AMO escrever. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Certos textos possuem uma carga emocional tão grande que vêm acompanhados por uma dor de cabeça terrível. Eu choro enquanto escrevo e depois me sinto leve! Me afundo de cabeça em biografias e memórias, pois quanto mais leio sobre outras pessoas, mais aprendo sobre mim mesma… e mais vontade tenho em compartilhar as minhas histórias. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Não lembro o momento exato em que passei a apreciar o que eu nunca havia enxergado antes: dentro de mim há uma mulher gigante, observadora, ousada, talentosa e inquebrável. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Talvez tenha sido dentro de um abraço ou após aquele obrigada de uma amiga que me ligou pra desabafar. Pode ter sido anteontem, enquanto lia uma carta que a minha mãe me escreveu quando eu ainda era miúda. Ou foi durante aquele banho, depois de terminar um livro super triste, no qual agradeci por cada pedacinho saudável e cada dobrinha do meu corpo. Ô sorte! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Todo problema que surgir na sua vida vai ser do tamanho e peso que você o dará. Quanto menos você o alimenta, menor ele se torna. Não é pra ter moral no final da história, nem pra fazer sentido. Eu só queria mesmo escrever. E também queria dizer que apesar de pequena, eu sou gigante. Quanto mais eu me convenço disso, menor se tornam os meus problemas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Tente fazer o mesmo! Bom dia! 💙

Feliz aniversário, meu Marquinho

O nosso time nem sempre jogou bonito. Houve faltas, contra-ataques sem estratégia alguma, muita bola fora e péssimas cobranças de escanteio.

Éramos dois jogadores com posições, línguas e táticas completamente diferentes. A gente não se entendia. Lembra da nossa dificuldade em jogar bonito?

Em quase seis anos de história, são mais de duas mil partidas.

Tá certo que nem sempre dividimos o mesmo campo. Foram tantos cartões vermelhos e expulsões que eu nem consigo contar.

Lembro bem da época na qual sentamos no banco de reservas e até jogamos em times diferentes. Doeu mais do que aquele 7X1.

Amadurecemos, evoluímos, melhoramos a nossa técnica, nos demos mais uma chance. Voltamos a vestir a mesma camisa, dessa vez menos preocupados em marcar gols e mais comprometidos em melhorar a nossa harmonia em campo.

Aprendemos a antecipar os chutes um do outro. Eu mal toquei na bola com meu pé canhoto e você já está lá pra receber o meu passe.

A nossa história é tão linda quanto a comemoração de Bebeto ao marcar o gol na copa de 94; é tão linda quanto o pênalti perdido por Baggio naquela mesma copa; tão linda quanto os gols de Ronaldo na final de 2002. Somos penta e em breve seremos hexa! Mais de cinco anos de história…

O nosso time pode não ser o melhor, mas é cada drible lindo que a gente dá nessa vida, né? Te amo 💛