Não, dessa vez não foi a bunda virada pra lua


Dizem por ai que quem grita aos quatro ventos que é muito bom naquilo que faz é convencido. Ou que adora se exibir. E a gente se acostuma a esconder muito do nosso orgulho, não o orgulho desdém, mas aquele que nos faz dar dois pulinhos em frente ao espelho do quarto, enquanto estamos sozinhos, depois de termos passado em um exame, sermos promovido ou após qualquer outra conquista, só pra que não nos chamem de “nada modestos”.
A gente canta vitória só com os amigos mais chegados, ou nem mesmo com eles, pois tem sempre um que fala sobre a tal da energia negativa e da inveja. “Ih, pare de falar sobre o seu sucesso, tem gente que vai se morder de inveja”, nos dizem.

E com isso a gente se esquece até de dar os pulinhos em frente ao espelho, porque o tal do costume em internalizar a felicidade torna a comemoração do nosso sucesso cafona, arriscada e desnecessária.

Esquecemos também das qualidades que a gente tem, porque quase nunca falamos sobre elas. Já percebeu o quanto é difícil fazer o seu próprio currículo? E porque a gente precisa praticar tanto para uma entrevista de emprego, se tudo que a gente precisa fazer é falar sobre as nossas qualidades e competências?

Demorou uma eternidade, mas certo dia me dei conta de que passei muito tempo sem reconhecer o quanto havia conquistado. E que eu nunca pulava em frente ao espelho e quando vibrava o fazia sem muita empolgação, pois sempre achava um motivo para atribuir as minhas conquistas a outros fatores e não à minha capacidade. É a chamada Síndrome do Impostor, descoberta lá pelos anos 80 e que atinge 70% da população, principalmente as mulheres.

E sabe porque a síndrome leva esse nome? Pois com as conquistas, muitas vezes vem o sentimento de “fraude” e de que a qualquer momento alguém vai descobrir que não somos tudo aquilo que os outros pensam.

A gente se convence de que os elogios e o reconhecimento dos outros pelo nosso sucesso nem sempre são merecidos, e atribuímos as nossas conquistas à sorte, a um empurrãozinho dado por alguém ou, sei lá, ao horóscopo do dia.

Demora um bom tempo para que a gente deixe de lado a vergonha de se exibir, de assumir que se tem talento e a não ter medo de dizer que não, não foi porque você é aquariano nascido no terceiro decanto ou porque Saturno está em Sagitário que você se formou com louvor, conseguiu o emprego dos seus sonhos ou foi promovido. Você conquistou tudo isso porque merecia. Porque fez a sua parte.

Mas e a sorte, mulher? Não tem gente que nasce com a bunda virada pra lua? Ih, ô se tem. A sorte ajuda sim. E muitas vezes. Mas eu disse A-J-U-D-A. Pois a sorte não te dá o emprego dos sonhos, não te transforma num aluno exemplar e não tem influência alguma no quanto os outros vão admirar o seu trabalho. O nome disso é talento, força de vontade e persistência. O nome disso é VOCÊ. E ninguém vai tirar o seu mérito.

Agora vai ali na frente do espelho e dê dois pulinhos pra comemorar uma conquista recente. Não, relaxa que você não vai parecer que é bobo. Bobagem mesmo é não reconhecer que você é capaz de conquistar o mundo. Ou que já conquistou e ainda nem percebeu.

 
*Aritta Valiense era jornalista e achava que não tinha talento algum até criar asas e coragem para desbravar o mundo. Foi viver no Canadá, onde descobriu que não só tem talento, mas também capacidade para fazer um monte de coisas legais. Acaba de se formar com louvor em Marketing e nas horas vagas gosta de dar pulos de felicidade para comemorar todas as suas conquistas. 

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Estudar no Canadá… Vale a pena?

Foto: Patrick Tomasso

Em dez dias completo o meu curso de Business Marketing no George Brown College, em Toronto, no Canadá. Foram dois anos que passaram voando, apesar das noites em claro, do estresse, exaustão e das crises de choro quando achava que não conseguiria chegar ao final. 
Parece exagero, eu sei. Mas, para aqueles que se doam por inteiro e mergulham de cabeça nos seus sonhos, a vida vem mesmo temperada com uma pitada a mais de drama. E põe drama nisso…
Eu nunca quis ser uma aluna medíocre. Comecei o curso com o foco em ser uma das melhores. Tive muita dificuldade com as matérias de exatas, e essas foram as que me fizeram chorar. Mas eu meti a cara nos livros e superei o meu trauma com os números.

E ai, valeu a pena?

Muita gente me escreve perguntando se vale a pena vir fazer um college no Canadá. E hoje, às 11 da noite, após um dia super cansativo, com reuniões de projetos finais, uma prova e uma dor de cabeça daquelas, sentei na minha cama rodeada por papéis, resumos e anotações das oito matérias que estou cursando e decidi escrever para desabafar. Eu tô uma pilha, pronta para desabar. Mas, vou fazer aquilo que mais gosto: escrever.

  
Vale a pena todo o esforço, dinheiro e tempo investido?

Eu diria que vai sim, valer a pena, se você levar em consideração alguns fatores… 

Prepare o bolso: O investimento é alto. O semestre no college irá te custar uma média de 8 mil dólares. Multiplica por dois e, em um ano você vai ter gasto, no mínimo, 16 mil dólares só com o valor do curso. Você ainda terá que investir em livros, que, novos, custam em média $120 dólares cada (por baixo, pois já paguei $160 em um único livro). Em outros cursos, como arquitetura, eles são ainda mais caros e você desembolsa entre $200 e $350 por livro. 

Livros usados são vendidos por uns $60-$80. Alguns professores exigem que você compre materiais novos, pois eles trazem um código para atividades online que só pode ser usado por um aluno. São 6 a 7 matérias por semestre. Faz a matemática, pois como eu falei antes, tô exausta.

Você vai ter que ESTUDAR MUITO: Os semestres aqui são mais curtos. Se as aulas começam em janeiro, terminam em abril. Se começarem em setembro, terminam em dezembro. Ou seja, você tem 4 meses para frequentar as aulas, fazer mil trabalhos, apresentações, projetos em grupo, testes e provas finais. Uma coisa que eu aprendi durante os meus dois anos de college é que você não precisa ter um inglês perfeito e não precisa ser super inteligente para se dar bem nas aulas. Você precisa mostrar interesse, responsabilidade e organização. O aluno que frequenta as aulas, não se atrasa, pergunta, participa das discussões, entrega os trabalhos em dia e envia e-mails aos professores sempre que tiver dificuldades nas aulas, é aquele que os professores reconhecem e podem ajudar no futuro. 

Reconhecimento dos professores VALE OURO: Quando digo que dei o melhor de mim durante os dois anos de faculdade aqui, algumas pessoas acham que eu me esforcei demais sem necessidade alguma. Tinha necessidade, sim. O college é, para muitos de nós, estudantes internacionais, a chance de reconstruir uma carreira. É um recomeço. Não se trata apenas do dinheiro investido, pois muitos não ralam tanto, tiveram a sorte de ter condições financeiras para arcar com tudo sem doer tanto no bolso. O que muitos não percebem é que viemos para um país no qual a maioria da população é formada de imigrantes que, sedentos por uma vida melhor, correm atrás de qualificação, cursos, especializações e etc. Tem muita gente qualificada.

Em entrevista de empregos, uma carta de referência é super importante. Além disso, os professores que te reconhecem como um bom aluno, te convidam para participar de eventos com profissionais da sua área e te ajudam muito nos primeiros passos para encarar o mercado de trabalho. Quando você estiver escolhendo as suas aulas, vale a pena visitar alguns sites nos quais os professores são avaliados pelos alunos e escolher aqueles com as melhores pontuações.

Preocupe-se com o seu GPA: O GPA (Grade Point Average) é a sua média em cada curso. Ao final de cada semestre você recebe um transcript (boletim) com todas as médias e o seu GPA final. Você pode alcançar no máximo 4 pontos no seu GPA e os alunos que alcançam 3.5 ou mais do que isso, entram na lista do Dean (reitor). O Dean te envia uma carta parabenizando pelo seu desempenho e por ter entrado na lista dos melhores alunos, com um GPA superior a 3.5. Nem todas as empresas irão perguntar pelo seu GPA, mas muitas perguntam. E ter no seu currículo que você se formou com honra – GPA final superior a 3.5 – é um extra.

Esqueça o famoso “jeitinho brasileiro”: Aqui não tem mimimi nem chororô. Perdeu a data de entrega de um trabalho, o professor pode até te liberar para entregar no outro dia. Mas, vai descontar uns 20% da sua nota. Você pode inventar que estava internado no hospital, pode “matar” parente distante, dizer que houve uma inundação no seu banheiro, que foi atropelado por uma bicicleta, que o seu projeto foi comido pelo seu urso de estimação… Nem adianta. Os trabalhos devem ser entregues no dia, ou pontos serão descontados. 

Porém, se você for um bom aluno e se der mal em um trabalho ou prova, não deixe de pedir uma segunda chance. Há poucos dias eu tirei 6 em uma prova, escrevi para o professor explicando que a nota era muito baixa comparada às outras e que gostaria de ter uma segunda chance, pois eu não aceitava nada abaixo de 8. Claro, eu me “vendi” no e-mail, pontuando todas as minhas qualidades como aluna, a minha participação nas aulas e porque eu merecia uma segunda chance. Ele é o meu professor de Vendas, então eu usei as técnicas aprendidas em aula para escrever o e-mail. 

O professor ficou super impressionado com a minha coragem e com a forma com a qual eu usei os conceitos das aulas para me vender como uma aluna que merecia uma segunda chance. Ele disse que apenas eu e mais um outro aluno haviam pedido uma segunda chance, apesar da maioria da sala ter se dado mal. E que ele jamais esquecia dos alunos esforçados. Para a minha felicidade, ele me deixou refazer a mesma prova uma semana mais tarde.

Enfim…

Eu poderia escrever um texto gigante com muitos outros pontos que devem ser levados em consideração caso você decida estudar aqui no Canadá. Porém, a verdade é que tudo que escrevi ai em cima se resume a uma só frase: sem dedicação, o seu investimento não vai te trazer retorno algum. E isso não é apenas para aqueles que vão estudar no Canadá, mas em qualquer lugar do mundo.

Se você vai pagar um preço alto e se matricular no College apenas para dar entrada nos papéis da imigração, eu acho que você está desperdiçando a chance de adquirir conhecimento, se profissionalizar e construir uma carreira de sucesso no país que escolheu morar. Passar nas matérias não é difícil. Mas, de que adianta passar se você não vai ter as qualificações necessárias para conseguir um bom emprego?

É um investimento alto? É. E põe alto nisso. 

Mas, eu prometo que, se você se dedicar e colocar na caixola que você quer fazer a diferença e não apenas ser “só mais um imigrante tentando ganhar a vida em outro país” os seus esforços serão reconhecidos. E, quando isso acontece, você se torna ainda mais forte e mais seguro de que fez a escolha certa. Você se sente tão orgulhoso pelas suas conquistas que todo o investimento, tempo, esforço e dedicação farão sentido.

Você colocou uma mochila nas costas, deixou para trás a família e amigos, saiu da sua zona de conforto e enfrentou o mundo. E o mundo te mostrou que para enfrentá-lo, você precisava enfrentar a si mesmo e redescobrir os seus limites. É nessa batalha entre você e o mundo que você descobre que os seus limites vão muito além do que você imaginava. Basta você se esforçar. E dar o melhor de você aonde quer que você vá. O resto? Ah! O resto o mundo se encarrega de te presentear. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu tio não era louco


Foi um cara que nunca conheceu o tédio. O tipo de pessoa que transformava uma conversa informal sobre sapatos numa explicação completa sobre a anatomia do pé. Eu tinha muitas razões para o admirar. A  minha favorita era o fato de saber que ele nunca me deixaria sem uma resposta. E ele não deixava.

Tio Aroldo sofria de transtorno bipolar. E era também o cara mais inteligente que já conheci. Para quem não sabe, o transtorno bipolar é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações do humor, crises de depressão e o surgimento de algumas manias. É como viver em uma montanha russa. Em certos dias a pessoa está depressiva, noutros ela está eufórica. Pode ser bem difícil de lidar (como no caso do meu tio), mas muitos conseguem controlar o transtorno com o acompanhamento de um psiquiatra e o uso constante de medicamentos. Infelizmente, não tem cura.

Foi o meu tio Aroldo que, mesmo sendo pão duro de carteirinha, no início da minha adolescência me levou numa loja bacanérrima para me dar a minha primeira calça “de marca”. Eu era apaixonada pelos meus jeans da Yes Brazil. No meu corpinho enxuto de adolescente, a calça caía como uma luva. Tio Aroldo tinha bom gosto e se preocupava com os pequenos detalhes.

No inicio eu não entendia muito bem quando as crises aconteciam. De repente ele falava mais do que o normal, ficava bastante eufórico e se tornava mais sincero do que já era. Falava tudo que desse na telha e muitas vezes arrumava confusões com os conhecidos da nossa cidade, que não é tão grande e nem tão pequena. O chamavam de louco. E eu, sem muita maturidade, mas cheia de amor pelo meu tio, me doía por dentro cada vez que o via daquele jeito.

A risada de alguns amigos, o pouco caso feito por conhecidos e a tristeza dos meus avós ao tentar lidar com uma doença ainda pouco conhecida machucava muito todos que o amavam. Ninguém sabia direito o que era a bipolaridade. E, até que alguém explicasse o que levava aquele homem bem vestido a usar óculos escuros à noite, enquanto gritava com desconhecidos no meio da rua, era mais fácil dizer que ele tinha, sim, um parafuso a menos. O meu tio não era louco. O meu tio era um cara normal que de vez em quando ficava doente.

Ele cortava o bife em pedaços minúsculos. Misturava farinha e um pouco de pimenta no arroz com feijão e, assim como eu, não resistia à jarra de sucos. Comia em frente à TV, tinha uma coleção de camisas da Lacoste e usava sempre o mesmo perfume – CK One. O bigode era a sua marca registrada. Ele era charmoso.

As crises vinham sempre depois de algum abalo emocional. O fim de um relacionamento, a morte de alguém especial, uma crise financeira. Não podíamos prever. O tratamento também não era tão simples. Nem sempre ele concordava em tomar os medicamentos. Sem ter como lidar com as crises mais graves, não tínhamos outra solução a não ser interná-lo.

A última crise do meu tio foi também a pior de todas. Eu tinha 19 anos e morava com uma prima no apartamento da nossa família, em Salvador. O meu pai havia sido levado pelos meus tios para a capital, numa tentativa frustrada de interná-lo numa clínica de reabilitação para usuários de drogas. Ele conseguiu fugir de volta para Porto Seguro e acabou não fazendo o tratamento. Enquanto isso, o meu tio Aroldo, que também estava conosco em Salvador, começou a apresentar alguns sinais de que não estava muito bem. Acredito que ver o meu pai naquela situação havia mexido muito com o seu emocional. Eles eram muito próximos.

Assim que percebemos que ele estava agitado, tentamos convencê-lo a tomar os remédios. Após alguns dias, a situação piorou. Certo dia, chegamos da faculdade e o porteiro do nosso prédio informou que o nosso tio estava gritando na varanda. Não bastassem os gritos, abri a porta e dei de cara com ele pelado, usando apenas o seu inseparável Ray Ban.

Ele se recusava a aceitar ajuda. Quando mencionei que o levaríamos ao médico, ele ficou ainda mais agressivo. Eu me dividia entre a tristeza em ver o meu tio naquele estado, o medo de uma tragédia ainda maior, a preocupação em resolver tudo sem precisar da ajuda da família (que já estava lidando com o meu pai em Porto Seguro), a vergonha em saber que todos no prédio comentavam sobre a situação no nosso apartamento e o medo de não ser forte o suficiente e falhar em ajudá-lo.

Liguei para um amigo e expliquei que precisávamos de uma ambulância e de pessoas preparadas para levar o meu tio à força para a clínica psiquiátrica. Nunca vou esquecer daquela cena. Eu chorava e não conseguia o encarar. Evitava o seu olhar pois não queria deixar que aquele homem que me xingava e me acusava de o estar imprisionando, apagasse a memória que eu tinha do tio doce, carinhoso e inteligente que eu tanto amava. Ele era apaixonado pelos seus sobrinhos. Para alguns de nós, ele era um pai. E para ele, éramos os filhos que ele nunca teve.

A primeira visita à clinica foi terrível. O ambiente era triste e ele não quis nos receber. Lembro de termos levado frutas e biscoitos, mas ele se recusava a falar comigo, pois acreditava que eu o havia traído ao interná-lo. Naquela noite tive problemas para dormir. A minha prima dividia a cama comigo, pois por um bom tempo desenvolvi uns ataques de pânico e não dormia sozinha.

Na segunda visita eu fiquei ainda mais assustada. O meu tio estava completamente dopado. Mal conseguia falar e eu não consegui ficar lá por muito tempo. Ele ainda estava bastante magoado comigo. Eu era uma adolescente que estava prestes a terminar a faculdade, sofrendo com os problemas do meu pai e com um tio internado em uma clínica psiquiátrica. Chorava enquanto tomava banho e ficava embaixo do chuveiro o tempo necessário para que ninguém percebesse o quanto eu estava triste.

O dia em que tio Aroldo saiu da clínica foi um dos mais felizes da minha vida. Ele já não estava mais triste comigo e fez de tudo para demonstrar a sua gratidão pelo que eu e a minha prima fizemos por ele. Comprou os móveis que eu tanto queria para o meu quarto e tentava nos agradar ao máximo. Tio Aroldo sempre tinha um comentário na ponta da língua. Certa vez, enquanto eu estudava para um dos testes ele disse: – Arittinha, nenhuma prova é mais importante do que as que você ja superou. Nenhuma nota vai ser capaz de traduzir todo o conhecimento que você tem e nenhuma escola vai te ensinar o que você realmente precisa saber. Vence na vida quem tem coragem e curiosidade.

Tio Aroldo sofreu um infarto fulminante três anos mais tarde, seis meses após o meu pai falecer. Foi um ano muito difícil para a nossa família. Os meus avós perderam dois filhos em apenas seis meses. Os meus tios perderam dois irmãos. Os meus primos perderam dois tios. Eu perdi o meu pai e também perdi o único cara que jamais se esquivava às minhas perguntas. E, apesar de tentar compreender a morte de forma racional, sinto que ele foi cedo demais e me deixou sem algumas respostas. Também acho muito injusto que muitos jamais tenham tido a chance de conversar por ao menos cinco minutinhos com o meu tio. Ele era sensacional.

É triste saber que tanta gente pouco sabe sobre o transtorno bipolar. Muitos olham o bipolar com desprezo, se envergonham (eu também me envergonhava) quando as crises são intensas ou quando ocorrem em público. Muitos se afastam, não conseguem lidar com os transtornos de humor ou com a agressividade de quem tem a doença. Eu não os julgo, pois não é fácil. Porém,nada é mais difícil do que perder aqueles que a gente ama, sejam eles loucos ou não.

Sabe aquele cara que mora ali do outro lado da rua e de vez em quando age meio estranho? Aquele que todo mundo diz ser louco? Ele podia ser o meu ou até o seu tio. Mas, tio Aroldo não era louco. Ele era o cara que tinha respostas para todas as minhas perguntas.

Um Feliz Ano Novo

  
Que no próximo capítulo deste livro incrível chamado Vida, eu tenha mais coragem para fazer as pazes com aqueles que magoei ou que me magoaram. Com aqueles que discordaram das minhas ideias e aqueles aos quais eu chamei de irracionais. 

Que eu tenha mais chances para distribuir e arrancar sorrisos e que os únicos incômodos no peito sejam causados por abraços demasiadamente apertados. E que estes sejam muitos…

Que eu tenha mais determinação para fazer as pazes com a balança, com o meu corpo, com os meus defeitos e aprenda a amar ainda mais cada pedacinho de pele que me cobre. 

Que eu tenha mais maturidade para fazer as pazes com a saudade e aceitar que, ou aprendemos a conviver juntas, ou ela irá me sufocar – ainda mais. 

Que eu tenha mais tolerância para respeitar o que eu não compreendo e para entender que nem sempre o que faz bem para mim fará bem ao outro. 

Que eu tenha mais humildade para reconhecer os meus erros e sabedoria para consertá-los o quanto antes. Que eu não me crucifique durante os tropeços e que não demore tanto a fazer as pazes comigo mesma. 

Que eu seja mais paciente e não brigue tanto com o tempo, aquele que por vezes se adiantou ou se atrasou demais para trazer o que eu esperava. E o que ainda espero…

E que ele, o tempo, esse senhor velhinho que a gente não vê, mas que não nos larga nem mesmo por um segundo, não leve de mim a inocência e o otimismo de quem sempre acredita em um amanhã muito, mas muito melhor do que o ontem. 

2016, mal posso esperar para te conhecer! 
Feliz ano novo!

A dor 

  
Ela não tinha caído e ralado o joelho como tantas outras vezes. Não havia o menor sinal de machucado, nem mesmo um pedacinho de carne roxo que pudesse justificar a maldita dor. Procurou minuciosamente em cada parte do corpo por pistas que pudessem explicar aquele desconforto maldito. Não encontrou. 

Resolveu tomar um banho morno, a fim de se lavar – e livrar – do incômodo. 

Foi justo quando os primeiros pingos d’água tocaram a sua espinha que ela encontrou a resposta que tanto procurava: a dor doía na alma.

E, pra dor de se tornar gente grande, não há analgésico que dê jeito… 

Fica 

  

Não fique se estiver com pressa. Não quero roubar todo o seu tempo, mas confesso ter pavor a encontros e amores cronometrados. 

Não pretenda me ouvir quando o seu pensamento estiver em outro lugar. Eu tenho a mania de falar pelos cotovelos, eu sei. Ainda assim, prefiro o seu silêncio a uma resposta vaga. 

Não concorde com as minhas ideias se a sua opinião for diferente da minha. Insista em me mostrar o seu ponto de vista e assim teremos a chance de ver os dois lados da mesma história. 

Se quiser fazer jogo, tudo bem, eu não gosto, mas não vou te proibir. Jogue as suas cartas na mesa e, se os naipes forem opostos aos meus, a gente reinventa as regras. Só não me veja como a sua adversária, me tenha como a sua cúmplice. 

Não vem com aquele papo de “eu faço o que você quiser”. Me diz o que você quer, imponha a sua vontade e, juntos, chegaremos a um consenso. Não há problema algum em não gostar do meu restaurante favorito. Eu não me importo em visitá-lo sozinha. Há tantos outros para ir com você…

Eu não quero que prometa não me fazer chorar. Me importo mais com a qualidade das gargalhadas que você pode me proporcionar. 

Eu não quero ter alguém que esteja ao meu lado para tudo. Eu quero alguém que reconheça a minha capacidade em vencer qualquer obstáculo e que me encoraje a dominar os meus maiores medos. 

Eu não quero fazer planos para o futuro. Já fiz tantos e muitos viraram apenas rabiscos em um papel qualquer. Não tenho pressa e mantenho uma grande afeição pelo presente. O futuro é incerto, eu sei. Mas se não for pedir muito, eu quero você ao meu lado mesmo nos planos não feitos. 

Fica.

Vietnã: o charme da agitada Hanói e as belas montanhas de Sapa

Oi pessoas,

Voltei! Bom, já cheguei há alguns dias. Porém, retornei bem no comecinho das minhas aulas no college e gastei alguns dias reorganizando a minha vida após viajar por 5 semanas.

Durante a viagem eu não tive muitas chances de escrever com calma aqui no blog. Além de estar sempre na correria, na maioria das vezes eu só conseguia wifi nos restaurantes e hotéis – e nesses lugares, ou eu tava faminta, ou muuuito cansada.

Depois de viajar por 18 dias na Tailândia e por duas semanas no Camboja, segui para o Vietnã, onde fiquei por apenas uma semana – o suficiente para que eu morresse de amores pelo povo e pelas paisagens do país.

Primeiro contato com o Vietnã: o patriotismo explícito nas bandeiras e o vai-e-vem de motos em Hanói

Peguei um voo de Siem Reap, no Camboja, para Hanói, capital do Vietnã. O voo entre os dois países custou $160 e teve a duração de menos de duas horas. Passei um sufoco no aeroporto e quase fiquei sem embarcar. Aqueles que me acompanham no face devem ter lido o meu relato. Eu não fiz a minha pesquisa antes de comprar a passagem e achei que o visto para o Vietnã fosse emitido no próprio aeroporto, como é feito no Camboja (brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia, mas precisam mostrar a carteirinha de vacinação com a vacina de febre amarela em dia).

Para pegar o visto vietnamita, você precisa preencher um formulário online com alguns dias de antecedência, pagar uma taxa de mais ou menos $20 e esperar dois dias por uma carta de aprovação. Essa carta deve ser entregue no desembarque, com o pagamento de mais uma taxa de $45 para que você receba o visto. Eu não tinha a carta e depois de muito chororô e confusão, paguei uma taxa altíssima de $180 e saí do Camboja já com o visto no meu passaporte. Portanto, não faça como eu. Pesquise tudo antes de ir de mala e cuia pro aeroporto crente que está pronta pra entrar no país dos outros hahaha.

Fiquei em um hotel chamado Madame Moon Guesthouse, bem simples, mas muuuito bem localizado. Fica no centro de Hanói, no chamado Old Quarter, onde ficam as lojas, bares e restaurantes badalados da cidade. A diária custou 20 dólares.

A influência francesa, fruto da ocupação do país pela França no século 19, predomina na arquitetura de Hanói. As ruas estreitas com sobrados cobertos pelo vermelho da bandeira do Vietnã, são tomadas por milhares de motocicletas, carros e bicicletas que disputam espaço com pedestres e comerciantes. Atravessar a rua é uma verdadeira aventura.

Prepare-se para um post super longo! Não consegui conter o meu entusiasmo ao contar sobre a minha experiência no Vietnã e nem maneirar na quantidade de fotos! Sorry, mas eu quis reunir tudo em um só lugar.

Rua no centro de Hanói, capital do Vietnã

Quando ainda estava no Camboja, um amigo me contou sobre a Hanoi
Kids, uma organização que oferece guias de turismo sem cobrar valor algum. O principal objetivo é dar a oportunidade a crianças e adolescentes vietnamitas de praticarem inglês com os turistas e, assim, terem mais chances de conseguirem bons empregos no futuro. Enviei um e-mail e reservei a manhã no meu primeiro dia em Hanói para visitar o Museu de Etnologia  (entrada custa uns $2 e há desconto para quem tiver carteirinha de estudante).

Museu de Etnologia em Hanoi, vale super a pena visitar!

Fiquei encantada com o profissionalismo de Lê Minh que, com um inglês perfeito, me deu uma verdadeira aula sobre a história dos seus ancestrais e dos diversos grupos minoritários vietnamitas. Após o nosso tour pelo museu, ela me levou no Cong Caphe, uma cafeteria super charmosa, onde a decoração e o coconut coffee, um café com gostinho de coco, são as grandes estrelas do local. Ainda que você não seja fã de café, o que é o meu caso, super recomendo a visita. O país é famoso pelo seu café forte, encorpado e cremoso. Ahhhh, e no lugar do leite, na maioria das vezes eles usam o leite-condensado. Perdição!

À tarde dei uma volta pelo Old Quarter e enlouqueci com o preço dos produtos. É tudo muito barato! A conversão me dava a maior dor de cabeça, principalmente depois de ter passado pela Tailândia e pelo Camboja. Quando eu estava lá, $1 (dólar americano) valia VND 22.000 (dong vietnamita). Imagina alguém te falando que algo custava meio milhão de dongs…

Uma boa refeição com cerveja custava uma média de $6.

Táxis também são super baratos, mas em dias de muito trânsito você vai cogitar pegar um mototáxi, ou não vai chegar a lugar algum. No Vietnã, não vemos tuk-tuks como na Tailândia e no Camboja. Alguns rapazes oferecem te levar num carrinho puxado por eles numa bicicleta, mas eu não usei o serviço.

Principal meio de transporte dos vietnamitas
Hoan Kiem Lake, localizado no centro histórico de Hanói

Existe um mundo à parte nos vilarejos das montanhas de Sapa 

Como eu queria muito dividir o meu tempo no Vietnã entre Hanói e os pequenos vilarejos localizados nas montanhas, na mesma noite peguei um trem para Lao Cai (mais ou menos $35) e, após 7 horas, cheguei na pequena cidade, de onde uma van me levou para o meu tão esperado destino: Sapa.

Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, os locais em que mais aprendi e mais tive contato com a cultura do país foram as cidades pequenas e os vilarejos por onde passei. Eu queria ter a mesma experiência no Vietnã e não poderia ir embora sem conhecer o dia a dia de quem vive nas montanhas.

Antes de partir para a minha aventura em Sapa, fiz uma pesquisa em busca de opções seguras e acessíveis para mulheres que viajam sozinhas pelo Vietnã. Por indicação da Kiersten, do blog The Blonde Abroad, entrei em contato com a Hong, que ficou comigo nos três dias e me levou nos lugares mais lindos, fazendo com que a minha experiência  no local fosse a mais proveitosa possível.

Hong, a minha guia em Sapa, e as suas filhas

No primeiro dia passeamos pelo centro da cidade e fomos em algumas feirinhas, onde eu tive o primeiro contato com vietnamitas das tribos Black H’mong e Red Zao. Você os vê o tempo inteiro pela cidade, com suas vestimentas exóticas e bem coloridas. Podem ser facilmente identificados pelos acessórios e cores dominantes nas roupas. A primeira tribo veste-se de preto, enquanto a segunda usa lenços e bandanas vermelhas.

Uma mãe da tribo Black H´mong vende mel com o seu bebê em uma pracinha de Sapa
Os bebês são carregados sempre dessa forma e até quando as mães acompanham os turistas na trilhas, os pequenos vão grudado nas costas
Frutas, verduras, carnes e artesanatos são vendidos nas feiras ao ar livre em Sapa
Vendedoras de sticky rice, ou arroz grudado, famoso no Vietnã. O colorido é feito com corantes naturais extraídos de plantas. Come-se com recheio de manga ou com farelo de amendoim
Açougue a céu aberto

Depois de fazer um tour pelo centro de Sapa, montamos na motocicleta de Hong e subimos as montanhas em busca das cachoeiras da região.

O cenário é de tirar o fôlego…

Hong parava a moto nos melhores pontos para tirarmos foto com esse cenário que mais parece uma pintura
Morrendo de medo de cair da pedra haha
Thac Tinh Yeu, também conhecida como “Love Waterfall”
Paramos para comer espetinhos de porco com folhas de chuchu. Uma delícia!
No trajeto para as cachoeiras a gente encontra barracos como esse onde os nativos vendem artesanatos ou comidas



Homestay com famílias locais

No final da tarde do meu primeiro dia em Sapa, Hong me levou para a homestay onde eu passaria uma noite com uma família da tribo Red Zao, no pequeno vilarejo chamado Ta Phin. No percurso para o local, eu não parava de pensar no quanto eu era sortuda em ter a chance de ver e viver tudo aquilo. As fotos podem comprovar o quanto as paisagens são lindas, mas a energia do local é indescritível.

Homem caminha pelas montanhas carregando cesto que é usados para transportar artesanatos, comidas e até crianças
O verde dos arrozais muda de acordo com as estações e a quantidade de chuva na região. Eu fui na época de chuvas, quando as plantações estão cheinhas
Casal trabalha na colheita do arroz, abundante em toda a região

A casa de No May, a moça que me recebeu por uma noite, era bem simples, como todas as outras que ficam na mesma região. Mas, a generosidade e a atenção que ela, o marido e a filha Mayun dedicaram à mim naquele dia, foram maiores do que eu esperava.

May prepara o nosso jantar
Mayun, de 7 anos, observa a mãe
No jantar daquela noite, arroz , tofu frito, chuchu, porco e salada
May adoça com mel uma dose de “happy water” ou água feliz, bebida alcólica caseira feita de arroz e super comum no sudeste asiático. O gosto é forte como o da cachaça

Após o jantar, No May me perguntou se eu gostaria de tomar um banho de ervas preparado por ela. É uma tradição da tribo Red Zao para ”limpar o corpo das energias negativas”.

Caldeirão onde May ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas
Caldeirão onde ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas

Segundo ela, eu deveria entrar no barril com o banho de folhas e lá ficar por mais ou menos 20 minutos. Fui avisada de que a maioria das pessoas sente uma tontura ao sair do banho. Curiosa e sem acreditar que um simples banho me faria sentir algo diferente, entrei no barril e lá fiquei por mais ou menos 25 minutos.

O barril em que tomei o banho de ervas
O barril em que tomei o banho de ervas

A sensação é a mesma de estar em uma sauna, já que a água é bem quente. Não senti nada enquanto estava imersa no banho, porém, comecei a sentir muita tontura assim que saí do barril. Para vocês terem noção, eu não consegui me vestir e fui do banheiro pro quarto enrolada na toalha e com o corpo super cansado, pedindo cama. Dormi igual a um bebê por oito horas seguidas, o que era raro nos meus dias na Ásia, principalmente em áreas como aquela, onde o canto dos galos te acorda às 5 da manhã.

Mãe da tribo Red Dao caminha com o filho pelo pequeno vilarejo
Mãe da tribo Red Dao caminha pelos arrozais com o filho nas costas
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografassem
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografasse
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais

Na manhã seguinte, Hong me buscou na casa em que eu estava e me levou para um vilarejo chamado Lao Chai, do outro lado da montanha. Eu iria passar uma noite na casa de pessoas da tribo Black H´mong e teria contato com os costumes de um dos mais conhecidos grupos minoritários existentes em Sapa.

O vilarejo era bem mais agitado do que o anterior. Na casa em que fiquei, por exemplo, haviam outros quatro turistas, além da família que lá morava. A maioria dos moradores vive do turismo, seja recebendo turistas em suas casas ou guiando-os em trilhas pelas montanhas.

Na casa em que fiquei, a matriarca oferecia cursos de batik, a técnica de coloração e pintura em têxtil. No quintal funcionava uma pequena fábrica e na frente da casa, a lojinha onde eram vendidos os produtos produzidos pela família.

Máquina onde os fios de linho são entrelaçados
Matriarca ensina a técnica do batik aos turistas
Tecidos são tinturados…
….e depois expostos ao sol

Eu acabei esquecendo o nome de uma das irmãs que me levou para uma trilha de 4 horas nas montanhas. Como essa era a minha última semana na Ásia e eu já havia feito dezenas de trilhas, quase morri de cansaço com o sol a pino e o sobe e desce das ladeiras.

Caso decida visitar Sapa, prepare-se para explorar o local com os pés no chão. Programe-se para fazer trilhas, pois é muito mais divertido do que em motocicletas. E vale super a pena!

Apesar do cenário ser tão lindo quanto o do primeiro vilarejo em que fiquei, a enorme quantidade de turistas e a agressividade dos vendedores que, literalmente, te empurram os artesanatos, fez com que eu me decepcionasse um pouco com o local. Acho válido pesquisar os vilarejos onde a quantidade de turistas não é tão grande. Mas como o sudeste asiático é ainda um dos destinos mais baratos para visitarmos, vai ser cada vez mais difícil achar lugares ainda pouco explorados.

A quantidade de crianças nesse vilarejo era enorme
Algumas vezes elas irão te seguir, oferecendo produtos , ou melhor, implorando para que você compre algo. Sugiro que não compre nada, pois assim evitará que elas te sigam por todos os cantos e também que deixem de matar a aula para seguir os turistas
Menina estuda na porta de casa

Um bate e volta para conhecer Ha Long Bay 

Pra vocês terem uma noção do quão corridos eram os meus dias (só pra garantir que eu voltaria pra casa após ter visto todos os lugares que gostaria de ver), peguei um trem noturno de volta para Hanói às 9 da noite. Cheguei na capital por volta das 5 da manhã e, às 8 já estava em uma van que levaria para a cidade de Ha Long.

Foram quase 4 (!!!) horas de estrada com um grupo de turistas e depois um barco que nos levaria até a famosa baía onde ficam as enormes rochas no meio da água. O tempo não estava dos melhores, mas eu estava tão cansada de sol e com a pele tostada de tantas caminhadas sem protetor, que não me importei.

O local é mesmo lindo, mas já virou uma daquelas atrações turísticas que estão sempre lotadas de gente
Mesmo com o dia nublado, o cenário era lindo

Para visitar Ha Long Bay você tem duas opções: o passeio de um dia ou os cruzeiros nos quais você dorme no barco por dois ou três dias. Se você tiver tempo, ótimo. Mas, apesar de cansativo, acho que apenas algumas horinhas no local são suficientes.  É o tipo de lugar fotogênico, mas sem muito o que fazer.

O barco para em uma área onde podemos alugar caiaques ou essas jangadinha, guiadas por um dos nativos. Eu escolhi a segunda opção e o passeio deve ter durado uns 20 minutos

Ficamos na baía por mais ou menos umas duas horas e depois seguimos de volta para Hanói.

O passeio, que custa por volta de $30, inclui transfer do hotel até a cidade de Ha Long, almoço no barco e visita a uma caverna que fica em uma das ilhas

No meu último dia no Vietnã, pesquisei um bom restaurante na área em que estava hospedada e acabei indo no Green Tangerine, um restaurante francês-vietnamita suuuuper charmoso que fica ali no Old Quarter, onde tudo acontece.

Foi uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. Escolhi um combinado de entrada + prato principal + salada por mais ou menos $25 e amei tudo que pedi! O local fica em uma casa colonial com pátio pavimentado e decoração que mistura toques orientais e europeus.

Lasanha de peixe ao molho de vinho branco. No topo, mousse de parmesão, frutas vermelhas e manjericão

Os pratos, apesar de bem mais caros do que o normal no Vietnã, são lindos e deliciosos…

Crepe de mousse de chocolate com lichia e caramelo

O Vietnã é, com certeza, um país com uma vasta riqueza cultural e que oferece uma infinidade de opções para quem deseja explora-lo. Apesar de ter sido o meu último destino na viagem e, por conta disso, estar bem cansada, consegui ver tudo que desejava ver e me encantei com as pessoas e os locais que conheci em Sapa e em Hanói. Eu tive muita sorte de ter cruzado apenas com pessoas do bem que fizeram com que a minha viagem fosse ainda mais especial.

Voltarei em breve, Vietnã!