América Central: trilhas, vulcões e pirâmides na Guatemala

Já faz um bom tempo que ensaio publicar aqui um post sobre a viagem que o Marc e eu fizemos à Guatemala. Fui deixando pra depois e hoje me dei conta de que ja havia passado da hora!

Quem leu os meus posts (aqui e aqui) sobre o México, percebeu que a gente começou a viajar sem muito planejamento. A decisão de visitar a América Central foi tomada também meio que de última hora.

Pegamos um voo da Cidade do México para a Cidade da Guatemala, capital do país e famosa por ser bastante violenta. Alugamos um airbnb em Antigua Guatemala (também chamada La Antigua ou apenas Antigua), a apenas uma hora da capital. Do aeroporto, seguimos direto pra lá, portanto, vimos a capital apenas pela janela do carro.

Antigua é uma cidade colonial, patrimônio da UNESCO, construída em meio a três vulcões – Acatenango, Água e Fuego – sendo o último deles o único ainda ativo e um dos mais famosos do país. Foi planejada com o formato de um quadrado com dezenas de ruas de pedra que a cortam de uma ponta a outra. A arquitetura com influência barroca e o colorido das casas dão um charme especial ao local. A cidade é uma graça!!

Dois grupos de turistas se destacavam nas ruas da cidade: os aventureiros (como eu e Marc) e os bird watchers (pessoas que viajam à destinos nos quais seja possível observar pássaros raros).

A impressão que tivemos durante a nossa visita ao país é a de que, para quem não curte fazer trilhas e explorar a natureza, a Guatemala não é o melhor dos destinos.

No nosso segundo dia no local, marcamos um tour com uma das agências em Antigua para conhecermos o vulcão Pacaya, que fica em outro município, a uma hora de distância. O vulcão ainda está ativo, mas a sua última grande erupção ocorreu em 2010.

Pagamos por volta de 10 dólares pelo tour (transporte e guia). A taxa de acesso ao vulcão é cobrada no local – Q50 = USD7. A moeda local se chama quetzal.

A subida não é difícil e os tours geralmente ocorrem duas vezes ao dia, com saída às 6 da manhã e 14h. Fomos à tarde e às 20h já estávamos de volta.

Não tivemos muita sorte e havia bastante neblina no dia em que resolvemos conferir o vulcão. Não deu pra avistar nada de lá de cima. Por conta da recente erupção, não é possível chegar próximo da cratera, porém, após subir ao topo da montanha, descemos até uma área coberta por lava solidificada e a temperatura aumenta bastante!

Os guias geralmente distribuem marshmallows e palitos para que possamos assá-los no calor da lava. Pra ser bem sincera, ficamos um pouco frustrados com a nossa primeira experiência explorando um vulcão. Porém, sem a neblina, o passeio é muito mais divertido!

Pra quem acha que os passeios são perigosos, em locais com grande movimentação turística e vulcões nas proximidades, as atividades vulcânicas são observadas 24h por dia. Especialistas conseguem perceber o menor dos sinais de que um vulcão entrará em erupção e a explosão não acontece de uma hora pra outra. Há uma antecedência razoável no processo para que as agências cancelem os tours.

Meios de Transporte

O ônibus conhecido como chicken bus é principal meio de transporte na Guatemala. Há também táxis e tuk-tuks, mas sugiro pesquisar muito e pedir informações em agências de turismo antes de escolher o melhor meio para se locomover em distâncias maiores. O chicken bus pode ser a opção mais em conta, mas nem sempre é a melhor pois estão sempre lotaaaaaados!

A nossa experiência em um chicken bus não foi muito agradável. Afinal, ele não para em rodoviárias para que a gente use o banheiro. Mas, só descobrimos isso no meio de uma viagem de 5 horas. Pensem no desespero? Hahaha

Vulcão Acatenango: 6 horas de subida

No dia seguinte à nossa trilha no Pacaya, seguimos com a mesma agência, a Ox Expeditions , rumo ao nosso primeiro desafio: conquistar o topo do vulcão Acatenango, com 4 mil metros de altura e inativo desde 1972. A subida até a base do acampamento (a 3500 metros) onde a gente dormiu uma noite, antes de retornarmos na manhã seguinte, durou 6 horas. Os outros 500 metros até o topo são feitos em mais duas horas. É muito puxado!

A trilha é considerada a mais difícil dentre as oferecidas pelas agências em Antigua, pois além da subida íngreme, a altitude dificulta a respiração e muita gente acaba passando mal.

Ahhh, e eu nem contei que você faz tudo isso enquanto carrega a mochila com comida, 6 litros de água (parece muito para um dia e meio, mas é uma das exigências do guia e a gente bebe muita água mesmo!), partes das barracas, saco de dormir e casacos (já que o frio lá em cima é surreal).

Calma, você tem a opção de pagar 25 dólares pra alguém carregar o seu mochilão. E euzinha escolhi pagar, pois sabia que a subida seria muito difícil.

Há muitos moradores da região que trabalham todos os dias com isso e sobem o vulcão com uma habilidade de fazer inveja a qualquer atleta olímpico!

Saímos da agência às 7h e dirigimos por mais ou menos duas horas antes de chegar à base do vulcão.

A primeira hora de subida foi a mais dolorosa. Pensei seriamente em desistir. O caminho é suuuper íngreme e não tínhamos levado os nossos tênis de trilhas, apenas tênis de corrida. A cada passo que eu dava pra cima, escorregava um passo pra baixo.

O Marc, que deu uma de durão e levou a própria mochila, sofria com o peso e a dificuldade da subida.

Depois da primeira hora, ficou um pouco mais fácil, já que o caminho era em zigue-zagues. Há até uma barraquinha com café, água e refrigerante, no meio do vulcão.

Daí você deve estar pensando “Pra quê que alguém vai se submeter a uma tortura dessas?”

….pra acordar no meio da noite pra fazer xixi e ver o céu mais lindo e estrelado que você já viu. E a lua iluminando dois vulcões maravilhosos bem em frente à sua barraca.

O intuito de subir o Acatenango e acampar a 3500 metros de altura é ver de pertinho os vulcões Água e Fuego – o segundo ainda super ativo!

O nosso guia nos acordou às 4 da manhã para que nos preparássemos para assistir o nascer do sol. Imaginem uma cena que faz você chorar de alegria. Foi essa…

Um pouco mais tarde, por volta das 7h, começamos a preparar o nosso café da manhã. O tão esperado momento da explosão do vulcão Fuego aconteceu quando estávamos desarmando o acampamento. E foi incrível!!!

A descida durou 4 horas e foi mais difícil do que eu imaginava. Como o meu tênis não era apropriado, perdi as contas de quantas vezes caí. Também estava carregando a minha mochila, já que o peso das garrafas d’água e comida já havia ido embora. Terminamos a trilha mortos, suados e sujos de cinzas e terra. Mas, valeu muito a pena! Foi desafiador e emocionante!

De Antigua para as margens do lago Atitlan

Seguimos de Antigua para San Juan, um dos vilarejos às margens do famoso Lago Atitlan. A maioria dos guias de viagens sobre a Guatemala sugere que o visitante conheça o lago, mas não menciona as diversas opções de cidadezinhas nas quais você pode se hospedar.

O lago é o mais lindo que já vi. Não é a toa que é considerado um dos mais bonitos do mundo. É imenso! A luz do sol reflete na água e produz um brilho lindo. A cereja do bolo fica por conta dos vulcões e montanhas que o cercam, além das árvores verdinhas e do colorido das flores.

Escolhemos San Juan porque achamos a ideia de ficar no Eco Hotel Mayachik interessante. Os bangalôs são bem simples, os banheiros são ecológicos (compostagem), há uma horta orgânica, um espaço para que os hóspedes compartilhem o que sabem (aulas de yoga, de pintura, dança) e um restaurante vegetariano.

Vizinha à San Juan fica San Marcos, o vilarejo preferido dos hippies. Em toda a região do lago Atitlan encontramos aldeias maias. Os costumes e símbolos da civilização, que já foi uma das sociedades mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas, podem ser vistos por todos os cantos.

A nossa visita à região foi curta, mas valeu por muitas aulas de história (as quais eu provavelmente faltei haha), afinal, vimos de perto como o povo maia ainda mantém, com orgulho, muitas das suas tradições.

Não havia muito o que fazer em San Juan. Aproveitamos para pegar um tuktuk e visitar as cidades vizinhas. Cada uma delas tem o seu charme. San Pedro, ao lado de San Juan, é mais agitada e cheia de turistas.

Uma visita às feiras é obrigatória! É o melhor lugar pra tirar fotos e observar o comércio local.

Próxima parada: Quetzaltenango

De San Juan, pegamos uma van para Quetzaltenango, também conhecida como Xela. É a segunda maior cidade da Guatemala e bem mais agitada do que Antigua ou os vilarejo às margens do Atitlan.

Chegamos lá com o propósito de fazer a nossa última trilha na Guatemala. Pesquisamos bastante e achamos a ONG Quetzaltrekkers, mantida por turistas que se tornam guias e organizam trilhas na região. Os fundos arrecadados são doados à escolas da região.

Pagamos por volta de USD200 por uma trilha de 6 dias que saía de Nebaj, cidade montanhosa a 5 horas de Xela (esse primeiro percurso é feito em um chicken bus) e terminava em Todos Santos, cidade famosa por conta das roupas usadas por seus moradores. Todos os homens se vestem exatamente da mesma forma.

Foi a trilha mais longa que já fizemos. O grupo era formado por 11 pessoas, incluindo os dois guias.

Passamos uma noite em Nebaj, onde provei um prato local e me apaixonei! O Boxbol é uma iguaria tradicional da região e o seu sabor é muito melhor do que a sua aparência. Eu juro!!!

É feito com massa de milho cozida, coberta por folhas de abóbora. O segredo está no molho cremoso preparado com as sementes da abóbora e outros temperos e no molho de tomate que também acompanha o prato. É uma delícia!

Durante o passeio pela cidadezinha, vimos muitas crianças trabalhando nas feiras e em praças, engraxando sapatos. Desde cedo os pequenos são obrigados a trabalhar para ajudar os pais. Quase 60% da população da Guatemala está abaixo dos níveis de pobreza.

Na manhã seguinte…

Demos início aos 65km de trilha – dessa vez, sem alguém pra carregar a minha mochila. Após o primeiro dia de caminhada, já não dava pra voltar atrás. Deixamos a área com rodovias e transporte público e passamos a caminhar por vilarejos remotos. As refeições (café da manhã e almoço) eram feitas pelo caminho. Cada um de nós carregava parte da comida que o grupo iria consumir pelos próximos dias.

À noite, dormíamos em espaços cedidos por moradores dos vilarejos os quais cruzávamos. Os jantares eram feitos na casa de famílias que já trabalham há um bom tempo em parceria com a ONG.

Eles recebem uma ajuda financeira por cada grupo que recebem. Dessa forma, a ONG movimenta a economia local.

A trilha não era nada fácil. Mas, todo o esforço era recompensado pelo aprendizado que estávamos adquirindo.

Caminhávamos por uma média de 6-8 horas por dia, em terrenos planos e montanhosos. O cansaço era absurdo! A maioria de nós dormia logo após o jantar, por volta das 19h. Após o terceiro dia, já nem sentia dores nas pernas. Parecia que o meu corpo ja havia se habituado à rotina.

O ponto alto (literalmente) ficou por conta da subida à mais alta montanha não- vulcânica da Guatemala, La Torre, com 3870 metros.

Foi incrível passar pelos vilarejos mais remotos, comer com as famílias locais e tomar banho em temascal, a tradicional sauna dos maias.

Enquanto passávamos pelas vilas, percebíamos os olhares curiosos dos moradores. Muitas vezes eles nos fotografavam e os papéis eram invertidos. Deixávamos de ser meros turistas e nos tornávamos a atração principal.

Após seis dias, chegamos ao nosso destino final, a cidade de Todos Santos. Dormimos uma noite num hotel, antes de percorrermos o caminho de volta em um ônibus.

Não há muito o que se ver/fazer em Todos Santos. Na realidade, foi o local em que nos sentimos menos à vontade. As pessoas eram bem fechadas e a sensação que dava era a de que não éramos bem-vindos por ali. Talvez por conta dos esforços da população em manter as tradições sem que o turismo recorrente atrapalhe.

No fim da nossa jornada, fomos ver as famosas pirâmides em Tikal

Ao retornar da trilha, dormimos mais duas noites em Xela para que pudéssemos descansar um pouco, antes de seguirmos rumo à Tikal, o nosso destino final.

Pegamos um ônibus de Xela com destino à Cidade da Guatemala e de lá, outro ônibus com destino à Flores, cidade vizinha ao parque arqueológico de Tikal. O ônibus deixou a capital do país por volta das 20h e antes das 6h chegamos numa cidade vizinha à Flores (apesar do bilhete dizer Flores, os ônibus param a uma hora de lá). De lá, teríamos que pegar uma van para Flores (essa não era cobrada, pois a passagem do ônibus incluía o trajeto) e outra para Tikal (cobrada à parte).

Ainda sonolentos, descemos do ônibus e ouvimos quando um rapaz chamava todos os passageiros que seguiam para Flores. Seguimos o grupo e entramos na van. O motorista nos deixou em uma agência de viagem e lá fomos convencidos a pagar por um pacote de ida e volta à Tikal.

Ninguém apareceu para nos buscar e, tivemos que pagar a uma outra agência para nos levar de volta à rodoviária ao fim da nossa jornada em Tikal.

O Parque Nacional do Tikal fica na região de Petén e foi um dos maiores centros populacionais e culturais da civilização Maia. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as ruínas do local são um dos maiores legados arquitetônicos e culturais dos povos pré-colombianos da América Central.

A maioria dos turistas opta por se hospedar em Flores e passar o dia em Tikal. Como estávamos cansados, decidimos ficar duas noites em um dos três hotéis localizados dentro do complexo, o Tikal Inn. O serviço do hotel deixou muito a desejar. Fora o fato de estar ao lado do parque, não há vantagem alguma em se hospedar por lá.

O parque arqueológico fica aberto das 6 às 18h e os tours mais recomendados são para ver o nascer do dia ou o pôr do sol. A entrada custa USD22 e você pode ficar lá por quantas horas quiser. O passeio é feito com um guia e eles te dão uma aula completa sobre cada pirâmide e ruína do local.

Encerrar a viagem em Tikal valeu muito a pena. Terminamos a nossa jornada com a sensação de termos explorado um pouco de tudo que a Guatemala tem a nos oferecer. A bagagem voltou muito mais pesada do que quando desembarcamos por lá, só que ao invés de lembrancinhas e artesanatos típicos, trouxemos muito aprendizado. E isso, não tem quem tire de nós, não é?

P.s: Escrevi e publiquei o post usando apenas o app da WordPress para iphone, que não me permite inserir legendas nas fotos… 😦 consertarei assim que tiver acesso a um computador.

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Aqueles que não pedem pra sair

Dizem que os amigos de infância são os únicos que realmente nos conhecem, pois nos viram crescer. Os amigos de intercâmbio deveriam fazer parte do mesmo grupo. Porque morar fora é – como eu já disse certa vez – dar luz a um novo "eu", é ser mãe e pai de si próprio.

Os amigos que também são imigrantes, acompanham o nosso renascimento. Eles nos observam enquanto a gente se recria, sem pai e mãe ao lado pra educar e dizer se tá certo ou errado. Ou pra fazer curativos quando a gente quebra a cara. E a gente quebra demais, né?

O amigo imigrante é aquele que segura as nossas maiores barras, porque os problemas agora são reais e o tempo passa voando. Ainda ontem era 2012!

Ninguém chora porque quer sair e a mãe não deixa. A gente chora porque não pode estar ao lado da mãe doente, do pai com problemas financeiros, dos amigos antigos. Choramos porque a gente perde a chance de nos despedir de quem nos deixa e de dar boas vindas a quem acabou de vir ao mundo. Quantos natais ao lado da família, casamentos, batizados, aniversários você perdeu?

Choramos porque falta dinheiro, falta trabalho, falta paciência, falta o colo dos avós. Choramos porque a gente achou que seria mais fácil; porque a língua é complicada, porque a cultura é estranha. Porque confiamos em alguém que nos passou a perna e tudo parece dar errado.

Choramos porque queremos ficar e, muitas vezes, parece impossível. Quem nunca? A gente chora porque mesmo chegando tão longe, acha que não chegou a lugar algum.

E, nessas horas, o seu novo amigo de infância te acolhe. Te relembra passo a passo o quanto você cresceu, tudo o que conquistou e o que ainda está ao seu alcance. O amigo imigrante sabe de verdade o que você sente. Ele não está só te confortando. Ele tem as mesmas saudades, as mesmas dúvidas e angústias. Ele está – ou em algum momento esteve – tão perdido quanto você. E é por isso que a vida se encarregou de te apresentá-lo.

A gente também chora de alegria. Com o visto que foi aprovado, com o primeiro emprego naquela cafeteria quando a gente mal falava a língua; choramos com a conquista de um diploma no exterior, com o pedido de casamento inesperado. Choramos com a ligação pra contar que a vaga naquela empresa dos sonhos é sua ou quando a amiga compra o seu primeiro apartamento. Choramos quando o teste dá positivo e uma nova vida está a caminho. E a nossa família aqui fora vai aumentando.

Nessa montanha-russa que a gente vive quando decide morar fora, muitos vão pensar em desistir dezenas de vezes, até que os altos e baixos deixem de assustá-los. Não é que tudo se torna mais fácil, mas a gente sabe que tem uma mão ali ao lado pra nos amparar. E isso conforta.

São os amigos que ficam e, que sentam bem pertinho de você nessa jornada – aqueles que não pedem pra sair e não te abandonam quando a montanha-russa dá umas voltas de ré, ou quando você não está lá no topo, mas sim, parado lá embaixo -, que tornam a vida de imigrante menos solitária, muito menos assustadora e muito mais gostosa.

Obrigada, meus amores. Eu já teria descido há muito tempo se não fossem vocês.

Um dia eu sonhei com tudo isso


Num dia frio no inverno de 2013, eu disse ao meu amigo Mateus que iria para a Ásia. Assim, do nada. Nem falávamos sobre sonhos ou viagens. Falei porque aquilo não me saía da cabeça. 
Eu não sabia como chegaria lá, pois naquela época o dinheiro era contado. Ainda não fazia ideia de como realizaria o meu sonho de conhecer o Camboja. Mas eu sabia que um dia o realizaria. Anos antes, eu havia sonhado em morar fora. E lá estava eu completamente apaixonada pelo Canadá. 

Um ano e meio depois, em Março de 2015, escrevi um texto sobre a experiência de morar fora. E ele foi se espalhando pelo mundo… Foi lido por brasileiros na Europa, na Austrália, na América Central, na Ásia… em lugares que eu jamais imaginei alcançar. De alguma forma, eu já havia chegado lá. Eu havia ido muito mais longe. 

Foi aquele texto que me trouxe os primeiros “trocados” através do blog. E foi com aqueles trocados que eu consegui comprar a passagem pra Tailândia, Vietnã e Camboja. Foi o texto que me trouxe novos amigos, novas oportunidades e o meu velho amor, hoje marido. Foi naquele março, sentada num ônibus, que eu escrevi algo capaz de atingir milhares de pessoas. 

Mais importante do que se tornar viral, aquele texto me fez perceber que eu era capaz de conquistar o mundo – one step at a time. Eu só precisava acreditar na minha capacidade de ir mais longe. De chegar em qualquer lugar do mundo. 

Eu sou do time que não tem medo de quebrar a cara. E com a minha cara de pau eu já consegui muitas coisas nessa vida. De nada vale sonhar, reclamar, chorar, rezar, pedir muito algo se você não acreditar que pode e, se você não arriscar. 

Não planeje tanto, não pense no que poderia dar errado. Ficar parado sonhando já não é um erro gigantesco? Um dia eu sonhei com tudo isso. E não descansei enquanto “isso” não deixou de ser sonho. Go ahead. Take the next step. Just do it. 

Gente é bom demais

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017

Eu sou muito de observar, sabe? De vez em quando uso a desculpa de que isso é hábito de jornalista que quer estar a par de tudo. Na verdade, eu uso essa desculpa sempre. Balela, eu sou é curiosa ao extremo. E isso não muda nem que exista um rehab à altura daquele no qual a Britney Spears se internou em 2007, atuando na causa. 

Já que estou sendo 90% sincera, bora logo admitir que também não quero mudar. Não vejo graça em não ser curiosa. Meu instinto me diz que jamais vou mudar e que continuarei pagando pra ver – sem esperar pelo troco. Eu fico pobre, mas fico sabendo das coisas. That’s ok. 

Eu ando na rua observando as pessoas, numa pegada meio Esquadros, de Adriana Calcanhoto, mas sem temperar com toda aquela melancolia, porque ninguém merece, né? 

Eu gosto de gente. De ver gente. De falar com gente. De ouvir gente. De entender – nem que seja um pouco – gente. Das cores da gente. Da cultura. Dos hábitos. Eu gosto de saber o que faz certo tipo de gente seguir em frente e o que faria essa gente pausar. 

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017
No Brasil, eu gostava de ficar em silêncio para ouvir o som do mar. No Canadá, ainda hoje eu paro para observar os flocos de neve cobrindo as ruas de branco, as árvores que se vestem diferente a cada estação ou paro para tomar um café, pensar na vida e observar as pessoas ao meu redor 

 Na Tailândia eu parei e fiquei em completo silêncio quando ouvi pela primeira vez o som dos bichos nos arrozais. Uma paz sem tamanho. O canto dos grilos, dos sapos e aquela imensidão de verde, mais nada. 

Chiang Mai, Tailândia, julho de 2015


No Camboja, gastei dias observando a pobreza daquele povo e como as crianças eram felizes com pouquíssimo. Não havia silêncio de dia e sim, muito barulho. Parei para observar o comportamento dos monges e a paz que eles transmitem. 

Phnom Penh, Camboja, agosto 2015

No Vietnã, apertei o botão pause quando vi a beleza das tribos que vivem em Sapa, nas montanhas. A coisa mais linda do universo. 

Sapa, Vietnã, setembro 2015

Nos Estados Unidos eu parei para observar de tudo! A loucura que é New York, a beleza do canal que corta Chicago, os sonhos que se tornam realidade na Disney, a beleza das montanhas na Califórnia. Mas o cair da noite no deserto foi o que me tirou o fôlego. Que espetáculo, putaqueopariu mermão! 

Joshua Tree, Califórnia, fev. 2017

No México, eu paro a todo instante para sorrir para as pessoas, porque elas vivem sorrindo de volta. Dá vontade de abraçar todo mundo que encontro. 

E nas minhas andanças pelo mundo, quanto mais gente eu observo, mais apaixonada pela vida eu fico. 

Se tem uma coisa que vale muito a pena nessa vida é ver gente: diferente de mim, diferente de você, diferente de todo o mundo. Gente como a gente, mas bem diferente, entende?

Gente é bom demais. 

Nós dois, duas malas e quatro países 

Depois das férias de um mês e meio que se estenderam por 9 meses no Brasil, voltamos ao Canadá no final de janeiro. Uma passagem beeem rápida pelo inverno canadense! 

Ficamos em Toronto por apenas duas semanas – tempo suficiente para resolver algumas pendências, organizar as nossas coisas, rever os amigos e perceber que não estávamos muito afim de curtir o frio. No dia 8 de fevereiro partimos para Los Angeles, Califórnia, e lá ficamos por 10 dias. Eu já sabia que ia amar aquele canto do mundo, óbvio. Quem não gosta da Califa, gente? 

Os famosos coqueiros
LACMA – vale a pena a visita ao museu
Sou daquelas que não resiste a uma parede cheia de rabiscos. Essa aqui é no Café Gratitude, um vegano maravilhoso em LA
 

Não escolhemos Los Angeles à toa. O Marc quueria participar de uma conferência de investidores que aconteceria na cidade no dia 15 e, como ainda não conhecíamos a Califórnia, saímos de Toronto com apenas a passagem de ida. 

Santa Mônica Píer
Runyon Canyon, trilha queridinha dos famosos pelas montanhas de Hollywood. A vista é sensacional!
Pink Wall na loja Paul Smith, localizada na Melrose Ave.


The Last Bookstore, em downtown de Los Angeles. Se você é louco por livros, vai morrer de amores por esta livraria

Cactos e Joshua trees

Além de explorar Los Angeles, passamos dois dias no deserto. Dirigimos por mais ou menos duas horas até Joshua Tree – o cenário durante o percurso é de tirar o fôlego! Foi uma experiência completamente diferente de tudo que já havíamos feito. Você se sente num daqueles filmes de faroeste estrelados por John Wayne! 

Pagamos $25 para entrar no Parque Nacional de Joshua Tree e o ticket dá direito a retorno por sete dias
Aritta, a rainha do deserto
O parque é imenso e oferece muitas trilhas! Fizemos uma de 6km subindo uma montanha até chegarmos numa mina desativada
Ventava bastante nesse dia e na sombra fazia um friozinho. À noite faz muito frio no deserto.
Nos apaixonamos por Joshua Tree, que fica bem perto de Palm Springs, outra cidadezinha bem famosa perto de LA. A casa na qual ficamos foi um achado, pois desde que apareceu em um editorial de moda da Vogue (só ficamos sabendo disso depois) vive ocupada. Apesar de super simples, a cabine era a coisa mais charmosa do mundo! O único problema era ir ao banheiro de madrugada, já que ele ficava do lado de fora e eu sou do tipo que morre de medo do escuro. E já que mencionei a nossa casa…

Airbnb é vida

Como faz muito tempo que não atualizo os leitores sobre o meu paradeiro, acabei nem comentando sobre o nosso vício em Airbnb. Pra quem não conhece, é um aplicativo no qual você acha quartos ou casas/apts com preços muito mais em conta do que hotéis. Você lê os comentários de quem já se hospedou nos locais e consegue ter uma boa ideia sobre a qualidade, conforto e segurança do local. Acho muito mais legal do que ficar em hotéis pois me sinto “em casa”. Além disso, para quem não se importa em se hospedar na casa de alguém, a interação entre o hóspede e o dono da casa pode ser mais uma vantagem em relação aos hotéis. 

Já alugamos somente quartos e também casas só pra nós e nunca tivemos problemas! Farei um post só sobre as nossas experiências com Airbnb no Brasil, Canadá, Estados Unidos e México. 

A nossa cabine no meio do deserto
Já pode voltar? Dêem uma olhada na vista que a gente tinha ao acordar
Posando de blogueira, né?
Me apaixonei pelos detalhes na decoração da casa
Aproveitamos que estávamos no paraíso e na manhã do dia 14 –  meu aniversário – renovamos os votos de casamento e fizemos as fotos no Parque Nacional de Joshua Tree. 

Dia super especial!
Aqui, estávamos num dos pontos mais altos do parque, de onde se tem a melhor vista. Pensem num vento frio?


Recapitulando: ao chegar nos EUA ficamos 4 dias em Los Angeles, num airbnb bem pertinho de Hollywood. No quinto dia, partimos pra Joshua Tree, no deserto californiano, onde ficamos até o dia 14. Voltamos pra LA e ficamos num airbnb em Venice Beach. 

Venice Beach
Santa Mônica

Passamos mais 4 noites em Los Angeles e seguimos pra Las Vegas (que não estava nos planos, mas eu nem lembro por qual motivo acabamos indo parar lá hahaha). Ficamos 4 dias naquela loucura (a cidade é linda, mas eu tô muito velha pra toda aquele furdunço). Fizemos um tour de helicóptero para o Grand Canyon, que estava na minha lista de lugares que eu queria muito conhecer, e eu quase tive um ataque do coração quando o Marc me disse que iríamos pra lá! É ainda mais lindo do que eu imaginava. 


 

Tequila e Mariachis 

Na nossa última noite em Vegas, discutimos sobre o que faríamos nos próximos dias e para onde seguiríamos. Não chegamos num consenso – o Marc queria seguir para Utah – e eu queria conhecer San Diego e San Francisco – então, compramos passagens aéreas para Guadalajara, no México. Tudo a ver, né? 

Grand Canyon e México: dois sonhos realizados no mesmo dia! 

Centro Histórico de Guadalajara
Centro Histórico de Guadalajara
Há muitas esculturas e instalações de arte espalhadas nas praças do centro histórico
Enquanto escrevo esse texto, estou sentada no terraço da casa que alugamos aqui na segunda maior cidade do México. Vejam que fofa, apesar de bem simples… 

A dona dessa casa é Canadense e se mudou pra ca há 6 anos. Alugamos a casa inteira e ficamos aqui até meados de março
Escritório

Eu sempre quis conhecer o país! Sou apaixonada pela cultura, pelo colorido e pela comida mexicana… tem coisa mais gostosa do que tacos e guacamole gente? E o preço das coisas? Tudo muuuito barato: comida, transporte, aluguel…. Chocada! 
Mercado San Juan de Dios, o maior mercado de Guadalajara. Fiquei louca com o tanto de coisa que a gente encontra lá
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
Aliás, esqueça tudo que te ensinaram sobre comida mexicana. Fiquei chocada na primeira noite que saímos para jantar! 

Eu não conhecia quase nada do cardápio além de tacos e quesadilla, que por sinal são completamente diferentes da comida mexicana que a gente come no resto do mundo. Fiquei uns 20 minutos analisando o cardápio e passei o maior sufoco pra pedir a comida. No final das contas, deu tudo certo (fora as tortillas que a gente não esperava serem suuuuuper picantes). 

Ainda não temos uma data pra voltar pro Canadá. O Marc tem a sorte de poder trabalhar de qualquer canto do mundo e, enquanto não fincamos raízes em um só lugar, continuo fazendo alguns freelas e tentando focar no blog, que anda muito abandonado. Vamos ficar aqui mais umas semanas, pelo menos até o meio de março. Quando sentirmos que é hora de irmos para outro lugar, a gente discute as possibilidades por alguns minutos e, se não chegarmos a um consenso, giramos o globo e seguimos pra onde o dedo apontar.

Sorry pelo post gigantesco!
¡Hasta luego! 

A dor 

  
Ela não tinha caído e ralado o joelho como tantas outras vezes. Não havia o menor sinal de machucado, nem mesmo um pedacinho de carne roxo que pudesse justificar a maldita dor. Procurou minuciosamente em cada parte do corpo por pistas que pudessem explicar aquele desconforto maldito. Não encontrou. 

Resolveu tomar um banho morno, a fim de se lavar – e livrar – do incômodo. 

Foi justo quando os primeiros pingos d’água tocaram a sua espinha que ela encontrou a resposta que tanto procurava: a dor doía na alma.

E, pra dor de se tornar gente grande, não há analgésico que dê jeito… 

Canadá facilitará a entrada de turistas brasileiros no país


Brasileiros que adiavam a visita ao Canadá por conta da burocracia dos vistos, já podem tirar os casacos do armário, dar uma lavadinha pra tirar o cheiro do mofo e começar a arrumar as malas. A partir de março de 2016, aqueles que possuem o visto americano em dia ou que já obtiveram o visto canadense nos últimos dez anos, não precisarão aplicar para o visto de turista, antes exigido para a entrada no país. Eba!!!!

O visto será substituído pelo Canada’s Eletronic Travel Authorization (eTA), um documento emitido online após o preenchimento de um formulário e o pagamento de uma taxa no valor de $7. Beeemm mais barato e prático! Ah, e o melhor: na maioria dos casos, a autorização será emitida alguns minutos depois que você finalizar todo o processo.

A nova regra, válida apenas para quem chega por via aérea,  faz parte do Plano de Ação Econômico de 2015 e visa impulsionar o crescimento econômico do país, abrindo as portas para viajantes considerados de “baixo risco”. Além do Brasil, a Bulgária e o México entram na nova regra.

Mais informações podem ser encontradas no site da imigração:

http://www.cic.gc.ca/english/department/acts-regulations/forward-regulatory-plan/eta-expansion.asp

E ai, quem vem???