Aqueles que não pedem pra sair

Dizem que os amigos de infância são os únicos que realmente nos conhecem, pois nos viram crescer. Os amigos de intercâmbio deveriam fazer parte do mesmo grupo. Porque morar fora é – como eu já disse certa vez – dar luz a um novo "eu", é ser mãe e pai de si próprio.

Os amigos que também são imigrantes, acompanham o nosso renascimento. Eles nos observam enquanto a gente se recria, sem pai e mãe ao lado pra educar e dizer se tá certo ou errado. Ou pra fazer curativos quando a gente quebra a cara. E a gente quebra demais, né?

O amigo imigrante é aquele que segura as nossas maiores barras, porque os problemas agora são reais e o tempo passa voando. Ainda ontem era 2012!

Ninguém chora porque quer sair e a mãe não deixa. A gente chora porque não pode estar ao lado da mãe doente, do pai com problemas financeiros, dos amigos antigos. Choramos porque a gente perde a chance de nos despedir de quem nos deixa e de dar boas vindas a quem acabou de vir ao mundo. Quantos natais ao lado da família, casamentos, batizados, aniversários você perdeu?

Choramos porque falta dinheiro, falta trabalho, falta paciência, falta o colo dos avós. Choramos porque a gente achou que seria mais fácil; porque a língua é complicada, porque a cultura é estranha. Porque confiamos em alguém que nos passou a perna e tudo parece dar errado.

Choramos porque queremos ficar e, muitas vezes, parece impossível. Quem nunca? A gente chora porque mesmo chegando tão longe, acha que não chegou a lugar algum.

E, nessas horas, o seu novo amigo de infância te acolhe. Te relembra passo a passo o quanto você cresceu, tudo o que conquistou e o que ainda está ao seu alcance. O amigo imigrante sabe de verdade o que você sente. Ele não está só te confortando. Ele tem as mesmas saudades, as mesmas dúvidas e angústias. Ele está – ou em algum momento esteve – tão perdido quanto você. E é por isso que a vida se encarregou de te apresentá-lo.

A gente também chora de alegria. Com o visto que foi aprovado, com o primeiro emprego naquela cafeteria quando a gente mal falava a língua; choramos com a conquista de um diploma no exterior, com o pedido de casamento inesperado. Choramos com a ligação pra contar que a vaga naquela empresa dos sonhos é sua ou quando a amiga compra o seu primeiro apartamento. Choramos quando o teste dá positivo e uma nova vida está a caminho. E a nossa família aqui fora vai aumentando.

Nessa montanha-russa que a gente vive quando decide morar fora, muitos vão pensar em desistir dezenas de vezes, até que os altos e baixos deixem de assustá-los. Não é que tudo se torna mais fácil, mas a gente sabe que tem uma mão ali ao lado pra nos amparar. E isso conforta.

São os amigos que ficam e, que sentam bem pertinho de você nessa jornada – aqueles que não pedem pra sair e não te abandonam quando a montanha-russa dá umas voltas de ré, ou quando você não está lá no topo, mas sim, parado lá embaixo -, que tornam a vida de imigrante menos solitária, muito menos assustadora e muito mais gostosa.

Obrigada, meus amores. Eu já teria descido há muito tempo se não fossem vocês.

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Um dia eu sonhei com tudo isso


Num dia frio no inverno de 2013, eu disse ao meu amigo Mateus que iria para a Ásia. Assim, do nada. Nem falávamos sobre sonhos ou viagens. Falei porque aquilo não me saía da cabeça. 
Eu não sabia como chegaria lá, pois naquela época o dinheiro era contado. Ainda não fazia ideia de como realizaria o meu sonho de conhecer o Camboja. Mas eu sabia que um dia o realizaria. Anos antes, eu havia sonhado em morar fora. E lá estava eu completamente apaixonada pelo Canadá. 

Um ano e meio depois, em Março de 2015, escrevi um texto sobre a experiência de morar fora. E ele foi se espalhando pelo mundo… Foi lido por brasileiros na Europa, na Austrália, na América Central, na Ásia… em lugares que eu jamais imaginei alcançar. De alguma forma, eu já havia chegado lá. Eu havia ido muito mais longe. 

Foi aquele texto que me trouxe os primeiros “trocados” através do blog. E foi com aqueles trocados que eu consegui comprar a passagem pra Tailândia, Vietnã e Camboja. Foi o texto que me trouxe novos amigos, novas oportunidades e o meu velho amor, hoje marido. Foi naquele março, sentada num ônibus, que eu escrevi algo capaz de atingir milhares de pessoas. 

Mais importante do que se tornar viral, aquele texto me fez perceber que eu era capaz de conquistar o mundo – one step at a time. Eu só precisava acreditar na minha capacidade de ir mais longe. De chegar em qualquer lugar do mundo. 

Eu sou do time que não tem medo de quebrar a cara. E com a minha cara de pau eu já consegui muitas coisas nessa vida. De nada vale sonhar, reclamar, chorar, rezar, pedir muito algo se você não acreditar que pode e, se você não arriscar. 

Não planeje tanto, não pense no que poderia dar errado. Ficar parado sonhando já não é um erro gigantesco? Um dia eu sonhei com tudo isso. E não descansei enquanto “isso” não deixou de ser sonho. Go ahead. Take the next step. Just do it. 

Gente é bom demais

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017

Eu sou muito de observar, sabe? De vez em quando uso a desculpa de que isso é hábito de jornalista que quer estar a par de tudo. Na verdade, eu uso essa desculpa sempre. Balela, eu sou é curiosa ao extremo. E isso não muda nem que exista um rehab à altura daquele no qual a Britney Spears se internou em 2007, atuando na causa. 

Já que estou sendo 90% sincera, bora logo admitir que também não quero mudar. Não vejo graça em não ser curiosa. Meu instinto me diz que jamais vou mudar e que continuarei pagando pra ver – sem esperar pelo troco. Eu fico pobre, mas fico sabendo das coisas. That’s ok. 

Eu ando na rua observando as pessoas, numa pegada meio Esquadros, de Adriana Calcanhoto, mas sem temperar com toda aquela melancolia, porque ninguém merece, né? 

Eu gosto de gente. De ver gente. De falar com gente. De ouvir gente. De entender – nem que seja um pouco – gente. Das cores da gente. Da cultura. Dos hábitos. Eu gosto de saber o que faz certo tipo de gente seguir em frente e o que faria essa gente pausar. 

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017
No Brasil, eu gostava de ficar em silêncio para ouvir o som do mar. No Canadá, ainda hoje eu paro para observar os flocos de neve cobrindo as ruas de branco, as árvores que se vestem diferente a cada estação ou paro para tomar um café, pensar na vida e observar as pessoas ao meu redor 

 Na Tailândia eu parei e fiquei em completo silêncio quando ouvi pela primeira vez o som dos bichos nos arrozais. Uma paz sem tamanho. O canto dos grilos, dos sapos e aquela imensidão de verde, mais nada. 

Chiang Mai, Tailândia, julho de 2015


No Camboja, gastei dias observando a pobreza daquele povo e como as crianças eram felizes com pouquíssimo. Não havia silêncio de dia e sim, muito barulho. Parei para observar o comportamento dos monges e a paz que eles transmitem. 

Phnom Penh, Camboja, agosto 2015

No Vietnã, apertei o botão pause quando vi a beleza das tribos que vivem em Sapa, nas montanhas. A coisa mais linda do universo. 

Sapa, Vietnã, setembro 2015

Nos Estados Unidos eu parei para observar de tudo! A loucura que é New York, a beleza do canal que corta Chicago, os sonhos que se tornam realidade na Disney, a beleza das montanhas na Califórnia. Mas o cair da noite no deserto foi o que me tirou o fôlego. Que espetáculo, putaqueopariu mermão! 

Joshua Tree, Califórnia, fev. 2017

No México, eu paro a todo instante para sorrir para as pessoas, porque elas vivem sorrindo de volta. Dá vontade de abraçar todo mundo que encontro. 

E nas minhas andanças pelo mundo, quanto mais gente eu observo, mais apaixonada pela vida eu fico. 

Se tem uma coisa que vale muito a pena nessa vida é ver gente: diferente de mim, diferente de você, diferente de todo o mundo. Gente como a gente, mas bem diferente, entende?

Gente é bom demais. 

Nós dois, duas malas e quatro países 

Depois das férias de um mês e meio que se estenderam por 9 meses no Brasil, voltamos ao Canadá no final de janeiro. Uma passagem beeem rápida pelo inverno canadense! 

Ficamos em Toronto por apenas duas semanas – tempo suficiente para resolver algumas pendências, organizar as nossas coisas, rever os amigos e perceber que não estávamos muito afim de curtir o frio. No dia 8 de fevereiro partimos para Los Angeles, Califórnia, e lá ficamos por 10 dias. Eu já sabia que ia amar aquele canto do mundo, óbvio. Quem não gosta da Califa, gente? 

Os famosos coqueiros
LACMA – vale a pena a visita ao museu
Sou daquelas que não resiste a uma parede cheia de rabiscos. Essa aqui é no Café Gratitude, um vegano maravilhoso em LA
 

Não escolhemos Los Angeles à toa. O Marc quueria participar de uma conferência de investidores que aconteceria na cidade no dia 15 e, como ainda não conhecíamos a Califórnia, saímos de Toronto com apenas a passagem de ida. 

Santa Mônica Píer
Runyon Canyon, trilha queridinha dos famosos pelas montanhas de Hollywood. A vista é sensacional!
Pink Wall na loja Paul Smith, localizada na Melrose Ave.


The Last Bookstore, em downtown de Los Angeles. Se você é louco por livros, vai morrer de amores por esta livraria

Cactos e Joshua trees

Além de explorar Los Angeles, passamos dois dias no deserto. Dirigimos por mais ou menos duas horas até Joshua Tree – o cenário durante o percurso é de tirar o fôlego! Foi uma experiência completamente diferente de tudo que já havíamos feito. Você se sente num daqueles filmes de faroeste estrelados por John Wayne! 

Pagamos $25 para entrar no Parque Nacional de Joshua Tree e o ticket dá direito a retorno por sete dias
Aritta, a rainha do deserto
O parque é imenso e oferece muitas trilhas! Fizemos uma de 6km subindo uma montanha até chegarmos numa mina desativada
Ventava bastante nesse dia e na sombra fazia um friozinho. À noite faz muito frio no deserto.
Nos apaixonamos por Joshua Tree, que fica bem perto de Palm Springs, outra cidadezinha bem famosa perto de LA. A casa na qual ficamos foi um achado, pois desde que apareceu em um editorial de moda da Vogue (só ficamos sabendo disso depois) vive ocupada. Apesar de super simples, a cabine era a coisa mais charmosa do mundo! O único problema era ir ao banheiro de madrugada, já que ele ficava do lado de fora e eu sou do tipo que morre de medo do escuro. E já que mencionei a nossa casa…

Airbnb é vida

Como faz muito tempo que não atualizo os leitores sobre o meu paradeiro, acabei nem comentando sobre o nosso vício em Airbnb. Pra quem não conhece, é um aplicativo no qual você acha quartos ou casas/apts com preços muito mais em conta do que hotéis. Você lê os comentários de quem já se hospedou nos locais e consegue ter uma boa ideia sobre a qualidade, conforto e segurança do local. Acho muito mais legal do que ficar em hotéis pois me sinto “em casa”. Além disso, para quem não se importa em se hospedar na casa de alguém, a interação entre o hóspede e o dono da casa pode ser mais uma vantagem em relação aos hotéis. 

Já alugamos somente quartos e também casas só pra nós e nunca tivemos problemas! Farei um post só sobre as nossas experiências com Airbnb no Brasil, Canadá, Estados Unidos e México. 

A nossa cabine no meio do deserto
Já pode voltar? Dêem uma olhada na vista que a gente tinha ao acordar
Posando de blogueira, né?
Me apaixonei pelos detalhes na decoração da casa
Aproveitamos que estávamos no paraíso e na manhã do dia 14 –  meu aniversário – renovamos os votos de casamento e fizemos as fotos no Parque Nacional de Joshua Tree. 

Dia super especial!
Aqui, estávamos num dos pontos mais altos do parque, de onde se tem a melhor vista. Pensem num vento frio?


Recapitulando: ao chegar nos EUA ficamos 4 dias em Los Angeles, num airbnb bem pertinho de Hollywood. No quinto dia, partimos pra Joshua Tree, no deserto californiano, onde ficamos até o dia 14. Voltamos pra LA e ficamos num airbnb em Venice Beach. 

Venice Beach
Santa Mônica

Passamos mais 4 noites em Los Angeles e seguimos pra Las Vegas (que não estava nos planos, mas eu nem lembro por qual motivo acabamos indo parar lá hahaha). Ficamos 4 dias naquela loucura (a cidade é linda, mas eu tô muito velha pra toda aquele furdunço). Fizemos um tour de helicóptero para o Grand Canyon, que estava na minha lista de lugares que eu queria muito conhecer, e eu quase tive um ataque do coração quando o Marc me disse que iríamos pra lá! É ainda mais lindo do que eu imaginava. 


 

Tequila e Mariachis 

Na nossa última noite em Vegas, discutimos sobre o que faríamos nos próximos dias e para onde seguiríamos. Não chegamos num consenso – o Marc queria seguir para Utah – e eu queria conhecer San Diego e San Francisco – então, compramos passagens aéreas para Guadalajara, no México. Tudo a ver, né? 

Grand Canyon e México: dois sonhos realizados no mesmo dia! 

Centro Histórico de Guadalajara
Centro Histórico de Guadalajara
Há muitas esculturas e instalações de arte espalhadas nas praças do centro histórico
Enquanto escrevo esse texto, estou sentada no terraço da casa que alugamos aqui na segunda maior cidade do México. Vejam que fofa, apesar de bem simples… 

A dona dessa casa é Canadense e se mudou pra ca há 6 anos. Alugamos a casa inteira e ficamos aqui até meados de março
Escritório

Eu sempre quis conhecer o país! Sou apaixonada pela cultura, pelo colorido e pela comida mexicana… tem coisa mais gostosa do que tacos e guacamole gente? E o preço das coisas? Tudo muuuito barato: comida, transporte, aluguel…. Chocada! 
Mercado San Juan de Dios, o maior mercado de Guadalajara. Fiquei louca com o tanto de coisa que a gente encontra lá
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
Aliás, esqueça tudo que te ensinaram sobre comida mexicana. Fiquei chocada na primeira noite que saímos para jantar! 

Eu não conhecia quase nada do cardápio além de tacos e quesadilla, que por sinal são completamente diferentes da comida mexicana que a gente come no resto do mundo. Fiquei uns 20 minutos analisando o cardápio e passei o maior sufoco pra pedir a comida. No final das contas, deu tudo certo (fora as tortillas que a gente não esperava serem suuuuuper picantes). 

Ainda não temos uma data pra voltar pro Canadá. O Marc tem a sorte de poder trabalhar de qualquer canto do mundo e, enquanto não fincamos raízes em um só lugar, continuo fazendo alguns freelas e tentando focar no blog, que anda muito abandonado. Vamos ficar aqui mais umas semanas, pelo menos até o meio de março. Quando sentirmos que é hora de irmos para outro lugar, a gente discute as possibilidades por alguns minutos e, se não chegarmos a um consenso, giramos o globo e seguimos pra onde o dedo apontar.

Sorry pelo post gigantesco!
¡Hasta luego! 

A dor 

  
Ela não tinha caído e ralado o joelho como tantas outras vezes. Não havia o menor sinal de machucado, nem mesmo um pedacinho de carne roxo que pudesse justificar a maldita dor. Procurou minuciosamente em cada parte do corpo por pistas que pudessem explicar aquele desconforto maldito. Não encontrou. 

Resolveu tomar um banho morno, a fim de se lavar – e livrar – do incômodo. 

Foi justo quando os primeiros pingos d’água tocaram a sua espinha que ela encontrou a resposta que tanto procurava: a dor doía na alma.

E, pra dor de se tornar gente grande, não há analgésico que dê jeito… 

Canadá facilitará a entrada de turistas brasileiros no país


Brasileiros que adiavam a visita ao Canadá por conta da burocracia dos vistos, já podem tirar os casacos do armário, dar uma lavadinha pra tirar o cheiro do mofo e começar a arrumar as malas. A partir de março de 2016, aqueles que possuem o visto americano em dia ou que já obtiveram o visto canadense nos últimos dez anos, não precisarão aplicar para o visto de turista, antes exigido para a entrada no país. Eba!!!!

O visto será substituído pelo Canada’s Eletronic Travel Authorization (eTA), um documento emitido online após o preenchimento de um formulário e o pagamento de uma taxa no valor de $7. Beeemm mais barato e prático! Ah, e o melhor: na maioria dos casos, a autorização será emitida alguns minutos depois que você finalizar todo o processo.

A nova regra, válida apenas para quem chega por via aérea,  faz parte do Plano de Ação Econômico de 2015 e visa impulsionar o crescimento econômico do país, abrindo as portas para viajantes considerados de “baixo risco”. Além do Brasil, a Bulgária e o México entram na nova regra.

Mais informações podem ser encontradas no site da imigração:

http://www.cic.gc.ca/english/department/acts-regulations/forward-regulatory-plan/eta-expansion.asp

E ai, quem vem???

Vietnã: o charme da agitada Hanói e as belas montanhas de Sapa

Oi pessoas,

Voltei! Bom, já cheguei há alguns dias. Porém, retornei bem no comecinho das minhas aulas no college e gastei alguns dias reorganizando a minha vida após viajar por 5 semanas.

Durante a viagem eu não tive muitas chances de escrever com calma aqui no blog. Além de estar sempre na correria, na maioria das vezes eu só conseguia wifi nos restaurantes e hotéis – e nesses lugares, ou eu tava faminta, ou muuuito cansada.

Depois de viajar por 18 dias na Tailândia e por duas semanas no Camboja, segui para o Vietnã, onde fiquei por apenas uma semana – o suficiente para que eu morresse de amores pelo povo e pelas paisagens do país.

Primeiro contato com o Vietnã: o patriotismo explícito nas bandeiras e o vai-e-vem de motos em Hanói

Peguei um voo de Siem Reap, no Camboja, para Hanói, capital do Vietnã. O voo entre os dois países custou $160 e teve a duração de menos de duas horas. Passei um sufoco no aeroporto e quase fiquei sem embarcar. Aqueles que me acompanham no face devem ter lido o meu relato. Eu não fiz a minha pesquisa antes de comprar a passagem e achei que o visto para o Vietnã fosse emitido no próprio aeroporto, como é feito no Camboja (brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia, mas precisam mostrar a carteirinha de vacinação com a vacina de febre amarela em dia).

Para pegar o visto vietnamita, você precisa preencher um formulário online com alguns dias de antecedência, pagar uma taxa de mais ou menos $20 e esperar dois dias por uma carta de aprovação. Essa carta deve ser entregue no desembarque, com o pagamento de mais uma taxa de $45 para que você receba o visto. Eu não tinha a carta e depois de muito chororô e confusão, paguei uma taxa altíssima de $180 e saí do Camboja já com o visto no meu passaporte. Portanto, não faça como eu. Pesquise tudo antes de ir de mala e cuia pro aeroporto crente que está pronta pra entrar no país dos outros hahaha.

Fiquei em um hotel chamado Madame Moon Guesthouse, bem simples, mas muuuito bem localizado. Fica no centro de Hanói, no chamado Old Quarter, onde ficam as lojas, bares e restaurantes badalados da cidade. A diária custou 20 dólares.

A influência francesa, fruto da ocupação do país pela França no século 19, predomina na arquitetura de Hanói. As ruas estreitas com sobrados cobertos pelo vermelho da bandeira do Vietnã, são tomadas por milhares de motocicletas, carros e bicicletas que disputam espaço com pedestres e comerciantes. Atravessar a rua é uma verdadeira aventura.

Prepare-se para um post super longo! Não consegui conter o meu entusiasmo ao contar sobre a minha experiência no Vietnã e nem maneirar na quantidade de fotos! Sorry, mas eu quis reunir tudo em um só lugar.

Rua no centro de Hanói, capital do Vietnã

Quando ainda estava no Camboja, um amigo me contou sobre a Hanoi
Kids, uma organização que oferece guias de turismo sem cobrar valor algum. O principal objetivo é dar a oportunidade a crianças e adolescentes vietnamitas de praticarem inglês com os turistas e, assim, terem mais chances de conseguirem bons empregos no futuro. Enviei um e-mail e reservei a manhã no meu primeiro dia em Hanói para visitar o Museu de Etnologia  (entrada custa uns $2 e há desconto para quem tiver carteirinha de estudante).

Museu de Etnologia em Hanoi, vale super a pena visitar!

Fiquei encantada com o profissionalismo de Lê Minh que, com um inglês perfeito, me deu uma verdadeira aula sobre a história dos seus ancestrais e dos diversos grupos minoritários vietnamitas. Após o nosso tour pelo museu, ela me levou no Cong Caphe, uma cafeteria super charmosa, onde a decoração e o coconut coffee, um café com gostinho de coco, são as grandes estrelas do local. Ainda que você não seja fã de café, o que é o meu caso, super recomendo a visita. O país é famoso pelo seu café forte, encorpado e cremoso. Ahhhh, e no lugar do leite, na maioria das vezes eles usam o leite-condensado. Perdição!

À tarde dei uma volta pelo Old Quarter e enlouqueci com o preço dos produtos. É tudo muito barato! A conversão me dava a maior dor de cabeça, principalmente depois de ter passado pela Tailândia e pelo Camboja. Quando eu estava lá, $1 (dólar americano) valia VND 22.000 (dong vietnamita). Imagina alguém te falando que algo custava meio milhão de dongs…

Uma boa refeição com cerveja custava uma média de $6.

Táxis também são super baratos, mas em dias de muito trânsito você vai cogitar pegar um mototáxi, ou não vai chegar a lugar algum. No Vietnã, não vemos tuk-tuks como na Tailândia e no Camboja. Alguns rapazes oferecem te levar num carrinho puxado por eles numa bicicleta, mas eu não usei o serviço.

Principal meio de transporte dos vietnamitas
Hoan Kiem Lake, localizado no centro histórico de Hanói

Existe um mundo à parte nos vilarejos das montanhas de Sapa 

Como eu queria muito dividir o meu tempo no Vietnã entre Hanói e os pequenos vilarejos localizados nas montanhas, na mesma noite peguei um trem para Lao Cai (mais ou menos $35) e, após 7 horas, cheguei na pequena cidade, de onde uma van me levou para o meu tão esperado destino: Sapa.

Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, os locais em que mais aprendi e mais tive contato com a cultura do país foram as cidades pequenas e os vilarejos por onde passei. Eu queria ter a mesma experiência no Vietnã e não poderia ir embora sem conhecer o dia a dia de quem vive nas montanhas.

Antes de partir para a minha aventura em Sapa, fiz uma pesquisa em busca de opções seguras e acessíveis para mulheres que viajam sozinhas pelo Vietnã. Por indicação da Kiersten, do blog The Blonde Abroad, entrei em contato com a Hong, que ficou comigo nos três dias e me levou nos lugares mais lindos, fazendo com que a minha experiência  no local fosse a mais proveitosa possível.

Hong, a minha guia em Sapa, e as suas filhas

No primeiro dia passeamos pelo centro da cidade e fomos em algumas feirinhas, onde eu tive o primeiro contato com vietnamitas das tribos Black H’mong e Red Zao. Você os vê o tempo inteiro pela cidade, com suas vestimentas exóticas e bem coloridas. Podem ser facilmente identificados pelos acessórios e cores dominantes nas roupas. A primeira tribo veste-se de preto, enquanto a segunda usa lenços e bandanas vermelhas.

Uma mãe da tribo Black H´mong vende mel com o seu bebê em uma pracinha de Sapa
Os bebês são carregados sempre dessa forma e até quando as mães acompanham os turistas na trilhas, os pequenos vão grudado nas costas
Frutas, verduras, carnes e artesanatos são vendidos nas feiras ao ar livre em Sapa
Vendedoras de sticky rice, ou arroz grudado, famoso no Vietnã. O colorido é feito com corantes naturais extraídos de plantas. Come-se com recheio de manga ou com farelo de amendoim
Açougue a céu aberto

Depois de fazer um tour pelo centro de Sapa, montamos na motocicleta de Hong e subimos as montanhas em busca das cachoeiras da região.

O cenário é de tirar o fôlego…

Hong parava a moto nos melhores pontos para tirarmos foto com esse cenário que mais parece uma pintura
Morrendo de medo de cair da pedra haha
Thac Tinh Yeu, também conhecida como “Love Waterfall”
Paramos para comer espetinhos de porco com folhas de chuchu. Uma delícia!
No trajeto para as cachoeiras a gente encontra barracos como esse onde os nativos vendem artesanatos ou comidas



Homestay com famílias locais

No final da tarde do meu primeiro dia em Sapa, Hong me levou para a homestay onde eu passaria uma noite com uma família da tribo Red Zao, no pequeno vilarejo chamado Ta Phin. No percurso para o local, eu não parava de pensar no quanto eu era sortuda em ter a chance de ver e viver tudo aquilo. As fotos podem comprovar o quanto as paisagens são lindas, mas a energia do local é indescritível.

Homem caminha pelas montanhas carregando cesto que é usados para transportar artesanatos, comidas e até crianças
O verde dos arrozais muda de acordo com as estações e a quantidade de chuva na região. Eu fui na época de chuvas, quando as plantações estão cheinhas
Casal trabalha na colheita do arroz, abundante em toda a região

A casa de No May, a moça que me recebeu por uma noite, era bem simples, como todas as outras que ficam na mesma região. Mas, a generosidade e a atenção que ela, o marido e a filha Mayun dedicaram à mim naquele dia, foram maiores do que eu esperava.

May prepara o nosso jantar
Mayun, de 7 anos, observa a mãe
No jantar daquela noite, arroz , tofu frito, chuchu, porco e salada
May adoça com mel uma dose de “happy water” ou água feliz, bebida alcólica caseira feita de arroz e super comum no sudeste asiático. O gosto é forte como o da cachaça

Após o jantar, No May me perguntou se eu gostaria de tomar um banho de ervas preparado por ela. É uma tradição da tribo Red Zao para ”limpar o corpo das energias negativas”.

Caldeirão onde May ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas
Caldeirão onde ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas

Segundo ela, eu deveria entrar no barril com o banho de folhas e lá ficar por mais ou menos 20 minutos. Fui avisada de que a maioria das pessoas sente uma tontura ao sair do banho. Curiosa e sem acreditar que um simples banho me faria sentir algo diferente, entrei no barril e lá fiquei por mais ou menos 25 minutos.

O barril em que tomei o banho de ervas
O barril em que tomei o banho de ervas

A sensação é a mesma de estar em uma sauna, já que a água é bem quente. Não senti nada enquanto estava imersa no banho, porém, comecei a sentir muita tontura assim que saí do barril. Para vocês terem noção, eu não consegui me vestir e fui do banheiro pro quarto enrolada na toalha e com o corpo super cansado, pedindo cama. Dormi igual a um bebê por oito horas seguidas, o que era raro nos meus dias na Ásia, principalmente em áreas como aquela, onde o canto dos galos te acorda às 5 da manhã.

Mãe da tribo Red Dao caminha com o filho pelo pequeno vilarejo
Mãe da tribo Red Dao caminha pelos arrozais com o filho nas costas
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografassem
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografasse
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais

Na manhã seguinte, Hong me buscou na casa em que eu estava e me levou para um vilarejo chamado Lao Chai, do outro lado da montanha. Eu iria passar uma noite na casa de pessoas da tribo Black H´mong e teria contato com os costumes de um dos mais conhecidos grupos minoritários existentes em Sapa.

O vilarejo era bem mais agitado do que o anterior. Na casa em que fiquei, por exemplo, haviam outros quatro turistas, além da família que lá morava. A maioria dos moradores vive do turismo, seja recebendo turistas em suas casas ou guiando-os em trilhas pelas montanhas.

Na casa em que fiquei, a matriarca oferecia cursos de batik, a técnica de coloração e pintura em têxtil. No quintal funcionava uma pequena fábrica e na frente da casa, a lojinha onde eram vendidos os produtos produzidos pela família.

Máquina onde os fios de linho são entrelaçados
Matriarca ensina a técnica do batik aos turistas
Tecidos são tinturados…
….e depois expostos ao sol

Eu acabei esquecendo o nome de uma das irmãs que me levou para uma trilha de 4 horas nas montanhas. Como essa era a minha última semana na Ásia e eu já havia feito dezenas de trilhas, quase morri de cansaço com o sol a pino e o sobe e desce das ladeiras.

Caso decida visitar Sapa, prepare-se para explorar o local com os pés no chão. Programe-se para fazer trilhas, pois é muito mais divertido do que em motocicletas. E vale super a pena!

Apesar do cenário ser tão lindo quanto o do primeiro vilarejo em que fiquei, a enorme quantidade de turistas e a agressividade dos vendedores que, literalmente, te empurram os artesanatos, fez com que eu me decepcionasse um pouco com o local. Acho válido pesquisar os vilarejos onde a quantidade de turistas não é tão grande. Mas como o sudeste asiático é ainda um dos destinos mais baratos para visitarmos, vai ser cada vez mais difícil achar lugares ainda pouco explorados.

A quantidade de crianças nesse vilarejo era enorme
Algumas vezes elas irão te seguir, oferecendo produtos , ou melhor, implorando para que você compre algo. Sugiro que não compre nada, pois assim evitará que elas te sigam por todos os cantos e também que deixem de matar a aula para seguir os turistas
Menina estuda na porta de casa

Um bate e volta para conhecer Ha Long Bay 

Pra vocês terem uma noção do quão corridos eram os meus dias (só pra garantir que eu voltaria pra casa após ter visto todos os lugares que gostaria de ver), peguei um trem noturno de volta para Hanói às 9 da noite. Cheguei na capital por volta das 5 da manhã e, às 8 já estava em uma van que levaria para a cidade de Ha Long.

Foram quase 4 (!!!) horas de estrada com um grupo de turistas e depois um barco que nos levaria até a famosa baía onde ficam as enormes rochas no meio da água. O tempo não estava dos melhores, mas eu estava tão cansada de sol e com a pele tostada de tantas caminhadas sem protetor, que não me importei.

O local é mesmo lindo, mas já virou uma daquelas atrações turísticas que estão sempre lotadas de gente
Mesmo com o dia nublado, o cenário era lindo

Para visitar Ha Long Bay você tem duas opções: o passeio de um dia ou os cruzeiros nos quais você dorme no barco por dois ou três dias. Se você tiver tempo, ótimo. Mas, apesar de cansativo, acho que apenas algumas horinhas no local são suficientes.  É o tipo de lugar fotogênico, mas sem muito o que fazer.

O barco para em uma área onde podemos alugar caiaques ou essas jangadinha, guiadas por um dos nativos. Eu escolhi a segunda opção e o passeio deve ter durado uns 20 minutos

Ficamos na baía por mais ou menos umas duas horas e depois seguimos de volta para Hanói.

O passeio, que custa por volta de $30, inclui transfer do hotel até a cidade de Ha Long, almoço no barco e visita a uma caverna que fica em uma das ilhas

No meu último dia no Vietnã, pesquisei um bom restaurante na área em que estava hospedada e acabei indo no Green Tangerine, um restaurante francês-vietnamita suuuuper charmoso que fica ali no Old Quarter, onde tudo acontece.

Foi uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. Escolhi um combinado de entrada + prato principal + salada por mais ou menos $25 e amei tudo que pedi! O local fica em uma casa colonial com pátio pavimentado e decoração que mistura toques orientais e europeus.

Lasanha de peixe ao molho de vinho branco. No topo, mousse de parmesão, frutas vermelhas e manjericão

Os pratos, apesar de bem mais caros do que o normal no Vietnã, são lindos e deliciosos…

Crepe de mousse de chocolate com lichia e caramelo

O Vietnã é, com certeza, um país com uma vasta riqueza cultural e que oferece uma infinidade de opções para quem deseja explora-lo. Apesar de ter sido o meu último destino na viagem e, por conta disso, estar bem cansada, consegui ver tudo que desejava ver e me encantei com as pessoas e os locais que conheci em Sapa e em Hanói. Eu tive muita sorte de ter cruzado apenas com pessoas do bem que fizeram com que a minha viagem fosse ainda mais especial.

Voltarei em breve, Vietnã!