Vietnã: o charme da agitada Hanói e as belas montanhas de Sapa

Oi pessoas,

Voltei! Bom, já cheguei há alguns dias. Porém, retornei bem no comecinho das minhas aulas no college e gastei alguns dias reorganizando a minha vida após viajar por 5 semanas.

Durante a viagem eu não tive muitas chances de escrever com calma aqui no blog. Além de estar sempre na correria, na maioria das vezes eu só conseguia wifi nos restaurantes e hotéis – e nesses lugares, ou eu tava faminta, ou muuuito cansada.

Depois de viajar por 18 dias na Tailândia e por duas semanas no Camboja, segui para o Vietnã, onde fiquei por apenas uma semana – o suficiente para que eu morresse de amores pelo povo e pelas paisagens do país.

Primeiro contato com o Vietnã: o patriotismo explícito nas bandeiras e o vai-e-vem de motos em Hanói

Peguei um voo de Siem Reap, no Camboja, para Hanói, capital do Vietnã. O voo entre os dois países custou $160 e teve a duração de menos de duas horas. Passei um sufoco no aeroporto e quase fiquei sem embarcar. Aqueles que me acompanham no face devem ter lido o meu relato. Eu não fiz a minha pesquisa antes de comprar a passagem e achei que o visto para o Vietnã fosse emitido no próprio aeroporto, como é feito no Camboja (brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia, mas precisam mostrar a carteirinha de vacinação com a vacina de febre amarela em dia).

Para pegar o visto vietnamita, você precisa preencher um formulário online com alguns dias de antecedência, pagar uma taxa de mais ou menos $20 e esperar dois dias por uma carta de aprovação. Essa carta deve ser entregue no desembarque, com o pagamento de mais uma taxa de $45 para que você receba o visto. Eu não tinha a carta e depois de muito chororô e confusão, paguei uma taxa altíssima de $180 e saí do Camboja já com o visto no meu passaporte. Portanto, não faça como eu. Pesquise tudo antes de ir de mala e cuia pro aeroporto crente que está pronta pra entrar no país dos outros hahaha.

Fiquei em um hotel chamado Madame Moon Guesthouse, bem simples, mas muuuito bem localizado. Fica no centro de Hanói, no chamado Old Quarter, onde ficam as lojas, bares e restaurantes badalados da cidade. A diária custou 20 dólares.

A influência francesa, fruto da ocupação do país pela França no século 19, predomina na arquitetura de Hanói. As ruas estreitas com sobrados cobertos pelo vermelho da bandeira do Vietnã, são tomadas por milhares de motocicletas, carros e bicicletas que disputam espaço com pedestres e comerciantes. Atravessar a rua é uma verdadeira aventura.

Prepare-se para um post super longo! Não consegui conter o meu entusiasmo ao contar sobre a minha experiência no Vietnã e nem maneirar na quantidade de fotos! Sorry, mas eu quis reunir tudo em um só lugar.

Rua no centro de Hanói, capital do Vietnã

Quando ainda estava no Camboja, um amigo me contou sobre a Hanoi
Kids, uma organização que oferece guias de turismo sem cobrar valor algum. O principal objetivo é dar a oportunidade a crianças e adolescentes vietnamitas de praticarem inglês com os turistas e, assim, terem mais chances de conseguirem bons empregos no futuro. Enviei um e-mail e reservei a manhã no meu primeiro dia em Hanói para visitar o Museu de Etnologia  (entrada custa uns $2 e há desconto para quem tiver carteirinha de estudante).

Museu de Etnologia em Hanoi, vale super a pena visitar!

Fiquei encantada com o profissionalismo de Lê Minh que, com um inglês perfeito, me deu uma verdadeira aula sobre a história dos seus ancestrais e dos diversos grupos minoritários vietnamitas. Após o nosso tour pelo museu, ela me levou no Cong Caphe, uma cafeteria super charmosa, onde a decoração e o coconut coffee, um café com gostinho de coco, são as grandes estrelas do local. Ainda que você não seja fã de café, o que é o meu caso, super recomendo a visita. O país é famoso pelo seu café forte, encorpado e cremoso. Ahhhh, e no lugar do leite, na maioria das vezes eles usam o leite-condensado. Perdição!

À tarde dei uma volta pelo Old Quarter e enlouqueci com o preço dos produtos. É tudo muito barato! A conversão me dava a maior dor de cabeça, principalmente depois de ter passado pela Tailândia e pelo Camboja. Quando eu estava lá, $1 (dólar americano) valia VND 22.000 (dong vietnamita). Imagina alguém te falando que algo custava meio milhão de dongs…

Uma boa refeição com cerveja custava uma média de $6.

Táxis também são super baratos, mas em dias de muito trânsito você vai cogitar pegar um mototáxi, ou não vai chegar a lugar algum. No Vietnã, não vemos tuk-tuks como na Tailândia e no Camboja. Alguns rapazes oferecem te levar num carrinho puxado por eles numa bicicleta, mas eu não usei o serviço.

Principal meio de transporte dos vietnamitas
Hoan Kiem Lake, localizado no centro histórico de Hanói

Existe um mundo à parte nos vilarejos das montanhas de Sapa 

Como eu queria muito dividir o meu tempo no Vietnã entre Hanói e os pequenos vilarejos localizados nas montanhas, na mesma noite peguei um trem para Lao Cai (mais ou menos $35) e, após 7 horas, cheguei na pequena cidade, de onde uma van me levou para o meu tão esperado destino: Sapa.

Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, os locais em que mais aprendi e mais tive contato com a cultura do país foram as cidades pequenas e os vilarejos por onde passei. Eu queria ter a mesma experiência no Vietnã e não poderia ir embora sem conhecer o dia a dia de quem vive nas montanhas.

Antes de partir para a minha aventura em Sapa, fiz uma pesquisa em busca de opções seguras e acessíveis para mulheres que viajam sozinhas pelo Vietnã. Por indicação da Kiersten, do blog The Blonde Abroad, entrei em contato com a Hong, que ficou comigo nos três dias e me levou nos lugares mais lindos, fazendo com que a minha experiência  no local fosse a mais proveitosa possível.

Hong, a minha guia em Sapa, e as suas filhas

No primeiro dia passeamos pelo centro da cidade e fomos em algumas feirinhas, onde eu tive o primeiro contato com vietnamitas das tribos Black H’mong e Red Zao. Você os vê o tempo inteiro pela cidade, com suas vestimentas exóticas e bem coloridas. Podem ser facilmente identificados pelos acessórios e cores dominantes nas roupas. A primeira tribo veste-se de preto, enquanto a segunda usa lenços e bandanas vermelhas.

Uma mãe da tribo Black H´mong vende mel com o seu bebê em uma pracinha de Sapa
Os bebês são carregados sempre dessa forma e até quando as mães acompanham os turistas na trilhas, os pequenos vão grudado nas costas
Frutas, verduras, carnes e artesanatos são vendidos nas feiras ao ar livre em Sapa
Vendedoras de sticky rice, ou arroz grudado, famoso no Vietnã. O colorido é feito com corantes naturais extraídos de plantas. Come-se com recheio de manga ou com farelo de amendoim
Açougue a céu aberto

Depois de fazer um tour pelo centro de Sapa, montamos na motocicleta de Hong e subimos as montanhas em busca das cachoeiras da região.

O cenário é de tirar o fôlego…

Hong parava a moto nos melhores pontos para tirarmos foto com esse cenário que mais parece uma pintura
Morrendo de medo de cair da pedra haha
Thac Tinh Yeu, também conhecida como “Love Waterfall”
Paramos para comer espetinhos de porco com folhas de chuchu. Uma delícia!
No trajeto para as cachoeiras a gente encontra barracos como esse onde os nativos vendem artesanatos ou comidas



Homestay com famílias locais

No final da tarde do meu primeiro dia em Sapa, Hong me levou para a homestay onde eu passaria uma noite com uma família da tribo Red Zao, no pequeno vilarejo chamado Ta Phin. No percurso para o local, eu não parava de pensar no quanto eu era sortuda em ter a chance de ver e viver tudo aquilo. As fotos podem comprovar o quanto as paisagens são lindas, mas a energia do local é indescritível.

Homem caminha pelas montanhas carregando cesto que é usados para transportar artesanatos, comidas e até crianças
O verde dos arrozais muda de acordo com as estações e a quantidade de chuva na região. Eu fui na época de chuvas, quando as plantações estão cheinhas
Casal trabalha na colheita do arroz, abundante em toda a região

A casa de No May, a moça que me recebeu por uma noite, era bem simples, como todas as outras que ficam na mesma região. Mas, a generosidade e a atenção que ela, o marido e a filha Mayun dedicaram à mim naquele dia, foram maiores do que eu esperava.

May prepara o nosso jantar
Mayun, de 7 anos, observa a mãe
No jantar daquela noite, arroz , tofu frito, chuchu, porco e salada
May adoça com mel uma dose de “happy water” ou água feliz, bebida alcólica caseira feita de arroz e super comum no sudeste asiático. O gosto é forte como o da cachaça

Após o jantar, No May me perguntou se eu gostaria de tomar um banho de ervas preparado por ela. É uma tradição da tribo Red Zao para ”limpar o corpo das energias negativas”.

Caldeirão onde May ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas
Caldeirão onde ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas

Segundo ela, eu deveria entrar no barril com o banho de folhas e lá ficar por mais ou menos 20 minutos. Fui avisada de que a maioria das pessoas sente uma tontura ao sair do banho. Curiosa e sem acreditar que um simples banho me faria sentir algo diferente, entrei no barril e lá fiquei por mais ou menos 25 minutos.

O barril em que tomei o banho de ervas
O barril em que tomei o banho de ervas

A sensação é a mesma de estar em uma sauna, já que a água é bem quente. Não senti nada enquanto estava imersa no banho, porém, comecei a sentir muita tontura assim que saí do barril. Para vocês terem noção, eu não consegui me vestir e fui do banheiro pro quarto enrolada na toalha e com o corpo super cansado, pedindo cama. Dormi igual a um bebê por oito horas seguidas, o que era raro nos meus dias na Ásia, principalmente em áreas como aquela, onde o canto dos galos te acorda às 5 da manhã.

Mãe da tribo Red Dao caminha com o filho pelo pequeno vilarejo
Mãe da tribo Red Dao caminha pelos arrozais com o filho nas costas
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografassem
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografasse
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais

Na manhã seguinte, Hong me buscou na casa em que eu estava e me levou para um vilarejo chamado Lao Chai, do outro lado da montanha. Eu iria passar uma noite na casa de pessoas da tribo Black H´mong e teria contato com os costumes de um dos mais conhecidos grupos minoritários existentes em Sapa.

O vilarejo era bem mais agitado do que o anterior. Na casa em que fiquei, por exemplo, haviam outros quatro turistas, além da família que lá morava. A maioria dos moradores vive do turismo, seja recebendo turistas em suas casas ou guiando-os em trilhas pelas montanhas.

Na casa em que fiquei, a matriarca oferecia cursos de batik, a técnica de coloração e pintura em têxtil. No quintal funcionava uma pequena fábrica e na frente da casa, a lojinha onde eram vendidos os produtos produzidos pela família.

Máquina onde os fios de linho são entrelaçados
Matriarca ensina a técnica do batik aos turistas
Tecidos são tinturados…
….e depois expostos ao sol

Eu acabei esquecendo o nome de uma das irmãs que me levou para uma trilha de 4 horas nas montanhas. Como essa era a minha última semana na Ásia e eu já havia feito dezenas de trilhas, quase morri de cansaço com o sol a pino e o sobe e desce das ladeiras.

Caso decida visitar Sapa, prepare-se para explorar o local com os pés no chão. Programe-se para fazer trilhas, pois é muito mais divertido do que em motocicletas. E vale super a pena!

Apesar do cenário ser tão lindo quanto o do primeiro vilarejo em que fiquei, a enorme quantidade de turistas e a agressividade dos vendedores que, literalmente, te empurram os artesanatos, fez com que eu me decepcionasse um pouco com o local. Acho válido pesquisar os vilarejos onde a quantidade de turistas não é tão grande. Mas como o sudeste asiático é ainda um dos destinos mais baratos para visitarmos, vai ser cada vez mais difícil achar lugares ainda pouco explorados.

A quantidade de crianças nesse vilarejo era enorme
Algumas vezes elas irão te seguir, oferecendo produtos , ou melhor, implorando para que você compre algo. Sugiro que não compre nada, pois assim evitará que elas te sigam por todos os cantos e também que deixem de matar a aula para seguir os turistas
Menina estuda na porta de casa

Um bate e volta para conhecer Ha Long Bay 

Pra vocês terem uma noção do quão corridos eram os meus dias (só pra garantir que eu voltaria pra casa após ter visto todos os lugares que gostaria de ver), peguei um trem noturno de volta para Hanói às 9 da noite. Cheguei na capital por volta das 5 da manhã e, às 8 já estava em uma van que levaria para a cidade de Ha Long.

Foram quase 4 (!!!) horas de estrada com um grupo de turistas e depois um barco que nos levaria até a famosa baía onde ficam as enormes rochas no meio da água. O tempo não estava dos melhores, mas eu estava tão cansada de sol e com a pele tostada de tantas caminhadas sem protetor, que não me importei.

O local é mesmo lindo, mas já virou uma daquelas atrações turísticas que estão sempre lotadas de gente
Mesmo com o dia nublado, o cenário era lindo

Para visitar Ha Long Bay você tem duas opções: o passeio de um dia ou os cruzeiros nos quais você dorme no barco por dois ou três dias. Se você tiver tempo, ótimo. Mas, apesar de cansativo, acho que apenas algumas horinhas no local são suficientes.  É o tipo de lugar fotogênico, mas sem muito o que fazer.

O barco para em uma área onde podemos alugar caiaques ou essas jangadinha, guiadas por um dos nativos. Eu escolhi a segunda opção e o passeio deve ter durado uns 20 minutos

Ficamos na baía por mais ou menos umas duas horas e depois seguimos de volta para Hanói.

O passeio, que custa por volta de $30, inclui transfer do hotel até a cidade de Ha Long, almoço no barco e visita a uma caverna que fica em uma das ilhas

No meu último dia no Vietnã, pesquisei um bom restaurante na área em que estava hospedada e acabei indo no Green Tangerine, um restaurante francês-vietnamita suuuuper charmoso que fica ali no Old Quarter, onde tudo acontece.

Foi uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. Escolhi um combinado de entrada + prato principal + salada por mais ou menos $25 e amei tudo que pedi! O local fica em uma casa colonial com pátio pavimentado e decoração que mistura toques orientais e europeus.

Lasanha de peixe ao molho de vinho branco. No topo, mousse de parmesão, frutas vermelhas e manjericão

Os pratos, apesar de bem mais caros do que o normal no Vietnã, são lindos e deliciosos…

Crepe de mousse de chocolate com lichia e caramelo

O Vietnã é, com certeza, um país com uma vasta riqueza cultural e que oferece uma infinidade de opções para quem deseja explora-lo. Apesar de ter sido o meu último destino na viagem e, por conta disso, estar bem cansada, consegui ver tudo que desejava ver e me encantei com as pessoas e os locais que conheci em Sapa e em Hanói. Eu tive muita sorte de ter cruzado apenas com pessoas do bem que fizeram com que a minha viagem fosse ainda mais especial.

Voltarei em breve, Vietnã!

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O vendedor de livros em Hanoi

Passava por ele todas as vezes que saía do hotel, em Hanoi, no Vietnã, e ouvia sempre a mesma pergunta: “Quer comprar livros? Tenho muitos livros!”. 

Eu, que trouxe dois e comprei outros três em livrarias na Tailândia e no Camboja, olhava os livros de relance e atravessava a rua. 

Hoje, nas minhas últimas horas em Hanoi, resolvi parar para conversar com ele. Puxei um banquinho e sentei ao lado de um dos caixotes em que ele carregava os títulos, todos usados, mas bem conservados.

O seu ponto de venda fica na loja do amigo, um espaço bem pequeno. Disse a ele que era brasileira, ele todo entusiasmado mexeu na pilha de livros e de lá tirou “O Alquimista” de Paulo Coelho. 

  
Me contou que já havia lido quase todos os livros que carregava para revender. Faz amizade com os funcionários de muitos hotéis na cidade e toda semana passa recolhendo o que é deixado por nós, visitantes. 

Seu nome é Huynh. “Significa irmão mais velho, pois eu sou o primeiro dos cinco filhos”, explicou. 

Começou a ler bem pequeno, mas foi aos 15, quando conseguiu emprego em um dos hotéis em Hanoi, que descobriu o grande tesouro deixado pelos turistas: livros descartados após serem lidos. 

Perguntei sobre a sua família e ele contou que as filhas, de 7 e 11 anos, estão aprendendo inglês. Ele tem incentivado as garotas a gostarem de ler tanto quanto ele gosta. Tarefa difícil, segundo ele. “A mãe só gosta de televisão. Eu não vejo televisão, prefiro os livros. Na televisão só tem coisa ruim”, reclamou. 

Eu disse a Huynh que havia deixado dois livros no Camboja e que, infelizmente, não poderia contribuir com a sua biblioteca/loja, pois havia colocado outros dois na mala e um eu carregava comigo, já que ainda não havia terminado de ler. Ele perguntou o que eu lia no momento e eu tirei da bolsa “O último dançarino de Mao”, sugestão de alguém no Facebook e que consegui achar numa livraria bem pequena em Chiang Mai, na Tailândia. 

  

“Madame, esse livro é muito bom”, ele exclamou, antes de se empolgar e começar a me contar sobre outros livros que também havia gostado. 

Eu não tinha muito tempo, pois o motorista que me levaria para o aeroporto chegaria em 30 minutos. 

Contei que gostava muito de escrever e que “talvez, um dia, quem sabe” eu iria escrever um livro. 

Antes de me despedir, dei a ele o equivalente a $3 e disse que era para ele doar um dos livros para alguém, já que eu não poderia carregar mais nada comigo.

“Boa viagem, madame! Volte quando escrever o seu livro. Eu também quero lê-lo”, ele gritou, segurando uma vassoura, enquanto eu me afastava. 

  
Voltarei, Huynh. Prometo que voltarei. 

Chegou o grande dia! 

  
Era sempre a mesma história: uma dor de estômago insuportável que batia quando eu me via em uma situação que me deixava muito ansiosa. Uma prova, competição de qualquer tipo, uma viagem… 

Buscopan foi meu melhor amigo durante anos. Quando as pílulas não colaboravam, lá ia o meu paizinho me carregar para a emergência mais próxima e eu acabava com uma boa dose do remédio direto na veia. 

Aos poucos as dores frequentes foram substituídas pelas borboletas no estômago e eu já tinha um pouco mais de controle sobre as minhas emoções (ou não). 

No trajeto para o aeroporto a minha ansiedade insistia em cutucar o meu estômago e eu, que não sei meditar, controlar a respiração ou fazer uso de qualquer outra técnica de relaxamento, dessas que a gente aprende até em vídeos do Youtube, escrevo porque não tenho buscopan e, muito menos, o meu pai, para me ajudar a controlar a minha ansiedade.

O voo seria semana que vem, mas como eu sou do tipo que faz-o-que-der-na-telha só para mimar a mimha ansiedade, troquei para hoje! 

E lá vamos nós (eu, dois livros, algumas peças de roupa, muitos brinquedos e livros para as crianças e quilos de frio na barriga) desbravar a Ásia. 

  
Que essa cutucada no estômago, ainda que desconfortável, jamais me abandone. Pois é o desafio do “novo” o meu maior combustível. 

Voltarei em breve com muitas fotos e posts sobre a minha jornada! 

🙂 

Quando voltar já não faz parte dos planos

 
Não é fácil criar coragem e desfazer as amarras. É fácil fazer as malas, comprar uma passagem e seguir o seu destino rumo a um outro país. Difícil é aceitar a nova realidade durante esse tempo, aceitar o fato de que você não pertence ao local em que viveu a maior parte da sua vida.

Porque ao partir é preciso estar preparado para se reconstruir, para aceitar que é chegado o “agora ou nunca”, a hora de se encontrar, se conhecer e definir quem você quer ser mesmo já sendo bem crescido. É preciso ter coragem para se desfazer das frescuras, de alguns hábitos, criar asas fortes que te ajudem a dar um dos voos mais importantes da sua vida. É preciso se desfazer de preconceitos e aprender de uma vez por todas o significado do respeito. 

Mudar de país é, quase sempre, fugir de alguns problemas, e então, se ver cercado por mil outros. É viver numa montanha-russa quando se tem medo de altura. Os primeiros meses trazem a mesma sensação da subida: empolgação, felicidade, orgulho de estar lá. E então, a gente acorda certo dia e percebe que reconstruir a vida não é tão lindo quanto parecia, é difícil, desgastante, cansativo. Mas a gente está lá no topo; o investimento foi caro, os seus amigos, a sua família, todo mundo que não veio está lá, te observando de longe. Não dá para desligar a máquina, você não tem coragem de pedir para descer. Você sorri e esconde o desespero. Fecha os olhos e vai. Com medo e sem saber se vai dar certo. 

Alguns desistem após a primeira descida. Outros se acostumam com a adrenalina e resolvem continuar. Porque nada melhor do que descobrir que você é capaz. 

Morar fora não é reconhecer os seus limites, é esticá-los um pouquinho mais, dia após dia. É descobrir que você pode ir muito além. É ralar para ser reconhecido onde você é apenas mais um e reconhecer que ser apenas mais um pode ser muito para quem chegou a ser ninguém. 

Morar fora é dar luz a um novo “eu” , é ser mãe e pai de si próprio. É sofrer para se criar sozinho e ter orgulho do adulto que você recriou. É aceitar que você jamais será o mesmo e ter coragem para decidir que voltar já não faz parte dos seus planos.

Aritta Valiense

Instagram: arittavaliense

When going back is not part of the plan anymore

It’s not easy to find the courage to let everything around you go. It’s easy to pack your luggage, buy a ticket and head to another country. What’s hard is to face your new reality when you start to realize that you don’t really belong to the place where you lived most of your life. 

Because when you leave you must be prepared to reinvent yourself, to accept that the “now or never” has come and that you will have to find yourself, to know yourself and to define who you want to be even if you think you have already shaped who you are. 

It’s time to get rid of certain habits and to build stronger wings that will help you take off in one of the most important flights of your life. It’s time to look past prejudices and learn once and for all the meaning of respect. 

Moving to another country is often a reason to scape from problems and then you find yourself surrounded by thousand of others. 

It’s like being on a roller coaster when you are afraid of heights. The first months bring that same feeling of going up: excitement, happiness; pride in making it there. And then you wake up one day and realize that rebuilding your life is not as easy as you thought; it’s hard, tiring, exhausting. But you are already at the top; the investment was too high. Your friends, your family and everyone who stayed behind is there, watching you from afar. You can’t turn off the engine, you are too scared to ask to get off. You smile and hide the despair. You close your eyes and go. Scared and unsure if it’s going to work out. 

Some people give up after the first drop. Others get used to the adrenaline and keep going. Because there is nothing better than finding out that you can do it. 

Living abroad is not about recognizing your limits, it’s about stretching them a little more, day after day. It’s realizing that you can go much further. It’s about working hard to be noticed in a place where you feel like you are just “one more person” and to recognize that being that person can mean a lot to those who once were no one. 

Living abroad is to give birth to a new “you”, it’s like being your own parent. It’s to struggle to get by on your own and to be proud of the person you have become. It’s to accept that you will never be the same and to have enough courage to decide that going back is not part of your plans anymore.

Ainda sobre Montreal: as cores, os sabores e a cultura da charmosa cidade canadense

No post anterior eu não consegui dar todas as dicas sobre Montreal porque o texto já estava gigante. Mas a cidade é tão linda e tem tanta coisa bacana pra fazer que merece um segundo post!
Uma das coisas que mais chamam a atenção em Montreal é que você vai ver arte em quase todas as ruas pelas quais irá passar. Eu adoro grafite e fotografei dezenas de muros enquanto estava por lá.
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Fotografei o artista mas acabei não pegando o nome dele.. 😦

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Lindo, né?

Andar pela rua Sainte-Catherine é obrigatório durante a visita à Montreal. A rua fica no centro da cidade e é a principal área comercial, com lojas, bares e restaurantes.

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Na mesma rua fica o Place des Arts , um complexo cultural composto por cinco salões onde ocorrem apresentações, shows e exposições.

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Após caminharmos o dia inteiro pela rua Sainte-Catherine, Flor e eu decidimos conhecer uma sorveteria indicada pela minha amiga Gabi! O local se chama Les Givrès e fica na Saint-Denis. Se você ama sorvete como eu amo, deve ir nesse lugar.
A experiência gastronômica já começa antes mesmo de você entrar na sorveteria. O cheiro que vem de lá de dentro desperta a curiosidade – e a fome – até dos que não são loucos pela iguaria. É que eles preparam os cones lá mesmo! Ai gente, é bom demais!!! E o cardápio vai além da tradicional bola de sorvete no cone, o que complicou ainda mais a minha situação. Eram tantas opções tentadoras que eu acabei optando por uma das combinações de degustação para dois (mas foi só pra
mim mesma! Hahaha).

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Flor escolhendo o sabor

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Essa última foto não ficou boa, até porque eu super cara de pau fui na mesa vizinha pedir para tirar! Mas olhem o capricho da sobremesa!

Para quem não sabe, a cena noturna de Montreal é super famosa. A cidade é considerada uma das melhores para a curtição por aqueles que gostam de uma boa balada. E neste verão ficou ainda melhor, já que o prefeito decidiu prolongar a last call (horário em que param de servir álcool) para às 5:30 am. O horário normal é às 3 am, uma hora a mais do que em Toronto.
Eu e a Flor estávamos super afim de curtir o dia, explorar a cidade, andar bastante. Então acabei não indo para os grandes clubs.
Na noite de sábado escolhemos dois barzinhos para jantar e drinks. O primeiro foi o Cinko, que além de uma decoração bem moderna tem o preço fixo de $5 para qualquer prato. Adoramos!
Pedi os tacos de peixe e a flor escolheu um wrap vegetariano. Estava uma delícia. Também pedi uma sangria, que deixou a desejar no tamanho (hahaha eu só gosto quando a taça é grande), mas cumpriu direitinho o seu papel no quesito sabor!

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Adorei a decoração

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Sangria!

Depois de comermos no Cinko, seguimos para o pub La Distillerie, que não serve comida mas é super famoso pelos drinks exóticos.
São três unidades em Montreal (fomos na unidade 1) e todas estão sempre lotadas! Esperamos uns 40 minutos na fila e me surpreendi com o ambiente. O bar é meio escuro e a decoração é bem simples. Os bartenders foram super atenciosos e a nossa bebida chegou rapidinho. Eles mudam o cardápio a cada 3 ou 4 meses, por isso não se surpreenda se você for pedir algo e não achar o item no menu. A Flor escolheu o Le Patriote (vodca, rum, licor de laranja, suco de limão e sprite) e eu escolhi o Nostalgie (vodca, morango, blueberry, amora, licor de ervas, suco de limão e sprite).

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O local era bem escuro e eu tirei as fotos com o celular, por isso a qualidade ruim!
Como eu disse antes, fomos para Montreal para aproveitarmos bastante o dia, então saímos de lá bêbadas direto pro hotel! Mas, se você estiver afim de curtir uma boa balada, são várias as opções. No ano passado eu fui na Velvet e amei! Outras opções são: New City Gas, Blvd44, Muzique e para quem procura uma balada gay Apollon. Pros que aguentam até o dia amanhecer, Montreal também tem os famosos afterhours clubs, e o Stereo Nightclub é considerado um dos melhores da América do Norte. A casa funciona às sextas e sábados até as 10 am. Passamos pela porta do local por volta das 11:30 da manhã e vimos algumas pessoas deixando a festa. Haja pique, hein?
Na manhã de domingo decidimos conhecer o Marché Jean-Talon, o mercadão de Montreal, tipo o Mercado Municipal de São Paulo ou o Ver-o-Peso de Belém. Eu adoro visitar os mercadões sempre que estou em uma nova cidade. Acredito que é a melhor forma de conhecer a gastronomia local, com suas frutas e verduras exóticas, produtos orgânicos produzidos em fazendas da região, tudo tão lindo e colorido. É uma experiência fantástica!
Reserve uma manhã para ir ao Jean-Talon. Vá sem tomar café da manhã e prove das frutas frescas oferecidas pelos vendedores…

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O local está sempre cheio

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Frutas frescas e bem docinhas

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Apaixone-se pelas cores…

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Surpreenda-se com coisas exóticas…

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Frutos do mar

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Quando a fome bater (isso se você não tiver provado muitas frutas), coma um crepe na Crêperie du Marché e apaixone-se ainda mais pelo lugar. O local é super famoso na cidade e todos os crepes são feitos de massa sem glúten.

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Mas, se você não estiver com vontade de comer crepe, também vai achar outros locais que vendem sanduíches, comida indiana, árabe, entre outras.

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E, caso tenha provado muitas frutas e não esteja com fome, você pode ir a uma das lojinhas que vendem queijos, geléias e outras iguarias, comprar algumas coisinhas gostosas e seguir para um dos parques da cidade.

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Piqueniques são sempre uma ótima opção para os dias de verão em cidades com parques lindos como Montreal.
Finalizamos a nossa visita com picolés de sobremesa. A dieta mandou lembranças, né?

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Na mesma noite, depois desse tour gastronômico pelo Jean-Talón, descobrimos, por um acaso, a doceria Cacao 70, que possui duas unidades em Montreal e uma em Ottawa (sorte minha que ainda não abriu em Toronto!! Hahaha). A princípio o plano era voltar na Juliette et Chocolat, a que eu comentei no outro post. Mas lá estava muito cheio e decidimos tentar a filial, na rua St Catherine. E foi no meio do caminho que achamos a Cacao 70. Uma ótima surpresa, por sinal. A nossa janta acabou sendo somente a sobremesa.

Escolhi o fondue e a Flor a cheesecake. Se vocês derem uma olhada no site deles vão babar com o menu. Pizzas, crepes, sorvetes… Overdose de chocolate!

Detalhe: a boca suja de chocolate! Hahaha

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Cheesecake da Flor

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Reservamos o último dia, segunda-feira, para irmos ao Parc du Mont-Royal, uma das atrações turísticas mais famosas da cidade, que fica no topo de uma montanha, com uma vista privilegiada de Montreal.
O parque foi projetado por Frederik Law Olmsted, o mesmo responsável pelo projeto do Central Park, em Nova Iorque.
O acesso ao parque é feito através da estacão de metrô Mont-Royal. Assim que descer na estação, pegue o ônibus de número 11 e desça quando chegar no topo da montanha.
Se eu pudesse, visitaria este parque todo ano durante o outono. Esta é, sem dúvida alguma, a melhor estação para visitá-lo. Eu fiquei encantada com as cores das árvores! Parece pintura, sabe?

Olhem que lindo estava o parque quando fui no outono

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A vista da cidade

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E aqui termina o meu post sobre essa cidade que eu amo! Se você estiver vindo para o Canadá ou se já está por aqui e ainda não foi à Montreal, inclua a cidade no seu roteiro e explore ao máximo tudo de bom que você vai encontrar por lá: arte, gastronomia, cultura, paisagens lindas e muito mais!

Au revoir Montréal
😊

Montreal: como não se apaixonar?

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De antemão eu já queria avisar que vou escrever dois posts sobre Montreal. Primeiro porque eu descobri lugares fantásticos e quero muito dividir com vocês; segundo, porque fui duas vezes em épocas distintas e os cenários mudam muito; terceiro, porque quem me conhece sabe que tirei milhares de fotos e passei a maior parte do tempo explorando ao máximo cada cantinho da cidade pra poder depois contar aqui! Então, vamos lá…
Montreal, localizada na província de Quebec, fica a mais ou menos 550km de Toronto. Digo mais ou menos porque achei diversas informações diferentes. A língua oficial é o francês, mas ao contrário do que muitos dizem, nunca fui tratada com grosseria só porque estava falando em inglês.
Visitei Montreal pela primeira vez em outubro do ano passado, quando a minha irmã Alessandra veio passar um mês em Toronto. Alê é do tipo que programa tudo com antecedência, faz listas dos locais que devemos visitar, pesquisa bastante sobre o destino e já chega com a programação completa do que iremos fazer. Eu adoro viajar com ela porque sou o oposto, então me aproveito de todo o planejamento que ela faz. 🙂
Quando decido viajar faço tudo em cima da hora e não pesquiso muito. No máximo jogo “O que fazer em (nome da cidade)” no Google e saio andando pelas ruas, conhecendo o que der na telha.
Dessa vez não foi diferente. Decidi que queria ir pra algum lugar próximo a Toronto antes das aulas começarem e como a primeira ida a Montreal havia sido super rápida, decidi que seria a melhor opção.
Eu e a minha amiga Flor saímos de Toronto na sexta-feira às 1:30 pm. No ano passado eu fui de avião, mas como já expliquei antes, minha irmã havia planejado TUDO com bastante antecedência. Ela conseguiu passagens aéreas com preços razoáveis. Dessa vez tivemos que enfrentar o busão mesmo. São em média 6 horas de viagem e a passagem varia entre $45 e $80 cada trecho. Queríamos uma viagem de baixo custo, já que nós duas pagamos College este semestre e ficamos mega pobres.

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Esperando o bus

A maior dificuldade foi achar a hospedagem, pois era um final de semana de feriado. Algumas pessoas nos indicaram albergues/hostels. Achamos vaga no Hostel Montreal Central e ADORAMOS.
Foi a minha primeira experiência de hospedagem em um hostel e eu me surpreendi. As únicas vagas que achamos eram em um quarto com mais quatro pessoas. Mas, como eu e Flor não temos a menor frescura e só queríamos um lugar pra deixarmos as malas e dormirmos, não nos importamos. No final, acabamos dividindo o quarto com outras meninas suuuper legais! Duas eram da Suécia, uma coreana e a outra era canadense.
O banheiro ficava dentro do quarto e era super limpo. Eles ofereciam café da manhã e os funcionários estavam sempre promovendo eventos como jogos, tours em grupo pelo centro histórico e campeonatos de beer pong para os hóspedes. A localização não podia ser melhor: ao lado da estação de metrô BERRI-UQAM que tem ligação com todas as outras 3 linhas e bem próximo às ruas St. Denis e St. Carherine, as mais badaladas da cidade.

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Hostel Montreal Central

Não é difícil andar pelas ruas de Montreal. O metrô é bem sinalizado e você não vai precisar gastar dinheiro com taxi. Compramos o cartão que dá direito a uso livre por 3 dias consecutivos e gastamos $18. Vale muito a pena!

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Mapa do metrô e cartão de passe livre por 3 dias

Chegamos no Hostel por volta das 8pm, tomamos um banho e já saímos para “bater perna” como diz a minha vó. Sentamos no mexicano Três Amigos pois já havíamos andado bastante e não achamos um bar que tivesse mesa disponível do lado de fora. Pedimos um ceviche de frutos do mar que estava divino e mojitos para as duas. O mojito não foi o meu favorito, mas o garçom era suuuuuper simpático e o atendimento foi muito rápido. Gostei do lugar! Jantar simples e gostoso, funcionários atenciosos e serviço excelente.

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Rue St. Denis e o Três Amigos ao fundo

Na mesma noite visitamos a Juliette et Chocolat, também na rua St. Denis e nos apaixonamos pelas sobremesas!! Não deixe de ir!!!! Pedi o Rocher Praliné e morri de amores. A Flor pediu um macaroon gigante e eu acabei não gravando o nome, mas também estava delicioso. É sério gente, a visita a esta doceria vale MUITO A PENA. O serviço é um pouco lento, o local está sempre cheio, mas a espera é recompensada.

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Doces na Juliette et Chocolat
Visitar Old Montreal é obrigatório. Pegue o metrô e desça em uma das seguintes estações: Champ-de-Mars ou Place-D’armes.
É lá onde fica a famosa Basílica de Notre-Dame, com sua arquitetura de tirar o fôlego. A visita custa $5, mas se você for assistir a uma das missas, não precisa pagar.

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Basílica de Notre-Dame

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Eu e Alê em outubro do ano passado, na Place d’Armes, em frente à basílica

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Old Montreal
Após visitar a basílica seguimos para a rua Saint-Paul, a mais pitoresca e popular da vizinhança. No final da rua fica a Place Jaques Cartier, a praça mais charmosa de Montreal, onde artistas de rua e pintores se reúnem para divulgarem os seus trabalhos. Visite no final da tarde e aproveite para jantar em um dos restaurantes ao redor da praça. Em um beco também alí próximo fica a Rue des Artistes, e você pode achar pinturas lindas por um preço bem bacana.

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Old Montreal

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Place Jaques Cartier

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Rue des Artistes
Decidimos caminhar um pouco mais e chegamos ao Palais des Congres, um centro de convenções localizado nas redondezas da Ville-Marie. O prédio tem um caminho subterrâneo que se conecta a mais de 4000 quartos de hotéis. Mas o que vai chamar a sua atenção é o colorido intenso da construção. Não há muito o que fazer por lá, a não ser que algum evento legal esteja acontecendo. Mas se você, assim como eu, ama fotografia, o click é válido.

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Palais des Congres

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Dentro do prédio você também vai ver uma obra de arte chamada Lipstick Forest, que consiste em 52 árvores rosas, feitas de concreto pelo arquiteto canadense Claude Cormier.
Terminamos o nosso passeio por Old Montreal famintas. Seguimos a dica da minha amiga Gabi e resolvemos ir atrás da poutine mais famosa de Montreal. Se você ainda não sabe o que é poutine dá uma olhada aqui onde eu falo sobre as comidas típicas do Canadá. Pois é, ir à Montreal e não comer poutine é como ir à Bahia e não comer uma moqueca de frutos do mar (salivei) ou um acarajé!
Lá fomos, eu e Flor, com aquela fome que todo turista tem após bater perna por horas a fio atrás da famosa iguaria. O lugar se chama La Banquise e fica aberto 24h! Tivemos a sorte de chegar um pouco antes do meio dia e não esperamos por uma mesa. Mas, quando estávamos saindo, a fila estava gigantesca! São mais de 30 tipos de poutine… Hmmmm muito bom!

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Escolhi a de pulled pork com sour cream

A escolha da Flor: frango com ervilhas e queijo

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Bom, vou terminar a primeira parte do post por aqui. Já está super tarde e as minhas aulas começaram hoje! :))))
Tô super feliz e animada com essa nova fase.
Vou escrever o outro post até o final da semana, com muitas outras dicas e fotos! Ah, e perdoem qualquer erro de digitação, pontuação…Escrevi sem parar e tô caindo de sono!

🙂

Comida brasileira, sorvete e parque: um domingo perfeito!

O verão já está quase acabando e eu tenho tentado curtir ao máximo cada raio de sol que ainda resta (olha o drama!).
Eu não caio de amores por domingo. Pra ser bem sincera, eu odeio domingo. Mas hoje o dia amanheceu lindo, um solzão do tipo que te convida a tirar a bunda do sofá e aproveitar o dia ao ar livre. E foi justamente o que eu e a minha roommate Flor fizemos!
Então, ao invés de escrever um post sobre alguma área específica ou restaurante em Toronto, vou contar um pouco sobre as nossas escolhas para curtir o dia de hoje!
Já fazia algum tempo que eu não almoçava em um restaurante de comida brasileira aqui em Toronto. Como estou sempre cozinhando em casa, não sinto falta de muitas coisas. Hoje eu acordei desejando comer carne (não sou vegetariana mas quase nunca compro carne pra fazer em casa) então resolvi ir ao Rio 40 graus que fica pertinho da rua em que moro, mas que eu raramente frequento.
O lugar está sempre cheio nos finais de semana, porém, não é difícil conseguir uma mesa. O serviço é sempre muito bom, mesmo quando o restaurante está lotado. O público quase sempre é só de brasileiros e portugueses, mas frequentado por canadenses também. A comida é boa (peço sempre a picanha com arroz, feijão, farofa e mandioca por $20) e, apesar do preço ser um pouco salgado, as porções são super bem servidas! Vale a pena!
A Flor estava comigo, mas não almoçou lá, por isso só deu pra tirar a foto do meu prato.

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Logo após o almoço chamei a Flor para ir comigo numa loja na Ossington Ave., pois eu tava louca para comprar uma camiseta que tem a palavra “Turonno” na frente, fazendo graça da maneira como os canadenses pronunciam Toronto. Enfim, agora eu tenho a minha também, viu Ester? Hahaha

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O que aconteceu no caminho até a loja foi o que mais me deixou feliz no dia de hoje. Quem me conhece sabe da minha PAIXÃO por sorvete. Eu não sou fã de nenhuma outra sobremesa, mas basta colocar um pote de sorvete na minha frente e eu sou capaz de acabar com ele em uma horinha.
Passamos por uma fila gigante e eu curiosa que sou perguntei logo o que estava acontecendo. Quando a moça disse: “É UMA SORVETERIA” a Flor já sabia o que isso significava. E lá foi ela (que também adora um sorvete) esperar comigo na fila de um pouco mais de meia hora. O lugar se chama Bang Bang Ice Cream and Bakery (93, Ossington Ave), mas deveria se chamar “PARAÍSO”. Gente, eu já havia ouvido falar sobre os sanduíches de sorvete de lá, mas nem sei porque não dei muita importância. O local abriu no início do verão e é simplesmente fantástico!!!! As filas são sempre gigantes, isso eu confirmei com algumas pessoas que estavam lá. Não há mesas, apenas alguns banquinhos na calçada. Mas a espera é recompensada.

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Cookies, waffles, donuts, macaroons… Você escolhe como montar o seu sanduíche. A boa notícia é que eles têm várias opções dairy-free. Os sabores mais pedidos são london fog – nome dado a um drink feito de chá preto com leite e baunilha- , muito popular aqui no Canadá; burnt toffee que tem sabor de marshmallow torrado e raspberry. Escolhi este último e, pra acompanhar, um donut recheado com hazelnut. O resultado foi este:

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A Flor escolheu o cone de waffle com sorvete de banana…

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APROVADOS!!! Voltarei lá antes que eu seja capaz de queimar todas as calorias que ganhei hoje! Hahaha

E logo após a nossa fantástica experiência gastronômica, decidimos caminhar em direção à Queen Street e aproveitar o final da tarde. Paramos no Trinity Belwoods Park localizado entre a Queen St e a Dundas e um dos meus parques favoritos aqui em Toronto.
Como em todos os fins de semana de verão, o parque estava bem cheio. Diferentes tribos se espalhavam pelo gramado, fazendo piqueniques, tocando e cantando músicas, cachorros, crianças, enfim, um mix de gente que gosta de aproveitar dias de sol.

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Avistamos um grupo de pessoas que praticava slackline, um dos nossos mais recentes vícios, ainda que eu seja péeeeeessima. Nos aproximamos e descobrimos que grande parte do grupo era formada por brasileiros. E foi aquela festa. Passamos horas batendo papo com o pessoal e nem percebemos que já passava das 7pm quando decidimos voltar pra casa. O tempo passou voando.

Brasileiros e canadenses

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Ken praticando slackline

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Este foi, sem dúvidas alguma, um domingo sensacional! E é justamente isto que mais amo em Toronto: você vai sempre achar uma forma de se divertir e se surpreender, mesmo sem gastar muito dinheiro ou precisar planejar com antecedência. Basta deixar a preguiça de lado, tirar a bunda do sofá e explorar o que existe lá fora.

🙂