Tailândia: o paraíso é aqui 

Viajei pela Tailândia por quase três semanas. Passei por Bangkok, Ayutthaya, Chiang Mai, Pai e Koh Samui. Na capital, Bangkok, onde a disparidade entre os ricos e pobres é maior, descobri que os mais pobres (e com menos dentes) sorriam mais. E que um pedido de desculpas pode ser feito com uma caixa de nuggets, por um garçom que não quer desapontar um novo cliente. 

  

Bangkok
 
Wat Pho Temple em Bangkok
 
 
Temple of The Emerald Buddha , Bangkok
 
  
Chatuchak Market, um dos maiores em Bangkok. Funciona nos finais de semana

 
Chatuchack Market , Bangkok
 
 
Tuk tuk, um dos meios de transporte mais usados no sudeste asiático
 
 
Drinks e comida boa no bar Tuba, Bangkok
 
Aprendi que atravessar a rua me dava mais frio na barriga do que me perder em um local aonde poucos me entendiam. E aprendi, também, que se quem tem boca não for a Roma, vai ao menos se virar na Ásia. 

Aprendi que dizer não para alguém que te dá até 70% de desconto só para não perder a compra é uma missão quase impossível. Aqui, não vi pedintes nas ruas. Mas todo mundo tem algo a vender, mesmo que você seja o responsável por definir o valor do produto.  

O comércio se divide entre lojas de artesanatos, casas de massagens, conveniências da rede 7/11, bares e só. Multiplique as casas de massagens por 100 a cada quarteirão. 
 

Massagens a $8 /hora
 

Em Ayutthaya, a uma hora e meia de trem de Bangkok, encontrei um motorista de Tuk Tuk (carrinhos bem pequenos usados como taxi em muitos países da Ásia) que quase não falava inglês, mas perguntou a minha nacionalidade e me entregou um caderninho onde clientes de diversas nacionalidades haviam pontuado o seu serviço. Os asiáticos também são bons em marketing. 

 

Trem Bangkok – Ayutthaya
 
 
Wat Yai Chaimongkon, templo em Ayutthaya
 
 
Templo em Ayutthaya

 
Wat Phra Mahathat , Ayutthaya
 

Fiquei apenas algumas horas em Ayutthaya. Um dia/tarde foi suficiente para conhecer todos os templos. No outro dia, peguei um trem em Bangkok e enfrentei doze horas de estrada até Chiang Mai, uma cidade onde o turismo é visto de forma mais concentrada do que na capital, por ser menor e com o comércio liderado por imigrantes europeus, australianos e americanos. 

 

Trem de Bangkok para Chiang Mai, 12 horas $35
 
 
Templo em Chiang Mai
 
  
Art in Paradise, Museu 3D em Chiang Mai

  
Em Chiang Mai eu vivi uma das melhores experiências da minha vida, quando ao invés de escolher o tour preferido pela maioria dos turistas, convenci os guias a me apresentarem a verdadeira cultura local por um tempo maior do que o de um dia sugerido no programa deles. E me joguei em uma aventura de três dias de trilhas no meio da floresta, dormindo em barracos de madeira usadas pelos trabalhadores dos arrozais, visitando fazendas que produzem grande parte dos produtos consumidos pelos moradores e fui até acolhida por um casal de lavradores que não tinha muito, mas que me preparou um dos melhores jantares que eu já tive: sopa de bambu, frango ao curry e arroz. 

 

Jantar com o s moradores que me receberam por uma noite no pequeno vilarejo
 
Tenho muitas fotos dos três dias na floresta e resolvi que contarei tudo em um post separado. Dessa forma esse aqui não fica tão longo e pesado com fotos. 

Amphoe Chom Tong, uma das muitas cachoeiras que tive a chance de ver durante as trilhas

Por sinal, eu que não era fã de curry aprendi que na hora da fome, a gente deve exigir do nosso estômago um pouco menos de frescura. 

Sopa com legumes durante o almoço à beira da cachoeira

As trilhas não foram fáceis. No primeiro dia, ao atingirmos o topo de uma das montanhas, um dos guias desmaiou. Talvez por não ter se alimentado direito. No segundo – e mais intenso dia – foram 20km de subidas e descidas em mata fechada. Se você acha que subir uma montanha é difícil é porque nunca teve que descê-la quando a terra estava molhada. 

Pensei em desistir assim que levei o primeiro tombo e resolvi me proteger apoiando as mãos em um tronco cheio de formigas vermelhas. As coceiras – de picadas de mosquito, formiga, calor – incomodam mais do que o cansaço. Mas as paisagens e o cheiro da natureza fazem tudo isso e muitos outros empecilhos desaparecerem. É incrível a capacidade que o nosso corpo tem de se adaptar a ambientes diferentes…
No terceiro dia de trilha eu já nem fixava o meu olhar no chão, como fazia nas primeiras horas, morrendo de medo de encontrar uma cobra. 

  
Mesmo com todo o desconforto de ter que fazer xixi e cocô no meio do mato, comer comidas estranhas, acordar no meio da noite com uma aranha tentando subir na minha perna, cair, me arranhar, ter dores na ponta dos dedos do pé de tanto descer ladeiras íngremes, ter dores no quadril após caminhar por 8 horas (com paradas para banheiro e comida), nunca irei esquecer a sensação de ver o pôr do sol sentada em um barraco no meio de um arrozal, ouvindo apenas o canto dos pássaros e o barulho dos girinos. 

Apreciando a natureza em uma barraca usada pelos trabalhadores dos arrozais

Três horas após começarmos a trilha eu disse a Tom, o guia tailandês de 23 anos, que estava com fome, e ele me entregou um pacote de noodles, ou miojo como chamamos no Brasil. Sem entender como eu comeria aquele pacote de miojo sem ter uma panela e muito menos um fogão, Tom logo me mostrou que eles comem o mesmo cru, como tira-gosto. E eu comi com a mesma felicidade com a qual comeria uma coxinha. 

Em Chiang Mai também realizei um dos meus sonhos: ter contato direto com elefantes. Gastei horas pesquisando sobre locais confiáveis, onde os elefantes são bem tratados e não apenas usados como forma de arrecadação de dinheiro. Não queria vê-los sendo mal tratados. E a experiência foi literalmente emocionante.

 

Dando banho nos elefantes

Também contarei tudo em um post separado. Porque os elefantes merecem um espaço só pra eles! E porque a minha wifi está péssima! 

Apesar de terem as suas peculiaridades, as cidades turísticas na Tailândia seguem o mesmo padrão. Algumas, como Pai, recebem um maior número de australianos e europeus. 

O meu último destino no país foi a ilha de Koh Samui. Peguei um voo em Chiang Mai e segui para o paraíso em busca de sol e banhos de mar. Foram quatro dias em um lugar que, se não for o paraíso, fica bem pertinho dele. 

 

Crystal Beach, Koh Samui
 
  
Paraíso!!
 

Anthong National Marine Park

  
 

A Tailândia é o tipo de destino que te surpreende a cada dia. E se você tiver tempo e disposição, consegue, em uma só viagem, desfrutar de diversos tipos de turismo. Sol e praia, Aventura, Metrópole… 

Os Tailandeses me conquistaram. Eles são especiais. É um povo que está sempre de alto astral e bem receptivo. Te cumprimentam mesmo sem te conhecer e são, na maioria das vezes, solicitos e muito humildes. Claro que é preciso estar atento com aqueles que tentam se aproveitar da distração do turista. É preciso manter os olhos bem abertos e não vacilar com os pertences. E para que o turista esteja sempre atento, há avisos do tipo em vários pontos turísticos. 

Hoje sigo para o Camboja, onde iniciarei as duas semanas de trabalho voluntário. Eu tenho milhares de fotos para postar, histórias para contar… Mas a internet é bem lenta e fico à mercê do pouco tempo que passo nos hotéis para poder postar aqui no blog. 

Irei dividir o meu roteiro nesses quase vinte dias no país de forma mais organizada e postarei assim que tiver a chance.

🙂 

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O dia em que uma caixa de nuggets me fez chorar 

 
Chove muito em Bangkok na noite de hoje. Cheguei no hostel faminta, após passar um dia inteiro visitando templos em uma cidade vizinha. Sem muitas opções de comida na vizinhança, peguei um guarda-chuva na recepção e encarei a tempestade na busca por algo sem curry e sem a aparência estranha. Se você nunca me viu com fome não sabe que nem mesmo a maior tempestade do mundo me impediria de achar comida… 

Após caminhar por um quilômetro

Avistei uma pizzaria com o slogan bem grande em letras vermelhas “Seu pedido em 30 minutos!!! Garantimos!”. Não dava nem para ver o nome do local direito, já que a chamada para a promoção cobria toda a placa. O menu oferecia uma variedade de pizzas e outros pratos carregados de carboidratos. Optei por um espaguete com camarão, e, no recibo, com o valor de 130 Bahts (um pouco mais de 5 dólares) também havia bem grande “Seu pedido estará pronto em até 30 minutos! Garantimos!”. 

Sem paciência e com fome

Sentei em frente a uma garota que também parecia conferir o horário na tela do celular a cada 2 minutos. Se eu não conhecesse bem direitinho a cara de quem tá faminto, diria que ela aguardava ansiosamente a mensagem de algum paquera. Mas não, ali era fome. E eu estava no mesmo barco. Éramos duas. Não havia outros clientes. 

Faltavam dois minutos para o prazo dos 30 minutos se encerrar e o mesmo rapaz veio correndo na minha mesa explicar que traria o meu pedido em 3 minutos. Eu, impaciente e acostumada com clientes que reclamam de propaganda enganosa, fiz uma cara feia e disse que gostaria de cancelar o pedido. “No, no, no”, implorou o rapaz enquanto voltava caminhando de costas para a cozinha. Seis minutos mais tarde, ele volta com a sacola e o meu pedido: -Me desculpa, senhora, me desculpa. 

Eu balancei a cabeça sem dar muita atenção ao seu pedido de desculpas, peguei o guarda-chuva e deixei o local. 

Atravessar as ruas em Bangkok é um verdadeiro desafio. À noite e com chuva, é quase missão impossível. Lá estava eu aguardando pelo momento exato em que os carros e motos me dariam uma brecha, a uns 200 metros da pizzaria, quando vejo uma figura franzina, correndo em minha direção e acenando sem parar. Era o vendedor que me atendeu, que também preparou o meu pedido e deixou o meu estômago furioso com os quatro minutos extras que ele precisou esperar. Ele me estendeu uma sacola com uma caixinha dentro e enquanto eu agradecia sem entender o que estava acontecendo, ele tentava a qualquer custo parar o transito para que eu atravessasse. Quando, enfim, ele conseguiu, eu atravessei, agradeci pela ajuda e percebi que ele continuava balbuciando “Desculpa, desculpa” sem parar…

De volta ao hostel abro a caixinha e vejo seis singelos nuggets. E me vi chorando. Não pelo gesto do rapaz. E sim, porque a sua preocupação em ter o meu pedido de desculpas aceito me fez refletir sobre a minha intolerância desnecessária. Foram apenas quatro minutos para alguém que está de férias, sem motivo algum para se estressar. 

Foram quatro minutos extras, em que aquele rapaz, percebendo o meu descontentamento, encarou a tempestade sem nenhuma proteção para me levar uma caixa de nuggets e me ajudar a atravessar a rua. 

Em Bangkok. Na Tailândia. Onde pagamos $5 por uma refeição que serve dois e que, de brinde, vem acompanhada por uma lição sobre altruísmo dentro de uma caixa de nuggets. 

Chegou o grande dia! 

  
Era sempre a mesma história: uma dor de estômago insuportável que batia quando eu me via em uma situação que me deixava muito ansiosa. Uma prova, competição de qualquer tipo, uma viagem… 

Buscopan foi meu melhor amigo durante anos. Quando as pílulas não colaboravam, lá ia o meu paizinho me carregar para a emergência mais próxima e eu acabava com uma boa dose do remédio direto na veia. 

Aos poucos as dores frequentes foram substituídas pelas borboletas no estômago e eu já tinha um pouco mais de controle sobre as minhas emoções (ou não). 

No trajeto para o aeroporto a minha ansiedade insistia em cutucar o meu estômago e eu, que não sei meditar, controlar a respiração ou fazer uso de qualquer outra técnica de relaxamento, dessas que a gente aprende até em vídeos do Youtube, escrevo porque não tenho buscopan e, muito menos, o meu pai, para me ajudar a controlar a minha ansiedade.

O voo seria semana que vem, mas como eu sou do tipo que faz-o-que-der-na-telha só para mimar a mimha ansiedade, troquei para hoje! 

E lá vamos nós (eu, dois livros, algumas peças de roupa, muitos brinquedos e livros para as crianças e quilos de frio na barriga) desbravar a Ásia. 

  
Que essa cutucada no estômago, ainda que desconfortável, jamais me abandone. Pois é o desafio do “novo” o meu maior combustível. 

Voltarei em breve com muitas fotos e posts sobre a minha jornada! 

🙂 

Como Planejar um Intercâmbio

Desde que criei o blog recebo ao menos uma mensagem por dia aqui nos comentários, na página do blog no Facebook ou e-mails de pessoas que desejam fazer um intercâmbio, mas que não sabem por onde começar a pesquisa e como planejar a viagem. Então, para tirar as dúvidas de quem tá morrendo de vontade de colocar a mochila nas costas e sair para explorar um outro país, hoje vou fazer um post completo com todo o meu processo antes de chegar ao Canadá e as dicas mais importantes para você aproveite ao máximo a experiência de estudar fora.  Vamos lá… 


Defina as suas metas e depois o destino

primeiro passo para quem deseja fazer um intercâmbio é definir quais são as metas a serem alcançadas no outro país. Você quer ir apenas para aprender uma outra língua? Você também deseja trabalhar? Pretende fazer um outro curso além do de idiomas? 

O objetivo do seu intercâmbio vai influenciar muito na escolha do destino. Isso porque nem sempre aquela cidade que você sonhava morar vai ser a melhor opção quando você colocar as suas metas na balança.  

Escolha uma agência confiável

Leia bastante, pesquise e não tenha vergonha de fazer mil perguntas
 

Após definir o objetivo da sua viagem, procure uma agência que tenha boas referências. 

Quando eu decidi fazer um intercâmbio, ainda não havia escolhido o país no qual eu iria morar. Visitei dezenas de agências em Salvador e até que numa dessas minhas visitas, eu conheci a Thais Pinheiro, que atualmente é Diretora da ETC Intercâmbio Salvador localizada na capital baiana e em outras três capitais brasileiras: Belo Horizonte, São Paulo e Vitória (ES). 

A Thais foi uma fada madrinha em todo o meu processo de intercâmbio. Foi ela quem me convenceu de que Toronto seria uma ótima opção, pois ela já havia morado aqui. E eu tenho certeza que não poderia ter escolhido um lugar melhor e mais a minha cara do que Toronto. Obrigada, Thais!

 

Thais, diretora da ETC Intercâmbio
 

Ela tirou todas as minhas dúvidas e sempre foi super paciente. É por isso que criar uma relação de confiança com a pessoa que está organizando o seu processo de intercâmbio é fundamental. Eu enviava uma média de cinco e-mails semanais para a Thais e ela me ajudou bastante mesmo quando eu já havia chegado aqui em Toronto. 

ETC Intercâmbio existe desde 2006 e não só a Thais, mas toda a equipe da agência sabe muuuuuito sobre intercâmbio. A agência irá te apresentar diversos orçamentos para escolas diferentes e dará todas as informações necessárias. 

Quanto custa?

Os custos de um intercâmbio para quem vai estudar uma outra língua incluem: curso de idiomas + seguro de saúde obrigatório + taxas da escola e da agência + taxas do visto + acomodação + passagem aérea. Ufa! Não vou listar cada valor, pois eu fiz tudo isso há três anos e os preços já mudaram. Esses são os gastos que você terá antes de sair do Brasil e a forma de pagamento pode variar de parcelamento no boleto, cheque, cartão ou à vista. 

Por conta dos altos custos e da demora em algumas etapas como marcar entrevistas para vistos (quando necessário), consultas médicas e reunir toda a documentação, eu sempre aconselho as pessoas a planejarem um intercâmbio com no mínimo 6 meses de antecedência, mas hoje é possível programar seu intercâmbio com 1 ano de antecedência, assim aqueles que não puderem pagar à vista podem começar a parcelar bem antes e viajar com tudo quitado. Dessa forma você  acaba pagando menos (levando em consideração que os valores e a moeda estrangeira podem subir) e evita algumas dores de cabeça. Já pensou se o visto for negado? Com antecedência, dá para reaplicar ou tentar uma outra alternativa. 

É importante também verificar os bancos disponíveis no seu destino. E se você for receber dinheiro dos seus familiares enquanto estiver viajando, pesquise qual é a melhor opção. Eu coloquei o meu dinheiro em um cartão de crédito pré-pago. 

Se você deseja cursar um College ou Universidade no Canadá, os valores serão outros e o planejamento é ainda maior. 

Moradia 

 

Peça referências sobre o bairro, proximidade dos meios de transporte públicos e segurança
 

A agência vai te dar a opção de um mês ou o período completo de acomodação na casa de uma família, chamado de homestayVocê tem direito a um quarto – algumas vezes compartilhado com outro estudante – , e as refeições podem ser duas ou três, vai depender da sua escolha. Pode ser que você tenha problemas com a família. Eu tive muita sorte! Mas tenho vários amigos que passaram por situações inusitadas. Caso algo desagradável aconteça, você tem o direito de ir para outra homestay. A agência de intercâmbio vai te passar todas essas informações e a escola vai te encaminhar para uma outra casa depois de analisar a sua reclamação. Se você escolher ficar na homestay por um mês, após esse período terá que achar um apartamento para dividir com outras pessoas. 

Eu sempre sugiro que a pessoa venha com dois meses de homestay pagos, porque um mês passa muito rápido e achar um lugar para morar não é tão fácil quanto parece. Eu quase surtei e só achei outro lugar uns três dias antes do meu contrato com a homestay acabar. 

Se você tiver algum conhecido no país de destino, peça ajuda na hora de achar sites confiáveis para buscar por moradia. 

Uma dica importante: evite morar com outros brasileiros logo no início do seu intercâmbio. É um erro muito comum dos estudantes. Você vai acabar falando português o tempo inteiro e, como consequência, o seu nível de inglês não vai melhorar tão rápido. Não tenha medo ou receio de dividir casa com pessoas de outras nacionalidades, lembre-se que fazer intercâmbio é também conhecer mais sobre outras culturas e aprender a respeitar as diferenças. E tenha paciência. 

Depois da parte burocrática, é hora de arrumar as malas 

Você já escolheu o seu destino, já achou uma agência de confiança, resolveu a parte burocrática de vistos, exames médicos e pagamentos, agora é hora de passar horas e horas sonhando acordado e ….arrumar as malas! Eu comecei a arrumar as minhas malas um mês antes do meu embarque. Trouxe duas, já que eu ficaria por um ano. Fiz várias pesquisas sobre o clima de Toronto e descobri que aqui fazia muuuuito calor durante o verão, então eu já vim preparada. Não deixe de trazer os remédios que você está acostumado a tomar. Lembre-se de estar com a receita em mãos na hora da viagem, caso você esteja portando remédios controlados. 

Não caia na besteira de levar pouquíssimas roupas para comprar tudo quando chegar lá. Traga roupas suficientes para não precisar se preocupar em gastar. Economize a grana para fazer viagens nos finais de semana e explorar ao máximo cada cantinho da cidade em que estiver morando.

Além das roupas, sapatos e remédios essenciais, não esqueça de levar na mala três peças de independência, dois pares de coragem e muita, muita curiosidade. Vale lembrar que os seguintes itens não são permitidos pela alfândega: preconceito, intolerância e o desrespeito ao próximo. Ah, frescuras só se forem doses pequenas, porque você vai acabar deixando-as para trás.

Celebre o St. Patrick’s Day em Toronto 

O ano mal começou e está voando! Prova disso é que já estamos em março, o inverno já está acabando e o St. Patrick’s Day já está chegando! Para quem não sabe do que se trata, no ano passado escrevi um post explicando toda a história da tradição irlandesa que também é celebrada aqui em Toronto.

Se você está por aqui, pegue tudo que tiver a cor verde no seu armário e já deixe pronto para o fim de semana, afinal, essa é a cor do santo padroeiro da Irlanda. 



St. Patrick’s Day em 2013


Assim como no Halloween, por aqui o pessoal entra mesmo no clima da festa. Prepare-se para ver as figuras mais exóticas e engraçadas e entre na tradição. 



Foto: Pinterest

Como não é feriado na cidade, muitos celebram a data no sábado. O ponto alto da festa é a cerveja verde, servida pela maioria dos locais.

Foto: Visual Photo

Os bares e pubs da cidade, principalmente os Irish Pubs, que por sinal são muitos, já divulgaram a programação de festas que começam no final da semana e só terminam na terça-feira (17/03), data em que o São Patrício é celebrado.

Foto: Toronto Observer
Foto: Toronto Observer

No domingo (15/03) ao meio-dia acontece a tradicional St. Patrick’s Parade. O desfile sai do Varsity Stadium, na Bloor Street bem próximo a St George Station e segue para a Nathan Philips Square,  no centro da cidade.  Os organizadores do evento sugerem que o público leve um kg de alimento não perecível, que depois será doado a uma instituição filantrópica. Apesar de não ser obrigatório, o gesto é uma ótima oportunidade de unir diversão com fazer o bem ao próximo! 🙂

Onde comemorar: 

A festa no Madison Pub começa no sábado. Porém, a grande comemoração acontece na terça, quando o famoso pub abre para os festejos a partir das 11 da manhã.  O local é um dos preferidos dos estudantes internacionais e fica lotado durante os festejos. CAD$25 cada dia. 

Grace O’Malley’s promove a festa St Patricks Day Extravaganza na terça-feira (17) a partir do meio dia. Assim como o Madison, o bar irlandês fica sempre cheio. CAD$20.

Irish Embassy Pub é o bar irlandês mais famoso de Toronto. Portanto, a festa rola durante todo o final de semana e também na terça-feira. Sugiro chegar cedo para não enfrentar filas enormes. O local oferece música ao vivo e abrirá das 11am às 2am. Valores não informados.

Do mesmo grupo que gerencia o Irish Embassy, o P. J. O’Brien também celebra a tradição de sábado a domingo. Os dois locais vão oferecer apresentações de danças típicas irlandesas. Valores não informados.

A cervejaria Steam Whistle já parece celebrar o St. Patrick’s Day durante o ano inteiro, com suas latinhas verdes bem chamativas. Neste sábado eles organizam uma festa super badalada a partir das 13h. Tickets CAD$20.  No domingo às 10:30am acontece a tradicional Achilles St. Patrick’s Day 5K Run/Walk, uma corrida de rua que ocorre há 16 anos com a finalidade de arrecadar fundos para a ONG Achilles Canada. A largada será em frente à cervejaria. Valor CAD$ 50.

House Party

Uma ótima opção para quem não quer enfrentar filas e gastar muito dinheiro, mas ainda quer reunir os amigos e comemorar a data é organizar uma house party!

Foto: Pinterest

Vá até a Dollarama mais próxima, gaste pouco e compre muitos apetrechos para decorar e distribuir pros amigos.

Foto: Pinterest

Teste receitinhas com ingredientes verdes e use corante para colorir aperitivos simples como pipoca, cupcakes, patês!  Use a sua criatividade!

🙂

O inverno já está se despedindo

Quem leu o meu post sobre aplicativos úteis em Toronto há algum tempo sabe que a primeira coisa que faço quando acordo é checar a temperatura lá fora. E olha só que maravilha:



O inverno tá se despedindo!!! Para quem mora no calor de 40 graus do Brasil vai achar que é loucura comemorar quando a temperatura está negativa, mas acreditem: depois de um tempo, você se acostuma com o frio e começa a sentir calor mesmo com temperaturas baixas como a de hoje. Óbvio que não saio na rua e começo a suar, mas os casacões de inverno já estão guardados e caminhar do lado de fora já é bem mais prazeroso. 

A primavera chega em 8 dias (ebaaaa!) e eu mal posso esperar por dias quentinhos, cidade florida e as botas de volta ao armário. 

Para quem me pergunta, o inverno em Toronto é rigoroso sim, mas é também inconstante. Temos dias de temperaturas baixíssimas e outros em que o frio está mais ameno.  Mas como você vive, Aritta? Alguns perguntam. Gente, tendo a roupa certa, eu não deixo de fazer nada aqui. Continuo saindo para me divertir,  vou para a academia, acordo às 4 da manhã num frio de -20 pra trabalhar e, apesar de não ser a minha estação favorita, eu acho o inverno lindo. 

Ah, super importante: muita gente se preocupa com os casacos e esquece dos pés. Não dá para usar qualquer bota no inverno daqui. Na hora de comprar, verifique se é a prova d’água, se é antiderrapante e, claro, confortável. Dias atrás inventei de colocar a minha botinha de outono para sair e levei o maior tombo no meio da rua. O Nik ia andando na minha frente e quando virou eu estava espatifada no chão, imóvel. Hahaha 



Camada fina de gelo conhecida como black ice


Existe algo chamado black ice ou clear ice que é um dos vilões do inverno. Trata-se da camada bem fina de gelo que se forma nas calçadas e no asfalto e que escorrega demais se você não estiver calçando uma bota antiderrapante. Apesar de transparente, essa camada é geralmente chamada de gelo preto pois é quase imperceptível no solo. Por isso a gente escorrega! 

Um bom dia e uma ótima quinta para todos! 

🙂 

Fazer um College no Canadá

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Algumas pessoas me pediram para contar como é a experiência de estudar em um College aqui em Toronto e, como prometido, vamos lá! 🙂
Eu me formei em 2009 em Jornalismo no Brasil e em seguida fiz um ano de Pós Graduação em Comunicação Política. Fazer um College (instituição de ensino menor, equivalente a uma faculdade no Brasil) ou Universidade aqui em Toronto a princípio não estava nos meus planos, mas quando decidi que queria mesmo ficar no país, eu já sabia que teria que enfrentar mais alguns anos de estudo, adquirir um diploma e iniciar uma nova carreira.
Eu amo jornalismo, mas acabei perdendo um pouco do encanto pela profissão. Não me via trabalhando aqui como jornalista e sempre soube que a minha segunda opção de curso seria Marketing.
Meu primeiro passo foi pesquisar as opções de Colleges em Toronto e ver qual deles oferecia um curso que atendesse aos meus critérios. Também conversei com amigos que estudam/estudaram aqui para saber a avaliação deles.
Visitei o George Brown College e conheci a Simone, brasileira que trabalha no departamento que cuida dos estudantes internacionais e ela tirou todas as minhas dúvidas. Foi ela quem explicou como funcionava a questão do work permit e eu acabei optando pelo curso de diploma em Business – Marketing com a duração de dois anos e que me dá o direito de 3 anos de post graduation work permit.
Funciona da seguinte forma: enquanto você está estudando, você tem o direito de trabalhar até 20h semanais durante o período de aulas e 40h semanais nas férias. O meu chefe foi bem flexível e acabou me liberando para pegar algumas horinhas a mais. Isso vai depender do seu trabalho. Você pode escolher um trabalho in campus ou off campus. Depois que você terminar o curso, você terá direito a um Post Graduation Work Permit (PGWPP). Cursos com duração menor do que oito meses não dão direito ao benefício; cursos com duração de 8 meses ou 1 ano te dão direito a trabalhar pelo mesmo período após o final do curso; cursos com a duração de dois anos ou mais te dão direito a 3 anos de PGWPP. Após me formar e trabalhar em tempo integral por um ano, eu já vou poder aplicar para o PR (Permanent Resident) através do Canadian Experience Class.
Depois de decidir pelo George Brown, o segundo passo foi me inscrever online no curso. As aulas iniciam em três períodos diferentes: janeiro, maio e setembro. E vale lembrar que para quem não escolhe cursos de verão, as férias começam na metade de abril e terminam no final de agosto. No final do ano, o recesso é de mais ou menos vinte dias.
Ao contrário do Brasil, em que estudamos por semestres, aqui são quatro meses (intensos!) de aulas que podem ocorrer em um turno ou até dois turnos no mesmo dia. Em fevereiro temos uma semana sem aulas que, inclusive, começa hoje! Eba!!!

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Voltando ao processo da matrícula, a taxa cobrada é de CAD$ 65 e você precisa anexar os seguintes comprovantes: cópia do certificado de conclusão do ensino médio ou de uma graduação realizada no Brasil, traduzido por uma instituição ou profissional credenciado; cópia do resultado obtido no IELTS ou TOEFL (a pontuação requirida varia de acordo com o tipo de programa escolhido) ou se você não tiver feito um dos dois testes, algumas instituições oferecem um teste lá mesmo, onde eles avaliam o seu inglês. Eu optei por esse teste e paguei uma taxa de CAD$ 60. O resultado não sai na mesma hora, mas acho que após duas semanas eles me enviaram um e-mail informando que eu havia sido aprovada.
Depois de realizar todos esses passos, você recebe uma carta da instituição comprovando que você foi aceito e essa carta será usada para a aplicação do visto. Por isso, é super importante que você se organize para fazer tudo com antecedência.
O meu visto foi aplicado em 30 de maio de 2014 e uma semana depois eu recebi o study permit e o work permit em casa.
Com o visto em mãos, você precisa estar atento aos prazos para pagamento do curso, que pode ser feito integral ou em duas vezes.
O valor é alto… em média 15 mil dólares por ano, fora os livros que são super caros. Mas, acredito que o retorno compensa.
Comecei o curso em setembro do ano passado e peguei 6 matérias. O começo, não vou mentir, foi bem difícil. Eu não queria diminuir a minha carga-horária no trabalho pois as despesas só iriam aumentar. Nas primeiras semanas eu entrei em desespero. Trabalhava 35 horas semanais e tinha aula todos os dias. Achei que fosse possível manter a minha rotina, já que no Brasil eu havia trabalhado e estudado. Porém, aqui a quantidade de trabalhos ou assignments é enorme! Ou seja: você precisa se dedicar. Não é difícil, ao contrário do que muitos pensam. É cansativo e exige muita dedicação.

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Como o meu investimento está sendo alto, passei a me cobrar muito. Comecei o curso com o objetivo de me formar com as maiores notas possíveis e organizei uma rotina de estudos com o Nik, o meu namorado que me ajuda muito, principalmente com matemática e contabilidade. Não sou competitiva, mas sou perfeccionista e fico muito mal quando tiro uma nota ruim.
Precisei diminuir as horas no trabalho para dar conta do College. Hoje trabalho uma média de 25h/semana e tenho 7 matérias com aulas de segunda a sexta, sem dia livre. Nos dias em que tenho aula no período da tarde, trabalho das 5 ou 6am às 10/11:30am e sigo direto pro College que fica bem pertinho do trabalho. Quando tenho aula pela manhã, estudo das 8am às 11am e trabalho uma média de 5 horas entre meio dia e 8pm.

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Levei alguns meses para conseguir me adaptar à nova rotina, que também inclui academia, namorar e sair com as amigas. Hoje em dia, apesar de ainda me cobrar bastante, não fico tão mal emocionalmente se não vou muito bem numa prova. Mas eu não me acomodo. Ao invés de aceitar a nota ruim e pensar “Ah, eu só preciso do suficiente pra passar”, eu dedico o dobro de horas e foco no meu objetivo de terminar com no mínimo 8 na média final. A Gabi, minha amiga brasileira que fez o mesmo curso que eu e hoje trabalha no RBC, o maior banco do Canadá, sofre com as minhas intermináveis mensagens desesperadas antes de um teste, trabalho ou quando me dou mal em algo e digo que vou desistir.
Eu tenho me esforçado como nunca me esforcei antes, mas tenho a sorte de estar com alguém que disponibiliza todo o tempo livre dele pra estudar comigo e por ter amigas que vibram quando compartilho com elas a minha evolução e me colocam pra cima quando fico meio desanimada. Obrigada, amores!
Quando me perguntam se vale a pena fazer um College aqui eu pergunto de volta: qual é seu objetivo?
Se você quer apenas ter um diploma de uma instituição internacional, lembre-se que o investimento é muito alto e o custo de vida também. Mas o aprendizado é enorme.
Se você, assim como eu, pretende ficar no Canadá, conseguir um bom emprego e iniciar a sua carreira por aqui, o caminho não será fácil, afinal a concorrência é alta. Em entrevistas de emprego, a maioria das empresas avalia o seu desempenho no College ou Universidade. Então, vale a pena se esforçar e dar o melhor de você.

Outros colleges em Toronto:

Humber
Seneca
Centennial College
Sheridan College

P.s: Postei o texto no blog ontem e hoje recebi a cartinha da George Brown me parabenizando por ter entrado na “Dean’s Honour List” no meu primeiro semestre. A lista consiste num reconhecimento aos alunos que obtiveram a média final igual ou superior a 3.5 de um total de 4. É muito comum na América do Norte e sempre mencionada pelos estudantes quando participam de entrevistas de emprego. Eu passei com 3.65 e fiquei super feliz em ver o meu esforço sendo reconhecido.

🙂