O único peso que importa é o das nossas conquistas e dos nossos sonhos

Eu sempre fui muito chorona. Não tinha vergonha de chorar por qualquer motivo. Nos últimos dois anos, porém, conto nos dedos as vezes em que me dei ao direito de chorar. Não lembro se começou quando alguém me disse que eu era “muito forte”, ou que eu “sabia encarar meus problemas de frente”. Só sei que vesti a capa da Mulher- Maravilha e não me dei mais ao direito de chorar à toa.

Encarei a ansiedade, o estresse, a saudade sem derramar uma lágrima. Ontem eu desabei. Desde então, já chorei umas 4 vezes.

Era apenas uma revisão médica, mas juntou a TPM com o fato dos meus exames terem apontado que os meus hormônios da tireóide estavam novamente alterados, para que uma tristeza sem tamanho tomasse conta de mim.

Há anos luto contra a balança. Venho de uma família na qual a obesidade sempre foi um problema. Ao sair de casa, aos 17, tive que me acostumar com comentários constantes do tipo “Nossa, voltou magrinha, como tá linda!” ou “Você anda engordando, hein? Tome cuidado”, “Essas suas pernas parecem de homem, Aritta”, “E esse braço, porque tá grosso assim?”, sempre que visitava a família nas férias.

A minha vó é do tipo que fala o que pensa, sem a intenção de ofender ou magoar. E eu a amo infinitamente – que fique bem claro. Certo dia, enquanto a levava para uma consulta médica, comentei que estava com fome. “Você tem que parar de comer tanto! Se não tomar cuidado, vai ser a próxima na família a fazer bariátrica”.

Quem me vê sempre alegre, cheia de energia e positividade nos posts, não sabe que aqui dentro se esconde uma mulher cheia de complexos. E como é difícil falar sobre eles…

Há tempos venho trabalhando a minha autoestima e sim, em alguns momentos, me sinto a mulher mais poderosa do mundo. Até escrevi um texto dias atrás sobre isso.

Em outros, me arrependo de ter cortado o cabelo tão curto, pois não dá pra esconder o braço fortinho. Os shorts de academia têm cheiro de roupa guardada, já que as calças disfarçam as pernas grossas… e por aí vai!

Os dias que antecediam o meu retorno ao Brasil eram uma tortura. Intensificava o treino, fechava a boca e me apavorava só em pensar nos comentários sobre o meu corpo. Hoje em dia, já não me importo tanto.

Há uns dois anos não sei quanto peso. O meu médico não me julga quando me vê de olhos fechados ao subir na balança. Eu queria que fosse exagero. Mas não é. Infelizmente, o meu comportamento é muito mais comum do que você pensa.

Já melhorei muito. As viagens ao redor do mundo me fizeram valorizar muito mais algumas das minhas características, como o fato de ter me tornado menos materialista, mais consciente e preocupada com o meio ambiente e muito mais focada em me tornar um ser humano melhor.

Também passei a praticar mais a sororidade e, apesar de não me intitular Feminista, quanto mais aprendo sobre o movimento, mais vontade eu tenho de abraçar as mulheres ao meu redor e dizer que a gente pode TUDO.

Todas as noites, vou dormir com o desejo de acordar logo para conquistar o mundo. Também durmo com a esperança de que amanhã, o tamanho do meu quadril não me faça esquecer que eu sou muito maior do que o meu medo de pisar na balança.

Afinal, há algo que nós, mulheres, muitas vezes esquecemos: tendo saúde, o único peso que importa é o peso das nossas conquistas e dos nossos sonhos.

P.s: O texto não é de hoje. Faltou coragem para publicá-lo antes.

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Eu só queria mesmo escrever

Os meus traumas, medos e inseguranças me acompanharam (e ainda me rodeiam) por 11 anos. Meus textos – cheios de desabafo e histórias de infância – eram, e continuam sendo, a terapia que eu nunca fiz. Por trás dessa tela, minhas mãos minúsculas tremem ao construir certas frases e, a cada palavra digitada, parecem gritar: eu AMO escrever. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Certos textos possuem uma carga emocional tão grande que vêm acompanhados por uma dor de cabeça terrível. Eu choro enquanto escrevo e depois me sinto leve! Me afundo de cabeça em biografias e memórias, pois quanto mais leio sobre outras pessoas, mais aprendo sobre mim mesma… e mais vontade tenho em compartilhar as minhas histórias. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Não lembro o momento exato em que passei a apreciar o que eu nunca havia enxergado antes: dentro de mim há uma mulher gigante, observadora, ousada, talentosa e inquebrável. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Talvez tenha sido dentro de um abraço ou após aquele obrigada de uma amiga que me ligou pra desabafar. Pode ter sido anteontem, enquanto lia uma carta que a minha mãe me escreveu quando eu ainda era miúda. Ou foi durante aquele banho, depois de terminar um livro super triste, no qual agradeci por cada pedacinho saudável e cada dobrinha do meu corpo. Ô sorte! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Todo problema que surgir na sua vida vai ser do tamanho e peso que você o dará. Quanto menos você o alimenta, menor ele se torna. Não é pra ter moral no final da história, nem pra fazer sentido. Eu só queria mesmo escrever. E também queria dizer que apesar de pequena, eu sou gigante. Quanto mais eu me convenço disso, menor se tornam os meus problemas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Tente fazer o mesmo! Bom dia! 💙

Feliz aniversário, meu Marquinho

O nosso time nem sempre jogou bonito. Houve faltas, contra-ataques sem estratégia alguma, muita bola fora e péssimas cobranças de escanteio.

Éramos dois jogadores com posições, línguas e táticas completamente diferentes. A gente não se entendia. Lembra da nossa dificuldade em jogar bonito?

Em quase seis anos de história, são mais de duas mil partidas.

Tá certo que nem sempre dividimos o mesmo campo. Foram tantos cartões vermelhos e expulsões que eu nem consigo contar.

Lembro bem da época na qual sentamos no banco de reservas e até jogamos em times diferentes. Doeu mais do que aquele 7X1.

Amadurecemos, evoluímos, melhoramos a nossa técnica, nos demos mais uma chance. Voltamos a vestir a mesma camisa, dessa vez menos preocupados em marcar gols e mais comprometidos em melhorar a nossa harmonia em campo.

Aprendemos a antecipar os chutes um do outro. Eu mal toquei na bola com meu pé canhoto e você já está lá pra receber o meu passe.

A nossa história é tão linda quanto a comemoração de Bebeto ao marcar o gol na copa de 94; é tão linda quanto o pênalti perdido por Baggio naquela mesma copa; tão linda quanto os gols de Ronaldo na final de 2002. Somos penta e em breve seremos hexa! Mais de cinco anos de história…

O nosso time pode não ser o melhor, mas é cada drible lindo que a gente dá nessa vida, né? Te amo 💛

Aqueles que não pedem pra sair

Dizem que os amigos de infância são os únicos que realmente nos conhecem, pois nos viram crescer. Os amigos de intercâmbio deveriam fazer parte do mesmo grupo. Porque morar fora é – como eu já disse certa vez – dar luz a um novo "eu", é ser mãe e pai de si próprio.

Os amigos que também são imigrantes, acompanham o nosso renascimento. Eles nos observam enquanto a gente se recria, sem pai e mãe ao lado pra educar e dizer se tá certo ou errado. Ou pra fazer curativos quando a gente quebra a cara. E a gente quebra demais, né?

O amigo imigrante é aquele que segura as nossas maiores barras, porque os problemas agora são reais e o tempo passa voando. Ainda ontem era 2012!

Ninguém chora porque quer sair e a mãe não deixa. A gente chora porque não pode estar ao lado da mãe doente, do pai com problemas financeiros, dos amigos antigos. Choramos porque a gente perde a chance de nos despedir de quem nos deixa e de dar boas vindas a quem acabou de vir ao mundo. Quantos natais ao lado da família, casamentos, batizados, aniversários você perdeu?

Choramos porque falta dinheiro, falta trabalho, falta paciência, falta o colo dos avós. Choramos porque a gente achou que seria mais fácil; porque a língua é complicada, porque a cultura é estranha. Porque confiamos em alguém que nos passou a perna e tudo parece dar errado.

Choramos porque queremos ficar e, muitas vezes, parece impossível. Quem nunca? A gente chora porque mesmo chegando tão longe, acha que não chegou a lugar algum.

E, nessas horas, o seu novo amigo de infância te acolhe. Te relembra passo a passo o quanto você cresceu, tudo o que conquistou e o que ainda está ao seu alcance. O amigo imigrante sabe de verdade o que você sente. Ele não está só te confortando. Ele tem as mesmas saudades, as mesmas dúvidas e angústias. Ele está – ou em algum momento esteve – tão perdido quanto você. E é por isso que a vida se encarregou de te apresentá-lo.

A gente também chora de alegria. Com o visto que foi aprovado, com o primeiro emprego naquela cafeteria quando a gente mal falava a língua; choramos com a conquista de um diploma no exterior, com o pedido de casamento inesperado. Choramos com a ligação pra contar que a vaga naquela empresa dos sonhos é sua ou quando a amiga compra o seu primeiro apartamento. Choramos quando o teste dá positivo e uma nova vida está a caminho. E a nossa família aqui fora vai aumentando.

Nessa montanha-russa que a gente vive quando decide morar fora, muitos vão pensar em desistir dezenas de vezes, até que os altos e baixos deixem de assustá-los. Não é que tudo se torna mais fácil, mas a gente sabe que tem uma mão ali ao lado pra nos amparar. E isso conforta.

São os amigos que ficam e, que sentam bem pertinho de você nessa jornada – aqueles que não pedem pra sair e não te abandonam quando a montanha-russa dá umas voltas de ré, ou quando você não está lá no topo, mas sim, parado lá embaixo -, que tornam a vida de imigrante menos solitária, muito menos assustadora e muito mais gostosa.

Obrigada, meus amores. Eu já teria descido há muito tempo se não fossem vocês.

One day I dreamed about this 

It was a cold November afternoon, back in 2013, when I told my friend Mateus that one day I was going to visit Asia. 
We weren’t even talking about our dreams or aspirational vacations, it just fell out of my mouth. I had been toying with the idea for months. 

I had no idea how I would get there, since my financial situation was precarious. I wasn’t sure how I would make my dream of travelling to Cambodia come true, but l believed that if there is a will, there must be a way. 

Almost two years later, in March 2015, I wrote a chronicle  about the experience of living abroad. A couple hours later the article was being shared all over the world. 

It was read by Brazilians living in Europe, in Australia, Central America, in Asia (!!!) places that I had never imagined I could reach. In a certain way I had already gotten there…I had gotten way further than I thought it was possible.

It was because of that article that I first got paid for my writings. 

And it was that first payment that helped me buy tickets to Thailand, Cambodia and Vietnam. It was finally happening! 

That silly, but somehow powerful, article brought new people into my life, new job opportunities and helped me reconnect with my ex boyfriend – now husband. 

It was on that March day, sitting on a bus on my way to school that I wrote something that thousands of people could relate to. Most importantly than going viral, that article made me realize that I could conquer the world – one step at a time. I only had to believe in my ability to go further, getting to any place I had wished to get.  

I am part of the team that is not afraid of failure, that’s one of the reasons why I’ve gotten so much from life. 

It doesn’t change anything if you only dream, complain, cry, pray, desire something a lot if you don’t believe you are able to get it, and most importantly, if you don’t take the risk. 

Do no spend too much time planning, do not overthink or focus on all the things that could possible go wrong. 

Don’t you think that losing time just dreaming about it and not doing anything is already a huge mistake? Go ahead, take the next step. Just do it.
P.s: This is a translation of an article I wrote in Portuguese a few days ago. The original version you can find here


O que te transforma também te fortalece

Hoje eu acordei super cedo e passei um bom tempo pensando sobre pessoas, livros, lugares e acontecimentos que, de alguma forma, me transformaram. Era apenas um exercício bobo para tentar achar um tema para uma nova crônica. Quando me dei conta, eu já tinha reunido um bocado de lembranças deliciosas. 
Disse aqui há algum tempo que convivi pouco com a minha mãe – eu tinha cinco anos quando a perdi. Mas ela foi a primeira pessoa que me veio à cabeça quando procurava alguém que havia me transformado. À ela devo a minha alma livre, viajante e a minha curiosidade. Thanks mommy! 

Pollyanna, livro que eu li há uns 20 anos, me ensinou muito mais do que o Jogo do Contente. Devo à personagem o meu bom humor e o sorriso no rosto mesmo em situações complicadas. Eu choro – e muito! Mas se tem algo que eu sou ao extremo – além de tagarela – é positiva.

Foi na Ásia que eu aprendi que não queria ser turista e sim viajante. Aprendi que, mais do dicas e listas do que fazer em um local, eu queria compartilhar experiências e reflexões. Aprendi também que ao fugir do roteiro pronto, eu descobria os meus próprios paraísos. 

A parte mais difícil foi escolher apenas um acontecimento que tenha me transformado. Óbvio, posso contar vários. Mas eu não queria usar nenhuma tragédia e nenhum momento de extrema felicidade. Foi aí que lembrei de uma conversa que tive lá em 2011 com a minha então chefe-amiga-mega-talentosa Dani. 

Eu andava meio perdida, desmotivada e com o coração bem apertadinho. “Arittinha, você tem que explorar o mundo! Vai morar fora! Você é nova, talentosa e cheia de energia! Se manda!”. Aquela conversa corriqueira, ocorrida entre uma pauta e outra, foi o (re) começo de tudo. Foi o momento de transformação da Aritta que esperava as coisas acontecerem para a Aritta que FAZ as coisas acontecerem. O resto da história vocês já conhecem.

Sabe aquele ditado “O que não te mata, te fortalece”? O que te transforma também vai te fortalecer. E muito! 

E você? Já parou pra pensar em tudo que te transformou? 

Um dia eu sonhei com tudo isso


Num dia frio no inverno de 2013, eu disse ao meu amigo Mateus que iria para a Ásia. Assim, do nada. Nem falávamos sobre sonhos ou viagens. Falei porque aquilo não me saía da cabeça. 
Eu não sabia como chegaria lá, pois naquela época o dinheiro era contado. Ainda não fazia ideia de como realizaria o meu sonho de conhecer o Camboja. Mas eu sabia que um dia o realizaria. Anos antes, eu havia sonhado em morar fora. E lá estava eu completamente apaixonada pelo Canadá. 

Um ano e meio depois, em Março de 2015, escrevi um texto sobre a experiência de morar fora. E ele foi se espalhando pelo mundo… Foi lido por brasileiros na Europa, na Austrália, na América Central, na Ásia… em lugares que eu jamais imaginei alcançar. De alguma forma, eu já havia chegado lá. Eu havia ido muito mais longe. 

Foi aquele texto que me trouxe os primeiros “trocados” através do blog. E foi com aqueles trocados que eu consegui comprar a passagem pra Tailândia, Vietnã e Camboja. Foi o texto que me trouxe novos amigos, novas oportunidades e o meu velho amor, hoje marido. Foi naquele março, sentada num ônibus, que eu escrevi algo capaz de atingir milhares de pessoas. 

Mais importante do que se tornar viral, aquele texto me fez perceber que eu era capaz de conquistar o mundo – one step at a time. Eu só precisava acreditar na minha capacidade de ir mais longe. De chegar em qualquer lugar do mundo. 

Eu sou do time que não tem medo de quebrar a cara. E com a minha cara de pau eu já consegui muitas coisas nessa vida. De nada vale sonhar, reclamar, chorar, rezar, pedir muito algo se você não acreditar que pode e, se você não arriscar. 

Não planeje tanto, não pense no que poderia dar errado. Ficar parado sonhando já não é um erro gigantesco? Um dia eu sonhei com tudo isso. E não descansei enquanto “isso” não deixou de ser sonho. Go ahead. Take the next step. Just do it.