8 motivos pelos quais você vai se apaixonar pela Tanzânia

Em um post anterior eu contei sobre a nossa passagem pelo Quênia e pela África do Sul durante os nossos 40 dias de viagem pela África. Visitamos o continente no final de 2017 e voltamos encantados com tudo o que vimos!

Ficamos oito dias na Tanzânia, como parte de um dos tours que fizemos com a G Adventures, empresa de turismo de aventura que organizou toda a nossa viagem. Parece pouco tempo, mas deu pra aproveitar muito! Se engana quem pensa que a gente só viu bichos. Há muita coisa para ver e fazer por lá!

E, para quem nunca havia pensado em visitar o país, eu resolvi listar todos os motivos pelos quais eu me apaixonei por lá – e pelos quais você também vai se apaixonar.

1. O país oferece um pouco de tudo

Aventura, natureza, praia e sol, cultura e tranquilidade. Na Tanzânia dá pra ter tudo na mesma viagem! É aquele lugar que não para de nos surpreender.

 

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Fizemos muita coisa, mas também tivemos momentos mais tranquilos, em que observávamos a natureza e refletíamos sobre a grandeza da África

Com planejamento e a ajuda de uma agência de viagens, dá pra ver muita coisa. E não precisa ser aventureiro, já que a maioria dos atrativos oferece opções para todos os gostos e idades. Víamos muitos jovens, mas também idosos e famílias com crianças.

2. Safari  no Serengeti

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O safari no Serengeti foi uma das experiências mais fantásticas das nossas vidas! 

Como expliquei no post anterior, a nossa viagem foi uma das categorias mais baratas da agência que contratamos. É um roteiro feito para pessoas entre 19 e 39 anos que curtem aventuras. Em quase todos os destinos, ficamos em acampamentos (com colchão e travesseiro nas barracas), com a opção de fazermos um upgrade para um quarto ou chalé.

Os campings por toda a África oferecem ambos (espaço para as barracas e um hotel/pousada na mesma propriedade). O Marc e eu acampamos poucas vezes. Pagávamos uns 20 dólares da diferença (pois o camping era incluso no pacote) e pegávamos um quarto.

Em alguns lugares, como no Serengeti, não tínhamos a opção de fazer o upgrade, então acampamos. E foi demais!!! O nosso grupo montou as barracas no meio do parque, sem nenhuma cerca que nos separasse de qualquer animal que viesse a aparecer. Os guias têm muita experiência e sabem bem em quais locais não há perigo em acampar.

Eles fizeram uma fogueira (os animais não chegam perto, pois morrem de medo de fogo), jantamos ao redor dela, ouvimos música, compartilhamos histórias e depois fomos dormir. Durante toda a noite ouvíamos o barulho dos bichos: hienas, leões, macacos…

O único problema era acordar pra fazer xixi. Imagina o medo de caminhar de madrugada até o banheiro, que ficava a uns 100 metros de onde estávamos? Não tive coragem e fiz ao lado da barraca, praticamente só com o bumbum de fora. #todomundofezassim hahahaha

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Esse leão parou no meio da estrada e demorou bastante tempo para sair. Ele nem se abalava com a nossa presença!

Nunca vou esquecer o momento em que vimos bem de pertinho um leão enorme, deitado no meio da estrada, durante o nosso primeiro dia de safari no Serengeti. Me arrepiei toda e parecia uma criança, de tão eufórica! E ele lá, todo majestoso, deitado, relaxando bem pertinho de nós.

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Um outro leão e a sua companheira

Chegamos bem cedinho no parque e dirigimos por uma média de 6-8 horas por dia, com paradas para o almoço e lanche. O nosso motorista era excepcional e sabia tudo sobre os animais, os seus hábitos e como chegar bem pertinho dos mais procurados.

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A gente aprende logo a procurar os bichos também nas árvores, pois muitos dos felinos passam horas em cima delas

Para facilitar a vida dos motoristas, eles utilizam um sistema de comunicação via rádio,  assim a gente não perde tempo dirigindo por horas sem avistar animal algum. É claro que mesmo com o rádio, não é sempre que um grupo terá a sorte de ver todos os BIG 5 (os cinco mamíferos selvagens de grande porte, mais difíceis de serem caçados pelo homem) no mesmo dia. São eles: leão, rinoceronte, elefante, búfalo-africano e leopardo.

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Algumas vezes a gente não consegue vê-los, por conta da vegetação, mas os motoristas são craques em enxergá-los bem rapidinho

Muitos bichos não se deslocam com tanta frequência. É por isso que uma viagem para fazer safari deve ter um mínimo de 3 dias de game drive – como é chamado o passeio no carro especial pelo parque. A gente nunca vê a mesma coisa no outro dia. E nos surpreendemos sempre, como se fosse a primeira vez.

 

 

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Há muuuitos baboons pela Tanzânia. Mas, cuidado com esses bichos, pois são rápidos e gostam de roubar os nossos pertences

Quando chegamos no parque, temos a sensação de estar vivendo tudo que vimos no filme O Rei Leão. Sem exageros!!! Tudo faz com que a gente lembre do desenho. Já começa pelo fato de que a expressão hakuna matata (sem problemas, em Swahili) é usada o tempo inteiro pelos africanos. Daí, a gente começa a avistar todos aqueles bichos e a vegetação ao redor… é muito mágico!

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Tem como não lembrar da dupla Timão e Pumba?

3. Ver a migração dos antílopes

Visitamos o Serengeti durante o período de migração dos gnus e outros antílopes, que se movimentam na savana ao longo do ano, nos períodos de seca, em busca de pastagens mais verdes.

O ciclo tem início ao sul do parque nacional, com o nascimento de cerca de meio milhão de filhotes, entre os meses de janeiro e março. Com o fim do período de chuvas, em maio, a terra seca rapidamente e faz com que cerca de 1 milhão e meio de gnus, além de milhares de zebras e outros antílopes se desloquem em direção ao Parque Nacional Maasai Mara, no Quênia.

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São milhares de gnus correndo em fila, na mesma direção, super organizados, enquanto a gente parava o carro e esperava de boca aberta

Em meados de outubro, as chuvas voltam a cair no Serengeti e os animais retornam ao local. Ficávamos um tempão esperando milhares de bichos atravessarem em frente à nós. Eles correm em fila, numa organização que nos deixou impressionados.

 

4. Safari em Ngorongoro

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Vista do alto, da cratera em Ngorongoro

Antes de visitar a Tanzânia, eu jamais havia ouvido falar em Ngorongoro. É uma cratera gigante, formada após anos de atividades vulcânicas e localizada a 2.200 metros acima do nível do mar. Do alto, vemos um buraco enorme, plano, com muita vegetação, que abriga no seu seio quase a totalidade das espécies da África Oriental.

Acampamos na parte alta, onde também ficam os lodges. Passamos apenas uma noite lá, no outro dia dirigimos pela cratera das 7h às 16h. Como estávamos num lugar muito mais elevado, fazia bem frio no acampamento.

Logo que iniciamos o safari em Ngorongoro demos de cara com um grupo com sete leões. Por ser um local bem plano, era muito mais fácil avistar os bichos. São tantas fotos lindas que eu passei horas escolhendo as minhas favoritas. Aqui estão algumas delas:

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No centro da cratera, onde não há árvores para os bichos descansarem em suas sombras, vimos as espécies que não sofrem tanto com o calor
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Os elefantes, por sua vez, preferem circular na “borda” da cratera, em meio à vegetação mais densa, com árvores maiores e onde faz muito menos calor
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Dezenas de baboons em Ngorongoro
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Hiena se refresca em uma poça d’água

5. Conhecer de perto como vivem os Masai

Quando avistei o primeiro Masai (ou Maasai) nas ruas de Arusha, na Tanzânia, fiquei super curiosa para saber mais sobre a cultura da tribo. Sorte minha, o guia que nos acompanhou nos 21 dias de tour era um deles. Acabei aprendendo muito mais do que eu imaginava. 

Os Masai são uma das maiores tribos africanas, encontradas no sul do Quênia e no norte da Tanzânia. São famosos pela cultura nômade: vivem uma média de 6 meses em cada local.

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Visitamos uma tribo após deixar o Parque Nacional do Serengeti, quando estávamos a caminho de Ngorongoro

Tenho muitas fotos lindas tiradas nessa tribo e acho importante compartilhar a história desse povo, então decidi que farei um post só sobre eles em breve.

6. Stone Town, a Cidade de Pedra

Depois da nossa aventura nos parques Serengeti e Ngorongoro, seguimos viagem com destino à Zanzibar. Mais um carimbo no passaporte! É que apesar de fazer parte da Tanzânia, o conjunto de ilhas tem o seu próprio presidente e a gente passa novamente pela imigração, assim que desembarcamos.

Para chegarmos na Ilha de Unguja (conhecida como Zanzibar), pegamos um ferry-boat em Dar es Salaam. A viagem dura uma média de duas horas e é bem tranquila (fora o tumulto no embarque e desembarque) para aqueles que não enjoam em barcos.

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As portas enormes de madeira talhada são lindas e estão em quase todas as casas 

Você pode não ter ouvido falar na Cidade de Pedra mas, com certeza já ouviu a voz do nativo mais famoso da região: Freddie Mercury. Em alguns restaurantes, vimos quadros com fotos do artista, que viveu em sua terra natal até os 18 anos, quando se mudou para a Inglaterra.

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Alguns dos museus estão bem mal preservados, então fizemos um tour apenas pela cidade mesmo, sem visitar alguns dos pontos turísticos

 

Apesar de bem pequena a cidade é considerada a “alma de Zanzibar”, com suas lojas, museus, mercados e restaurantes em prédios coloniais e casas com portas grandes de madeira talhada. Os moradores são, em sua maioria, mulçumanos (mais de 90%), e o contraste entre o que vimos em outros lugares da Tanzânia com o que vimos por lá, é impressionante.

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A orla na Cidade de Pedra fica bem cheia todas as tardes. Há uma feirinha e muitas barracas de artesanatos e comidas

7. As águas cristalinas nas praias de Zanzibar

Quando disse que a Tanzânia é um destino completo na África, eu não estava exagerando. Além de se aventurar nos parques nacionais durante os safaris, você ainda pode curtir uns dias de praia num dos lugares mais lindos que já vi.

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Uma das poucas coisas ruins em Zanzibar, é a insistência de alguns vendedores na praia. Mas, nada que um bom jogo de cintura não resolva

Ficamos hospedados três noites no Amaan Bungalows , um hotel à beira de uma praia chamada Nungwi. O mar tem um azul cristalino espetacular! O hotel tinha um bom restaurante com ótimo café da manhã e opções deliciosas de pratos para almoço e jantar.

Fizemos um passeio de barco ($25 dólares), com direito a snorkeling para nadar com os golfinhos. A praia não ficava cheia e, apesar dos moradores serem super conservadores (afinal, são mulçumanos), temos a liberdade de usar biquínis e roupas de praia por lá (ufa!!).

8. O mais lindo pôr do sol que já vi

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Parece uma pintura, né?

Essa foto foi tirada de dentro da nossa barraca, quando estávamos em Ngorongoro. Não tem filtro e eu passei um tempão sentadinha lá, só observando como a natureza naquela região é tão perfeita. A cada pôr do sol que a gente tinha a chance de observar, eu me arrepiava.

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Pôr do sol em Nungwi Beach, Zanzibar. Sem filtro algum! 

Precisa falar mais? Tem como não se apaixonar por esse país?

Vai visitar a Tanzânia? Então se liga nessas dicas:

  • O visto custa USD50 e pode ser conseguido lá, não precisa fazer com antecedência (pagamento somente em dinheiro, dólar americano)
  • O cartão de vacinação internacional com a vacina de febre amarela é obrigatório
  • Não é permitido usar sacolas plásticas no país (assim como em vários outros na África)
  • Se você está visitando os países de carro ou ônibus, preste atenção aos radares e se prepare para ser parado diversas vezes por policiais, que estão sempre à espera de infratores. Nem sempre a infração acontece, mas mesmo assim eles tentam tirar dinheiro dos motoristas.
  • Ao visitar a Cidade de Pedra, lembre-se que quase toda a população é muçulmana. Portanto, mulheres devem cobrir joelhos e ombros ao circular pela cidade. Nas praias não há problema algum em estar de biquine.
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Quênia: o nosso primeiro amor no continente africano

Há poucos dias retornamos de uma viagem de 40 dias pela África. Realizei um sonho antigo e me apaixonei pelo continente, que surpreende não só pelas paisagens exuberantes mas, também, por seu povo alegre e receptivo. Passamos por oito países e voltamos encantados com tudo que vimos por lá.

Essa foi a nossa primeira experiência de viagem em grupo. Fizemos dois tours – um de 3 semanas e o outro de 9 dias – com a G Adventures, uma das maiores (e com melhor custo- benefício) empresas de viagens de aventura.

Como fizemos muita coisa por lá, vou dividir o conteúdo em vários posts. Nesse aqui, falarei sobre os nossos dias na África do Sul e no Quênia. São tantas fotos lindas, que eu tô tendo o maior trabalho pra não deixar o post super pesado com imagens.

Primeira parada: Joanesburgo, África do Sul

Como já tínhamos uma viagem marcada para o Brasil no comecinho de outubro (tá difícil acompanhar as nossas andanças, né?), passamos três semanas na Bahia e depois pegamos um voo de São Paulo para Johanesburgo, África do Sul. Ficamos lá 3 noites, antes de voarmos para Nairobi, no Quênia (onde o nosso primeiro tour teve início) e outras 3 noites ao final da viagem, antes de voltarmos ao Brasil.

Nos hospedamos no Signature Lux Hotel em Sandton e gostamos muito da localização e das instalações. Fica bem em frente à praça Nelson Mandela, onde há muitos restaurantes e lojas.

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Nelson Mandela Square, um dos pontos turísticos mais famosos de Joanesburgo

Pra ser bem sincera, não gostamos de Joanesburgo – também chamada de Joburg. Só voamos para lá por conta do valor das passagens saindo de São Paulo. Os atrativos turísticos não eram de muito interesse para nós e passamos a maior parte do tempo nas proximidades do hotel.

Muitas das pessoas que visitam a cidade, vão para fazer o safari no Kruger National Park, a 4 horas de distância. No parque, inclusive, você tem a opção de fazer o self drive  e dirigir o seu próprio carro durante o safari. Como já faríamos a atividade em outros dois países (Tanzânia e Zâmbia) não visitamos o local.

Foi bom ver as diferenças entre a África do Sul e os demais países, mas Joburg é um lugar que eu jamais voltaria. É uma cidade sem vida ou identidade cultural, com trânsito caótico e prédios feios. Os moradores não são tão simpáticos e saímos de lá com a impressão de que turistas não são bem-vindos. Queríamos muito ter conhecido a Cidade do Cabo (que todo mundo se apaixona ao visitar), mas dessa vez não foi possível.

Um amor chamado Quênia

De Joburg voamos para Nairóbi, capital do Quênia. Nos apaixonamos pela cidade e pelo seu povo. Decidimos chegar lá alguns dias antes do início do nosso tour, assim teríamos a chance de explorar os atrativos turísticos com calma.

Nairóbi é muito mais desenvolvida do que eu esperava. Passamos por um bairro onde praticamente todas as casas possuíam painéis de energia solar. Assim como em vários outros países africanos, sacolas plásticas são proibidas no Quênia e os supermercados disponibilizam sacos feitos de TNT ou de papel.

Nos shoppings, a segurança é reforçada com seguranças armados e detectores de metais. Aliás, a revista é feita até mesmo nos carros, antes de entrarmos em parques e lugares privados. Tudo isso foi implantado depois do ataque a um shopping center da cidade, ocorrido em 2013.

Onde ficar?

Ficamos no Sentrim Boulevard Hotel e gostamos bastante do serviço. Há um restaurante dentro do hotel e a comida é razoável. No estacionamento, alguns taxistas aguardam a chegada de turistas e oferecem tours pela cidade.

Atividades

No primeiro dia, combinamos com um motorista (você também pode usar Uber)  para nos levar ao David Sheldrick Wildlife Trust e ao Giraffe Center. Adoramos os dois lugares!! A minha paixão por elefantes não é novidade pra ninguém, né? Fiquei encantada com os filhotes órfãos que são resgatados pelo projeto.

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Os elefantes são resgatados pela equipe do orfanato após se tornarem órfãos e não terem condições de sobreviver sozinhos
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Muitos se tornam órfãos após caçadores matarem as suas mães, outros as perdem para doenças e acidentes naturais

Visitantes pagam o equivalente a 5 dólares, têm a permissão de passar uma hora no local – das 11 ao meio-dia – e assistir aos elefantes sendo alimentados pelos cuidadores. Não é permitido alimentar os bichos ou ultrapassar a barreira de proteção. Ainda assim, os mais brincalhões chegam bem perto e podemos tocá-los. Eles são muito lindos!!

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De lá, seguimos para o Giraffe Center (entrada USD5), que não ficava muito longe. No local, nós podemos alimentar as girafas e, não há um limite do tempo que podemos interagir com os bichos.

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Funcionários distribuem amendoins para os visitantes e você alimenta as girafas por quanto tempo quiser
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As girafas não curtem muito quando a gente tenta fazer carinho, por isso, é preciso ficar bem atento aos movimentos delas, já que podem nos machucar com o pescoço super ágil
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Quem resiste à essa carinha fofa?
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Dá pra subir numa estrutura de dois andares, para que a gente fique no mesmo nível das girafas.

Na terra do Rei Leão

Outro lugar que valeu muito a pena conhecer foi o Hell’s Gate National Park, que fica a duas horas de distância de Nairóbi, às margens do lago Naivasha. O parque inspirou o filme O Rei Leão e é muito lindo! Pagamos USD150 para que o motorista nos levasse e passasse o dia inteiro conosco, retornando ao hotel por volta das 18h. Lá, pagamos 10 dólares para um guia que conhecia muito a região nos acompanhar durante a trilha pelo parque.

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A taxa de acesso ao parque é de USD26 e, apesar de distante, vale a visita
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Saímos do hotel por volta das 7h e levamos frutas, protetor solar, bastante água, câmera fotográfica e sapatos confortáveis
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Uma pausa na trilha para jogar xadrez com moradores do parque, pertencentes à tribo Maasai, uma das maiores no Quênia e Tanzânia

Além do cenário espetacular, o parque é repleto de animais selvagens. Vimos muitas zebras, javalis, impalas, macacos, dentre outras espécies. Você pode fazer o passeio de carro, a pé ou de bicicleta. Há também a opção de acampar no local, o que muitas pessoas fazem, ao invés de se hospedarem em Nairóbi.

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Muito cuidado com comidas e pertences, pois os macacos não perdem a oportunidade de pegar tudo que a gente deixa desprotegido
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Baboons estão por toda a parte no parque e nas estradas do Quênia

Se você, assim como eu, assistiu umas dez vezes o filme O Rei Leão, vai se emocionar quando chegar aos cânions que inspiraram a cena do cemitério dos elefantes. Primeiro, avistamos o vale do alto, depois, pegamos um caminho até chegar lá embaixo, onde a vista é surpreendente.

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A trilha não é difícil, mas requer certos cuidados, como sapatos apropriados, pois o terreno é cheio de pedras, poças e descidas íngremes
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Nos cânions do Hell´s Gate National Park

Depois explorar o parque por algumas horas, almoçamos no museu e Centro de Conservação Ambiental Elsamere (comida deliciosa! 15 dólares o buffet livre com suco e sobremesa inclusos). O lugar pertenceu a Joy e George Adamson, casal que durante muitos anos lutou pela conservação da vida selvagem no Quênia. Os dois ficaram famosos quando, na década de 50, adotaram uma leoa órfã e a devolveram à natureza, depois que ela se tornou adulta e apta a sobreviver na selva. Infelizmente, não tínhamos permissão para tirar fotos na casa/museu.

Ainda nas proximidades do parque, há a opção de fazer um passeio de barco no lago cheio de hipopótamos. Choveu bem na hora que iríamos pra lá e tivemos que cancelar o passeio. Mas, pelo que ouvi de quem já havia feito, a experiência é fantástica. Saímos de lá por volta das 16h.

Uma tarde rodeada por crocodilos

O nosso último passeio na capital do Quênia foi uma visita ao Mamba Village, onde há uma fazenda de crocodilos com cerca de 70 animais. Vimos os bichos sendo alimentados e até seguramos um filhote. Pensem no medo que me deu? Agora multipliquem por dez!! hahaha

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Ficamos bem pertinho dos crocodilos, mas com uma barra de proteção, lógico
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Esse deve ter sido o sorriso mais falso que já dei. Eu tava morrendo de medo de levar uma mordida

No local, além de interagir com esses bichinhos super meigos, você pode andar à cavalo, montar num camelo, alimentar um avestruz e passear de pedalinho por um lago (sem crocodilos haha). Há também um restaurante com buffet livre pelo valor de 15 dólares.

Depois de alguns dias em meio à natureza e aos animais do Quênia, nos juntamos ao grupo com o qual viajaríamos pelos próximos 21 dias.

Está planejando uma visita à África? Então, se liga nessas dicas:

  • A vacina da febre amarela é obrigatória. Você não consegue embarcar para nenhum país sem apresentar o cartão internacional de vacinação. Importante lembrar que a vacina deve ser tomada com 10 dias de antecedência.
  • Pílulas de prevenção à malária também são super importantes.
  • Não solicitamos nenhum dos vistos com antecedência e pegamos todos nos aeroporto e fronteiras. Para visitar o Quênia, você pode solicitar o “East Africa Visa” online. Ele custa USD100 e é válido para o Quênia, Ruanda e Uganda. Caso queira apenas o visto para o Quênia, você paga USD50 e pode conseguir no aeroporto.
  • Leve muito repelente
  • Roupas: leves, tons claros, nada muito curto ou transparente. O povo africano é super conservador e muito religioso. Em algumas regiões, a maioria da população é muçulmana. É claro que dá pra usar shortinho em certos passeios, mas em algumas ocasiões, não é aconselhado.
  • Sapatos confortáveis. Um tênis de trilha é aconselhável, já que quando chove, os parques ficam cheios de poças de lama.
  • Sempre tenha lenços umedecidos e álcool em gel na bolsa. Ajudam muito nas horas em que a gente precisa usar banheiros públicos.

América Central: trilhas, vulcões e pirâmides na Guatemala

Já faz um bom tempo que ensaio publicar aqui um post sobre a viagem que o Marc e eu fizemos à Guatemala. Fui deixando pra depois e hoje me dei conta de que ja havia passado da hora!

Quem leu os meus posts (aqui e aqui) sobre o México, percebeu que a gente começou a viajar sem muito planejamento. A decisão de visitar a América Central foi tomada também meio que de última hora.

Pegamos um voo da Cidade do México para a Cidade da Guatemala, capital do país e famosa por ser bastante violenta. Alugamos um airbnb em Antigua Guatemala (também chamada La Antigua ou apenas Antigua), a apenas uma hora da capital. Do aeroporto, seguimos direto pra lá, portanto, vimos a capital apenas pela janela do carro.

Antigua é uma cidade colonial, patrimônio da UNESCO, construída em meio a três vulcões – Acatenango, Água e Fuego – sendo o último deles o único ainda ativo e um dos mais famosos do país. Foi planejada com o formato de um quadrado com dezenas de ruas de pedra que a cortam de uma ponta a outra. A arquitetura com influência barroca e o colorido das casas dão um charme especial ao local. A cidade é uma graça!!

Dois grupos de turistas se destacavam nas ruas da cidade: os aventureiros (como eu e Marc) e os bird watchers (pessoas que viajam à destinos nos quais seja possível observar pássaros raros).

A impressão que tivemos durante a nossa visita ao país é a de que, para quem não curte fazer trilhas e explorar a natureza, a Guatemala não é o melhor dos destinos.

No nosso segundo dia no local, marcamos um tour com uma das agências em Antigua para conhecermos o vulcão Pacaya, que fica em outro município, a uma hora de distância. O vulcão ainda está ativo, mas a sua última grande erupção ocorreu em 2010.

Pagamos por volta de 10 dólares pelo tour (transporte e guia). A taxa de acesso ao vulcão é cobrada no local – Q50 = USD7. A moeda local se chama quetzal.

A subida não é difícil e os tours geralmente ocorrem duas vezes ao dia, com saída às 6 da manhã e 14h. Fomos à tarde e às 20h já estávamos de volta.

Não tivemos muita sorte e havia bastante neblina no dia em que resolvemos conferir o vulcão. Não deu pra avistar nada de lá de cima. Por conta da recente erupção, não é possível chegar próximo da cratera, porém, após subir ao topo da montanha, descemos até uma área coberta por lava solidificada e a temperatura aumenta bastante!

Os guias geralmente distribuem marshmallows e palitos para que possamos assá-los no calor da lava. Pra ser bem sincera, ficamos um pouco frustrados com a nossa primeira experiência explorando um vulcão. Porém, sem a neblina, o passeio é muito mais divertido!

Pra quem acha que os passeios são perigosos, em locais com grande movimentação turística e vulcões nas proximidades, as atividades vulcânicas são observadas 24h por dia. Especialistas conseguem perceber o menor dos sinais de que um vulcão entrará em erupção e a explosão não acontece de uma hora pra outra. Há uma antecedência razoável no processo para que as agências cancelem os tours.

Meios de Transporte

O ônibus conhecido como chicken bus é principal meio de transporte na Guatemala. Há também táxis e tuk-tuks, mas sugiro pesquisar muito e pedir informações em agências de turismo antes de escolher o melhor meio para se locomover em distâncias maiores. O chicken bus pode ser a opção mais em conta, mas nem sempre é a melhor pois estão sempre lotaaaaaados!

A nossa experiência em um chicken bus não foi muito agradável. Afinal, ele não para em rodoviárias para que a gente use o banheiro. Mas, só descobrimos isso no meio de uma viagem de 5 horas. Pensem no desespero? Hahaha

Vulcão Acatenango: 6 horas de subida

No dia seguinte à nossa trilha no Pacaya, seguimos com a mesma agência, a Ox Expeditions , rumo ao nosso primeiro desafio: conquistar o topo do vulcão Acatenango, com 4 mil metros de altura e inativo desde 1972. A subida até a base do acampamento (a 3500 metros) onde a gente dormiu uma noite, antes de retornarmos na manhã seguinte, durou 6 horas. Os outros 500 metros até o topo são feitos em mais duas horas. É muito puxado!

A trilha é considerada a mais difícil dentre as oferecidas pelas agências em Antigua, pois além da subida íngreme, a altitude dificulta a respiração e muita gente acaba passando mal.

Ahhh, e eu nem contei que você faz tudo isso enquanto carrega a mochila com comida, 6 litros de água (parece muito para um dia e meio, mas é uma das exigências do guia e a gente bebe muita água mesmo!), partes das barracas, saco de dormir e casacos (já que o frio lá em cima é surreal).

Calma, você tem a opção de pagar 25 dólares pra alguém carregar o seu mochilão. E euzinha escolhi pagar, pois sabia que a subida seria muito difícil.

Há muitos moradores da região que trabalham todos os dias com isso e sobem o vulcão com uma habilidade de fazer inveja a qualquer atleta olímpico!

Saímos da agência às 7h e dirigimos por mais ou menos duas horas antes de chegar à base do vulcão.

A primeira hora de subida foi a mais dolorosa. Pensei seriamente em desistir. O caminho é suuuper íngreme e não tínhamos levado os nossos tênis de trilhas, apenas tênis de corrida. A cada passo que eu dava pra cima, escorregava um passo pra baixo.

O Marc, que deu uma de durão e levou a própria mochila, sofria com o peso e a dificuldade da subida.

Depois da primeira hora, ficou um pouco mais fácil, já que o caminho era em zigue-zagues. Há até uma barraquinha com café, água e refrigerante, no meio do vulcão.

Daí você deve estar pensando “Pra quê que alguém vai se submeter a uma tortura dessas?”

….pra acordar no meio da noite pra fazer xixi e ver o céu mais lindo e estrelado que você já viu. E a lua iluminando dois vulcões maravilhosos bem em frente à sua barraca.

O intuito de subir o Acatenango e acampar a 3500 metros de altura é ver de pertinho os vulcões Água e Fuego – o segundo ainda super ativo!

O nosso guia nos acordou às 4 da manhã para que nos preparássemos para assistir o nascer do sol. Imaginem uma cena que faz você chorar de alegria. Foi essa…

Um pouco mais tarde, por volta das 7h, começamos a preparar o nosso café da manhã. O tão esperado momento da explosão do vulcão Fuego aconteceu quando estávamos desarmando o acampamento. E foi incrível!!!

A descida durou 4 horas e foi mais difícil do que eu imaginava. Como o meu tênis não era apropriado, perdi as contas de quantas vezes caí. Também estava carregando a minha mochila, já que o peso das garrafas d’água e comida já havia ido embora. Terminamos a trilha mortos, suados e sujos de cinzas e terra. Mas, valeu muito a pena! Foi desafiador e emocionante!

De Antigua para as margens do lago Atitlan

Seguimos de Antigua para San Juan, um dos vilarejos às margens do famoso Lago Atitlan. A maioria dos guias de viagens sobre a Guatemala sugere que o visitante conheça o lago, mas não menciona as diversas opções de cidadezinhas nas quais você pode se hospedar.

O lago é o mais lindo que já vi. Não é a toa que é considerado um dos mais bonitos do mundo. É imenso! A luz do sol reflete na água e produz um brilho lindo. A cereja do bolo fica por conta dos vulcões e montanhas que o cercam, além das árvores verdinhas e do colorido das flores.

Escolhemos San Juan porque achamos a ideia de ficar no Eco Hotel Mayachik interessante. Os bangalôs são bem simples, os banheiros são ecológicos (compostagem), há uma horta orgânica, um espaço para que os hóspedes compartilhem o que sabem (aulas de yoga, de pintura, dança) e um restaurante vegetariano.

Vizinha à San Juan fica San Marcos, o vilarejo preferido dos hippies. Em toda a região do lago Atitlan encontramos aldeias maias. Os costumes e símbolos da civilização, que já foi uma das sociedades mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas, podem ser vistos por todos os cantos.

A nossa visita à região foi curta, mas valeu por muitas aulas de história (as quais eu provavelmente faltei haha), afinal, vimos de perto como o povo maia ainda mantém, com orgulho, muitas das suas tradições.

Não havia muito o que fazer em San Juan. Aproveitamos para pegar um tuktuk e visitar as cidades vizinhas. Cada uma delas tem o seu charme. San Pedro, ao lado de San Juan, é mais agitada e cheia de turistas.

Uma visita às feiras é obrigatória! É o melhor lugar pra tirar fotos e observar o comércio local.

Próxima parada: Quetzaltenango

De San Juan, pegamos uma van para Quetzaltenango, também conhecida como Xela. É a segunda maior cidade da Guatemala e bem mais agitada do que Antigua ou os vilarejo às margens do Atitlan.

Chegamos lá com o propósito de fazer a nossa última trilha na Guatemala. Pesquisamos bastante e achamos a ONG Quetzaltrekkers, mantida por turistas que se tornam guias e organizam trilhas na região. Os fundos arrecadados são doados à escolas da região.

Pagamos por volta de USD200 por uma trilha de 6 dias que saía de Nebaj, cidade montanhosa a 5 horas de Xela (esse primeiro percurso é feito em um chicken bus) e terminava em Todos Santos, cidade famosa por conta das roupas usadas por seus moradores. Todos os homens se vestem exatamente da mesma forma.

Foi a trilha mais longa que já fizemos. O grupo era formado por 11 pessoas, incluindo os dois guias.

Passamos uma noite em Nebaj, onde provei um prato local e me apaixonei! O Boxbol é uma iguaria tradicional da região e o seu sabor é muito melhor do que a sua aparência. Eu juro!!!

É feito com massa de milho cozida, coberta por folhas de abóbora. O segredo está no molho cremoso preparado com as sementes da abóbora e outros temperos e no molho de tomate que também acompanha o prato. É uma delícia!

Durante o passeio pela cidadezinha, vimos muitas crianças trabalhando nas feiras e em praças, engraxando sapatos. Desde cedo os pequenos são obrigados a trabalhar para ajudar os pais. Quase 60% da população da Guatemala está abaixo dos níveis de pobreza.

Na manhã seguinte…

Demos início aos 65km de trilha – dessa vez, sem alguém pra carregar a minha mochila. Após o primeiro dia de caminhada, já não dava pra voltar atrás. Deixamos a área com rodovias e transporte público e passamos a caminhar por vilarejos remotos. As refeições (café da manhã e almoço) eram feitas pelo caminho. Cada um de nós carregava parte da comida que o grupo iria consumir pelos próximos dias.

À noite, dormíamos em espaços cedidos por moradores dos vilarejos os quais cruzávamos. Os jantares eram feitos na casa de famílias que já trabalham há um bom tempo em parceria com a ONG.

Eles recebem uma ajuda financeira por cada grupo que recebem. Dessa forma, a ONG movimenta a economia local.

A trilha não era nada fácil. Mas, todo o esforço era recompensado pelo aprendizado que estávamos adquirindo.

Caminhávamos por uma média de 6-8 horas por dia, em terrenos planos e montanhosos. O cansaço era absurdo! A maioria de nós dormia logo após o jantar, por volta das 19h. Após o terceiro dia, já nem sentia dores nas pernas. Parecia que o meu corpo ja havia se habituado à rotina.

O ponto alto (literalmente) ficou por conta da subida à mais alta montanha não- vulcânica da Guatemala, La Torre, com 3870 metros.

Foi incrível passar pelos vilarejos mais remotos, comer com as famílias locais e tomar banho em temascal, a tradicional sauna dos maias.

Enquanto passávamos pelas vilas, percebíamos os olhares curiosos dos moradores. Muitas vezes eles nos fotografavam e os papéis eram invertidos. Deixávamos de ser meros turistas e nos tornávamos a atração principal.

Após seis dias, chegamos ao nosso destino final, a cidade de Todos Santos. Dormimos uma noite num hotel, antes de percorrermos o caminho de volta em um ônibus.

Não há muito o que se ver/fazer em Todos Santos. Na realidade, foi o local em que nos sentimos menos à vontade. As pessoas eram bem fechadas e a sensação que dava era a de que não éramos bem-vindos por ali. Talvez por conta dos esforços da população em manter as tradições sem que o turismo recorrente atrapalhe.

No fim da nossa jornada, fomos ver as famosas pirâmides em Tikal

Ao retornar da trilha, dormimos mais duas noites em Xela para que pudéssemos descansar um pouco, antes de seguirmos rumo à Tikal, o nosso destino final.

Pegamos um ônibus de Xela com destino à Cidade da Guatemala e de lá, outro ônibus com destino à Flores, cidade vizinha ao parque arqueológico de Tikal. O ônibus deixou a capital do país por volta das 20h e antes das 6h chegamos numa cidade vizinha à Flores (apesar do bilhete dizer Flores, os ônibus param a uma hora de lá). De lá, teríamos que pegar uma van para Flores (essa não era cobrada, pois a passagem do ônibus incluía o trajeto) e outra para Tikal (cobrada à parte).

Ainda sonolentos, descemos do ônibus e ouvimos quando um rapaz chamava todos os passageiros que seguiam para Flores. Seguimos o grupo e entramos na van. O motorista nos deixou em uma agência de viagem e lá fomos convencidos a pagar por um pacote de ida e volta à Tikal.

Ninguém apareceu para nos buscar e, tivemos que pagar a uma outra agência para nos levar de volta à rodoviária ao fim da nossa jornada em Tikal.

O Parque Nacional do Tikal fica na região de Petén e foi um dos maiores centros populacionais e culturais da civilização Maia. Patrimônio da Humanidade pela Unesco, as ruínas do local são um dos maiores legados arquitetônicos e culturais dos povos pré-colombianos da América Central.

A maioria dos turistas opta por se hospedar em Flores e passar o dia em Tikal. Como estávamos cansados, decidimos ficar duas noites em um dos três hotéis localizados dentro do complexo, o Tikal Inn. O serviço do hotel deixou muito a desejar. Fora o fato de estar ao lado do parque, não há vantagem alguma em se hospedar por lá.

O parque arqueológico fica aberto das 6 às 18h e os tours mais recomendados são para ver o nascer do dia ou o pôr do sol. A entrada custa USD22 e você pode ficar lá por quantas horas quiser. O passeio é feito com um guia e eles te dão uma aula completa sobre cada pirâmide e ruína do local.

Encerrar a viagem em Tikal valeu muito a pena. Terminamos a nossa jornada com a sensação de termos explorado um pouco de tudo que a Guatemala tem a nos oferecer. A bagagem voltou muito mais pesada do que quando desembarcamos por lá, só que ao invés de lembrancinhas e artesanatos típicos, trouxemos muito aprendizado. E isso, não tem quem tire de nós, não é?

P.s: Escrevi e publiquei o post usando apenas o app da WordPress para iphone, que não me permite inserir legendas nas fotos… 😦 consertarei assim que tiver acesso a um computador.

Guanajuato: a cidade mais colorida e charmosa do México

Tem chovido bastante nos últimos dias em Toronto. Tá certo que o meu bastante é exagero, mas tivemos alguns dias cinzentos na semana passada. Nessas horas, quando lá fora os tons parecem se tornar monocromáticos, eu abro o meu álbum de fotos no celular e passo um bom tempo revendo os nossos registros dos dias coloridos e cheios de sol no México. Foi ai que me dei conta de que já havia passado da hora de escrever no blog o segundo post que havia prometido no texto anterior. Eu sei, tenho andado muito ausente… me sinto culpada por não postar com frequência, mas isso é assunto para um outro texto. E vamos ao que interessa!

Guanajuato: amor à primeira pesquisa

Depois de explorarmos Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones por 3 semanas, queríamos continuar viajando pelo México, afinal, o custo de vida por lá era bem mais baixo e o inverno não havia terminado em Toronto. Após umas pesquisas, decidimos montar a nossa “base” em Guanajuato, uma cidade super colorida, conhecida como o principal destino cultural do país e capital do estado de mesmo nome. Ok. Deixa eu ser bem sincera e contar a verdade. Eu simplesmente fui no Google e digitei: cidades mais coloridas do México e booom… ela apareceu! Não teve nem conversa. Ali mesmo eu me apaixonei e avisei pro Marc que o nosso próximo destino já estava resolvido. Iríamos pra lá e ponto final.

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Guanajuato é considerada a capital cultural do México
De Guadalajara, pegamos um ônibus ($400 pesos) super confortável e viajamos por quatro horas até chegarmos a Guanajuato. A cidade é mesmo maravilhosa! Além de super colorida, foi construída em terreno montanhoso e grande parte das ruas são ladeiras (mega íngremes, por sinal). Eu, que andava comendo muuuito mais do que deveria, adorei o fato de ter que subir e descer uma ladeira cabulosa de 700 metros todos os dias. Não era fácil não, viu?

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Logo que decidimos ir para Guanajuato, entrei em contato com alguns donos de airbnbs em busca de parcerias e, para a nossa surpresa, um deles estava mesmo à procura de alguém que o ajudasse a produzir conteúdo para as páginas que ele mantém. Nas três semanas que ficamos por lá, eu trabalhei algumas horas por dia, o Marc continuava trabalhando online e não pagamos pelo aluguel. Gastávamos muito menos em comida do que gastamos aqui no Canadá. Gente, o México é um sonho de barato!

A cidade é super charmosa, mundialmente famosa por sua arquitetura colonial e bastante agitada. No centro histórico – onde ficam os bares e restaurantes mais populares – turistas e moradores mais antigos se misturam aos milhares de estudantes da Universidade de Guanajuato, localizada no município.

Basílica Nossa Senhora de Guanajuato, no centro histórico

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Fiquei encantada com a cor dessa igreja
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O burburinho acontece sempre no centro histórico. Além de apreciar as delícias da cozinha mexicana, você pode acompanhar os músicos pela tradicional la callejoneada, na qual um grupo segue cantando e tocando músicas mexicanas pelas principais ruas da cidade. Em determinado momento, o público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte de uma apresentação teatral com muitas brincadeiras. A atração custa em torno de 120 pesos por pessoa e pode durar até 1 hora e meia.

Músico no centro histórico de Guanajuato

A nossa rotina em Guanajuato eram bem tranquila. Além do trabalho, tirávamos algumas horas do dia para explorar museus e os charmosos coffee shops espalhados pelo centro. Visitamos o Museu e Casa Diego Riveira, o qual eu estava super empolgada para conhecer. Porém, fiquei um pouco decepcionada, já que não há muitos trabalhos do artista.

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Eu não me cansava da vista e nem das cores da cidade
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Day Trip para Dolores Hidalgo e San Miguel de Allende

A apenas uma hora e meia de Guanajuato fica San Miguel de Allende, outro destino bastante popular no México. Apesar de sermos um pouco avessos a tours, decidimos pagar por um e visitar duas cidades no estado de Guanajuato em um só dia. A primeira parada foi Dolores Hidalgo, município de grande importância para a história do país, onde se deu início a luta da independência nacional.

Estátua de Miguel Hidalgo y Costilla, padre mexicano que liderou a luta pela independência
A cidade não é agitada e não hà muitas atrações turísticas. Visitamos um pequeno museu onde aprendemos um pouco sobre personagens importantes na história do México e, principalmente, no movimento da independência.

Ficamos umas duas horinhas por lá e seguimos para San Miguel de Allende. No caminho, uma parada para almoçarmos e visitarmos algumas lojas de cerâmicas produzidas na região.

Já em San Miguel, o clima era completamente diferente. As ruas estavam cheias, apresentações de dança aconteciam na praça principal e mariachis podiam ser ouvidos de todas as esquinas. Não é a toa que dentre os destinos coloniais do México, a cidade também é uma das mais procuradas.

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Paróquia de San Miguel Arcángel, símbolo da cidade de San Miguel de Allende

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Músicos, convidados e noivos percorrem as ruas de San Miguel durante a celebração de um casamento

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Noivos dançam ao som dos Mariachis
Aliás, o destino é um dos preferidos dos pombinhos que desejam fugir das praias mexicanas, mas que ainda querem um destination wedding no país. Demais né?

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Durante o tour, ficamos livres para curtir a cidade e tivemos tempo para tomar uns drinks

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Vendedora de artesanatos em San Miguel de Allende
Gostamos muito de conhecer San Miguel de Allende e eu queria ter passado mais um tempinho por lá. Contudo, por ser uma cidade com maior concentração de turistas, ainda preferimos o clima de Guanajuato.

O que fazer em Guanajuato

Na nossa primeira semana na cidade, visitamos os museus, galerias de arte, principais pontos turísticos e caminhamos por horas por aquelas ladeiras. Depois de alguns dias, a nossa diversão se resumia a visitar os restaurantes mais indicados pelos moradores. Infelizmente, tirei pouquíssimas fotos nas atrações turísticas e nos restaurantes, sorry! Massssss, vou deixar aqui um montão de fotos com dicas nas legendas para que vocês possam ver de que forma exploramos o local.

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Aproveite o fato da cidade ser super fotogênica e tire bastante fotos hahaha

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Fotos do céu…

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…do chão

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Fotos de cantinhos charmosos

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Prove drinks feitos com mezcal, muito confundido com a tequila, já que ambas bebidas são produzidas a partir do agave

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O Museu Casa Diego Rivera é parada obrigatória. Porém, não espere muito. Caso queira conhecer a fundo a história de vida de Diego e Frida, planeje uma ida à Casa Azul, em Coyoacán, Cidade do México

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Faça uma trilha pelas montanhas próximas ao centro da cidade. Caminhamos por uns 40 minutos e chegamos a este local, que não era super limpo, mas que tinha uma vista fantástica
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Deixe e a preguiça e os táxis de lado e encare as inúmeras ladeiras da cidade. Você vai se encantar com o colorido das casas

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Caso opte por um airbnb, escolha um que tenha uma vista bacana! Os preços não variam tanto e você vai curtir muito mais

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Não se prenda somente à culinária mexicana (não que seja difícil comer tacos todos os dias haha), mas o restaurante Habibti de comidas árabes era um dos nossos favoritos. Além de delicioso, super barato!

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Coma sem culpa! Porque comida Mexicana é uma das sete maravilhas do mundo!!! Não, não é. Mas bem que poderia ser, ne?

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Prove o churros, as nieves/helados (sorvetes) e tudo o que tiver vontade!

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Depois de comer todas essas delícias, corra ou caminhe até o Monumento al Pipila, famoso ponto turístico com uma vista de tirar o fôlego

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Visite o Callejón del Beso, o beco mais estreito e mais famoso da cidade. Filas são formadas todos os dias por pessoas que querem tirar uma foto no local. Segundo a lenda contada por moradores, uma versão mexicana de Romeu e Julieta, a trágica história de amor, ocorreu naquele lugar.

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Não deixe de provar as frutas vendidas nas dezenas de barraquinha espalhadas pela cidade. Além de doces, são super baratas
Uma outra atração que eu acabei deixando pra falar por último é o Museu de Múmias (Museo de Las Momias de Guanajuato). A verdade é que eu não tive o interesse em ir visitar e o Marc acabou indo sozinho. Não tenho como dizer se vale a pena, mas sei que ele voltou um pouco chocado com o que viu hahaha.

Nem preciso dizer que me apaixonei pelo México, né? Ficamos quase dois meses por lá e eu voltaria amanhã se fosse possível. É o tipo de país que combina tudo que a gente precisa para ter uma experiência completa: culinária maravilhosa, povo receptivo e sempre alegre, belezas naturais, rica história e arquitetura… tudo isso em um orçamento que não fere tanto o bolso, afinal, o peso mexicano não é tão forte quanto outras moedas.

Onde comer em Guanajuato

Café da manhã

  • Casa Ofélia (café da manhã tradicional)
  • Café Conquistador (melhor café)
  • Dolcets (o nosso preferido para omelete e crepes) é uma lojinha e café bem pequeno

Almoço e Jantar

  • Santo Café (boa variedade, bom preço)
  • Habibti Falafel (comida árabe, preço ótimo, sabor maravilhoso)
  • El Galo Pitagórico (mais chiquezinho, um pouco mais caro e delicioso)
  • Hostel Café e Bar Encounter (barato, saudável e boa variedade)
  • Casa Mercedes (caro, se comparado aos outros, mas muuuito bom)

Quer ver mais fotos do México? Dá uma olhada no meu insta que tem muitos outros clicks dessa e de outras viagens que fizemos nos últimos meses! 

@arittavaliense

 

 

 

 

 

México, onde um povo generoso e sua rica cultura dão as boas-vindas

Na lista de lugares que sempre sonhei em conhecer, o México estava em terceiro. O primeiro era o Camboja (conheci em 2015), em segundo está a África do Sul (ainda não conheço, quem sabe em 2018?) e então, México. Quando partimos do Canadá para os Eua, nem passava pela nossa cabeça visitar o país de Frida Kahlo em seguida. A decisão de vir pra cá, como contei em um post anterior, foi de última hora. E acabamos ficando no país por um mês e meio…

Frida em um muro na rua Coronilla, centro histórico de Guadalajara

A primeira parada foi Guadalajara, segunda maior cidade do México, localizada no estado de Jalisco, onde ficamos por 21 dias. Foi lá que tive o meu primeiro contato com a cultura mexicana, e me apaixonei por um povo que está sempre de bom humor e prestes a ajudar ao próximo. De lá, seguimos para outros locais. Visitamos Tlaquepaque, Tequila, Guachimontones, Guanajuato, San Miguel de Allende, Dolores Hidalgo e, por fim Cidade do México.

Neste primeiro post, falarei sobre Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones. Em um próximo, contarei sobre os lugares restantes, assim evitamos um post longo e pesado com tantas fotos. 

Guadalajara: o velho e o novo em um só lugar

O Centro Histórico e os casarões com portas maravilhosas
O charme de Guadalajara está no Centro Histórico. Não é uma cidade pra quem busca aventura em um lugar cosmopolita ou pra quem não tem paciência para visitar locais históricos. A cereja do bolo é a arquitetura dos prédios antigos e a sensação de estar em dois mundos ao mesmo tempo: uma cidade enorme e moderna, mas com grande ligação aos costumes antigos.

As praças – muitas, por sinal – são cheias de idosos sentados nos bancos, lendo jornais

A cidade possui 1,5 milhões de habitantes e, apesar de viverem em um ritmo um pouco mais acelerado do que aqueles que vivem no interior, eles ainda reservam boa parte do tempo para cumprimentar desconhecidos na rua e ajudar um ao outro. 


Outro grande atrativo de lá são os Mariachis – famosos grupos musicais originários do estado de Jalisco. Eles estão espalhados pelo centro da cidade, nos restaurantes, em feiras, mercados municipais e eventos diversos. Aliás, temos que concordar que o México caprichou no quesito riqueza cultural! A música é maravilhosa, a arquitetura e os artesanatos também, e a comida…..ahhh, essa ai tá lá no topo na lista das minhas preferidas.

Apresentação de Mariachi no centro de Guadalajara
Nas três semanas que ficamos por lá, não usamos o transporte público. Uber funciona super bem e é muito barato. As nossas corridas não passavam de $3 dólares. Como ficamos em um airbnb perto de muita coisa, também andávamos bastante.

Escritório no terraço do nosso airbnb

O trânsito não é tão ruim, mas os motoristas… Melhor prestar muita atenção ao atravessar as ruas em bairros que parecem super tranquilos. Em dois dias vi três batidas em locais onde acidentes de carro pareciam ser impossíveis de acontecer. Eles não diminuem a velocidade e não param em cruzamentos. 

Há pontos de aluguel de bikes espalhados pela cidade e também vias preferenciais para ciclistas. Aos domingos, algumas avenidas movimentadas são fechadas e você pode transitar de bike à vontade.

Ônibus e charretes transportam turistas no centro da cidade

Também há carrinhos vendendo comida praticamente em todas as ruas, mesmo as mais residenciais: frutas cortadinhas, refrescos, tacos, tortas (sanduíches), raspadinha… a lista é imensa!

Muitos turistas visitam Guadalajara por conta dos seus mercados gigantes, onde a gente consegue encontrar de tudo: artesanatos, roupas, calçados, jóias, comidas típicas… Os mais famosos são Mercado Libertad (ou San Juan de Dios), Galeria del Calzado e Magno Centeo Joyero (o maior mercado de jóias da América Latina). 

Culinária excepcional

A comida mexicana é boa DEMAIS e merece esse demais em maiúsculo porque não teve um único lugar dentre os quais visitamos, no qual a comida fosse ruim. Desde o boteco mais simples e com fila de espera ao restaurante super charmoso, mas que estava sempre vazio. Vai entender…

Tostadas no restaurante Bruna Cocina Aberta
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
 

Fiquei surpresa no nosso primeiro jantar, quando procurei no cardápio todas aquelas comidas mexicanas que eu tanto como no Canadá e não tinha muita coisa parecida. 

Cardápio de um restaurante super simples e que vivia com filas
Pozole, uma sopa de milho maduro cozido com vegetais e carne de sua preferência
Pratos lindos e saborosos no Río Viejo, um restaurante super charmoso

Na verdade, os únicos restaurantes que serviram burritos e tacos com a mesma aparência daquela que a gente vê em restaurantes mexicanos ao redor do mundo, foram os que ficavam em locais mais turísticos e restaurantes um pouco mais sofisticados. Nos food trucks e restaurantes tradicionais eles são bem simples. 
Tacos al pastor num restaurante super tradicional chamado La Santa Cruz
 

No México, as comidas de rua são tão boas quanto as servidas nos restaurantes. Em mercadões e feiras, não deixe de provar os ceviches, coquetéis de mariscos e carne en su jugo (carne cozida afogada em um molho de feijão). Tudo será servido com tortillas.

Charmosa Tlaquepaque

A 30 minutos do centro de Guadalajara fica Tlaquepaque (você pode pegar um uber por uns $100 pesos), um dos lugares mais charmosos que visitamos. 

Artesãos se apresentam em Tlaquepaque
O município tem uma vibe bem diferente da cidade vizinha (a qual faz parte). Lá é muito mais turístico e também mais caro. Há muitas lojas de móveis rústicos, objetos de decoração e peças de arte em geral. 

Igreja em Tlaquepaque
Artesanatos são um pouco mais caro em Tlaquepaque, por ser um local mais turístico

Adoramos passar uma tarde por lá e queria ter voltado durante a noite, pois soube que a cidade fica ainda mais charmosa. Acabamos esquecendo… fica pra próxima! 

Marc e o Mariachi em Tlaquepaque

Muita gente se hospeda em Tlaquepaque e passa a maior parte do tempo lá. É, sem dúvidas, um lugar com muitos atrativos a oferecer. Vale a pena inserir no roteiro! 

Day trip para Tequila

Também bem perto de Guadalajara (+ou- 60km) fica o município chamado Tequila – isso mesmo, existe uma cidade no México com ese nome. E, adivinha o que é produzido lá e distribuido para o mundo inteiro? Tequila! 

Fechamos um tour, pois queríamos visitar as haciendas e fazer o tradicional tequila tasting. Não foi muito barato (por volta de 125 dólares por pessoa) mas foi muito divertido. O nosso guia conhecia bastante a região e todo o processo de produção, o que tornou o passeio super educativo. 

Nós em uma das haciendas de cultivo do agave, principal ingrediente da tequila
Plantação de agave

O tour durou o dia inteiro. Visitamos duas fábricas e provamos os principais tipos de tequila produzidos na região: prata, ouro, reposado, anejo (envelhecida) e extra anejo (extra envelhecida). 

Tequila tasting
Barris na hacienda Tres Mujeres
 


Depois de muuuuita tequila, famos passear pelo centro da cidade, comemos em um mercado municipal e retornamos para Guadalajara no início da noite. Adoramos a experiência! 

Pirâmides circulares em Guachimontones

Considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do México, Guachimontones fica a uma hora de Guadalajara (pegamos um Uber, o motorista nos esperou lá e pagamos $600 pesos ida/volta) no município de Teuchitlán. 

O local é famoso por conta das suas pirâmides circulares – as únicas no mundo – que em 2006 entraram para a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade, da UNESCO. 

 

A área abriga 10 pirâmides construídas pela sociedade Teuchitlán, que lá viveu entre o período de 300 a.c. a 900 d.c. 

No museu que guarda objetos e informações sobre o lugar, há um vídeo explicativo bem interessante. Não pagamos para entrar, pois às quartas-feiras a entrada é livre. 

Apesar de bem diferente e ter uma história interessante, o lugar não foi um dos nossos preferidos. As pirâmides são menores do que imaginávamos e não há muito o que fazer no local. 

Após três semanas em Guadalajara, pegamos um ônibus para Guanajuato (400 pesos/ 4 horas de viagem) e demos início à segunda fase da nossa viagem, que será contada em um próximo post! 

 Dicas e curiosidades

– A gorgeta no México é opcional, porém, a etiqueta pede que se deixe 10% do valor da conta para o garçom/garçonete. 

Tortas são sanduíches e Pasteleria é uma doceria onde você encontra bolos e tortas. Sope não é sopa, e sim uma tortilla grossa, coberta com queijo, vegetais e carne. 

– Homens e mulheres não costumam usar shorts/saias no México (em cidades grandes e históricas). Vimos alguns aqui e acolá, mas geralmente só turistas se vestem de maneira mais despojada. 

– Água natural é o que chamamos de água mineral (garrafinha) no Brasil. Água mineral é a nossa água com gás. Águas frescas são águas com sabores e açúcar, muito comum em todo o méxico. 

– Água de horchata é uma bebida mexicana à base de arroz, canela e açúcar. Água de jamaica (chá de hibisco) é servida gelada e tem sabor de chá preto com açúcar. Lembre-se: no México, todos os refrescos são preparados com açúcar, a não ser que você peça sem. 

– Ao sair de um restaurante, o mexicano deseja aos que continuam comendo “Buen provecho!”, que seria “aproveite a sua refeição ou bom apetite…”. 

Você pode acompanhar as nossas aventuras, ver vídeos e muitas fotos lindas no meu instagram: @arittavaliense 
 

 

Gente é bom demais

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017

Eu sou muito de observar, sabe? De vez em quando uso a desculpa de que isso é hábito de jornalista que quer estar a par de tudo. Na verdade, eu uso essa desculpa sempre. Balela, eu sou é curiosa ao extremo. E isso não muda nem que exista um rehab à altura daquele no qual a Britney Spears se internou em 2007, atuando na causa. 

Já que estou sendo 90% sincera, bora logo admitir que também não quero mudar. Não vejo graça em não ser curiosa. Meu instinto me diz que jamais vou mudar e que continuarei pagando pra ver – sem esperar pelo troco. Eu fico pobre, mas fico sabendo das coisas. That’s ok. 

Eu ando na rua observando as pessoas, numa pegada meio Esquadros, de Adriana Calcanhoto, mas sem temperar com toda aquela melancolia, porque ninguém merece, né? 

Eu gosto de gente. De ver gente. De falar com gente. De ouvir gente. De entender – nem que seja um pouco – gente. Das cores da gente. Da cultura. Dos hábitos. Eu gosto de saber o que faz certo tipo de gente seguir em frente e o que faria essa gente pausar. 

Centro Histórico de Guadalajara, Fev. 2017
No Brasil, eu gostava de ficar em silêncio para ouvir o som do mar. No Canadá, ainda hoje eu paro para observar os flocos de neve cobrindo as ruas de branco, as árvores que se vestem diferente a cada estação ou paro para tomar um café, pensar na vida e observar as pessoas ao meu redor 

 Na Tailândia eu parei e fiquei em completo silêncio quando ouvi pela primeira vez o som dos bichos nos arrozais. Uma paz sem tamanho. O canto dos grilos, dos sapos e aquela imensidão de verde, mais nada. 

Chiang Mai, Tailândia, julho de 2015


No Camboja, gastei dias observando a pobreza daquele povo e como as crianças eram felizes com pouquíssimo. Não havia silêncio de dia e sim, muito barulho. Parei para observar o comportamento dos monges e a paz que eles transmitem. 

Phnom Penh, Camboja, agosto 2015

No Vietnã, apertei o botão pause quando vi a beleza das tribos que vivem em Sapa, nas montanhas. A coisa mais linda do universo. 

Sapa, Vietnã, setembro 2015

Nos Estados Unidos eu parei para observar de tudo! A loucura que é New York, a beleza do canal que corta Chicago, os sonhos que se tornam realidade na Disney, a beleza das montanhas na Califórnia. Mas o cair da noite no deserto foi o que me tirou o fôlego. Que espetáculo, putaqueopariu mermão! 

Joshua Tree, Califórnia, fev. 2017

No México, eu paro a todo instante para sorrir para as pessoas, porque elas vivem sorrindo de volta. Dá vontade de abraçar todo mundo que encontro. 

E nas minhas andanças pelo mundo, quanto mais gente eu observo, mais apaixonada pela vida eu fico. 

Se tem uma coisa que vale muito a pena nessa vida é ver gente: diferente de mim, diferente de você, diferente de todo o mundo. Gente como a gente, mas bem diferente, entende?

Gente é bom demais. 

Nós dois, duas malas e quatro países 

Depois das férias de um mês e meio que se estenderam por 9 meses no Brasil, voltamos ao Canadá no final de janeiro. Uma passagem beeem rápida pelo inverno canadense! 

Ficamos em Toronto por apenas duas semanas – tempo suficiente para resolver algumas pendências, organizar as nossas coisas, rever os amigos e perceber que não estávamos muito afim de curtir o frio. No dia 8 de fevereiro partimos para Los Angeles, Califórnia, e lá ficamos por 10 dias. Eu já sabia que ia amar aquele canto do mundo, óbvio. Quem não gosta da Califa, gente? 

Os famosos coqueiros
LACMA – vale a pena a visita ao museu
Sou daquelas que não resiste a uma parede cheia de rabiscos. Essa aqui é no Café Gratitude, um vegano maravilhoso em LA
 

Não escolhemos Los Angeles à toa. O Marc quueria participar de uma conferência de investidores que aconteceria na cidade no dia 15 e, como ainda não conhecíamos a Califórnia, saímos de Toronto com apenas a passagem de ida. 

Santa Mônica Píer
Runyon Canyon, trilha queridinha dos famosos pelas montanhas de Hollywood. A vista é sensacional!
Pink Wall na loja Paul Smith, localizada na Melrose Ave.


The Last Bookstore, em downtown de Los Angeles. Se você é louco por livros, vai morrer de amores por esta livraria

Cactos e Joshua trees

Além de explorar Los Angeles, passamos dois dias no deserto. Dirigimos por mais ou menos duas horas até Joshua Tree – o cenário durante o percurso é de tirar o fôlego! Foi uma experiência completamente diferente de tudo que já havíamos feito. Você se sente num daqueles filmes de faroeste estrelados por John Wayne! 

Pagamos $25 para entrar no Parque Nacional de Joshua Tree e o ticket dá direito a retorno por sete dias
Aritta, a rainha do deserto
O parque é imenso e oferece muitas trilhas! Fizemos uma de 6km subindo uma montanha até chegarmos numa mina desativada
Ventava bastante nesse dia e na sombra fazia um friozinho. À noite faz muito frio no deserto.
Nos apaixonamos por Joshua Tree, que fica bem perto de Palm Springs, outra cidadezinha bem famosa perto de LA. A casa na qual ficamos foi um achado, pois desde que apareceu em um editorial de moda da Vogue (só ficamos sabendo disso depois) vive ocupada. Apesar de super simples, a cabine era a coisa mais charmosa do mundo! O único problema era ir ao banheiro de madrugada, já que ele ficava do lado de fora e eu sou do tipo que morre de medo do escuro. E já que mencionei a nossa casa…

Airbnb é vida

Como faz muito tempo que não atualizo os leitores sobre o meu paradeiro, acabei nem comentando sobre o nosso vício em Airbnb. Pra quem não conhece, é um aplicativo no qual você acha quartos ou casas/apts com preços muito mais em conta do que hotéis. Você lê os comentários de quem já se hospedou nos locais e consegue ter uma boa ideia sobre a qualidade, conforto e segurança do local. Acho muito mais legal do que ficar em hotéis pois me sinto “em casa”. Além disso, para quem não se importa em se hospedar na casa de alguém, a interação entre o hóspede e o dono da casa pode ser mais uma vantagem em relação aos hotéis. 

Já alugamos somente quartos e também casas só pra nós e nunca tivemos problemas! Farei um post só sobre as nossas experiências com Airbnb no Brasil, Canadá, Estados Unidos e México. 

A nossa cabine no meio do deserto
Já pode voltar? Dêem uma olhada na vista que a gente tinha ao acordar
Posando de blogueira, né?
Me apaixonei pelos detalhes na decoração da casa
Aproveitamos que estávamos no paraíso e na manhã do dia 14 –  meu aniversário – renovamos os votos de casamento e fizemos as fotos no Parque Nacional de Joshua Tree. 

Dia super especial!
Aqui, estávamos num dos pontos mais altos do parque, de onde se tem a melhor vista. Pensem num vento frio?


Recapitulando: ao chegar nos EUA ficamos 4 dias em Los Angeles, num airbnb bem pertinho de Hollywood. No quinto dia, partimos pra Joshua Tree, no deserto californiano, onde ficamos até o dia 14. Voltamos pra LA e ficamos num airbnb em Venice Beach. 

Venice Beach
Santa Mônica

Passamos mais 4 noites em Los Angeles e seguimos pra Las Vegas (que não estava nos planos, mas eu nem lembro por qual motivo acabamos indo parar lá hahaha). Ficamos 4 dias naquela loucura (a cidade é linda, mas eu tô muito velha pra toda aquele furdunço). Fizemos um tour de helicóptero para o Grand Canyon, que estava na minha lista de lugares que eu queria muito conhecer, e eu quase tive um ataque do coração quando o Marc me disse que iríamos pra lá! É ainda mais lindo do que eu imaginava. 


 

Tequila e Mariachis 

Na nossa última noite em Vegas, discutimos sobre o que faríamos nos próximos dias e para onde seguiríamos. Não chegamos num consenso – o Marc queria seguir para Utah – e eu queria conhecer San Diego e San Francisco – então, compramos passagens aéreas para Guadalajara, no México. Tudo a ver, né? 

Grand Canyon e México: dois sonhos realizados no mesmo dia! 

Centro Histórico de Guadalajara
Centro Histórico de Guadalajara
Há muitas esculturas e instalações de arte espalhadas nas praças do centro histórico
Enquanto escrevo esse texto, estou sentada no terraço da casa que alugamos aqui na segunda maior cidade do México. Vejam que fofa, apesar de bem simples… 

A dona dessa casa é Canadense e se mudou pra ca há 6 anos. Alugamos a casa inteira e ficamos aqui até meados de março
Escritório

Eu sempre quis conhecer o país! Sou apaixonada pela cultura, pelo colorido e pela comida mexicana… tem coisa mais gostosa do que tacos e guacamole gente? E o preço das coisas? Tudo muuuito barato: comida, transporte, aluguel…. Chocada! 
Mercado San Juan de Dios, o maior mercado de Guadalajara. Fiquei louca com o tanto de coisa que a gente encontra lá
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
Aliás, esqueça tudo que te ensinaram sobre comida mexicana. Fiquei chocada na primeira noite que saímos para jantar! 

Eu não conhecia quase nada do cardápio além de tacos e quesadilla, que por sinal são completamente diferentes da comida mexicana que a gente come no resto do mundo. Fiquei uns 20 minutos analisando o cardápio e passei o maior sufoco pra pedir a comida. No final das contas, deu tudo certo (fora as tortillas que a gente não esperava serem suuuuuper picantes). 

Ainda não temos uma data pra voltar pro Canadá. O Marc tem a sorte de poder trabalhar de qualquer canto do mundo e, enquanto não fincamos raízes em um só lugar, continuo fazendo alguns freelas e tentando focar no blog, que anda muito abandonado. Vamos ficar aqui mais umas semanas, pelo menos até o meio de março. Quando sentirmos que é hora de irmos para outro lugar, a gente discute as possibilidades por alguns minutos e, se não chegarmos a um consenso, giramos o globo e seguimos pra onde o dedo apontar.

Sorry pelo post gigantesco!
¡Hasta luego!