Canadá facilitará a entrada de turistas brasileiros no país


Brasileiros que adiavam a visita ao Canadá por conta da burocracia dos vistos, já podem tirar os casacos do armário, dar uma lavadinha pra tirar o cheiro do mofo e começar a arrumar as malas. A partir de março de 2016, aqueles que possuem o visto americano em dia ou que já obtiveram o visto canadense nos últimos dez anos, não precisarão aplicar para o visto de turista, antes exigido para a entrada no país. Eba!!!!

O visto será substituído pelo Canada’s Eletronic Travel Authorization (eTA), um documento emitido online após o preenchimento de um formulário e o pagamento de uma taxa no valor de $7. Beeemm mais barato e prático! Ah, e o melhor: na maioria dos casos, a autorização será emitida alguns minutos depois que você finalizar todo o processo.

A nova regra, válida apenas para quem chega por via aérea,  faz parte do Plano de Ação Econômico de 2015 e visa impulsionar o crescimento econômico do país, abrindo as portas para viajantes considerados de “baixo risco”. Além do Brasil, a Bulgária e o México entram na nova regra.

Mais informações podem ser encontradas no site da imigração:

http://www.cic.gc.ca/english/department/acts-regulations/forward-regulatory-plan/eta-expansion.asp

E ai, quem vem???

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Vietnã: o charme da agitada Hanói e as belas montanhas de Sapa

Oi pessoas,

Voltei! Bom, já cheguei há alguns dias. Porém, retornei bem no comecinho das minhas aulas no college e gastei alguns dias reorganizando a minha vida após viajar por 5 semanas.

Durante a viagem eu não tive muitas chances de escrever com calma aqui no blog. Além de estar sempre na correria, na maioria das vezes eu só conseguia wifi nos restaurantes e hotéis – e nesses lugares, ou eu tava faminta, ou muuuito cansada.

Depois de viajar por 18 dias na Tailândia e por duas semanas no Camboja, segui para o Vietnã, onde fiquei por apenas uma semana – o suficiente para que eu morresse de amores pelo povo e pelas paisagens do país.

Primeiro contato com o Vietnã: o patriotismo explícito nas bandeiras e o vai-e-vem de motos em Hanói

Peguei um voo de Siem Reap, no Camboja, para Hanói, capital do Vietnã. O voo entre os dois países custou $160 e teve a duração de menos de duas horas. Passei um sufoco no aeroporto e quase fiquei sem embarcar. Aqueles que me acompanham no face devem ter lido o meu relato. Eu não fiz a minha pesquisa antes de comprar a passagem e achei que o visto para o Vietnã fosse emitido no próprio aeroporto, como é feito no Camboja (brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia, mas precisam mostrar a carteirinha de vacinação com a vacina de febre amarela em dia).

Para pegar o visto vietnamita, você precisa preencher um formulário online com alguns dias de antecedência, pagar uma taxa de mais ou menos $20 e esperar dois dias por uma carta de aprovação. Essa carta deve ser entregue no desembarque, com o pagamento de mais uma taxa de $45 para que você receba o visto. Eu não tinha a carta e depois de muito chororô e confusão, paguei uma taxa altíssima de $180 e saí do Camboja já com o visto no meu passaporte. Portanto, não faça como eu. Pesquise tudo antes de ir de mala e cuia pro aeroporto crente que está pronta pra entrar no país dos outros hahaha.

Fiquei em um hotel chamado Madame Moon Guesthouse, bem simples, mas muuuito bem localizado. Fica no centro de Hanói, no chamado Old Quarter, onde ficam as lojas, bares e restaurantes badalados da cidade. A diária custou 20 dólares.

A influência francesa, fruto da ocupação do país pela França no século 19, predomina na arquitetura de Hanói. As ruas estreitas com sobrados cobertos pelo vermelho da bandeira do Vietnã, são tomadas por milhares de motocicletas, carros e bicicletas que disputam espaço com pedestres e comerciantes. Atravessar a rua é uma verdadeira aventura.

Prepare-se para um post super longo! Não consegui conter o meu entusiasmo ao contar sobre a minha experiência no Vietnã e nem maneirar na quantidade de fotos! Sorry, mas eu quis reunir tudo em um só lugar.

Rua no centro de Hanói, capital do Vietnã

Quando ainda estava no Camboja, um amigo me contou sobre a Hanoi
Kids, uma organização que oferece guias de turismo sem cobrar valor algum. O principal objetivo é dar a oportunidade a crianças e adolescentes vietnamitas de praticarem inglês com os turistas e, assim, terem mais chances de conseguirem bons empregos no futuro. Enviei um e-mail e reservei a manhã no meu primeiro dia em Hanói para visitar o Museu de Etnologia  (entrada custa uns $2 e há desconto para quem tiver carteirinha de estudante).

Museu de Etnologia em Hanoi, vale super a pena visitar!

Fiquei encantada com o profissionalismo de Lê Minh que, com um inglês perfeito, me deu uma verdadeira aula sobre a história dos seus ancestrais e dos diversos grupos minoritários vietnamitas. Após o nosso tour pelo museu, ela me levou no Cong Caphe, uma cafeteria super charmosa, onde a decoração e o coconut coffee, um café com gostinho de coco, são as grandes estrelas do local. Ainda que você não seja fã de café, o que é o meu caso, super recomendo a visita. O país é famoso pelo seu café forte, encorpado e cremoso. Ahhhh, e no lugar do leite, na maioria das vezes eles usam o leite-condensado. Perdição!

À tarde dei uma volta pelo Old Quarter e enlouqueci com o preço dos produtos. É tudo muito barato! A conversão me dava a maior dor de cabeça, principalmente depois de ter passado pela Tailândia e pelo Camboja. Quando eu estava lá, $1 (dólar americano) valia VND 22.000 (dong vietnamita). Imagina alguém te falando que algo custava meio milhão de dongs…

Uma boa refeição com cerveja custava uma média de $6.

Táxis também são super baratos, mas em dias de muito trânsito você vai cogitar pegar um mototáxi, ou não vai chegar a lugar algum. No Vietnã, não vemos tuk-tuks como na Tailândia e no Camboja. Alguns rapazes oferecem te levar num carrinho puxado por eles numa bicicleta, mas eu não usei o serviço.

Principal meio de transporte dos vietnamitas
Hoan Kiem Lake, localizado no centro histórico de Hanói

Existe um mundo à parte nos vilarejos das montanhas de Sapa 

Como eu queria muito dividir o meu tempo no Vietnã entre Hanói e os pequenos vilarejos localizados nas montanhas, na mesma noite peguei um trem para Lao Cai (mais ou menos $35) e, após 7 horas, cheguei na pequena cidade, de onde uma van me levou para o meu tão esperado destino: Sapa.

Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, os locais em que mais aprendi e mais tive contato com a cultura do país foram as cidades pequenas e os vilarejos por onde passei. Eu queria ter a mesma experiência no Vietnã e não poderia ir embora sem conhecer o dia a dia de quem vive nas montanhas.

Antes de partir para a minha aventura em Sapa, fiz uma pesquisa em busca de opções seguras e acessíveis para mulheres que viajam sozinhas pelo Vietnã. Por indicação da Kiersten, do blog The Blonde Abroad, entrei em contato com a Hong, que ficou comigo nos três dias e me levou nos lugares mais lindos, fazendo com que a minha experiência  no local fosse a mais proveitosa possível.

Hong, a minha guia em Sapa, e as suas filhas

No primeiro dia passeamos pelo centro da cidade e fomos em algumas feirinhas, onde eu tive o primeiro contato com vietnamitas das tribos Black H’mong e Red Zao. Você os vê o tempo inteiro pela cidade, com suas vestimentas exóticas e bem coloridas. Podem ser facilmente identificados pelos acessórios e cores dominantes nas roupas. A primeira tribo veste-se de preto, enquanto a segunda usa lenços e bandanas vermelhas.

Uma mãe da tribo Black H´mong vende mel com o seu bebê em uma pracinha de Sapa
Os bebês são carregados sempre dessa forma e até quando as mães acompanham os turistas na trilhas, os pequenos vão grudado nas costas
Frutas, verduras, carnes e artesanatos são vendidos nas feiras ao ar livre em Sapa
Vendedoras de sticky rice, ou arroz grudado, famoso no Vietnã. O colorido é feito com corantes naturais extraídos de plantas. Come-se com recheio de manga ou com farelo de amendoim
Açougue a céu aberto

Depois de fazer um tour pelo centro de Sapa, montamos na motocicleta de Hong e subimos as montanhas em busca das cachoeiras da região.

O cenário é de tirar o fôlego…

Hong parava a moto nos melhores pontos para tirarmos foto com esse cenário que mais parece uma pintura
Morrendo de medo de cair da pedra haha
Thac Tinh Yeu, também conhecida como “Love Waterfall”
Paramos para comer espetinhos de porco com folhas de chuchu. Uma delícia!
No trajeto para as cachoeiras a gente encontra barracos como esse onde os nativos vendem artesanatos ou comidas



Homestay com famílias locais

No final da tarde do meu primeiro dia em Sapa, Hong me levou para a homestay onde eu passaria uma noite com uma família da tribo Red Zao, no pequeno vilarejo chamado Ta Phin. No percurso para o local, eu não parava de pensar no quanto eu era sortuda em ter a chance de ver e viver tudo aquilo. As fotos podem comprovar o quanto as paisagens são lindas, mas a energia do local é indescritível.

Homem caminha pelas montanhas carregando cesto que é usados para transportar artesanatos, comidas e até crianças
O verde dos arrozais muda de acordo com as estações e a quantidade de chuva na região. Eu fui na época de chuvas, quando as plantações estão cheinhas
Casal trabalha na colheita do arroz, abundante em toda a região

A casa de No May, a moça que me recebeu por uma noite, era bem simples, como todas as outras que ficam na mesma região. Mas, a generosidade e a atenção que ela, o marido e a filha Mayun dedicaram à mim naquele dia, foram maiores do que eu esperava.

May prepara o nosso jantar
Mayun, de 7 anos, observa a mãe
No jantar daquela noite, arroz , tofu frito, chuchu, porco e salada
May adoça com mel uma dose de “happy water” ou água feliz, bebida alcólica caseira feita de arroz e super comum no sudeste asiático. O gosto é forte como o da cachaça

Após o jantar, No May me perguntou se eu gostaria de tomar um banho de ervas preparado por ela. É uma tradição da tribo Red Zao para ”limpar o corpo das energias negativas”.

Caldeirão onde May ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas
Caldeirão onde ferveu a água com cerca de 15 tipos de ervas

Segundo ela, eu deveria entrar no barril com o banho de folhas e lá ficar por mais ou menos 20 minutos. Fui avisada de que a maioria das pessoas sente uma tontura ao sair do banho. Curiosa e sem acreditar que um simples banho me faria sentir algo diferente, entrei no barril e lá fiquei por mais ou menos 25 minutos.

O barril em que tomei o banho de ervas
O barril em que tomei o banho de ervas

A sensação é a mesma de estar em uma sauna, já que a água é bem quente. Não senti nada enquanto estava imersa no banho, porém, comecei a sentir muita tontura assim que saí do barril. Para vocês terem noção, eu não consegui me vestir e fui do banheiro pro quarto enrolada na toalha e com o corpo super cansado, pedindo cama. Dormi igual a um bebê por oito horas seguidas, o que era raro nos meus dias na Ásia, principalmente em áreas como aquela, onde o canto dos galos te acorda às 5 da manhã.

Mãe da tribo Red Dao caminha com o filho pelo pequeno vilarejo
Mãe da tribo Red Dao caminha pelos arrozais com o filho nas costas
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografassem
As crianças brincavam com milho quando me viram e pediram para que eu as fotografasse
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais
É comum vermos crianças cuidando dos animais e trabalhando com os pais nos arrozais

Na manhã seguinte, Hong me buscou na casa em que eu estava e me levou para um vilarejo chamado Lao Chai, do outro lado da montanha. Eu iria passar uma noite na casa de pessoas da tribo Black H´mong e teria contato com os costumes de um dos mais conhecidos grupos minoritários existentes em Sapa.

O vilarejo era bem mais agitado do que o anterior. Na casa em que fiquei, por exemplo, haviam outros quatro turistas, além da família que lá morava. A maioria dos moradores vive do turismo, seja recebendo turistas em suas casas ou guiando-os em trilhas pelas montanhas.

Na casa em que fiquei, a matriarca oferecia cursos de batik, a técnica de coloração e pintura em têxtil. No quintal funcionava uma pequena fábrica e na frente da casa, a lojinha onde eram vendidos os produtos produzidos pela família.

Máquina onde os fios de linho são entrelaçados
Matriarca ensina a técnica do batik aos turistas
Tecidos são tinturados…
….e depois expostos ao sol

Eu acabei esquecendo o nome de uma das irmãs que me levou para uma trilha de 4 horas nas montanhas. Como essa era a minha última semana na Ásia e eu já havia feito dezenas de trilhas, quase morri de cansaço com o sol a pino e o sobe e desce das ladeiras.

Caso decida visitar Sapa, prepare-se para explorar o local com os pés no chão. Programe-se para fazer trilhas, pois é muito mais divertido do que em motocicletas. E vale super a pena!

Apesar do cenário ser tão lindo quanto o do primeiro vilarejo em que fiquei, a enorme quantidade de turistas e a agressividade dos vendedores que, literalmente, te empurram os artesanatos, fez com que eu me decepcionasse um pouco com o local. Acho válido pesquisar os vilarejos onde a quantidade de turistas não é tão grande. Mas como o sudeste asiático é ainda um dos destinos mais baratos para visitarmos, vai ser cada vez mais difícil achar lugares ainda pouco explorados.

A quantidade de crianças nesse vilarejo era enorme
Algumas vezes elas irão te seguir, oferecendo produtos , ou melhor, implorando para que você compre algo. Sugiro que não compre nada, pois assim evitará que elas te sigam por todos os cantos e também que deixem de matar a aula para seguir os turistas
Menina estuda na porta de casa

Um bate e volta para conhecer Ha Long Bay 

Pra vocês terem uma noção do quão corridos eram os meus dias (só pra garantir que eu voltaria pra casa após ter visto todos os lugares que gostaria de ver), peguei um trem noturno de volta para Hanói às 9 da noite. Cheguei na capital por volta das 5 da manhã e, às 8 já estava em uma van que levaria para a cidade de Ha Long.

Foram quase 4 (!!!) horas de estrada com um grupo de turistas e depois um barco que nos levaria até a famosa baía onde ficam as enormes rochas no meio da água. O tempo não estava dos melhores, mas eu estava tão cansada de sol e com a pele tostada de tantas caminhadas sem protetor, que não me importei.

O local é mesmo lindo, mas já virou uma daquelas atrações turísticas que estão sempre lotadas de gente
Mesmo com o dia nublado, o cenário era lindo

Para visitar Ha Long Bay você tem duas opções: o passeio de um dia ou os cruzeiros nos quais você dorme no barco por dois ou três dias. Se você tiver tempo, ótimo. Mas, apesar de cansativo, acho que apenas algumas horinhas no local são suficientes.  É o tipo de lugar fotogênico, mas sem muito o que fazer.

O barco para em uma área onde podemos alugar caiaques ou essas jangadinha, guiadas por um dos nativos. Eu escolhi a segunda opção e o passeio deve ter durado uns 20 minutos

Ficamos na baía por mais ou menos umas duas horas e depois seguimos de volta para Hanói.

O passeio, que custa por volta de $30, inclui transfer do hotel até a cidade de Ha Long, almoço no barco e visita a uma caverna que fica em uma das ilhas

No meu último dia no Vietnã, pesquisei um bom restaurante na área em que estava hospedada e acabei indo no Green Tangerine, um restaurante francês-vietnamita suuuuper charmoso que fica ali no Old Quarter, onde tudo acontece.

Foi uma das melhores experiências gastronômicas da viagem. Escolhi um combinado de entrada + prato principal + salada por mais ou menos $25 e amei tudo que pedi! O local fica em uma casa colonial com pátio pavimentado e decoração que mistura toques orientais e europeus.

Lasanha de peixe ao molho de vinho branco. No topo, mousse de parmesão, frutas vermelhas e manjericão

Os pratos, apesar de bem mais caros do que o normal no Vietnã, são lindos e deliciosos…

Crepe de mousse de chocolate com lichia e caramelo

O Vietnã é, com certeza, um país com uma vasta riqueza cultural e que oferece uma infinidade de opções para quem deseja explora-lo. Apesar de ter sido o meu último destino na viagem e, por conta disso, estar bem cansada, consegui ver tudo que desejava ver e me encantei com as pessoas e os locais que conheci em Sapa e em Hanói. Eu tive muita sorte de ter cruzado apenas com pessoas do bem que fizeram com que a minha viagem fosse ainda mais especial.

Voltarei em breve, Vietnã!

Sobre abraços apertados, sorrisos largos e a alegria do povo no Camboja

A minha jornada na Ásia ainda não chegou ao fim. Mas esta é a última semana que passo aqui em Phnom Penh, trabalhando com as crianças. Daqui, sigo para o Vietnã, último país a ser visitado por mim em uma viagem que mudou completamente a minha forma de enxergar o mundo e as pessoas que dividem o seu espaço nele comigo. 

 

Pôr do sol em Kampot, Camboja
 
 
Monges em Kampot, Camboja
 
Na Tailândia eu me encantei com a hospitalidade do seu povo. Com a generosidade de gente disposta a te dar a mão, mesmo sem entender o que você precisa. Me encantei com a beleza irretocável dos lugares pelos quais passei.

No Camboja, me encanto todos os dias com o sorriso de um povo que sofreu (e ainda sofre) tanto, mas que não se deixa abater pelos acontecimentos do passado e pela pobreza que ainda toma conta do país. Gente que carrega um sorriso largo enquanto trabalha horas a fio para ganhar em um mês o que muitos de nós gastamos em uma refeição. 

Trabalhador em um arrozal , Kampot, Cambodia
 
Pescadores em Kampot, Camboja
 

Salinas (produção de sal marinho) em Kampot, Camboja

 Aqui, todas as crianças te cumprimentam com um “Hello!” bem alto e cheio de vida, seguido pelo sorriso gostoso de quem ainda não perdeu a inocência. Nas áreas rurais, perdi as contas de quantos pequeninos acenaram para mim cada vez que passava por elas em um tuk tuk ou montada em uma motocicleta, enquanto elas me seguiam em suas bicicletas ou caminhavam descalças pelas estradas de terra num sol de 40 graus.  

Kampot, Camboja
 
 
Kampot, Camboja
 
Caminhar pelas ruas de Phnom Penh pela primeira vez foi como receber um soco no estômago. Eu já visitei lugares pobres no Brasil, sou nordestina e sei bem da triste realidade do nosso sertão. Sou bem informada quanto aos problemas que o nosso mundo enfrenta. Ainda assim, me surpreendo com a realidade aqui em Phnom Pehn e em cidades vizinhas, as quais visitei no último final de semana. 

 

Phnom Penh, Camboja
 
Não há coleta de lixo na maior parte dos lugares, as casas e ruas são repletas de entulhos por todos os cantos. Crianças brincam em valas abertas, descalças, peladas. Não há bairros de luxo. Há algumas casas de luxo rodeadas por barracos. Há carros de luxo dividindo o tráfego com milhares de motocicletas caindo aos pedaços, carregando 3, 4 pessoas. E as crianças sorriem, os adultos sorriem. 

Kampot, Camboja
  
Kep, Camboja
 

Não encontrei ao menos uma pessoa que se lamentou pela vida que leva. O povo Khmer tem orgulho do seu país, mesmo com todos os problemas que eles enfrentam. São pessoas incapazes de reclamar da pobreza que os assola, e, ao invés de lamentos, compartilham alegria. 

Na instituição de acolhimento onde realizo o trabalho voluntário falta tudo. Mas sobra amor. Sobram sorrisos com dentes falhos, abraços apertados apesar dos finos braços e apertos de mão capazes de reenergizar a nossa alma. 

Sobram crianças cheias de energia e vida, como Sopheap, esse menino lindo que na foto abaixo toca a minha orelha. Ele é cego dos dois olhos e essa é a sua forma de reconhecer quem o abraça. O irmão gêmeo de Sopheap,  Sambo, é cego de um dos olhos. Os dois foram abandonados ainda bebês. 

Sopheap toca a minha orelha e em seguida me abraça bem forte
 
 
Com Rayot, o mascote da turma que tenho cuidado
 

Eu tenho mais do que preciso. E muitas vezes reclamo. Mas muito em mim tem mudado a cada dia que vejo aquelas crianças. Já não me importo em fazer xixi de cócoras, em limpar baba e cocô incontáveis vezes e nem com o cheiro de xixi impregnado nos colchonetes em que deito para brincar com as crianças. Talvez seja mesmo verdade que a gente se acostume a tudo… 

Ainda me choco ao descobrir a história de cada uma das crianças. E reconheço que ocupo um lugar de sorte no mundo. Eu tive tantas oportunidades na vida, tanto amor me foi dado e eu mais do que nunca sou grata pela vida que me foi proporcionada. 

Em menos de uma semana me despeço do Camboja e dessas crianças lindas. Levarei comigo a imagem de um povo alegre e as lembranças de um período de intenso aprendizado, onde reafirmei a minha teoria de que uma mão solidária pode não mudar o mundo, mas se ela mudar o mundo de alguém, já é um lindo começo. 

Apesar de não ser tão religiosa quanto a minha família, tenho as minhas crenças. A minha fé na humanidade e no poder do amor é grande. E como um dia disse Madre Teresa de Calcutá, “a falta de amor é a maior de todas as pobrezas”.

Tailândia: o paraíso é aqui 

Viajei pela Tailândia por quase três semanas. Passei por Bangkok, Ayutthaya, Chiang Mai, Pai e Koh Samui. Na capital, Bangkok, onde a disparidade entre os ricos e pobres é maior, descobri que os mais pobres (e com menos dentes) sorriam mais. E que um pedido de desculpas pode ser feito com uma caixa de nuggets, por um garçom que não quer desapontar um novo cliente. 

  

Bangkok
 
Wat Pho Temple em Bangkok
 
 
Temple of The Emerald Buddha , Bangkok
 
  
Chatuchak Market, um dos maiores em Bangkok. Funciona nos finais de semana

 
Chatuchack Market , Bangkok
 
 
Tuk tuk, um dos meios de transporte mais usados no sudeste asiático
 
 
Drinks e comida boa no bar Tuba, Bangkok
 
Aprendi que atravessar a rua me dava mais frio na barriga do que me perder em um local aonde poucos me entendiam. E aprendi, também, que se quem tem boca não for a Roma, vai ao menos se virar na Ásia. 

Aprendi que dizer não para alguém que te dá até 70% de desconto só para não perder a compra é uma missão quase impossível. Aqui, não vi pedintes nas ruas. Mas todo mundo tem algo a vender, mesmo que você seja o responsável por definir o valor do produto.  

O comércio se divide entre lojas de artesanatos, casas de massagens, conveniências da rede 7/11, bares e só. Multiplique as casas de massagens por 100 a cada quarteirão. 
 

Massagens a $8 /hora
 

Em Ayutthaya, a uma hora e meia de trem de Bangkok, encontrei um motorista de Tuk Tuk (carrinhos bem pequenos usados como taxi em muitos países da Ásia) que quase não falava inglês, mas perguntou a minha nacionalidade e me entregou um caderninho onde clientes de diversas nacionalidades haviam pontuado o seu serviço. Os asiáticos também são bons em marketing. 

 

Trem Bangkok – Ayutthaya
 
 
Wat Yai Chaimongkon, templo em Ayutthaya
 
 
Templo em Ayutthaya

 
Wat Phra Mahathat , Ayutthaya
 

Fiquei apenas algumas horas em Ayutthaya. Um dia/tarde foi suficiente para conhecer todos os templos. No outro dia, peguei um trem em Bangkok e enfrentei doze horas de estrada até Chiang Mai, uma cidade onde o turismo é visto de forma mais concentrada do que na capital, por ser menor e com o comércio liderado por imigrantes europeus, australianos e americanos. 

 

Trem de Bangkok para Chiang Mai, 12 horas $35
 
 
Templo em Chiang Mai
 
  
Art in Paradise, Museu 3D em Chiang Mai

  
Em Chiang Mai eu vivi uma das melhores experiências da minha vida, quando ao invés de escolher o tour preferido pela maioria dos turistas, convenci os guias a me apresentarem a verdadeira cultura local por um tempo maior do que o de um dia sugerido no programa deles. E me joguei em uma aventura de três dias de trilhas no meio da floresta, dormindo em barracos de madeira usadas pelos trabalhadores dos arrozais, visitando fazendas que produzem grande parte dos produtos consumidos pelos moradores e fui até acolhida por um casal de lavradores que não tinha muito, mas que me preparou um dos melhores jantares que eu já tive: sopa de bambu, frango ao curry e arroz. 

 

Jantar com o s moradores que me receberam por uma noite no pequeno vilarejo
 
Tenho muitas fotos dos três dias na floresta e resolvi que contarei tudo em um post separado. Dessa forma esse aqui não fica tão longo e pesado com fotos. 

Amphoe Chom Tong, uma das muitas cachoeiras que tive a chance de ver durante as trilhas

Por sinal, eu que não era fã de curry aprendi que na hora da fome, a gente deve exigir do nosso estômago um pouco menos de frescura. 

Sopa com legumes durante o almoço à beira da cachoeira

As trilhas não foram fáceis. No primeiro dia, ao atingirmos o topo de uma das montanhas, um dos guias desmaiou. Talvez por não ter se alimentado direito. No segundo – e mais intenso dia – foram 20km de subidas e descidas em mata fechada. Se você acha que subir uma montanha é difícil é porque nunca teve que descê-la quando a terra estava molhada. 

Pensei em desistir assim que levei o primeiro tombo e resolvi me proteger apoiando as mãos em um tronco cheio de formigas vermelhas. As coceiras – de picadas de mosquito, formiga, calor – incomodam mais do que o cansaço. Mas as paisagens e o cheiro da natureza fazem tudo isso e muitos outros empecilhos desaparecerem. É incrível a capacidade que o nosso corpo tem de se adaptar a ambientes diferentes…
No terceiro dia de trilha eu já nem fixava o meu olhar no chão, como fazia nas primeiras horas, morrendo de medo de encontrar uma cobra. 

  
Mesmo com todo o desconforto de ter que fazer xixi e cocô no meio do mato, comer comidas estranhas, acordar no meio da noite com uma aranha tentando subir na minha perna, cair, me arranhar, ter dores na ponta dos dedos do pé de tanto descer ladeiras íngremes, ter dores no quadril após caminhar por 8 horas (com paradas para banheiro e comida), nunca irei esquecer a sensação de ver o pôr do sol sentada em um barraco no meio de um arrozal, ouvindo apenas o canto dos pássaros e o barulho dos girinos. 

Apreciando a natureza em uma barraca usada pelos trabalhadores dos arrozais

Três horas após começarmos a trilha eu disse a Tom, o guia tailandês de 23 anos, que estava com fome, e ele me entregou um pacote de noodles, ou miojo como chamamos no Brasil. Sem entender como eu comeria aquele pacote de miojo sem ter uma panela e muito menos um fogão, Tom logo me mostrou que eles comem o mesmo cru, como tira-gosto. E eu comi com a mesma felicidade com a qual comeria uma coxinha. 

Em Chiang Mai também realizei um dos meus sonhos: ter contato direto com elefantes. Gastei horas pesquisando sobre locais confiáveis, onde os elefantes são bem tratados e não apenas usados como forma de arrecadação de dinheiro. Não queria vê-los sendo mal tratados. E a experiência foi literalmente emocionante.

 

Dando banho nos elefantes

Também contarei tudo em um post separado. Porque os elefantes merecem um espaço só pra eles! E porque a minha wifi está péssima! 

Apesar de terem as suas peculiaridades, as cidades turísticas na Tailândia seguem o mesmo padrão. Algumas, como Pai, recebem um maior número de australianos e europeus. 

O meu último destino no país foi a ilha de Koh Samui. Peguei um voo em Chiang Mai e segui para o paraíso em busca de sol e banhos de mar. Foram quatro dias em um lugar que, se não for o paraíso, fica bem pertinho dele. 

 

Crystal Beach, Koh Samui
 
  
Paraíso!!
 

Anthong National Marine Park

  
 

A Tailândia é o tipo de destino que te surpreende a cada dia. E se você tiver tempo e disposição, consegue, em uma só viagem, desfrutar de diversos tipos de turismo. Sol e praia, Aventura, Metrópole… 

Os Tailandeses me conquistaram. Eles são especiais. É um povo que está sempre de alto astral e bem receptivo. Te cumprimentam mesmo sem te conhecer e são, na maioria das vezes, solicitos e muito humildes. Claro que é preciso estar atento com aqueles que tentam se aproveitar da distração do turista. É preciso manter os olhos bem abertos e não vacilar com os pertences. E para que o turista esteja sempre atento, há avisos do tipo em vários pontos turísticos. 

Hoje sigo para o Camboja, onde iniciarei as duas semanas de trabalho voluntário. Eu tenho milhares de fotos para postar, histórias para contar… Mas a internet é bem lenta e fico à mercê do pouco tempo que passo nos hotéis para poder postar aqui no blog. 

Irei dividir o meu roteiro nesses quase vinte dias no país de forma mais organizada e postarei assim que tiver a chance.

🙂 

Chegou o grande dia! 

  
Era sempre a mesma história: uma dor de estômago insuportável que batia quando eu me via em uma situação que me deixava muito ansiosa. Uma prova, competição de qualquer tipo, uma viagem… 

Buscopan foi meu melhor amigo durante anos. Quando as pílulas não colaboravam, lá ia o meu paizinho me carregar para a emergência mais próxima e eu acabava com uma boa dose do remédio direto na veia. 

Aos poucos as dores frequentes foram substituídas pelas borboletas no estômago e eu já tinha um pouco mais de controle sobre as minhas emoções (ou não). 

No trajeto para o aeroporto a minha ansiedade insistia em cutucar o meu estômago e eu, que não sei meditar, controlar a respiração ou fazer uso de qualquer outra técnica de relaxamento, dessas que a gente aprende até em vídeos do Youtube, escrevo porque não tenho buscopan e, muito menos, o meu pai, para me ajudar a controlar a minha ansiedade.

O voo seria semana que vem, mas como eu sou do tipo que faz-o-que-der-na-telha só para mimar a mimha ansiedade, troquei para hoje! 

E lá vamos nós (eu, dois livros, algumas peças de roupa, muitos brinquedos e livros para as crianças e quilos de frio na barriga) desbravar a Ásia. 

  
Que essa cutucada no estômago, ainda que desconfortável, jamais me abandone. Pois é o desafio do “novo” o meu maior combustível. 

Voltarei em breve com muitas fotos e posts sobre a minha jornada! 

🙂 

O colorido da Arte de Rua em Toronto 

Eu não sei vocês, mas eu amo arte de rua. Quem me acompanha no Instagram vê que eu estou sempre postando paredes e muros coloridos. Adoro passar por ruas que tenham grafites e pinturas e estou sempre pesquisando espaços com intervenções artísticas. De vez em quando eu pego o metrô, ônibus ou streetcar e saio em busca das famosas paredes coloridas. 

Se você, assim como eu, é do tipo que adora murais e grafites, prepare as pernas e tenha sempre a câmera (ou o celular) em mãos, porque existe sim, MUITA arte de rua em Toronto. 

E eu resolvi reunir em um post os meus locais preferidos para explorar o mundo dos grafites e das pinturas em paredes da cidade. Afinal, antes ARTE do que nunca, né? 🙂 

Kensington Market 

Um dos redutos preferidos dos hipsters e artistas de Toronto. Há arte espalhada por toda a área do Kensington Market que abrange o norte da College St., Spadina Ave ao leste, Dundas St. ao sul e oeste da Bathurst. 

Big Fat Burrito no Kensington Market
Beco no Kensington Market
Grafiteiro Angel Carrillo no Kensington Market

No verão é comum encontrar um artista bem no meio do seu processo criativo. 

Aproveite para explorar as galerias, lojinhas e bares da área. Há muita coisa bacana para se ver no Kensington Market. 

Graffiti Alley 

Localizado no chamado Fashion District   de Toronto, no meio da famosa Queen Street West, o Gaffiti Alley consiste em um quilômetro de muros com intervenções vibrantes e cheias de expressão.  
 

Graffiti Alley, um dos meus favoritos

Os grafites começam ao sul da Queen Street West, entre a Spadina Avenue e a Portland Street. 
Todos os anos, durante o verão, um grupo chamado Style in Progress, com a autorização da prefeitura, passa 24 horas no local para criar novos grafites. 
 
Graffiti Alley na Spadina com a Portland
 
Um tesouro para os amantes da arte de rua

Queen Street West

 

Sim, Toronto é o paraíso!

Você já sente o cheiro de arte a partir do momento em que pisa na Queen Street West, outra rua bastante frequentada pelos descolados e ligados em arte e design em Toronto. Não é a tôa que o local é chamado de Art and Design District. 
Em meio às lojas de grandes marcas como Zara, H&M e GAP, a Queen St. abriga preciosidades como brechós, lojas com decorações modernas, estúdios de tatuadores famosos, livrarias, além de bares e restaurantes cheios de charme. 

Campanha da Koodo em um muro da Queen Street West

Como citei um pouco acima, é lá onde fica o Graffiti Alley. Porém, há outros murais espalhados pela área como esse acima, criado pelo artista Mike Perry para a campanha “Choose Happy” da companhia de telefonia Koodo. E também o “This is Paradise”, um dos preferidos dos turistas. 

Alexandra Park 

Esse parque fica bem próximo à minha casa e eu sou apaixonada pelo muro enorme e colorido de um grafite que chama a atenção de todos que passam pelo local. Pesquisei sobre a obra de arte e descobri que foi realizada pelos grafiteiros Elicsr, bem conhecido pelos amantes da arte de rua e por Troy Lovegates “Other”, que nasceu em Toronto, mas atualmente mora em  São Francisco, Estados Unidos. 
 

Tem como não se apaixonar por esse muro?
 

Regent Park

Essa área eu descobri por um acaso, quando conferia o trabalho de alguns grafiteiros no instagram. Um dos grafites me chamou a atenção e acabei por descobrir que a dupla de artistas era formada pelo brasileiro Bruno Smoky e a chilena Shalak Attack. 

 

Um dos meus preferidos até hoje
 

Infelizmente havia uma construção bem em frente ao mural e eu não pude tirar uma boa foto dele inteiro… Mas consegui uma meio de lado e dá para vocês verem como a dupla é talentosíssima. 

O mural fica na lateral de um prédio na Sumach St. com a Dundas

Foi nessa área também que eu me apaixonei pela exposição Faces of Regent Park do artista Dan Bergeron. 

Faces of Regent Park

São 12 imagens em 6 painéis grandes, retratando a diversidade dos moradores da comunidade. Achei o trabalho incrível e, após descobrir que as fotos retratavam pessoas que ali vivem, fiquei ainda mais encantada.   

Amei a ideia do artista em retratar moradores

Faces of Regent Park
 
Painéis fotográficos no Regent Park
 

O parque fica no lado leste da cidade, um pouco afastado do burburinho do centro e não há muito o que fazer ao redor. Mas o centro comunitário tem servido de espaço para diversas intervenções artísticas, ganhando o colorido dos murais, grafites e painéis fotográficos. Vale a pena conferir. 

Ossington Lane Way 

Grafite feito pela artista Erica Balon, conhecida como EGR

O Lane Way Art Project fica próximo a intersecção da Ossington e Queen St. West. Eu passei a frequentar bastante a área depois de me apaixonar por uma sorveteria que fica por ali. Depois, decidi explorar as lojinhas da redondeza e me encantei com alguns “achados” que você jamais encontra em shoppings e lojas tradicionais. 

O projeto de transformação da viela em uma galeria pública de arte foi realizado em 2012 e envolveu 20 artistas locais, alguns já renomados e outros que ainda estavam aprendendo a grafitar. 

 

Grafite criado por Li-Hill
 
Arte criada por Troy Lovegates
 
Traços fortes e cores vibrantes enfeitam a viela

A maioria dos grafites foi feita em portas de garagens e paredes do fundo de alguns estabelecimentos comerciais. 

 

Autor Patrick Thompson
 
  

Mais arte por aqui

Por Elicsr e Erica Balon (EGR) na Victoria com a Shulter St.
Roncesvalles , autoria desconhecida
Roundhouse Park

Ossington e Queen St. West
 
  

Acampar em Muskoka: simplicidade, contato com a natureza e muita diversão

Eu nunca havia acampado. Na verdade, eu não lembro de ter acampado quando criança e tem aquele velho ditado “se eu não lembro, eu não fiz”. 

Logo que cheguei em Toronto ouvia de muita gente que acampar durante a primavera/verão é uma das atividades preferidas de quem mora no Canadá. Eu, que sou apaixonada por atividades ao ar livre, amei quando a Gabi e a Jess me convidaram para acampar em Muskoka, a mais ou menos duas horas e meia de Toronto. 

O acampamento em que ficamos se chama Arrowhead Provincial Park e oferece várias atividades bacanas como canoagem, stand up paddle e trilhas para caminhadas e passeios de bicicleta. 

 

Arrowhead Provincial Park

Como eu era marinheira de primeira viagem, não ajudei na organização do nosso acampamento, e a Jess, que já acampou diversas vezes, foi quem organizou tudo! A minha primeira vez acampando não poderia ter sido melhor. Ela é tão organizada que não deixou faltar nada! 

 

O parque tem algumas vistas lindas
 
Johnny me ensinando a acender a nossa fogueira
 
Barracas

Fomos em um grupo de cinco pessoas e levamos comidas de fácil preparo como ovos, salmão, salada e frutas.

Café da manhã

À noite, fazíamos fogueira e tomávamos vinho. A temperatura estava bem baixa nas duas primeiras noites, mas fomos preparados com toucas, luvas e moletons. 

E, para que a minha experiência acampando fosse completa, fui “batizada” com uma noite regada a marshmallow feito na fogueira e s’mores, o tradicional doce feito com bolacha, chocolate e marshmallow… Pensem em uma coisa deliciosa? É o tal do s’mores! 

 

Marshmallow
 
S’mores: derrete o marshmallow e o chocolate e faz um sanduba com biscoito

O parque oferecia chuveiros com água quente e banheiros bem próximos ao nosso acampamento, o que facilitou bastante a nossa vida. 

Tem urso andando por ai

No nosso segundo dia no parque ouvimos de um grupo de pessoas que um urso havia “visitado” um acampamento próximo ao nosso. Eu já comecei a tremer de medo. Hahaha

Aviso sobre a existência de ursos no parque

Segundo os funcionários do local, o grupo de pessoas que recebeu a visita do urso às 4 da manhã havia deixado comida do lado de fora das tendas, o que é proibido em acampamentos por aqui por atrair os animais. Felizmente, nada de grave aconteceu, apesar de terem perdido parte da comida. 

Caminhada, canoagem e caiaque

Lindo demais

Como a temperatura ainda estava um pouco baixa na nossa primeira manhã, resolvemos fazer uma caminhada por uma das trilhas que tem mais ou menos 3km. O destino é uma corredeira e um pouco mais à frente, as praias. 

 

Corredeira em uma das trilhas que fizemos
  
Johnny, eu, Jess, Jelena e Gabi
Jess e Gabi

No domingo a temperatura aumentou, o sol resolveu aparecer e passamos o dia na praia. 

 

O parque oferece aluguel de canoas , caiaques e stand-up paddle

   

Tentamos alugar um stand up paddle mas eles ainda não tinham nenhum disponível naquele final de semana. Alugamos uma canoa e um caiaque por $32 os dois e ficamos umas duas horas no lago. Uma delícia de passeio. 

 

Selfie da turma
 
 
Dia lindo de sol e canoagem

Para quem acha que no Canadá faz frio o ano todo, tá aqui a prova de que nós também nos divertimos em atividades ao ar livre, acampamos e vamos à praia. Óbvio que não chega perto das areias branquinhas do Brasil e do banho de mar gostoso que lava até a alma. Mas a gente se diverte sim por aqui. E aprendemos a apreciar cada dia de sol como se fosse o único. Amei passar uns dias longe do burburinho da cidade, curtir a companhia dos amigos e a simplicidade que acampar nos proporciona. Mal posso esperar para ir novamente. Quem me acompanha? 

Outros locais para acampar:

  • Tobermory
  • Parry Sound
  • Algonquin Provincial Park
  • The Kawartha Lakes