Que nunca nos falte vontade


Casei!

Cheguei do fórum, tirei o salto, coloquei a certidão de casamento na cabeceira da cama, dei um beijo no marido (ain, que estranho falar marido) que se mandou pro futebol e fiquei imóvel na cama. Olhava pro teto e me perguntava: e agora? O que a gente faz? O que vai mudar?

O casamento não foi planejado. Não, eu não estou grávida e não casamos pra que eu tenha a cidadania canadense, nada disso. Vamos combinar que quem conhecer o meu marido e a sua paixão pelo Brasil vai achar que ele sim, tava querendo ganhar a cidadania brasileira. O cara é tão louco pelo Brasil que quer mudar o nome pra João. Isso é conversa pra outro post…

A gente se ama muito, mas casar não era algo que planejávamos para este ano. Nem mesmo pro ano que vem. Fazíamos mil planos envolvendo viagens e outros programas a dois, mas nunca tocávamos no assunto casamento. Já havíamos combinado de morar junto assim que retornássemos do Brasil. Por conta disso, antes de vir, empacotei todos os meus pertences e deixei no porão da casa que alugava com amigos. Ele fez o mesmo.


Viemos apenas de férias do Canadá para o Brasil (eu no final de abril e ele no início de junho). Eu havia acabado de me formar e já não via a família há mais de dois anos. O plano era passar uns 40 dias por aqui e depois voltar. Mas, no dia do embarque, cancelamos os voos. Ah, os planos…

Descobri que o meu avô, que me criou desde que eu era uma pirralha, estava com um câncer super agressivo na bexiga. À medida que a minha viagem se aproximava, ele piorava. E foi vendo a minha tristeza e o meu desespero em querer ficar no Brasil para cuidar do meu avô, que o Marc me pediu em casamento e me prometeu estar ao meu lado enquanto eu cuidasse do meu velhinho. E ele esteve em todos os momentos.

Foram meses difíceis. O Marc me acompanhava até quando eu dormia no hospital com o meu avô. Imagino que a maioria dos casais tenha dias de pura paixão logo após o pedido de casamento. Eu nem lembrava que ia casar. Também fiquei um pouco mais fria com o Marc, pois estava sensível demais. E ele me compreendia.

Foi o Marc que levantou o meu avô nas duas (ou três?) vezes que ele caiu de madrugada, enquanto tentava ir ao banheiro sozinho. Ele nunca reclamou de nada. Nem mesmo cogitou me deixar aqui sozinha.

O casório seria em dezembro. Com a piora do meu avô, o padre aceitou vir celebrar o religioso aqui em casa, no dia 8 de outubro. Contei no post anterior que ele faleceu no dia 26 de setembro. Cancelamos o religioso, pois seria muito doloroso realizar a cerimônia logo após a sua morte.

Eu tive uma crise na noite anterior ao casamento civil. Discutimos por algum motivo bobo e eu entrei na neura de achar que talvez eu houvesse me precipitado em casar assim logo depois do pedido, sem programar nada, sem pensar muito, sem fazer planos. Como se esses mais de quatro anos de idas e vindas não fossem suficientes para que eu tivesse certeza do quanto nos amamos. Como se esses quatro meses dele aqui, ao meu lado, não bastassem para me mostrar que eu tenho um parceirão ao meu lado.


Planos.

A palavra ecoava na minha cabeça enquanto eu olhava pra aliança, escolhida às pressas na primeira loja que achamos. A gente se apega tanto à ideia de que devemos fazer planos, nos programar, fazer listas, cumprir a ordem “natural” de algumas coisas. Eu não sei vocês, mas a vida me deu umas rasteiras brabas, só pra me mostrar que quem manda é ela. Aprendi a lição e deixo ela quietinha seguir o seu curso.

Dias atrás perguntei ao Marc se ele tinha certeza que queria casar comigo. Com sua sinceridade fora do normal ele me disse: – Certeza eu não tenho, pois a única certeza da vida é a morte. Eu tenho muita VONTADE e acho que isso, aliado ao amor que eu tenho por você, já é suficiente.

Ele fez questão de enfatizar a palavra vontade.

Bingo. Esse cara tinha mesmo que ser meu marido.


Sem planos, sem listas, sem saber o que faremos amanhã e sem ter certeza se a hora era certa, mas com muita vontade de seguirmos juntos por aí, a gente se casou. Foi simples, meio improvisado e lindo.

O que eu espero daqui pra frente? Que nunca nos falte VONTADE.
 

 

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Eu disse sim! 


Não teve anel de diamante. Não foi numa praia paradisíaca ou numa dessas montanhas tão altas que a gente tenta tocar o sol. 

Não tinha vista bonita, mas, se eu respirasse bem forte, talvez até conseguisse sentir – lá longe – o cheiro do mar. 

Não foi em um dos nossos – tantos – paraísos preferidos. Não teve jantar romântico, pétalas de rosa, violino, discurso ensaiado. Não foi do jeito que eu sonhava. Até porque, depois de um noivado que não tinha dado certo, eu era do tipo que não sonhava com isso. Ou evitava sonhar. 

Eu estava suada. Engolia as lágrimas enquanto terminava de arrumar as malas. Pensava no visto que ia vencer e na minha necessidade em retornar ao país antes que isso acontecesse. Tinha muito pepino pra resolver. 

Avô doente. Eu não queria ir, mas não podia ficar. O meu avô é o meu pai, ele merecia que eu ficasse. À medida que o meu retorno se aproximava, mais tristinho ele ficava. Não comia direito. Reclamava que os netos estavam todos partindo pra longe dele novamente. O meu avô, que sempre foi uma pessoa super de bem com a vida, andava triste demais.

Enquanto eu chorava, ele tentava me acalmar e insistia em dançar. De vez em quando, se me vê triste ou brava com algo, ele me rodopia, na tentativa de me desarmar e me arrancar um sorriso. Já conheço esse truque dele. E me irritei. Disse que ele não imaginava como eu me sentia. Que aquilo era sério. Reclamei da sua insensibilidade e da mala que ele ainda não havia começado a fazer. Falei que ele brincava nas horas impróprias. 

Ele continuava me segurando em seus braços, dizendo que tudo iria ficar bem. Me rodopiou uma vez. “Marc, eu tenho medo de não ter a chance de ver o meu avô novamente. Ele já está velhinho e agora doente. Você me entende?”

Lágrimas. 

E ele me abraçou mais forte. Me rodopiou mais uma vez e quando eu encostei em seu peito, ele ensaiou umas palavras, pausou e depois sussurrou: “Vamos casar?” 

Eu fiquei muda. Não lembro quando foi a última vez que alguém me deixou sem reação. Talvez nunca. 

Ele continuou, como quem tenta explicar que o que ele havia acabado de falar fazia sentido. “A gente se ama e já se conhece há tanto tempo. Essa é a hora certa. Você fica o tempo que precisar com o seu avô. Eu ficarei o tempo todo aqui com você. A gente aproveita e dá a ele a felicidade de ver você se casar.” 

Eu chorei ainda mais. 

Assim, sem que eu esperasse, em poucos minutos ele reorganizou a minha vida inteirinha e me deu de presente o TEMPO. 

O tempo dele ao meu lado e o meu tempo ao lado dos meus avós. 

Me deu a chance de descobrir que sim, era possível amá-lo ainda mais. Não teve champanhe, não teve música, jantar caro ou quarto decorado. Não foi do jeito que eu havia imaginado, não foi no momento esperado. Foi numa dessas horas em que tudo que você mais quer é colo. 

Num desses momentos em que a gente se vê num beco sem saída, com o coração apertado. Que a gente procura um botão que pause a vida. 

Foi quando eu menos esperava que ele me embalou em seus braços e me mostrou que não importava o ritmo da música, eu jamais dançaria sozinha nessa vida. 

Dançamos. 

E eu disse SIM. ❤️

P.S: Ganhamos uma festinha surpresa da minha família linda, com direito a um bolo maravilhoso e tudo mais. Eles são demais! 

Sr. Jayme e Dona Áurea, meus avós lindos
 

Estamos todos muito felizes!  

🙂