México, onde um povo generoso e sua rica cultura dão as boas-vindas

Na lista de lugares que sempre sonhei em conhecer, o México estava em terceiro. O primeiro era o Camboja (conheci em 2015), em segundo está a África do Sul (ainda não conheço, quem sabe em 2018?) e então, México. Quando partimos do Canadá para os Eua, nem passava pela nossa cabeça visitar o país de Frida Kahlo em seguida. A decisão de vir pra cá, como contei em um post anterior, foi de última hora. E acabamos ficando no país por um mês e meio…

Frida em um muro na rua Coronilla, centro histórico de Guadalajara

A primeira parada foi Guadalajara, segunda maior cidade do México, localizada no estado de Jalisco, onde ficamos por 21 dias. Foi lá que tive o meu primeiro contato com a cultura mexicana, e me apaixonei por um povo que está sempre de bom humor e prestes a ajudar ao próximo. De lá, seguimos para outros locais. Visitamos Tlaquepaque, Tequila, Guachimontones, Guanajuato, San Miguel de Allende, Dolores Hidalgo e, por fim Cidade do México.

Neste primeiro post, falarei sobre Guadalajara, Tlaquepaque, Tequila e Guachimontones. Em um próximo, contarei sobre os lugares restantes, assim evitamos um post longo e pesado com tantas fotos. 

Guadalajara: o velho e o novo em um só lugar

O Centro Histórico e os casarões com portas maravilhosas
O charme de Guadalajara está no Centro Histórico. Não é uma cidade pra quem busca aventura em um lugar cosmopolita ou pra quem não tem paciência para visitar locais históricos. A cereja do bolo é a arquitetura dos prédios antigos e a sensação de estar em dois mundos ao mesmo tempo: uma cidade enorme e moderna, mas com grande ligação aos costumes antigos.

As praças – muitas, por sinal – são cheias de idosos sentados nos bancos, lendo jornais

A cidade possui 1,5 milhões de habitantes e, apesar de viverem em um ritmo um pouco mais acelerado do que aqueles que vivem no interior, eles ainda reservam boa parte do tempo para cumprimentar desconhecidos na rua e ajudar um ao outro. 


Outro grande atrativo de lá são os Mariachis – famosos grupos musicais originários do estado de Jalisco. Eles estão espalhados pelo centro da cidade, nos restaurantes, em feiras, mercados municipais e eventos diversos. Aliás, temos que concordar que o México caprichou no quesito riqueza cultural! A música é maravilhosa, a arquitetura e os artesanatos também, e a comida…..ahhh, essa ai tá lá no topo na lista das minhas preferidas.

Apresentação de Mariachi no centro de Guadalajara
Nas três semanas que ficamos por lá, não usamos o transporte público. Uber funciona super bem e é muito barato. As nossas corridas não passavam de $3 dólares. Como ficamos em um airbnb perto de muita coisa, também andávamos bastante.

Escritório no terraço do nosso airbnb

O trânsito não é tão ruim, mas os motoristas… Melhor prestar muita atenção ao atravessar as ruas em bairros que parecem super tranquilos. Em dois dias vi três batidas em locais onde acidentes de carro pareciam ser impossíveis de acontecer. Eles não diminuem a velocidade e não param em cruzamentos. 

Há pontos de aluguel de bikes espalhados pela cidade e também vias preferenciais para ciclistas. Aos domingos, algumas avenidas movimentadas são fechadas e você pode transitar de bike à vontade.

Ônibus e charretes transportam turistas no centro da cidade

Também há carrinhos vendendo comida praticamente em todas as ruas, mesmo as mais residenciais: frutas cortadinhas, refrescos, tacos, tortas (sanduíches), raspadinha… a lista é imensa!

Muitos turistas visitam Guadalajara por conta dos seus mercados gigantes, onde a gente consegue encontrar de tudo: artesanatos, roupas, calçados, jóias, comidas típicas… Os mais famosos são Mercado Libertad (ou San Juan de Dios), Galeria del Calzado e Magno Centeo Joyero (o maior mercado de jóias da América Latina). 

Culinária excepcional

A comida mexicana é boa DEMAIS e merece esse demais em maiúsculo porque não teve um único lugar dentre os quais visitamos, no qual a comida fosse ruim. Desde o boteco mais simples e com fila de espera ao restaurante super charmoso, mas que estava sempre vazio. Vai entender…

Tostadas no restaurante Bruna Cocina Aberta
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
 

Fiquei surpresa no nosso primeiro jantar, quando procurei no cardápio todas aquelas comidas mexicanas que eu tanto como no Canadá e não tinha muita coisa parecida. 

Cardápio de um restaurante super simples e que vivia com filas
Pozole, uma sopa de milho maduro cozido com vegetais e carne de sua preferência
Pratos lindos e saborosos no Río Viejo, um restaurante super charmoso

Na verdade, os únicos restaurantes que serviram burritos e tacos com a mesma aparência daquela que a gente vê em restaurantes mexicanos ao redor do mundo, foram os que ficavam em locais mais turísticos e restaurantes um pouco mais sofisticados. Nos food trucks e restaurantes tradicionais eles são bem simples. 
Tacos al pastor num restaurante super tradicional chamado La Santa Cruz
 

No México, as comidas de rua são tão boas quanto as servidas nos restaurantes. Em mercadões e feiras, não deixe de provar os ceviches, coquetéis de mariscos e carne en su jugo (carne cozida afogada em um molho de feijão). Tudo será servido com tortillas.

Charmosa Tlaquepaque

A 30 minutos do centro de Guadalajara fica Tlaquepaque (você pode pegar um uber por uns $100 pesos), um dos lugares mais charmosos que visitamos. 

Artesãos se apresentam em Tlaquepaque
O município tem uma vibe bem diferente da cidade vizinha (a qual faz parte). Lá é muito mais turístico e também mais caro. Há muitas lojas de móveis rústicos, objetos de decoração e peças de arte em geral. 

Igreja em Tlaquepaque
Artesanatos são um pouco mais caro em Tlaquepaque, por ser um local mais turístico

Adoramos passar uma tarde por lá e queria ter voltado durante a noite, pois soube que a cidade fica ainda mais charmosa. Acabamos esquecendo… fica pra próxima! 

Marc e o Mariachi em Tlaquepaque

Muita gente se hospeda em Tlaquepaque e passa a maior parte do tempo lá. É, sem dúvidas, um lugar com muitos atrativos a oferecer. Vale a pena inserir no roteiro! 

Day trip para Tequila

Também bem perto de Guadalajara (+ou- 60km) fica o município chamado Tequila – isso mesmo, existe uma cidade no México com ese nome. E, adivinha o que é produzido lá e distribuido para o mundo inteiro? Tequila! 

Fechamos um tour, pois queríamos visitar as haciendas e fazer o tradicional tequila tasting. Não foi muito barato (por volta de 125 dólares por pessoa) mas foi muito divertido. O nosso guia conhecia bastante a região e todo o processo de produção, o que tornou o passeio super educativo. 

Nós em uma das haciendas de cultivo do agave, principal ingrediente da tequila
Plantação de agave

O tour durou o dia inteiro. Visitamos duas fábricas e provamos os principais tipos de tequila produzidos na região: prata, ouro, reposado, anejo (envelhecida) e extra anejo (extra envelhecida). 

Tequila tasting
Barris na hacienda Tres Mujeres
 


Depois de muuuuita tequila, famos passear pelo centro da cidade, comemos em um mercado municipal e retornamos para Guadalajara no início da noite. Adoramos a experiência! 

Pirâmides circulares em Guachimontones

Considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos do México, Guachimontones fica a uma hora de Guadalajara (pegamos um Uber, o motorista nos esperou lá e pagamos $600 pesos ida/volta) no município de Teuchitlán. 

O local é famoso por conta das suas pirâmides circulares – as únicas no mundo – que em 2006 entraram para a lista de Patrimônios Mundiais da Humanidade, da UNESCO. 

 

A área abriga 10 pirâmides construídas pela sociedade Teuchitlán, que lá viveu entre o período de 300 a.c. a 900 d.c. 

No museu que guarda objetos e informações sobre o lugar, há um vídeo explicativo bem interessante. Não pagamos para entrar, pois às quartas-feiras a entrada é livre. 

Apesar de bem diferente e ter uma história interessante, o lugar não foi um dos nossos preferidos. As pirâmides são menores do que imaginávamos e não há muito o que fazer no local. 

Após três semanas em Guadalajara, pegamos um ônibus para Guanajuato (400 pesos/ 4 horas de viagem) e demos início à segunda fase da nossa viagem, que será contada em um próximo post! 

 Dicas e curiosidades

– A gorgeta no México é opcional, porém, a etiqueta pede que se deixe 10% do valor da conta para o garçom/garçonete. 

Tortas são sanduíches e Pasteleria é uma doceria onde você encontra bolos e tortas. Sope não é sopa, e sim uma tortilla grossa, coberta com queijo, vegetais e carne. 

– Homens e mulheres não costumam usar shorts/saias no México (em cidades grandes e históricas). Vimos alguns aqui e acolá, mas geralmente só turistas se vestem de maneira mais despojada. 

– Água natural é o que chamamos de água mineral (garrafinha) no Brasil. Água mineral é a nossa água com gás. Águas frescas são águas com sabores e açúcar, muito comum em todo o méxico. 

– Água de horchata é uma bebida mexicana à base de arroz, canela e açúcar. Água de jamaica (chá de hibisco) é servida gelada e tem sabor de chá preto com açúcar. Lembre-se: no México, todos os refrescos são preparados com açúcar, a não ser que você peça sem. 

– Ao sair de um restaurante, o mexicano deseja aos que continuam comendo “Buen provecho!”, que seria “aproveite a sua refeição ou bom apetite…”. 

Você pode acompanhar as nossas aventuras, ver vídeos e muitas fotos lindas no meu instagram: @arittavaliense 
 

 

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Nós dois, duas malas e quatro países 

Depois das férias de um mês e meio que se estenderam por 9 meses no Brasil, voltamos ao Canadá no final de janeiro. Uma passagem beeem rápida pelo inverno canadense! 

Ficamos em Toronto por apenas duas semanas – tempo suficiente para resolver algumas pendências, organizar as nossas coisas, rever os amigos e perceber que não estávamos muito afim de curtir o frio. No dia 8 de fevereiro partimos para Los Angeles, Califórnia, e lá ficamos por 10 dias. Eu já sabia que ia amar aquele canto do mundo, óbvio. Quem não gosta da Califa, gente? 

Os famosos coqueiros
LACMA – vale a pena a visita ao museu
Sou daquelas que não resiste a uma parede cheia de rabiscos. Essa aqui é no Café Gratitude, um vegano maravilhoso em LA
 

Não escolhemos Los Angeles à toa. O Marc quueria participar de uma conferência de investidores que aconteceria na cidade no dia 15 e, como ainda não conhecíamos a Califórnia, saímos de Toronto com apenas a passagem de ida. 

Santa Mônica Píer
Runyon Canyon, trilha queridinha dos famosos pelas montanhas de Hollywood. A vista é sensacional!
Pink Wall na loja Paul Smith, localizada na Melrose Ave.


The Last Bookstore, em downtown de Los Angeles. Se você é louco por livros, vai morrer de amores por esta livraria

Cactos e Joshua trees

Além de explorar Los Angeles, passamos dois dias no deserto. Dirigimos por mais ou menos duas horas até Joshua Tree – o cenário durante o percurso é de tirar o fôlego! Foi uma experiência completamente diferente de tudo que já havíamos feito. Você se sente num daqueles filmes de faroeste estrelados por John Wayne! 

Pagamos $25 para entrar no Parque Nacional de Joshua Tree e o ticket dá direito a retorno por sete dias
Aritta, a rainha do deserto
O parque é imenso e oferece muitas trilhas! Fizemos uma de 6km subindo uma montanha até chegarmos numa mina desativada
Ventava bastante nesse dia e na sombra fazia um friozinho. À noite faz muito frio no deserto.
Nos apaixonamos por Joshua Tree, que fica bem perto de Palm Springs, outra cidadezinha bem famosa perto de LA. A casa na qual ficamos foi um achado, pois desde que apareceu em um editorial de moda da Vogue (só ficamos sabendo disso depois) vive ocupada. Apesar de super simples, a cabine era a coisa mais charmosa do mundo! O único problema era ir ao banheiro de madrugada, já que ele ficava do lado de fora e eu sou do tipo que morre de medo do escuro. E já que mencionei a nossa casa…

Airbnb é vida

Como faz muito tempo que não atualizo os leitores sobre o meu paradeiro, acabei nem comentando sobre o nosso vício em Airbnb. Pra quem não conhece, é um aplicativo no qual você acha quartos ou casas/apts com preços muito mais em conta do que hotéis. Você lê os comentários de quem já se hospedou nos locais e consegue ter uma boa ideia sobre a qualidade, conforto e segurança do local. Acho muito mais legal do que ficar em hotéis pois me sinto “em casa”. Além disso, para quem não se importa em se hospedar na casa de alguém, a interação entre o hóspede e o dono da casa pode ser mais uma vantagem em relação aos hotéis. 

Já alugamos somente quartos e também casas só pra nós e nunca tivemos problemas! Farei um post só sobre as nossas experiências com Airbnb no Brasil, Canadá, Estados Unidos e México. 

A nossa cabine no meio do deserto
Já pode voltar? Dêem uma olhada na vista que a gente tinha ao acordar
Posando de blogueira, né?
Me apaixonei pelos detalhes na decoração da casa
Aproveitamos que estávamos no paraíso e na manhã do dia 14 –  meu aniversário – renovamos os votos de casamento e fizemos as fotos no Parque Nacional de Joshua Tree. 

Dia super especial!
Aqui, estávamos num dos pontos mais altos do parque, de onde se tem a melhor vista. Pensem num vento frio?


Recapitulando: ao chegar nos EUA ficamos 4 dias em Los Angeles, num airbnb bem pertinho de Hollywood. No quinto dia, partimos pra Joshua Tree, no deserto californiano, onde ficamos até o dia 14. Voltamos pra LA e ficamos num airbnb em Venice Beach. 

Venice Beach
Santa Mônica

Passamos mais 4 noites em Los Angeles e seguimos pra Las Vegas (que não estava nos planos, mas eu nem lembro por qual motivo acabamos indo parar lá hahaha). Ficamos 4 dias naquela loucura (a cidade é linda, mas eu tô muito velha pra toda aquele furdunço). Fizemos um tour de helicóptero para o Grand Canyon, que estava na minha lista de lugares que eu queria muito conhecer, e eu quase tive um ataque do coração quando o Marc me disse que iríamos pra lá! É ainda mais lindo do que eu imaginava. 


 

Tequila e Mariachis 

Na nossa última noite em Vegas, discutimos sobre o que faríamos nos próximos dias e para onde seguiríamos. Não chegamos num consenso – o Marc queria seguir para Utah – e eu queria conhecer San Diego e San Francisco – então, compramos passagens aéreas para Guadalajara, no México. Tudo a ver, né? 

Grand Canyon e México: dois sonhos realizados no mesmo dia! 

Centro Histórico de Guadalajara
Centro Histórico de Guadalajara
Há muitas esculturas e instalações de arte espalhadas nas praças do centro histórico
Enquanto escrevo esse texto, estou sentada no terraço da casa que alugamos aqui na segunda maior cidade do México. Vejam que fofa, apesar de bem simples… 

A dona dessa casa é Canadense e se mudou pra ca há 6 anos. Alugamos a casa inteira e ficamos aqui até meados de março
Escritório

Eu sempre quis conhecer o país! Sou apaixonada pela cultura, pelo colorido e pela comida mexicana… tem coisa mais gostosa do que tacos e guacamole gente? E o preço das coisas? Tudo muuuito barato: comida, transporte, aluguel…. Chocada! 
Mercado San Juan de Dios, o maior mercado de Guadalajara. Fiquei louca com o tanto de coisa que a gente encontra lá
Carne en su jugo no Mercado San Juan de Dios
Aliás, esqueça tudo que te ensinaram sobre comida mexicana. Fiquei chocada na primeira noite que saímos para jantar! 

Eu não conhecia quase nada do cardápio além de tacos e quesadilla, que por sinal são completamente diferentes da comida mexicana que a gente come no resto do mundo. Fiquei uns 20 minutos analisando o cardápio e passei o maior sufoco pra pedir a comida. No final das contas, deu tudo certo (fora as tortillas que a gente não esperava serem suuuuuper picantes). 

Ainda não temos uma data pra voltar pro Canadá. O Marc tem a sorte de poder trabalhar de qualquer canto do mundo e, enquanto não fincamos raízes em um só lugar, continuo fazendo alguns freelas e tentando focar no blog, que anda muito abandonado. Vamos ficar aqui mais umas semanas, pelo menos até o meio de março. Quando sentirmos que é hora de irmos para outro lugar, a gente discute as possibilidades por alguns minutos e, se não chegarmos a um consenso, giramos o globo e seguimos pra onde o dedo apontar.

Sorry pelo post gigantesco!
¡Hasta luego!