Feliz aniversário, meu Marquinho

O nosso time nem sempre jogou bonito. Houve faltas, contra-ataques sem estratégia alguma, muita bola fora e péssimas cobranças de escanteio.

Éramos dois jogadores com posições, línguas e táticas completamente diferentes. A gente não se entendia. Lembra da nossa dificuldade em jogar bonito?

Em quase seis anos de história, são mais de duas mil partidas.

Tá certo que nem sempre dividimos o mesmo campo. Foram tantos cartões vermelhos e expulsões que eu nem consigo contar.

Lembro bem da época na qual sentamos no banco de reservas e até jogamos em times diferentes. Doeu mais do que aquele 7X1.

Amadurecemos, evoluímos, melhoramos a nossa técnica, nos demos mais uma chance. Voltamos a vestir a mesma camisa, dessa vez menos preocupados em marcar gols e mais comprometidos em melhorar a nossa harmonia em campo.

Aprendemos a antecipar os chutes um do outro. Eu mal toquei na bola com meu pé canhoto e você já está lá pra receber o meu passe.

A nossa história é tão linda quanto a comemoração de Bebeto ao marcar o gol na copa de 94; é tão linda quanto o pênalti perdido por Baggio naquela mesma copa; tão linda quanto os gols de Ronaldo na final de 2002. Somos penta e em breve seremos hexa! Mais de cinco anos de história…

O nosso time pode não ser o melhor, mas é cada drible lindo que a gente dá nessa vida, né? Te amo 💛

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Fica 

  

Não fique se estiver com pressa. Não quero roubar todo o seu tempo, mas confesso ter pavor a encontros e amores cronometrados. 

Não pretenda me ouvir quando o seu pensamento estiver em outro lugar. Eu tenho a mania de falar pelos cotovelos, eu sei. Ainda assim, prefiro o seu silêncio a uma resposta vaga. 

Não concorde com as minhas ideias se a sua opinião for diferente da minha. Insista em me mostrar o seu ponto de vista e assim teremos a chance de ver os dois lados da mesma história. 

Se quiser fazer jogo, tudo bem, eu não gosto, mas não vou te proibir. Jogue as suas cartas na mesa e, se os naipes forem opostos aos meus, a gente reinventa as regras. Só não me veja como a sua adversária, me tenha como a sua cúmplice. 

Não vem com aquele papo de “eu faço o que você quiser”. Me diz o que você quer, imponha a sua vontade e, juntos, chegaremos a um consenso. Não há problema algum em não gostar do meu restaurante favorito. Eu não me importo em visitá-lo sozinha. Há tantos outros para ir com você…

Eu não quero que prometa não me fazer chorar. Me importo mais com a qualidade das gargalhadas que você pode me proporcionar. 

Eu não quero ter alguém que esteja ao meu lado para tudo. Eu quero alguém que reconheça a minha capacidade em vencer qualquer obstáculo e que me encoraje a dominar os meus maiores medos. 

Eu não quero fazer planos para o futuro. Já fiz tantos e muitos viraram apenas rabiscos em um papel qualquer. Não tenho pressa e mantenho uma grande afeição pelo presente. O futuro é incerto, eu sei. Mas se não for pedir muito, eu quero você ao meu lado mesmo nos planos não feitos. 

Fica.

Sobre o que talvez não caiba mais em nós

 
Às oito eu acordei antes do despertador tocar. E passei trinta minutos revirando as minhas gavetas, numa tentativa frustrada de achar uma camiseta que não existia ou que eu devo ter doado há uns anos e não me recordo.

Por fim, vesti aquela que estava no topo da minha pilha de roupas bem dobradas, minuciosamente divididas por cores. Eu poderia ter salvo trinta minutos do meu dia se não insistisse em algo que já não existia. Ou poderia ter salvo dias, talvez anos, se eu levar em conta tudo aquilo que eu procurei ao longo da vida, mesmo sabendo que não iria encontrar. 

Desci as escadas em direção à cozinha. Coloquei a frigideira em cima do fogão, lavei os pratos que estavam sujos na pia e voltei para o meu quarto. Lembrei que a frigideira estava à minha espera e percebi que eu não queria mais os ovos mexidos. Comi uma banana. Joguei a casca na lixeira errada e não consertei o meu erro. Eu precisava daquele ato de rebeldia. 

Peguei o livro que estava na mesinha ao lado da cama, li duas frases e antes mesmo de terminar a segunda, eu já não lembrava o que a primeira dizia. Deixei o livro de lado e decidi que iria separar algumas peças de roupas para doar. E eu, que não sou de me apegar às coisas que não uso tanto, não consegui achar nada que pudesse ser descartado. Talvez eu seja, sim, do tipo que se apega demais. 

Foi então que encontrei o que me incomodava desde às oito da manhã, quando coloquei o pé esquerdo no chão. É essa mania estranha de não me desfazer de certos sentimentos que já não cabem em mim. De acumular um pouco de tudo que eu sinto ao longo da vida. Um medo bobo de deixar ir o que já não me serve. De não me desfazer do que aperta, por achar que um dia estarei mais leve. De não deixar que resquícios de amores passados me abandonem, já que cada um construiu a mulher que eu hoje sou.

É aquele medo que volta e meia assombra a gente. Medo de se desconectar do que já não te pertence, como se ao se desfazer daquele sentimento você pudesse se arrepender um dia por não poder mais usá-lo. Você sabe que já não te serve, mas insiste em deixá-lo guardado, como uma camiseta velha esquecida no fundo da gaveta. 

A mesma camiseta que um dia você decide usar e descobre que já não fica tão boa quanto antes. Porque vestir o que estava guardado por muito tempo pode ser desconfortável. A gente muda tanto que a roupa perde o caimento perfeito, deixa de ser sua, passa a pertencer à gaveta em que mora. 

Assim são os amores que a gente tem medo de deixar partir, numa obsessão em ter controle sobre o que já não cabe, mas que não pode ser doado. A gente não sabe se esconde no fundo da gaveta ou se arriscamos usá-lo para ver se ainda nos serve. 

Voltei a ler algumas páginas do livro e então decidi revirar novamente as minhas gavetas. Foi então que eu lembrei que eu ainda não havia doado aquela camiseta, mas a deixei guardada em uma mala no porão. Cogitei ir buscá-la, mas desistí antes mesmo de deixar o meu quarto. Ler o livro me pareceu mais sensato do que trazer uma blusa mofada de volta à gaveta, quando eu nem ao menos sei se ainda vai me servir…. 
 

Tudo aquilo que aprendi com os cafajestes

 
Não adianta negar. A maioria de nós, mulheres, já chorou pitangas (e todas as outras frutas) por causa de um cafajeste. E eu, apesar de parecer bem espertinha e dar uma de rainha-do-sabe-tudo, não fico atrás, não. 

Perdi as contas de quantas noites eu passei em claro, seja soluçando de tanto chorar ou afogando as minhas mágoas em algumas doses de vodca, como se o álcool pudesse esterilizar as feridas do meu pobre coração. 

E hoje, passado algum tempo desde que abandonei os relacionamentos que transformavam a minha vida em verdadeiros dramalhões mexicanos, percebi que aqueles caras não me ensinaram somente a chorar sem borrar o rímel; ou a tirar selfies super produzida para mostrar que estava feliz, enquanto forçava um sorriso que se transformava em choro com o toque de uma pena; ou que comida se transformava facilmente no meu melhor amigo e pior inimigo. 

Os cafajestes te ensinam que, por mais que você seja a melhor namorada, a mais compreensiva, companheira e a que topa tudo na cama, se o cara é do tipo que trai, você nunca será suficiente. Não porque você não é boa, talvez você seja boa até demais. Mas, porque ele mesmo não se basta. 

Uns não querem assumir um relacionamento sério, mas esquecem de te contar esse pequeno detalhe. E você só descobre quando essa é a desculpa que ele usa para justificar o desrespeito. Outros, sofrem da Síndrome do Preciso Provar: provar mulheres diferentes, provar pros amigos que eles continuam sendo garanhões e provar para eles mesmos que podem ter a mulher que quiserem. E tem aquele que trai só porque sim. Porque se acha no direito de fazer o que bem entender com o bilau que possui. 

Aprendi que a maioria dos homens que me traíram tinham inseguranças maiores do que as minhas. E, apesar de eu ter saído dos relacionamentos me sentindo um lixo, aprendi, também, que ao forçar a barra e tentar acreditar em quem só me machucava não me posicionava em uma categoria muito diferente das mulheres que se automutilam. Eu sangrava, sarava e dava a minha cara – e a alma – ao tapa. Uma espécie de masoquismo disfarçado de “eu era cega”. Mas eu não era. 

O cafajeste não te obriga a estar com ele. É você que insiste, que não entrega os pontos, não dá o braço a torcer e acha que desistindo da relação estará deixando para trás aquele que poderia ser o homem da sua vida. É você que sozinha põe a mão no fogo uma, duas, três vezes como se tentasse se acostumar com a dor. 

O cafajeste nem sempre está fingindo te amar. Alguns amam sem nem saber que aquilo é amor. E se desesperam quando você resolve jogar a toalha. Porque eles também odeiam perder. E sofrem. 

É nessa hora que a gente se divide entre o “quero que ele vá pro inferno” e o “mas ele parece mesmo arrependido, talvez eu devesse acreditar”. E você não sabe se deita na cama em posição fetal, fecha os olhos bem forte e espera alguém vir cortar o cordão umbilical com o qual você alimentava um relacionamento que só existia porque você o nutria, ou se vai para a rua se jogar nos braços do primeiro que aparecer. Como se uma noite na cama com um desconhecido fosse mudar a sua convicção de que os homens não são de marte, ao contrário do que dizem, mas mereciam sim, serem mandados para lá… 

Os homens cafajestes nem sempre têm a intenção de te magoar – ainda que tenham despedaçado o seu coração com a habilidade de um açougueiro. Os cafajestes também se arrependem. Alguns se esquecem que se arrependeram com a mesma velocidade com a qual cometem os erros. E seguem errando… Porque não importa quantas mulheres incríveis ele há de conhecer. Ele vai continuar sendo cafajeste, até se cansar da vida bandida e decidir que é hora de mudar. Ou não. 

E você aprende que esquecer um cafajeste dói em dobro. Pois você precisa esquecer não só o cara que te magoou, mas também aquele que vivia nos seus sonhos, o namorado perfeito, o cara que nunca existiu. Mas você o esquece, dá a volta por cima e, o mais importante: passa a reconhecer de longe quando um outro cafajeste se aproxima. E pode escolher entre estar sozinha ou viver novamente um amor bandido. 

Um dia você decide que é chegada a hora de parar de brincar com fogo. Que você merece mais. Você aprende a reconstruir a sua auto-estima quando entende que os erros dele não foram causados por falhas suas e que estar sozinha ou ter alguém que te respeite vale muito mais do que insistir em um relacionamento fadado ao fracasso. 

Instagram: arittavaliense

A nossa história

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A gente se conheceu numa situação no mínimo inusitada. Eu sou a típica garota que vai numa festa só porque descobre que o paquera vai estar lá. Mas também sou a mais azarada do mundo quando se trata de chegar na festa e o paquera estar com outra, ou outras. E dai eu bebo, choro e acho que sou a mulher mais feia, gorda, e sem graça que existe no planeta Terra.

Foi assim que eu o conheci. Chorando porque o paquera brasileiro havia me dado um “perdido”, resolvi descontar na tequila e dançar como se o mundo fosse acabar no outro dia. Eu nem dei muita atenção quando aquele canadense me parou e perguntou se podia dançar comigo. Acho que estava mais preocupada em olhar por cima do ombro dele e ver se o tal paquera ainda beijava a loirinha sem graça. Quase disse: Sai da minha frente que você está atrapalhando a minha visão!!!

Mas ai a minha amiga me puxou e disse: – Você tá louca!!! Olha que cara gato puxando papo contigo! – Eu, então, resolvi ceder. E com mais álcool no sangue do que adolescente baiano solteiro em quarta-feira de cinzas fomos novamente para a pista de dança. Eu não entendia muito bem o que ele falava. Canadense, som alto, teor alcoolico nas alturas e cabeça em outro lugar, passamos a noite inteira intercalando shots de tequila e passos sem sintonia alguma na boate. Esqueci o nome dele, mas sabia que era de descendência italiana. A salvação foi uma mensagem no whatsapp pra a amiga que conversava conosco encostada no balcão da boate: -Ask his name!!! (mandei em inglês) e o Marc viu.

Infringi todas as leis e regras do primeiro encontro. Me comportei como uma louca, liguei no meio da madrugada para avisar que não conseguia achar a minha amiga e ele pediu ao taxi para que me levasse para a casa dele. Deixei a casa dele quase que na ponta do pé. Sabe aquelas cenas de filme em que você acorda com cara de panda, olha pro lado, vê um homem lindo dormindo num sono profundo e resolve se mandar antes que ele desperte e veja a criatura na qual você se transforma pós-balada? Esse “cara” sou eu.

E desde a primeira e louca noite, 22 de agosto do ano passado, o Marc tem sido o dono dos meus melhores sorrisos. E há aquele velho ditado, que eu sinceramente desconheço a autoria, de que “os opostos se atraem”. Se é verdade, eu não sei. Até porque nestes seis meses me confundo entre achar que somos completamente diferentes ou muito iguais. Ainda não achei uma resposta.

O Marc é o típico canadense centrado, workaholic, racional, sarcástico e ao mesmo tempo direto. O oposto dos sul americanos, latinos, dramáticos e pegajosos. Tudo que eu sempre fui e ainda sou. Ele tem sido o meu equilíbrio, a minha parte racional e o meu melhor amigo. Não que ele não demonstre o seu amor por mim. Isso ele sabe fazer de uma forma que eu nunca havia vivido antes: menos palavras, mais atitudes, muito carinho.

Se tem algo que ele sabe fazer como ninguém, é me abraçar de uma forma que faz com que eu me sinta a mulher mais protegida do mundo. Muitas vezes eu reclamei, disse que sentia falta de mensagens românticas e demonstrações públicas de afeto. Coisas que os canadenses não fazem muito, vem da criação.

E ai eu descobri que o que mais amo nele é justamente esse mistério, essas surpresas verdadeiramente inesperadas. Ele é do tipo que me manda arrumar a mochila porque na outra manhã vamos comemorar o meu aniversário em outra cidade. E não me diz aonde estamos indo até que estejamos no destino final. Ele é do tipo que não deixa faltar o meu chocolate preferido na cabeceira da cama… E me acorda caso eu pegue no sono ao assistir tv sem o meu travesseiro predileto. Porque sabe que irei reclamar na manhã seguinte. Ele é daqueles que enchem o quarto de velas, música ambiente, vinho e me puxa pra dançar… Ele me observa enquanto durmo e me diz que sou linda todas as vezes em que eu olho em seus olhos.

Porque apesar de não me encher de torpedos melosos ao longo do dia, ele faz questão de ir me visitar no trabalho sempre com aquele sorriso lindo, que me desarma em apenas 5 segundos. Porque o Marc não é só lindo por fora. Ele tem um coração e caráter invejáveis.

Demorou algum tempo até eu me acostumar com as nossas diferenças culturais, a ser menos dramática do que nos relacionamentos anteriores, a valorizar um eu te amo dito com o olhar e a não me importar com o fato de que o meu namorado não enche o meu mural do facebook com declarações de amor. Demorou para que eu aceitasse a condição de ter alguém que não joga os joguinhos que durante a vida inteira aprendi a jogar. Como dizer que vai para casa só para ouvir ele dizer: fique. Quer ir para casa, ta bom, amanhã a gente se vê e ponto. Me acostumei com o fato do meu amor não entender bulhufas das loucuras que escrevo. Como esse texto que só fala dele.

Ainda hoje, de vez em quando, fico com o olhar distante, pensando no que vai acontecer amanhã, e ele, que já conhece todas as minhas expressões faciais, me puxa para perto do seu peito diz: -Relax…

Então eu encosto a cabeça no colo dele e tento acreditar que independente da duração da nossa história que é linda e especial, aquele momento e tudo que estamos vivendo vai ser eterno.

Sobre as coisas que eu não compreendo

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Tem muita coisa que me intriga desde que me tornei gente. Há poucos dias passei 5 minutos olhando a bússola do meu celular e fiquei abismada como aquele negócio sabe em 10 segundos onde fica o Norte e eu com 25 anos ainda me perco se alguém me der as coordenadas usando só Norte, Sul, Leste, Oeste. Dá para dizer o nome do mercado que fica na esquina ou a cor das flores na frente da casa? Mas ai me mandam seguir ao Sul de não-sei-aonde e depois virar em direção noroeste-onde-o-vento-faz-a-curva. Acaba com a minha vida.
Outra coisa que mexe com a minha capacidade de entender as coisas do mundo é a resistência dos lacres de algumas etiquetas de roupa. Parece bobagem, mas só eu sei quantas vezes machuquei a mão tentando arrancar aquele negócio e, na falta da tesoura e no medo de quebrar o dente, já passei dias com aquele negocinho pendurado. Uma coisa tão pequena, tão inofensiva, mas que me tira a paciência.
Isso para não falar da inutilidade daquelas pecinhas extras que sempre vem junto à etiqueta. Os botões eu até entendo. Mas alguém por acaso guarda o saquinho com TRÊS lantejoulas e costura depois de perder mais de 10 na primeira lavagem? Eu nunca.
Comprei um cachecol de lã e veio um saquinho com (acreditem!) 2 linhas de 20cm. Oi?
Bom, mas o que me fez escrever essas bobagens hoje é a minha incompreensão diante de algo que vejo acontecendo muito por ai: casais que criam perfil em conjunto no facebook.
Eu fico curiosa para saber o que leva pessoas esclarecidas e adultas a fazerem isto.
Me pergunto: Na hora de criar a conta eles discutem qual nome vem primeiro? Ana e Francisco ou Francisco e Ana? E a senha? Huuum, põe a data de aniversário do namoro, amor! Assim a gente nunca esquece…
Eu sei que é muita paixão, muita vontade de se tornarem um só, mas, que me perdoem os amigos que fazem isto, não é normal.
Acho compreensivo quando são adolescentes. Bom seria se fossem apenas eles.
Ai eu questiono: Onde fica a individualidade? Porque eu não sei o que leva os casais a fazerem este tipo de coisa, mas desconfio que seja uma forma de evitar as famosas brigas por conta desse destruidor de relacionamentos que é o Facebook.
Quem nunca fuçou a página do parceiro para saber se tem alguma amizade nova ou recadinho suspeito? Eu já. Muitas vezes.
Mas quando passamos dos 18 certos tipos de coisas deixam de ser aceitáveis. Ter a senha das redes sociais e e-mails, invadir a privacidade, é sempre uma forma de buscar alguma pista de que ele ou ela não está sendo honesto. Já fiz muito isso e não tenho boas recordações.
Em algumas situações a gente procura algo que o instinto já nos trouxe. Em outras, é a nossa mania de achar que o sexto sentido nunca falha quando ele sim, falha!
Com o tempo e com os relacionamentos, aprendi que se algo está errado, a verdade aparece na hora certa. Dói, mas dói de uma vez só. E não aos poucos, como quando a cada dia você investiga a vida dele (a) e vai se corroendo por dentro. Aprendi também que buscar um motivo para crer que o seu parceiro não é a pessoa que você acha que é, demonstra que o relacionamento jamais vai dar certo.
Tive uma amiga que acessava o e-mail do namorado e ficava possessa quando via os vídeos e fotos pornográficas que os amigos mandavam pra ele. E eu tentava explicar que isso acontecia com todos os homens do universo, mas ela não compreendia. Os dois criaram um perfil juntos, pois ela tinha ciúmes das “piriguetes” amigas dele. Sim, porque para ela, todas as mulheres que ele conhecia eram piriguetes. Acho que só a cunhada e a sogra se salvavam.
Esse é um exemplo de relacionamento que não daria certo nunca, e não deu. Não houve traição, houve desgaste.
Não há nada mais sadio do que ter os momentos que são só seus. Aqueles em que você conversa besteiras com os seus amigos, seja sobre assuntos corriqueiros ou pornográficos. Porque somos humanos.
Com o tempo você aprende que você é muito mais valorizado pelo seu parceiro quando se mostra seguro de si, independente e com vida própria. E isso, entre outras coisas, inclui ter um perfil somente seu no Facebook. Porque se fosse algo criado para dupla, ele perguntaria “Como ESTÃO se sentindo?” e não “Como ESTÁ se sentindo?”, não é Zuckerberg?

Se o relacionamento acabou, a vida continua

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Passava um pouco das 11 da manhã quando peguei o celular e vi uma mensagem de uma amiga que dizia o seguinte: “Não sei mais o que fazer para esquecer fulaninho. Já tentei de tudo e não dá”. Respondi que antes de qualquer coisa, ela precisava parar de se preocupar em esquecê-lo, pois assim não lembrará do bendito a todo o instante. “Parece fácil, mas na prática não rola”, ela me respondeu. 

É, eu sei. Ah, e como sei!  Mas cabe a mim, como amiga, tentar mostrar de todas as formas que ninguém morre por amor. A não ser que a pessoa seja fraca o suficiente para amar muito mais alguém do que a si mesmo. E, infelizmente, existem muitos por ai…

A cena se repete todos os dias. Há sempre algum (no meu caso, alguns) amigo sofrendo por um relacionamento que acabou. E eu venho pensando muito sobre o assunto nos últimos dias, após as intermináveis conversas com os meus amigos de coração partido…

Que conselhos devo dar quando sei que nada faz passar a dor de ter que esquecer alguém que até pouco tempo parecia ser a metade da nossa laranja?

Há quem diga que a gente não aprende nunca a sofrer. Que cada dor é diferente da outra, pois cada relacionamento tem as suas singularidades. Eu discordo em partes. Acredito, sim, que aprendemos a sofrer e, acredito ainda mais que a dor é fundamental para que possamos evoluir. Eu, que nunca fiquei solteira por muito tempo e já sofri igual a cachorro sem dono, aprendi muito com todos os meus términos. E foram muitos, viu? 

Aprendi a controlar a minha impulsividade e a viver a minha dor de uma maneira que não afetasse as pessoas ao meu redor. Afinal,  ninguém é responsável pelo seu sofrimento, nem mesmo o cara ou a garota que te deu um pé na bunda. Você é responsável pela dor que está sentindo. Você, só você, tem o poder de controlar a sua angústia, de levantar a sua cabeça e pensar: “Vale a pena?”. Não culpe o seu ex ou a sua ex por você estar se sentindo um lixo. E mantenha o foco no que você pode fazer para dar a volta por cima. 

O que sempre me ajudou muito, não só no quesito relacionamento, mas em tantos outros momentos em que estive triste, foi o “Jogo do Contente”. Parece bobagem, mas desde que li o livro Pollyanna, quando tinha por volta dos 15, 16 anos, aplico a mesma técnica que a personagem. Se estou triste porque o meu relacionamento acabou, penso em como deveria estar feliz por ter amigos maravilhosos, uma família que me ama e me apóia, e o quanto eu estaria triste se tivesse perdido algum deles. Penso no quanto sofri quando algumas pessoas especiais faleceram. Porque sim, nenhuma pessoa é substituível. Mas vamos combinar que alguns ex namorados (as) não entram na categoria de seres humanos. Eles são outra coisa qualquer. Pois até que a dor passe e você consiga voltar a ter algum tipo de pensamento positivo por aquela pessoa, ela sai da categoria “gente”e vai para uma categoria indefinida, fica quase que num “limbo”.  Na hora da raiva, eles oscilam entre “ele (a) não vale nada!” para logo em seguida “mas só com ele (a) eu sou feliz”. Vai entender o coração…

O lado bom de todo esse drama é que o mundo é grande e sempre nos apresenta alguém quando menos esperávamos. Tudo encaixa direitinho novamente. Daí a gente passa a ter borboletas no estômago mais uma vez  e a reconstruir todos os sonhos. Mesmo que seja somente durante um tempo, até que a dor do término nos pegue de surpresa…

E ainda com todas as incertezas e o medo de sofrer novamente, é preciso tentar, tentar e viver o relacionamento como se fosse eterno. Já que não há nada mais angustiante do que estar ao lado de alguém achando que vocês vão terminar a relação a qualquer hora. Se existe esse tipo de pensamento, é hora de rever os seus conceitos e o que você busca no outro. E, se ao terminar com alguém, você achar que perdeu o seu chão, está na hora de caminhar de um jeito diferente, sem precisar se apoiar no outro como se fosse um bebê aprendendo a dar os primeiros passos. 

A gente conquista tanta coisa boa na vida… Batalhamos para sermos independente, temos o nosso trabalho elogiado pelos colegas, passamos em testes, provas, vencemos medos e obstáculos… E temos um mundo inteirinho para desbravarmos sozinhos (porque não?) ou com alguém especial. 

Aprenda a viver a sua dor. Faça o que tiver que fazer para se sentir melhor. Converse com os amigos, tome um porre, coma chocolate, coma o que tiver vontade, chore quantas vezes forem necessárias. Mas não deixe que ela, a maldita dor, se acomode no peito sem hora para ir embora. Quando achar que já sofreu o suficiente para aprender alguma lição, enxuge essas lágrimas, sacode esse mau humor, tire de dentro de você todo e qualquer pensamento ruim sobre o outro. Não vale a pena guardar rancor. Não vale a pena sofrer por demais. Viva pra você, por você. E se você tiver filho, sobrinho, afilhado, amigos especiais, pessoas que precisem de você nesse instante, viva pra elas também. Isso sim vale a pena.